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terça-feira, 15 de março de 2016

Chega de maldade e ilusão



Os dias após manifestações são meio conturbados pra mim. Geralmente excluo umas 10 pessoas das minhas redes sociais, não porque são contra corrupção, (eu também sou, de qualquer tipo; não furo nem fila de lanche da minha escola, para terem uma ideia) porque ainda tenho amigos que estão muito chateados com tudo o que está acontecendo e com a situação econômica do país, inflação subindo, desemprego aumentando (eu também estou), mas que, contudo, não são hipócritas e fascistas, porque eu não sou e nem quero ser amiga de fascistas. Mas sempre me estresso e me entristeço um pouco quando descubro que alguém por quem eu nutria algum sentimentozinho que seja é conivente com essa gente horrorosa que faz saudação nazista em plena Copacana, com lixo misógino, machista, homofóbico, racista, etc. 

Mas da última manifestação, do fatídico dia 13 de março de 2016, o que ficou foi a imagem emblemática do casal branco e rico da Zona Sul carioca, com a babá caminhando atrás empurrando o carrinho de bebê, vestida com o nefasto uniforme de babá, num domingo em que o dito casal branco e rico da Zona Sul carioca estava de folga, para ir protestar, porque querem o país deles de volta. E qual é o país que essa gente quer de volta? Eu respondo, o Brasil colonial, escravocrata, como das pinturas de Jean-Baptiste Debret ou o Brasil quase isso, em que a elite tinha os aeroportos só pra ela, o Brasil sem as cotas, sem os programas sociais e com menos miséria. 

A raiva que essa elite tem desse governo que está aí, nada tem a ver com o sentimento que eu tenho por exemplo, que é a desilusão em constatar que o projeto social do governo não era tão ousado e que pior, haveria de se associar com os setores mais asquerosos da política nacional. Estou desiludida e triste, mas ainda fico um pouco feliz, sabendo que a filha do porteiro do meu condomínio está numa universidade federal através das cotas para alunos de escola pública. Só que a minha alegria é a revolta da elite que odeia o PT e o Lula, que é o maior símbolo do povo que chega ao poder. Essas pessoas odeiam o Lula não porque as acusações contra ele são graves e revoltantes, mas porque ele era pobre, de origem nordestina, metalúrgico que perdeu um dedo no trabalho. Essas pessoas estavam desde os idos dos anos 2000 torcendo para algo assim acontecer, para que o "Zé povinho", representado pelo Lula, volte a não ter esperanças e nem ousar a entrar na piscina, como na cena do Que Horas Ela Volta. Essas pessoas a que me refiro são pra mim a verdadeira gentelha burra, a elite viúva da escravidão desse país.

Voltando ao uniforme de empregada e de babá: eu odeio essa simbologia. A vontade que eu tenho quando vejo uma cena assim, uma idiota rica andando na frente com a babá negra de uniforme atrás, fazendo um serviço que a idiota rica deveria fazer (cuidar do próprio filho num dia de folga) é de ir até a babá e abraçá-la, e dizer que o mundo é um lugar horrível e que a humanidade deu muito errado, mas que nem todo mundo é como a idiota rica. Geralmente eu deixo o meu abraço no olhar. Tive o desprazer de manter contato com alguns desses idiotas, na sua versão paulistana, inclusive tive um simulacro de discussão com uma, a mais ignorante de todas, justamente por conta da babá de uniforme nos finais de semana. E tive a alegra de excluí-la das minhas redes sociais, e bloqueá-la.

Gostaria de bloquear toda a maldade e ilusão do mundo.

Mas olha, as coisas podem não ter chegado ao ponto de evolução e correção de injustiças históricas que eu e muitos esperavam, mas estão sim muito melhores, como disse o vocalista da nova Legião Urbana para o idiota do faustão, o Brasil está muito melhor do que há 30 anos atrás. Especialmente quando a gente vê, no mesmo dia que a cena de Copacabana acontece, essas duas meninas negras incríveis no palco do Lollapalooza. Por isso, chora elite idiota, que os avanços que o país conquistou nunca mais partirão.




