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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Um post nada a ver pra 2020



E 2020 mal começou e já tá ó, uma bosta! Apenas 15 dias se passaram e o mundo com medo de um conflito mais pesado entre Irã e Estados Unidos que suscite numa guerra. Guerra? Austrália pegando fogo e a maior autoridade do país vai passear. Uma beleza.

Em termos pessoais, me levaram 500 reais e o celular, e é pra ficar feliz que estou aqui, viva pra contar a história, nesse limbo desgraçado que virou a terra dos blogs. Às vezes parece o enredo de Um morto muito louco. Os blogs, não a minha vida. Se bem que... Eu odeio esse filme, sério, é muito idiota. Mas eu assitia, porque era isso ou ir pra novena com a minha mãe. E ela sempre deixava eu ficar em casa, em vez de me arrastar pra igreja, talvez por medo de que eu entrasse em combustão, sei lá. Ah então a tv, ela me ajudou a liquefazer meu cérebro, acho que por isso minhas escolhas de vida são tão absurdas, tipo fazer uma licenciatura quando se tem pânico de gente, acreditar na democracia, em homens e que a vida não é um balaio de gato arbitrário.

E eu sou muito viciada em tv, tanto que sou viciada que até durmo com ela ligada porque o som me embala o sono. E quando eu passo por uma tv de tubo, chega me dá uma nostalgia. O som é diferente, a qualidade da imagem é péssima, as pessoas parecem mais artificiais, de mentira. Hoje, com toda a tecnologia desses black mirrors que a gente pendura na parede, tudo é tão real. Pra erê que brincava de star trek debaixo da mesa de jantar, a vida em hd não agrada.


Imagem: Curtindo a vida adoidado (Save Ferris).

sábado, 28 de abril de 2018

Laços



Esta semana, estava lembrando de mim, quando erê, meus planos pra vida adulta. Teve a fase em que eu queria ser pirata. Sim, eu queria muito ser pirata. Daí eu substitui por capitã da Enterprise, mané Kirk o quê. Isso tudo, viajando lokona do toddy, debaixo da mesa da sala de janta, que foi convés de navio, foi sala de comando da Enterprise dentre outras coisas. Acho que por isso também não cresci né? Segundo a lenda urbana cearense, criança que brinca debaixo da mesa não cresce, genética nada tem a ver com isso.  Depois eu queria ser Indiana Jones. Repare que não era arqueóloga, eu queria SER o Indiana Jones, correndo da pedra coisa e tal. E é claro que teve a fase em que eu super queria ser da Rebelião de Star Wars e dar um jeito de estar na Millenium Falcon. Deixe que isso tudo na minha cabeça era possível, eu com 6, 7 anos. Daí fiquei mais velha e descobri o que ficção significava. 

Não que eu tenha me convencido 100% disso, 'cause I do believe in fairies ;). Isso tudo veio numa conversa com meus filhos, eles me contando que bem novinhos, acreditavam que as cartas da Sakura (Card Captors) eram mágicas de verdade, e que eles, escondido de mim, pegavam meu Tarot e ficavam esperando algo fantástico acontecer. Eu fico imaginando isso com o arcano 15 (O Diabo), eles pensando "Vem, capeta!" e o 16 ( A Torre), "tiro, porrada e bomba". Seria no mínimo curioso, um crossover da quinta temporada de Supernatural, Dragon Ball Z e Congresso brasileiro.

Mas aí que eu comecei e me indagar, o que aconteceu com uma parte das crianças de hoje, ao menos as que eu conheço, que não acreditam em nada a não ser em laços gigantes na cabeça (o que, pelo nome da Grande Deusa, são estes laços gigantes? Quem inventou esta moda?)? Não acreditam em criaturas fantásticas, não querem saber onde habitam, não brincam com bolinhas de sabão, o negócio é tablet e eu aposto que, se virem uma joaninha, em vez de se encantar, vão buscar um inseticida. Sério, o que aconteceu com o mundo? Ou com Fortaleza, em que o cinismo chegou à infância? Ou eu  que sou retardada mesmo?

Inté.

Imagm: Tim Walker para Vogue Italia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Cliente mais



Eu morei em Brasília e lá o mercado do povo é o Planaltão. Nome sugestivo, porque né, há muito que o Planalto não é do povo, mas consciência social à parte, eu sempre amei supermercado. Acho que é por lembrança residual, do tempo do meu pai vivo, em que comprávamos no Romcy Montese e lotávamos dois carrinhos de compras. Ah, os tempos do Romcy Montese, na época da páscoa, com coelhinhos vivos, branquinhos, de olhos vermelhos e fitinha, também vermelha, no pescoço pra mode combinar. Óbvio que hoje eu sei que isso é crueldade, mas na época eu era apenas uma erê tonta, que chorava quando o pai matava as galinhas do quintal pra fazer ao molho pardo, que por sinal, ele mesmo colhia. Molho pardo, engrossado com fubá e sangue. Eca.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Eu sou para-raio de doido



Tinha uma comunidade no antigo e saudoso Orkut chamada "Sou para-raio de doido", uma coisa assim, a minha cara. E eu era do tipo de orkutiana que fazia coleção de comunidades, que muito falavam sobre a minha personalidade, coisas assim: o cão chupando manga; a manga chupando o cão; me abraça forte, boeiro; se nada der certo viro hippie; estouradores de plástico bolha; não fique brava, fique rica; fala na minha cara ~ com a cena do Hannibal Lecter, do Silêncio dos Inocentes, abrindo o bucho do polícia lá ~ et cetera.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

100 Unhappy Days #6









36. Calor. Fez muito calor. Na verdade, está fazendo muito calor. E é desagradável. E sol, muito sol, sol pra caramba.  É o que dá morar na cidade mais clara do mundo. Sim, eu sei que no Rio está fazendo mais calor que aqui, mas aqui faz calor do mesmo jeito a droga do ano todo.

37. Choveu. Sim, eu amo chuva, mas eu não amo ficar ensopada após uma chuva maluca de 5 minutos, sem guarda-chuva, num ponto de ônibus sem cobertura. E é aquele tipo de chuva que não ameniza o caloraão dos infernos, pelo contrário, deixa tudo mais abafado.

