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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Blood Moon


Amanhã, dia 27 de julho, teremos um eclipse lunar (total) bastante esperado e bem peculiar, pois envolve não só o eclipse em si, mas uma série de outros fenômenos, como a oposição de marte (o que quer dizer que estará mais próximo da terra, coisa que já podemos perceber olhando pro céu à noite), conjunção planetária (Marte, Terra) e uma chuva de meteoros. São eventos que, fora do contexto místico, pra quem acredita como eu, já proporcionariam uma noite muito especial pela beleza.

O certo é que pros cultos do Sagrado Feminino, o eclipse lunar de amanhã representa uma Blood Moon (Lua de Sangue ou Lua Vermelha). De forma prática, o Sol, a Terra e a Lua ficam alinhados fazendo com que a Lua entre na sombra da Terra, chamada de Umbra. Diferente da Lua Azul, onde a a Lua não muda de cor, durante um eclipse lunar total a Lua muda de cor sim, ganhando um tom avermelhado e por isso o nome. De forma mística, uma Blood Moon representa a união entre os Deuses, o que gera grande poder e magia (dia de feitiço, bebê!). 

Os mais básicos são feitiços que peçam prosperidade e inspiração, aproveitando que, apesar da constituição meio punk dessa conjunção astral (explico já), se você reparar bem, fechar os olhos e se concentrar, já dá pra sentir a inspiração. Os mais sensíveis devem estar 'ensimesmados', introspectivos e carregados de ideias (inspirações).

Ok, mas por que punk?

O mês de julho todo, falando do astral, está sendo um mês pesado por conta de sua configuração. Dia 12 último passamos por um eclipse parcial e, até esse dia, é possível que muitos tenham passado por rompimentos, separações, especialmente no âmago familar, eu por exemplo, passei. Já estamos sob a influência do eclipse do dia 27 e amanhã será seu ápice. Esse eclipse terá um efeito singular nos leoninos e aquarianos, por conta de toda a sua constituição (o eclipse ocorrerá num eixo fixo Leão-Aquário). 

Acredito (e farei) um rito de agradecimento à Deusa por tudo, porque a gente cai pra poder levantar, não é mesmo? Não vou ensinar um feitiço passo a passo, porque há tantos nesses dias fortuitos de internet (imagina que tenso na época das fogueiras, né?), mas se quiserem dica, procurem qualquer feitiço de Gerina Dunwich. Eu faço um bem simples:

No seu altar (ou em algum lugar que se veja a Lua, se possível, no meio do mato), os objetos de costume, uma vela branca acesa pra Deusa, um incenso do seu gosto, um instrumento musical ou, a disposição de cantar pra agradecer por tudo (lembrando que a voz humana é um instrumento perfeito). Trace o círculo, faça as coisas como devem ser feitas e chame a Deusa, cante (ou toque pra ela) e agradeça. 

É muito simples, sensível e muito poderoso, a ritualística dos filhos agradecendo sua Mãe.

So be.


domingo, 29 de abril de 2018

Lua Rosa



Quem me conhece um pouquinho mais sabe que eu, faz muito tempo, professo duma outra fé, ligada à ideia do Sagrado Feminino, do Matriarcado, da Grande Deusa, algo que é caloroso, verde, afetuoso, um caminho de se descobrir ou redescobrir através do exorcismo da culpa cristã. Eu, nascida e criada por uma pseudo-carola metida a rezadeira, super precisava dessa libertação. Encontrei este caminho quando morei em Brasilia, num encontro esotérico que teve de tudo, incluindo a religião da Deusa. De lá pra cá, foram muitos anos em que oscilei entre a dedicação quase sacerdotal  e o afastamento difícil de entender, e que me fez muito mal. Nunca deixei de crer na Mãe, mas algo me desviou do caminho e abandonei as celebrações da Roda do ano, e até os Esbats. E é óbvio que isso tudo me fez muito mal. Estou voltando agora, ainda falhando na coisa da prática meio canônica da coisa, mas sim, reintegrada. E, num dia tão especial como hoje, vejo que estou de volta às sendas corretas, poque hoje é dia de Lua Rosa!

É um Esbat muito especial. Pra quem não sabe, Esbat é o primeiro dia de Lua Cheia, temos 13 ao todo no calendário lunar. É uma celebração celta e outras fés matriarcais também compartilham, mas com outros nomes. A palavra é de origem gaulesa, ou francês arcaico, algo entre o latim e o francês moderno, esbattre, que significa alegrar-se, e é isso que toda filha da Grande Mãe sente num Esbat, uma profunda alegria! 

Hoje, acordei cedo como sempre, mas fui cuidar da limpeza da casa, uma profunda limpeza, com água corrente, tirando as impurezas, mentalizando a limpeza do ambiente em todas as instâncias. Acender incensos apropriados ajuda no clima. Depois, fui cuidar do meu jardim de vasos. Como moro num sobrado que não tem terra, é assim que chamo o meu jardim, jardim de vasos. Fui meio ousada e podei minhas bougainvilles, apesar de que a lua certa pra isso é a crescente, mas eu senti que era preciso e elas me pediram. Sim, eu escuto minhas plantas, óbvio que não com palavras, mas com a linguagem herbal, todo mundo que toma conta do verde entende sua linguagem.

Este Esbat é ainda mais especial porque temos uma Lua Rosa, que é uma lua cheia próxima de algum dos quatro grandes Sabbats. É chamada também de Lua dos Desejos ou Lua dos Pedidos, por conta da energia desse período e, se você merecer, seu desejo pode se realizar. Tem muita gente apostando na coisa amorosa, por conta da lua cheia estar em escorpião neste momento, signo da água, muito ligado à sexualidade. Veja bem, sexualidade. Cuidado com o que deseja.

O que eu faço? Penso num desejo e o escrevo num papel pra depois guardá-lo no meu altar, sob um cristal, daí repito este pequeno ritual a cada mudança da lua, até a próxima Lua Rosa. Se for merecedora, o desejo se realiza em três luas cheias. Mas não deve parar de repetir o ritual.

Slán.
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