Imagem: Mural Eva do  Acidum Project da minha cidade, Fortaleza.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cansada, porém viva.



Eu estou muito cansada. O ano mal começou e estou muuuito cansada, vocês não estão entendendo. Estou cansada nível a mãe do garotinho do Sexto Sentido, cansada fisicamente, na mente e no coração.

Encarei o desafio de ser a professora de português do ensino médio da escola onde dou aula, no estilo professores de português do tempo do ginásio, que dá aula de tudo, sabe como? Sou eu. Dou aula de gramática, de redação, de interpretação textual, de literatura e de paradidático. Fora laboratório de redação, fora o jornal da escola, editado por mim, fora a semana de artes (inventada por mim, e que ninguém está me ajudando. sim, eu estou me queixando) e fora a Semana Santa, com peça da Paixão de Cristo e Via Sacra, que não fui eu que inventei, mas que está sobrando pra mim. 

É muita coisa e fora isso tudo, eu sou dona de casa sem máquina de lavar, sem aspirador de pó, deixei tudo no Rio e ainda não tive dinheiros para comprar de novo, porque eu estou muito pobrinha. A lida de casa é feita por mim e meus erês no braço e no muque, e numa casa com muitos pets, a limpeza é constante. Não dá pra passar um dia sem espanar o sofá (coitado do sofá), porque ele some de tanto pêlo de gato e eu morro de tanta alergia, porque eu tenho alergia a isso tudo e nem por isso odeio gatos, pelo contrário, amo.

Então imaginem que a minha maratona de aulas numa escola, num turno, é igual a de quem trabalha em duas escolas. Eu tenho 25 aulas semanais, dou aula das 7:00 às 12;30, com um intervalinho sem vergonha de 15 minutinhos. Às vezes fico a tarde para os ensaios da peça. Chego em casa arrasada, mas tenho que fazer almoço e limpar a casa. Aí eu almoço? Claro que não, vou corrigir redação. Todo dia pelo menos 30. E depois? Dar uma olhada no que diabos eu tenho que ensinar no outro dia, porque eu simplesmente esqueço. E acaba que eu fico tão cansada, que tomo um chá e desmaio no sofá, que já limpei dos pêlos dos gatos. E eu não tenho empregada, acho que não teria nem se pudesse pagar (e eu não posso), porque acho isso tosco e escravocrata. Também não faço unha com manicure, porque acho isso coisa de dondoca, que eu não curto. E minha unhas estão sempre ok. Ao menos elas.

E essa é a minha justificativa para ter sumido um pouco do blog, porque está sinistro pro meu lado. Não vou prometer que não vou sumir de novo, porque não tenho certeza se conseguirei manter a minha promessa, mas eu vou tentar postar ao menos uma vez por semana. E voltar a desenhar, porque o meu outro trabalho está cada vez mais distante de mim, e eu tinha me prometido que em 2016 eu me apegaria com ele, que é meu bálsamo em tempos de turbulência, mas né? Fail :(

E o final eu quero dedicar a todas as pessoas egoístas, escrotas, desgraçadas e cheias de má vontade, que ao me ouvirem falar que estou cansada, vêm com as malditas comparações, etc coisa e tal. Sabe disputa de quem sofre mais, de quem é mais ocupado? Vão se catar, pelo amor de tudo que é bom e que alumia. Cara, não é pra ficar disputando com ninguém, às vezes a pessoa (eu) só quer desabafar com alguém em quem confia (ou confiava), a pessoa não está querendo dizer que você não trabalha. Melhore. É tão perverso não respeitar o direito do outro, que mundo uó! Eu sei respeitar o sofrimento alheio, as agonias individuais e não fico na quebra de braço de quem está mais lascado, porque se forem disputar comigo, perdem por tabela, porque ó, Murphy janta comigo.