38. Reparando nas minhas redes sociais notei que um amigo me excluiu. Assim, eu achava que éramos amigos, agora já não sei. Não sei mais de nada. Conheço a criatura há anos e por algum motivo que desconheço, não sirvo mais para suas redes sociais. Tudo bem que eu sou esquerdinha, feminista, besta, dada à fofurices e pobre. Ah, e uso batom vermelho no dia a dia. Acreditem, isso irrita as pessoas. Já me disseram que não posso usar cabelo vermelho também, porque sou morena. Mas eu fiquei pensando o que isso quer dizer. As respostas nunca são boas.

39. Descobri que fiz todos os planos de aula errados e tive que refazer. Tudo bem que nem me deu tanto trabalho assim, mas é que me desagrada fazer algo duas vezes por conta da minha leseira.

40. Eu odeio dinâmica de grupo. ODEIO. E acontece que entre os profissionais da educação a prática é corrente. Não leva a lugar nenhum, não representa nada, não faz sentido e é por vezes constrangedor. Eu quero morrer toda vez que sou obrigada a participar de uma dinâmica de grupo. 

41. Fofocas. Olha gente, eu até curto uma fofoca, porque dentro de mim habita uma bicha má. Mas a minha travesti interior gosta de uma fofoquinha básica, glitter e cores fortes. Acabou. Fofoca nociva com o único propósito de fazer mal a alguém, não. Isso não é bacana.  Então eu odeio quando o meu nome circula em fofocas do mal de gente desocupada. Meu conselho é: vai fazer pilates, ficar meia hora de cabeça pra baixo, pra ver se a irrigação sanguínea ajuda a refrescar a sua cabecinha. Ou te dá logo um AVC pra você morrer e deixar de consumir oxigênio.

42. Descobri que conheço uma pessoa que é fã do Olavo de Carvalho. Se isso não for uma infelicidade, não sei mais o que é.

Bisous.

Imagens - Como me perguntaram sobre as imagens do post anterior, começarei a contextualizar. Cada azedume semanal escolho uma imagem e/ou dizeres afins, que combinem respectivamente, 1 equivale aos dizeres 36, etcetera: 1. Cena do filme 500 Days os Summer; 2. Cena de Dark Water; 3. Little Finger (traira) sendo Little Finger; 4. Cena de Bridget Jones; 5. Keep Calm alternativo; 6. Cena de Marie Antoinette; 7. Mais Keep Clam alternativo.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

100 Unhappy Days #5









Enquanto eu escrevia, Regina me acompanhava, Your honor.

29. A vida não é fácil, aprendi isso muito jovem. Comecei a semana com a notícia que alguém que quero muito bem estava numa CTI.  Agora já está mais ou menos fora de perigo, mas ainda numa situação delicada. Totalmente fora do meu controle.

30. Procurei em todos os cantos da casa e realmente perdi minha edição do Morro dos Ventos Uivante. 

31. Na quarta aconteceu o atentado ao Charlie Hebdo, semanal francês, profundamente satírico, progressista, ao sabor da esquerda francesa. Armas contra lápis. Duma covardia absurda. A violência é absurda. O terrorismo é injustificável, não adianta. Estou super me controlando em relação a todas as pessoas que vejo por aí, de forma no mínimo boçal, minimizando o que aconteceu no dia 07 de janeiro de 2014. Ou traçando paralelos bizarros. 

32. Saturno de Goya. Saturno, Chronos, o Tempo que a tudo e a todos devora. Quinta recebi meu horário novo de trabalho. Daí percebi que um dos meus maiores problemas, nesse momento, é o tempo, que não para e que eu também não tenho. O ideal seria ter um vira-tempo, tipo o da Hermione.

33. Falência. Já sabia disso há meses. Talvez anos e décadas. Mas sexta tive certeza. E acreditem, isso é sério, isso importa. Esqueçam essa hipocrisia de que dinheiro não traz felicidade. Pode até não trazer, mas ajuda pra caramba.

34. Sabe aquele telefonema desagradável que você não quer receber, mas aí acontece, você atende? Pois então.

35. Charlie me mordeu quando lhe dava banho, porque ele está acabando com o próprio pêlo se mamando, porque ele sente falta da mãe e daí se mama. Sim, filhotes de gatos às vezes se mamam com saudades das mães. É osso. Adendo: sim, por trás dos gatos sou eu num momento unhappy. Can yoy feel it?


Inté.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Chuva



Acordei num susto com um trovão logo cedo. Trovão que não ouvia desde o Rio de Janeiro. Um ano. Acordei feliz com o dia bonito de chuva, mas com uma certa inquietação, porque haveria de sair. E saí. Como sou transeunte de fé - professora pobre sem carro - saí a pé com Yan a tiracolo. E logologo me vi tomada por uma certa irritação, não súbita, porque decerto vivo irritada. É que finjo ser calma e finjo tão bem que todos acreditam. Mas a irritação não deixa de ser motivada e ainda, ter sido atiçada, pelo cansaço associado a certos fatores hormonais. 

E eis que essa minha irritação, legítima, motivada, atiçada, me deixa cítrica lima da pérsia, irônica machadiana e sem muita censura verbal, que adquiri aos poucos, ao longo da vida. O que nos leva a uma predisposição ao conflito. 

E choveu. Choveu em cântaros de ninfa robusta com melenas trançadas.

É cedocedo, quase madrugada e a agência do banco só abriria por volta das 8. Para o mundo funcional era madrugada. E chovia. Yan e eu amoados debaixo do guarda-chuva estrelado, feito em algum lugar obscuro da Ásia. Gente proferindo afirmações soltas sobre a deselegância da Presidenta, e como São Paulo merece morrer de sede, dentre outras idiotices. E daí que o diabinho que habita meu ombro direito (meu diabo particular é destro. meu anjo é gauche) me impele a responder bem atrevida para aquelas pessoas mal vestidas em bermudas caquis e sandálias plataformas de dedos de fora que procurassem um espelho e um copo d'água. Mas o banco abriu e tudo se arrefeceu.

Enfim chegamos em casa, após atravessar o dilúvio. Kelly com o juízo preso num coque, ajeitava na cozinha seus bolinhos Sakura de queijo, batata e verduras. Frito na canola. E a gente come e reza, em conjecturas. E aí percebo que a irritação se foi. Não sei ao certo se lavada e levada na chuva. Ou que se aquietou por conta do bolinho Sakura da Kelly.

Bisous.

Imagem: Martine Franck, Magnum photographer and wife of Henri Cartier-Bresson.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Diálogos e conversas estranhas - cinco chagas



Uma das turmas estava num daqueles dias infernais, sabe como? Pois é. Muita brincadeira, conversa durante uma aula de gramática: não combina. 

A escola é supostamente católica. O Nordeste é supostamente católico ainda, Majoritariamente. Por aqui quase todo mundo usa dizeres cristãos do tipo: pela hóstia consagrada, valha-me algum santo (o 'valha', aliás, é uma instituição cearense). E ninguém precisa ficar explicando do que se trata porque né? E eis que eu decidi usar um vocativo assim.

Eu: pelas cinco chagas de nosso senhor Jesus Cristo, prestem atenção!
Aluno: o que é isso? - com tom de deboche, tipo, aloka.
Eu: meu filho, por favor.
Aluno: não, me diz aí, o que isso quer dizer? - acrescente ainda mais deboche.
Eu: você quer perguntar para coordenação?
Aluno: quero.
Eu: pois pode ir.

Para resumir a estorinha, eu tive que explicar do que se tratava as cinco chagas. Osso.

Resultado: parei de usar expressões cristãs. Agora é só fofurice e sarcasmo, vez ou outra. Aqui ali capeta. A parte do capeta é brinks. Mas eu penso, porque ainda não proibiram o pensar, né? Aproveitemos.

Bisous.

Imagem: La Coloriste.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

10 cousas aleatórias sobre mim (Practical Magic)


Este post era originalmente do meu outro blog Reverbera.




1. eu amo o filme Practical Magic; 

2. sempre que lembrava do filme me imaginava com uma casa como a das tias bruxas, plantando beladonna, criando um gato preto lindo; 
3. hoje tenho cinco gatos. nenhum é preto;
4. e ainda não desisti da casa, na verdade, nunca desistirei.
5. seria legal usar beladonna pra fazer umas pessoas dormirem ad infnitum; 
6. sim, eu tenho pensamentos escusos; 
7. geralmente acho música country o horror, mas amo a trilha de Practical Magic, que sim, eu sei que é country, mas eu gosto, gente;
8. mas a música que mais gosto nem é country é tipo um pop Everywhere. muita vontade de ser feliz, sempre me ajuda quando as coisas estão difíceis. e estiveram muito difíceis este ano;
9. eu tive um par de meia listradas. acredito que terei outro em breve;
10. o amas veritas não é só uma brincadeira do filme.

Bisous.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Diálogos e conversas estranhas - Blanco


Tenho uma lista longa de conversas e diálogos estranhos que presenciei ou mesmo participei. Sabe aquela coisa de pára-raio de doido? Pois então.

Um dos últimos foi no Centro da cidade, numa tentativa de encontrar um pisca-pisca rosa ou lilás (que eu encontrei *_*, depois conto e mostro) nas lojinha de muambas do oriente.

Uma mocinha numa dessas lojas, acho que na Barão do Rio Branco, muito muito coreana, mal flava português. Na verdade eu acho que ela não falava português.



Mocinha muito muito coreana:안녕하세요!
Eu: Erm... oi! Vocês têm pisca-pisca lilás ou rosa?
Mocinha muito muito coreana: pisca-pisca?
Eu: É! Luzinhas!
Mocinha muito muito coreana: Lucinhas?
(ocorreu-me então todas as Lúcias que conhecia...)
Eu: Christmas lights! - apontei para as centenas de caixas de pisca-pisca na frente da loja.
Mocinha muito muito coreana: Oh Crizmas.
Eu: Quais cores vocês têm? Branco, verde - apontando para os piscas-piscas expostos.
Mocinha muito muio coreana: blanco? 예 Ye!
Eu: Eu quero rosa ou lilás, tem?
Mocinha muito muito coreana; Lilás?
Eu: É, lilás!
Mocinha muito muito coreana entregou-me uma caixa de pisca-pisca branco.
Eu: mas eu quero lilás, fia - já rindo, porque né.
Mocinha muito muito coreana: 실례합니다

E eu fiquei triste, porque depois de alguns risos meus e dela, eu consegui entender que só tinha pisca-pisca branco, verde e vermelho.

Aguardem mais Diálogos e conversas e estranhas.


안녕!

Imagem: La Coloriste.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A minha lista de 15 músicas mais tristes



Estava escrevendo dia desses sobre minhas reflexões acerca do fracasso (Nubia Lafayette mode on) daí que me ocorreu um monte de músicas tristes e, como boa adepta da internê e das listas, ça fait long temp (faz tempo à beça) revolvi fazer uma lista minha, muito-minha-só-minha, de musiquinhas tristes e lindas.

1. Climbing Up The Walls (Radiohead, Ok Computer)

" I am the key to the lock in your house, that keeps your toys in the basement"

Como fã do Radiohead considero o Ok Computer a coisa mais depressiva e auto-destrutritiva já criada pelo caolho de Oxford, vulgo Thom Yorke. E essa faixa em específico, a mais melancólica (e perturbada) do álbum, que já é uma ode ao buraco existencial de cada um de nós.

 "That either way he turns,  I'll be there"

Não sei vocês, mas eu leio que é sobre a tristeza que se fala. Então, né? Pois é.

Adendo: você, pequeno padawan fã de Radioahead, que acha Creep uma musiquinha triste e tem peninha do Thom Yorke, saiba que Creep não é uma música sobre depressão ou tristeza, Virou o hino dos geeks, porque what the hell I'm doing here. Mas é uma tiração de sarro, porque Thomas é assim, gente.

2.  Gloomy Sunday (na voz de Billy Holliday)

"Sunday is gloomy, my hours are slumberless, dearest the shadows, I live with are numberless"

Meretriz que deu à luz ou o correlato vigente.

Tem outras versões, inclusive uma na voz do Michael Stipe (REM), mas é na voz de Billy que o negócio pega. Além das lendas sobre a música em si. A história acerca dessa música e dos suicídios que ela provocou é bem controversa, uma vez que não há registros oficiais sobre.

Mas vamos lá, a música, que no original é Szomorú Vasárnap (Gloomy Sunday - Domingo Lúgubre), é do compositor húngaro Rezső Seress e algumas pessoas chamam essa música de Overture to Death (Abertura para a Morte). Seress a escreveu em 1933. Em 1936 ocorreu o primeiro suicídio. Joseph Keller, de Budapeste, deixou uma mensagem de suicídio que continha as frases da Gloomy Sunday. Após essa morte, mais 17 pessoas se mataram, com mortes de alguma forma relacionadas à música. Além dessas, especula-se que mais 100 suicídios tenham sido cometidos ao redor do mundo. Diz-se que muitos pularam no rio Danúbio segurando a partitura da música. Dois atiraram em si mesmos enquanto ouviam uma versão da música. Um homem pediu a música em um clube noturno antes de sair e atirar em si mesmo. Outro se enforcou com uma cópia da música a seus pés. Uma secretária se suicidou com gás após pedir que tocassem a música em seu funeral. Também se diz que, por causa disso, a BBC e outras rádios decidiram banir a música. São causos não comprovados, lendas urbanas. Mas a música é triste de doer n'alma. Eu mesma tenho vontade de morrer bem lindo quando ouço Gloomy Sunday. Você não? Que não, né?

3. I"ve seen at all (trilha de Dancer in the dark, na voz de Björk e Thom Yorke)

Eu, particularmente, não consigo evitar as lágrimas ao ouvir a música, porque lembro automaticamente da pobre Selma.

A história sobre a gravação da música é interessante, Björk tinha acabado de conhecer Thom Yorke nos bastidores das gravações do Space Gost coast to coast (não poderia ser mais bizarro). Daí eles se identificaram, saíram para tomar umas biritas e surgiu o convite, que Thom não recusou.

4. You know you're right (Kurt Cobain)

Eu fui adolescente nos anos 1990. Eu vivi o grunge. Eu fui-sou grunge ainda, porque eu não sei ao certo se tem como deixar de ser. E a minha banda grunge favorita é o Nirvana, seguida de perto por Alice in Chains (formação antiga, por favor). Essa música é a única coisa que sobrou gravada na voz do Kurt pós -n Utero, último álbum de estúdio do Nirvana. Por si só já seria duma tristeza imensa. Mas a canção em si é dolorosa.

"I will never bother you, I will never promise too, I will never follow you, never speak a word again, I will crawl away for good, I will move away from here,You won't be afraid of fear, No thought was put into this, I always knew it would come to this, I have never failed to felt. Pain. You know you're right"

Às vezes eu tenho a nítida impressão de que minha alma ficou presa em 1994.

5. The Suburbs (Arcade Fire)

"Sometimes I can't believe it, I'm moving past the feeling"

É linda. E triste.

6. Tempo Perdido (Legião Urbana)

" Veja o Sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos, castanhos"

Outra banda que trancou o meu coração na década de 1990. Eu cresci com Legião Urbana, responsável por minha educação musical. Foi por causa do Renato Russo (e dos meus vizinhos ruivos, indies ancestrais) que eu descobri Smiths.

Tempo Perdida é possivelmente a musica mais triste da Legião, mas eu me entristeço muito por conta de um fenômeno de agora: todo mundo, de qualquer geração, sabe cantarolar alguma mísica da Legião, entrou no imaginário coletivo do brasileiro. Tem gente inclusive que, de tão metido hipster-indie, tem vergonha de admitir que gosta da Legião por conta dessa popularização extrema. Qual é o problema? O vazio, sabe? As pessoas cantam, como se tivessem cantando atirei o pau no gato, virou quase que folclore. Ninguém entende a profundidade das letras, como Pais e filhos que fala de suicídio.

7. Dead Souls (Joy Division)

"Someone take these dreams away"

O Joy Divison é uma banda que fazia um som existencialista que nos leva aos mais diversos labirintos de nós mesmos, em diferentes facetas de tristeza coisa e tal. Para mim Dead Souls é o ápice disso tudo.

8.  Prayers for rain (The Cure)

"And drab the hours all spent, on killing time again, all waiting for the rain"


Soa quase como um encantamento desencantado e eu amo The Cure que, para mim, é a banda mais melancólica de todos os tempos.


No livro The Beatles - a história por trás de todas as músicas - diz que Paul se inspirou na luta das mulheres negras dos Estados unidos, e queria encorajá-las. Tem a lenda do melro-preto, que Paul desmente. Tantas lendas. Tão linda.

Eu pintei blackbirds na minha antiga casa no Rio. E lá fiocu, sabe como?

10. Let it be (Beatles)

Essa música é a cara do meu pai, que é um dos maiores amores da minha vida, de quem eu sinto falta todos os dias e sentirei pra sempre. Só por toda a carga emocional e pessoal já bastaria, mas citando de novo o livro The Beatles - a história por trás de todas as músicas - Paul escreveu a música como desabafo perante a desintegração da banda.

Let it be não saía da minha cabeça durante a minha separação. E passei boa parte do vôo para Fortaleza cantarolando let it be.

11. Preciso me encontrar (Cartola)

Deixe-me ir 
Preciso andar 
Vou por aí a procurar 
Rir pra não chorar 
Se alguém por mim perguntar 
Diga que eu só vou voltar 
Depois que me encontrar

Quando eu paro, muito raramente, para ouvir o que o povo diz que é samba hoje em dia e que toca nas rádios por aí, eu me remeto automaticamente ao Cartola. E não, não é samba. 

Como é intenso e lindo. Profundo. Aprendi a amar Cartola com meu pai também.

12. Falando de Amor (Tom Jobim)

"Quando passa, tão bonita, nessa rua banhada de sol"

Imagine uma mãe solteira e seu bebê, e esta mãe embalando sua criança, cantarolando Falando de Amor. Esta fui eu em 1998. Imagine esta mesma mãe, passeando pelo orla do Rio, em 2008, com o bebê já crescido e ouvindo no fundo da mente e do coração, o mesmo choro canção.

13. Por enquanto (Renato Russo na voz de Cássia Eller)

"Mudaram as estações, nada mudou"

Um dos maiores especialistas em músicas melancólicas, Renato. A voz intimista de Cássia.

14. O Bêbado e A Equilibrista (na voz de Elis Regina)

"A esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha , pode se machucar, azar, a esperança equilibrista, sabe que o show de todo artista tem que continuar”

A lista de músicas tristes da maior intérprete brasileira é gigante, mas esta em especial, autoria de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por ela em 1979, nesse momento em que as pessoas pedem uma intervenção militar, é de doer.

15. Ne me quittes pas (na voz da Maysa)

Não existe outra versão mais linda e melancólica. 

Ah, Piaf nunca gravou esta canção.

Depois eu volto com a minha lista de músicas felizes, ao menos umas 30, pra contrabalancear, porque né, "tristeza não tem fim, felicidade sim."

Imagem: La Coloriste.

Bisous.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Preto, Branco e Tons de Cinza



Eu sempre me identifiquei como negra, mas me dizem que eu não sou negra, que eu sou morena, quase que me "ajudando" a não ser tão dura comigo mesma. Sério gente, as pessoas pensam assim e o cearense é muito racista. E o carioca também. Vamos lá admitir, o brasileiro é racista.

As polêmicas das últimas semanas, o caso da gremista que xingou o goleiro do Santos de macaco e a série Sexo e as Nega me empurraram de vez para escrever sobre racismo aqui no blog, mas eu sei lá, viu?

 Óbvio que o acontecido naquele fatídico jogo entre Grêmio e Santos é muito pior e pede a urgência da punição legal, porque gerou comoção. A gremista foi espinafrada de todos os jeitos, está sob ameaças e houve o incidente criminoso do incêndio em sua casa. E isso tudo é repudiável. Mas a moça é racista sim. Aquele xingamento não foi a emoção do jogo, isso é balela, é ofender a nossa inteligência. As palavras saíram fluídas e sinceras, porque é aquilo que ela pensa e não só em jogos. Seria muito mais digno e bacana se a moça gremista tivesse admitido e pedido desculpas que soassem francas na coletiva de imprensa, mas não, fez um discursinho patético e saiu nos braços de seus defensores, para cair na graça da hipocrisia brasileira, gente cínica ao ponto de colocar em discussão o preconceito que o branco passa. Meu povo, melhore. Perdeu emprego e agora já tem outro, numa ONG, ao que parece. E ela quer virar símbolo contra o racismo. Oi?

E a série? Faz um trocadilho com Sex and the city. Alguém mais percebeu? O que a gente via em Sex and the city? Brancas ricas de Manhattan e suas peripécias sentimentais e sexuais. E na versão tupiniquim? Pobres pretas faveladas cariocas e suas peripécias sentimentais e sexuais. O que se está contestando é a coisa da preta favelada pobre, se estas fossem pretas ricas Zona Sul as peripécias sentimentais e sexuais eram o de menos. O Miguel Falabella é racista? Não gente, desculpa, mas ele não é racista. Falabella tentou recriar uma Sex and the city versão brasileira que para ele, para o gosto popular, seria composto por negras lindas e sensuais, mas faveladas com empregos subalternos. E isso chateou um monte de gente, incluindo eu, que não me vejo representada ali. 

Primeiro porque eu não sou sensual e sexy (a decepção do ex-marido que o diga), tampouco sou favelada e tenho um emprego subalterno - apesar do salário de professora, via de regra, ser ridículo, mas tudo bem. Estudei francês, artes, leio muito e o meu gosto musical passa bem longe do popularesco. Quer dizer que dificilmente criarão algo para a tv brasileira que me represente? Ledo engano, porque houve a novela Lado a Lado, Camila Pitanga, uma negra do começo do século XX, que estudou dança e se tornou uma artista famosa em Paris. Ou seja, a mesma Rede Globo que vocês crucificam - não que não se tenha razão. Comecemos a enxergar os tons de cinza, porque a vida não é só a dicotomia preto e branco, literalmente no caso.

Reflitam bastante antes de qualquer coisa, faz bem ao coração, sabe?

Bisous.

Imagem: Tami Williams - Lula Magazine S/S 2014.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sobre Machado de Assis


Fiz o exercício de vir aqui para escrever este post coletando todos os comentários injuriosos que já ouvi e li sobre Machado de Assis e olha, foram muitos, cada um pior e mais injustificado que o outro. O último ouvi de um colega de profissão, que não identificarei, mas que se julga um grande leitor, por ter lido por volta de 50 livros, o que lhe daria discernimento completo para avaliar a obra machadiana como ruim, porque é difícil. Algo assim, gente, sei lá.

Meu filho de 19 anos leu mais de 400 títulos então eu nem entrarei no mérito da questão, porque minha outra filha de 17 leu muito menos e adora Machado de Assis. Então, né? Não é uma questão de ler muito ou pouco, é uma questão que tem mais a ver com os leitores de modinha, um mal da nosa época.

E gente pensará que enlouqueci de vez, porque Machado é reconhecido, na verdade um dos poucos escritores brasileiros reconhecidos por sua qualidade literária e gênio por críticos do mundo todo. É o único escritor brasileiro citado n'O Cânone Ocidental do Sr Harold Bloom, livro odiado, porém referência nessa coisa toda de clássico, cânone, etcetera coisa e tal. 

 É, Machado é tudo isso, e muito mais do que citações de nomes estrelados da crítica literária. Mas isso tudo não mudo o fato de que Machado é odiado e bastante odiado pelos leitores brasileiros. De fato, acho que só perde para José de Alencar. 

Desde o meu tempo de escola até os dias de hoje, já reuni uma série de idiotices que ouvi sobre Machado: linguagem antiquada, (cê jura?), linguagem datada (pior), difícil de acompanhar, de entender, conteúdo pobre (oi?), folhetim pra senhoura ou, novela mexicana. Essa última ouvi em sala de aula de introdução à filosofia. O professorzinho, um completo imbecil, contou uma lorotinha de que sei lá quem pegou um conto qualquer do Machado, assinou e levei para uma editora, que se recusou a publicar por achar o conto ruim. E que diabos de editora é essa que não descobriu que era Machado de Assis? É, porque as editoras pesquisam para evitar plágio, quer dizer, um estapafúrdio completo. Até hoje sinto ódio desse episódio, que aconteceu dentro do curso de letras. Fiquei tão indignada que saí de sala. Nos meus primeiros anos de faculdade eu era conhecida como a "Machadiana" então imagine aí o quanto este episódio foi terrível.

 Se procurar em forúns sobre literatura ou redes sociais tipo Skoob (que não consigo levar a sério, desculpe) sempre vai aparecer alguém para falar mal da literatura de Machado de Assis. E por quê? Primeiro porque Machado pede maturidade, não de anos vividos, mas de livros (bons livros) lidos. E algum conhecimento ou simpatia por filosofia. Antigamente, no meu tempo, o primeiro contato literário sério que se tinha na escola era com Machado (e Alencar). Uma garotada boba, acostumada com Turma da Mônica, super não compreendia os olhos de ressaca, dentre outras metáforas machadianas. Fora a coisa da alma, porque certos livros pedem uma certa inclinação e isso acontece com Machado, que pede um leitor devoto, sem medo dos abismos e do não compreendido. 

Quando li Machado me encantei justamente pelo o que não conhecia, pelo o que eu não conseguia entender, aquilo me fascinava. Anotava todos os livros e filósofos que encontrava em seus livros, como quem anota as dicas dum professor querido. Machado foi meu pai literário e eu tenho pena de quem o despreza ou odeia. Qualquer bom leitor reconhecerá a qualidade do texto machadiano. A coisa do gostar, isso depende do que cada um é feito. 

 Para ler Machado recomendo: 1ª uma boa coletânea de contos (sempre recomendo contos de um autor, porque serve como uma espécie de amostragem da escrita, é mais rápido e dá para se ter uma ideia do geral); 2ª Helena, o povo fala muito mal da fase romântica do Machado. A impressão que tenho é que não leram direito; 3ª Memórias Póstumas de Brás Cubas, porque é sensacional. Pirandello e Sterne versaram sobre o mesmo tema, mas Machado, ah Machado, leva a cousa para outra esfera. Seu Brás Cubas é encaixado no Realismo por mera convenção. Como um livro em que um defunto narra suas desventuras pode ser considerado realismo? Sabe como? ;) Meus livros antiguinhos do Machado.





Inté.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Digressões sobre fama


"You'd kill yourself for recognition"

Não sou famosa de internet, graças a tudo que é bom e que alumia. Mas eu sou até que conhecida no meio virtual, entre os blogs ditos de mulherzinha e, entre o fofo (só que não) mundo casamentício. Já contei antes, mas sempre vale relembrar, que meu antigo blog - esse sim, era bem conhecido - Reverbera, querida! começou como um blog de noiva. Como sou inquieta, o blog foi mudando de forma até se transformar no meu cantinho virtual para achismos e divagações afins sobre o ser, o belo e a pataquada (e isso vai para o about do Solilóquios rs).

O Reverbera me trouxe muitas alegrias, conheci um monte de gente fofa e querida que me acompanha até hoje. Mas também conheci um monte de desnecessidades em forma de criatura humana. Coisas tipo, comprar briga para defender fofinhas e no final sobrar para mim. Precisar de um ajuda, uma divulgação e a pessoa simplesmente dar de ombros. Osso.

Vez ou outra aparecia um ebó ou pior, o ebó em pele de querida. Um dos causos mais interessantes foi o de uma cria que se zangou comigo, vestiu uma carapuça que, à época, eu julgava que não lhe cabia - hoje acho que superhipermega cabe feito luva - e foi ladeira abaixo, dizendo por aí que o Reverbera era um flop (fracasso), me xingando de um monte de coisas chulas, típico de gente nefasta. E óbvio que me ofendeu, especialmente vindo de uma criatura analfabeta funcional, que jura que escreve bem. Mas houve pior, por conta de um desentendimento, que eu tentei dar a melhor solução possível, a existência pegou raiva de algo que só prejudicou a mim e saiu espalhando a versão esquizofrênica dela, para quem quisesse dar ouvidos, coisa que me prejudica até hoje.

Todos vocês sabem que 2013 foi sinistro, ao menos para mim, que 2014 ainda estou em brumas existenciais. Mas apesar de deprimida, eu tinha que buscar formas de sobreviver, recomeçar. E lembrei de gente que me procurava no blog, quando os seus logradouros virtuais não eram tão patrocinados, que me perguntava se eu era jornalista, que eu poderia escrever para um portal e, quando eu procurei a pessoa nesse meu 2013 tenebroso, a fofinha se fez de desentendida. Essa eu darei uma dica: era uma F*Hits. Ou Shits.

Estou na internet faz mais de dez anos, o Reverbera completaria em 2014 sete anos, provavelmente um dos primeiros blogs de moda do Ceará. Divulguei tanta gente durante todo esse tempo na lista de blogs, via Tweet-tweet, escrevi posts para ajudar, sem receber nada em troca e quando precisei? Bulhufas.

Mas a fofurice persiste, porque existem pessoas como Thienny, Constance, Jess, Paulinha, Romina, Priscila Vanzin, Renata. Obrigada, vocês são umas queridas ♥. Tem mais gente, inclusive que eu não conheço. Pode reclamar e o meu desde já obrigada ♥.

A última que me aborreceu e que inspirou meu desabafo mimimi foi via IG, que é a rede social que mais amo, mas que está se transformando numa prática nefasta. Não tenho muitos seguidores, não chega a 1000, mas acreditem, minha conta no IG é bem conhecida. Tenho o dobro de seguidores fantasmas. Pois é queridinhos, eu sei que vocês visitam as minhas redes sociais. Tem aplicativo para isso ;). Sei que tem gente que acha meu IG metido, tem quem ache fofo, já me chamaram de pretensiosa e já disseram que as minhas fotos são sem noção. E já recebi elogios lindos. Como a maioria gosta - o mais importante, eu gosto - então né, seguiremos bravamente, apesar dos unfollows inesperados. 

Tem gente que deixa de seguir porque não gostou de algo, mas, sejamos sinceros, a maioria quer mostrar que é mais seguido do que segue, porque isso dá alguma ideia de status da vida social internética, chama parceiro e publicidade. É feio? É horrível, mas fazer o quê? Ah, desconfiem de IGs com zilhões de seguidores sem que a pessoa seja celebridade ou artista. Na verdade, desconfiem até de certas celebridades e artistas. Existem aplicativos para conseguir mais seguidores, tem acessoria que cuida disso. Ou seja, é muita gente precisando melhorar urgente.

 Recentemente foi uma mocinha de Niterói, acho que faz acessoria de casamento. Eu não sei bem ao certo do que se trata, ok? Mas vamos lá, sentia certo apreço pela moça, e foi ela que se aproximou de mim, todo íntima, se dizendo fã do Reverbera, me apresentou até a mãe, querendo marcar café-chá, me encontrar no Fashion Rio (que eu nunca ia, porque Falco nunca estava disponível) coisa que já me dá um certo nervoso. Entendam, em geral, pessoas que escrevem blogs são meio arredias. Blogs, sabe? Distanciamento virtual coisa e tal. Daí a pessoa aparece e te ama. Dá um desespero, vocês não têm noção. Mas passa. Então voltando, o tal bem querer da tal mocinha foi se esvanecendo conforme as visualizações de seu blog aumentavam, conforme seus seguidores em redes sociais aumentavam, de repente ela não te responde mais (eu cutucava de propósito, para ver até onde ia a pataquada) e num belo dia, voilà, a persona some e nunca falou com você antes. Aconteceu também com umas moças de São Paulo, que me chamavam de diva, que me amavam e me buscariam de patins no Rio, que inclusive começaram blogs inspirados no meu. Hoje fingem que não copiavam posts do meu Reverbera, tipo os balloons e expressões que são muito minhas, que misturo dizeres idosos, com pajubá e cearensês (ou cearês), tipo osso, melhore, cousa, maridón (e demais óns), ai de mim.

No final das contas, é um monte de besteira, mas me incomoda, sabe? Incomoda que o mundo e as pessoas sejam assim, tão pequeninos e, no final, façam a gente se apequenar também. O ser humano já é uma pequeneza que, às vezes, engrandece, então né? Melhoremos que é lindo ♥.

Inté.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Arte e Moda



 O que é moda e qual sua função? O legal é que as perguntas são bem independentes, apesar de que a gente amarra uma na outra quando pensa. Se investigarmos bem, com objetividade, vamos ver que suas respostas vão para campos diferentes. Uma coisa são as faculdades do verbo ser e outra é a funcionalidade de algo. 

Precisamos de algumas subordinadas para tal. Em cada fase da minha vida, em que tive mais instrução, menos instrução, mais contato com a moda em termos de conteúdo, quando estive mais distante, quando fui mais consumista, em suma, em múltiplas facetas, tive 'n' respostas para o que é moda e qual sua função. E fico feliz em dizer que, ainda não cheguei a um denominador comum. Só sei que moda pode sim se confundir com arte, e que arte não tem função, que não seja ser arte. 

E ai a gente pode lembrar, que Anna Wintour falou algo assim, que moda é moda. E eu vos afirmo, como boa conhecedora de estudos artísticos, que dona Wintour não falou isso out of blue (do nada). Houve uma intenção. Só não dá para saber ao certo qual, né? Especialmente quando se leva em conta que ela edita, todos os meses, durante anos, uma revista que deixa o artístico um tanto que em segundo plano; não porque Anna Wintour está pouco se importando com arte, pelo contrário, mas porque a Vogue US tem uma outra proposta e postura de mercado. 

 Mas então, durante a leitura e (re)pensando sobre as possíveis respostas, cai novamente no pormenor sobre as aproximações possíveis entre moda e arte. Algumas destas aproximações podem ser perigosas no sentido de serem presunçosos e equivocadas. 

 Quando penso em moda se aproximando da arte, vejo o criador, e nesse sentido alguns nomes vêm à mente, nome como Balenciaga, Chalayan, Mugler, McQueen, Yamamoto e próximo da gente, Jum Nakao. Mas, uma roupa bacana que te expressa, um apanhado de roupas e (des)combinações que revelam os tais 'looks' são uma expressão pessoal, que tem mais a ver com manifestações e comportamentos sociais, do que com arte, mesmo que arte, e moda, sejam um bem social. 

Trocando em miúdos, saber escolher roupa, conforme sua personalidade e expressá-la desta feita não basta para ser considerado arte. O fato de alguém comprar um Van Gogh não faz deste alguém um Van Gogh. Este ato apenas diz que você gosta de Van Gogh ou quer mostrar que gosta. 

 Bisous.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

ABC da Moda - X (Xadrez)



A gente está vivendo uma época de muita informação, que é muito fácil de encontrar (google, wiki - eu sou do tempo da enciclopédia, dos almanaques abril, dos dicionários e confesso que ainda os uso), difícil de confirmar e que todos, por conta justamente (em parte) do excesso de informação, sabem de tudo um monte (em excesso), especialmente no mundo virtual. 

Há quem se zangue (comigo) com quem sabe o nome de meia dúzia de estilistas, sabe a história de cada um, ao menos um pouco para prosear e, vejam só, até identifica de olhar um vestido Versace de um Chanel (porque é óbvio). O que lhes parece pedante, na verdade é uma questão de cuidado profissional. Já pensaram nisso? Pois bem, mas não é deste tipo de (pseudo) conhecimento especializado (chato) que falo (conhecimento similar a quem entrou no curso de letras e já havia lido toda a obra de Machado de Assis, de Alencar, de Guimarães Rosa, de Graciliano, lido um monte de filosofia etcetara coisa e tal, porque lhe pareceu natural, fora que o ser humano tinha tempo - eu). 

O excesso de informação a que me refiro é, ainda, a coisa da tendência . tem que ter, que ser, tem que fazer, bla bla bla. Pois muito que bem, uma das tais tendências vigentes que super me aborrece, é a coisa do xadrez neste momento em que vivemos. Não, eu não tenho raiva alguma do xadrex, pelo contrário, gosto bastante, apesar de que só tenho duas peças xadrez, uma saia kilt (estilizada, criada por mim pelo único e besta motivo de que eu não encontrava em canto algum algo similar) e, uma camisa xadrez. Que não, eu não comprei para esta temporada. Não, eu não comprei na última temporada do xadrez. Na verdade comprei em meados de 1994 (ou 1995) na época em que inaugurou a C&A em Fortaleza, uma coleção meio homenageosa ao grunge, ao Nirvana, ao Kurt Cobain, meu ídolo mor da adolescência e que continua sendo um dos meus ídolos inté hoje. 

 Sim, a camisa ainda está firme e forte, não caiu botão, não desbotou, não criou bolinha. O meu único problema em relação a minha camisa xadrez de estimação, além das asneiras de modinha e tendência que me obrigo a ouvir, era o ex-respectivo me chamando de lenhadora. 

 Então, muito que me aborrece alguém sugerir, ao me ver com minha camisa xadrez, que estou usando a modinha do momento, sendo que minha camisa tem bons 17 anos, foi comprada por uma inspiração conteudística, com referência de época e não porque a revista tal disse que é o forte da estação. Certo que não há como deduzir toda a minha história de vida com a bendita camisa xadrez, mas realmente tem como deduzir que eu (ou qualquer outra pessoa) está a usar por conta da tendência fresquinha do momento? Acho que já passou da hora da geral começar a pensar em se vestir para si, respeitando a sua história e legitimando o ser único de cada um de nós.

Bisous.

Imagem: Marc Jacobs Grunge.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

ABC da Moda - Q (Quarar)


Quando aprendi a lavar roupa, com 18 anos, foi uma tia querida que me ensinou. Era uma daquelas mulheres fortes do Sertão, que lavavam roupa na beira do rio, que trabalhavam muito, de sol a sol, para criar os filhos. Veio passar uns dias em Fortaleza, para se tratar de um mal que um dia a levou de nós.

Ela que me ensinou a fazer tapioca, cuscuz de milho, a passar um café bom que só, no coador de pano. E, me ensinou a lavar roupa. E quarar a roupa, que é deixá-la ainda com sabão (se possível de coco) ao sol ,por um dia inteiro e depois enxagüar (deixa a trema!).

Por motivos de que, moro em apartamentos faz muito tempo, nunca mais experimentei o velho método de quarar a roupa. Nunca mais tive um varal a contento, coisa que por si só, acho lindo.

Bisous.

Imagem: Rodney Smith.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A pataquada do ser sexy



Recentemente se falou de uma certa polêmica, em relação a uma certa senhora, muito fina, filha de outra senhora, muitomuito fina, que todos das modinhas amam dizer que amam. Pois é, vocês sabem de quem estou falando. E elas são realmente tudo isso, são finas, elegantes, a mãe é ícone de estilo tupiniquim (seja lá o que isso quer dizer), reverenciada até pela chatíssima Garance Doré (apesar de muito-muuuuito chata, Garance consegue ser menos chata do que a Man Repeller). 

Ninguém quer e nem ousa mexer na santidade alheia. Talvez, em algum momento, aqui e ali, Regina Guerreiro o faça, porque né, ela pode (e se reparar bem, sempre há um certo tom de sei lá o quê quando Dona Regina se refere a Dona Pascolato). Mas não me entendam mal, também meio que me junto ao coro do oba-oba. Meio. Porque é muito bom ter ícones e heróis e pessoas que a gente admira. Muito mais do que amar dizer que ama. 

Acontece que meu ícone para vida toda, em termos de estilo, é Dona Audrey Hepburn, lindalindalinda, atriz talentosa, humanitária e protetora dos animais, já nos idos da antiga Hollywood, quando não era modinha ou politicamente correto.

Quando comecei a observar os looks de desfile europeu de Dona Costanza, sempre com alguma pele ("porque é quentinho e aquece o corpo" segunda a própria), tudo arrumadinho em cima da cama do hotel e registrado com orgulho, deu um certo abuso, daí uma preguiça enorme. É o que tenho a dizer sobre.

A tal da polêmica em relação a filha, que se mostrou de lingerie aos 50 anos? Primeiro, de fato as imagens não são nada vulgares, tampouco sensuais. Na verdade beirou o patético. A primeira ideia que me ocorreu foi a de uma canjica (curau) salpicada por canela. E canjica não é algo visualmente sensual, nem sexy. É um quitute jeca, matuto, caipira, sertanejo. Então, né? Rolou algum problema ali. 

E a necessidade disso, sabe como? Desculpa, mas esta conversa de que a mulher brasileira acha errado ser velha? A gente pode discutir um monte sobre isso, mas encaremos um fato incontestável, o desfile de mulheres acima dos 50 nas pelas praias brasileiras, de biquinis, estando em forma ou não, nem aí para a opinião alheia. Quer dizer, né?

Eu já acredito que a mulher brasileira é obrigada a ser sexy cedo demais e por muito tempo. E isso é um saco. Fujo completamente do padrão sexy-mommy, sou converse-mommy total e estou muito feliz e tranquila do jeito que sou.

Mas se eu procurasse um ícone de mulher madura e sexy procuraria Sophia, Jessica. E precisa de outras?

Bisous.

Imagem: Audrey Hepburn by Steven Meisel, Vanity Fair.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A Imprensa cearense e o bodismo


Sim, você leu direito, é *bodismo, de bode e não a religião, budismo. Inventei essa coisa de bodismo para me referir a reportagens ruins e um tipo de jornalismo praticado por aqui, no Ceará (sabe-se lá onde mais) que me desagrada um monte.

Uma coisa que reparei assim que voltei para Fortaleza e tive um tempinho para ligar a tv na Verdes Mares, filial da Globo aqui em terras alencarinas, é como os telejornais daqui são ruins. Tipo, muito ruins. E eu não lembrava disso. Ou não queria lembrar. Ou o meu gosto para telejornais melhorou por influencias cariocas. O certo é que não há como se comparar a qualidade.

Começa no ethos da cousa, gente mal vestida, maquiagem sofrida e figuras que não se adequam. Não estou falando de gente bonita, é de elegância mesmo. E âncora de jornal deve ser elegante, tipo o Renato Machado.

O que aconteceu com os cursos de jornalismo do Ceará? A galera boa vai toda para a mídia escrita ou vai para os grandes centros? porque olha. Comparem o Bom dia Ceará ao Bom dia Brasil: é ridículo.

Dia desses uma das matérias do Bom Dia Ceará era sobre uma especie de festa alemã aqui em Fortaleza, com "pratos típicos alemães", só que o "prato típico alemão" era um salsichão na grelha, daquele tipo de salsichão que se encontra em qualquer mercado. - Parece que a tal festa foi promovida por um restaurante  alemão de Fortaleza, desculpa, eu sou mais alemã. Saudades eternas da Casa do Alemão. - Daí o repórter tosco foi perguntar para a entrevistada, mais tosca ainda, segurando um espeto de salsichão, se ela estava preparada para experimentar, pela primeira vez, um típico prato alemão: um salsichão grelado que a gente compra no Super Família da Lagoa. Que vergonha alheia.

Outro dia a reportagem, super relevante, era sobre as comidinhas da Copa e as padarias. Ao invés de procurar uma padaria legal de subúrbio, tipo a Costa Mendes - não precisava ser a Empório Delitalia - a reportagem vai até a padaria mais acanhada (para dizer o mínimo) e pergunta para algum funcionário o truque para os quitutes coloridos na cor da bandeira, e a criatura responde que é segredo. E desde quando mesmo que anilina é segredo? Quis morrer.

Fora reportagem de bodes fugitivos, que só me lembra quando *roubaram o rabo do Bode Ioió (daí o bodismo). Vaca em rodovia é reportagem padrão. Tudo bem, acontece isso na Presidente Dutra e na Avenida Brasil. Eu já vi um galo solto na Avenida Atlântica, que deveria ser da Narcisa Tamborindeguy. Brinks. O Brasil ainda é rural, primário, sabemos disso. Mas pôxa vida, reportagem padrão de telejornal de uma capital é osso.

Bious

Imagem: O Pão, jornal do movimento Padaria Espiritual, grupo literário cearense. 
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