Inté.

Imagem: Michael Lavine grunge.

domingo, 6 de setembro de 2015

Domingo em movimento - Bridget


Eu na vida rs.

Acho que deve ser o único chick lit (ô nome ridículo) que eu gosto: O Diário de Bridget Jones. E simplesmente amo os filmes, inclusive tenho os dois. A Bridget é tudo o que eu sou, antes dela se resolver, claro. Eu sou a Bridget que deu errado. 

Pessoa totalmente aversa a essa coisa fitness-whey-treino. Parabéns pra você que escolheu comer alpiste a vida toda. Eu como saladas lindas, porque eu gosto. Eu amo suco verde e prefiro alimentos integrais, porque eu acho mais gostoso, mas nunca treinarei na minha vida! Aliás, que abuso dessa coisa de "treino". A pessoa agora é animal doméstico pra se adestrar? 

Bebida! O que seria da vida sem bibidinhas, né mesmo? Fora a diarreia verbal, o cigarro, a total incompetência para a vida social. Sou eu, gente!

Bisous.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Livro de Colorir - It's fun to lose and to pretend



Livros de colorir. O que pensar sobre livros de colorir para adultos? Nada. Se você quer e pode comprar, compre, porque ninguém pode te dizer o contrário. E se você quer pintar, porque é bacana, porque é lindo (é de colorir, né?), é feliz, é divertido e te faz super bem; compre, seu lindo. Afinal, ninguém pode te impedir. Mas não venha com essa lenga lenga que a gente não pode achar ridículo, porque a gente acha e acabou.

Admitam, a maioria esmagadora dos coloristas de livro de colorir acha que é artista plástico. O que tem de fofo postando no Instagram "olha o que eu fiz", "finalizei meu desenho". Não, criatura, você não desenhou nadica de nada, você pintou. Apenas.

Engraçado é que eu, que me chamo de Coloriste, que desenho, não tenho o menor saco para esses livros de colorir, porque já me dá tanto trabalho criar e desenhar. Na verdade eu sinto uma preguiça imensa disso tudo, que me parece muito vazio, como vazio está o mundo.

As pessoas que colorem mandalas e jardins secretos (até ficarem vesgas) simulam que são algo que não são, se debruçam nos livros de colorir e acreditam que estão sendo criativas, quando na verdade estão apenas preenchendo vazios de contornos que outros desenharam. Entendem?

Por que a gente compra livro de pintar pra criança? Para que ela desenvolva coordenação, concentração e outras noções, que devem ser estimuladas na primeira infância. Geralmente são estimuladas de maneira completamente equivocada, o que cria um bloqueio e uma frustração do tipo, não consigo pintar dentro do tracejado, cacete. Pois é, eu passei por isso. Até quando entendi, já na adolescência que professores de artes são alienígenas do mal (os meus, ao menos), então passei a ignorá-los.

Agora, por que adultos estão comprando livros de colorir? Talvez para sanar essas frustrações, para ter o seu momento Monet, e as redes sociais estão aí para a gente exibir, todos os nosso feitos, tipo pintar todo o jardinzinho encantado. Eu só acho - apenas acho - que vídeo-aula no Youtube ensinando como pintar, com regras (f.u.c.k.i.n.g - r.e.g.r.a.s) é o cúmulo. 

Toda vida que passo por uma pilha de livros de colorir na Saraiva, a vontade de dar uma voadora é forte, mas eu me controlo e vou colorir meu livro do Pequeno Príncipe. Brinks, sento e tomo um expresso mesmo. Cada um com seu jeito de desestressar.

Inté. 

Imagem: Roy Fox Lichtenstein.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Solilóquios modísticos



Vez ou outra sinto um pouco de falta de como era essa coisa de blog antes, na verdade os blogs de moda, ao menos os mais 'serinhos', geralmente escritos por gente de dentro do circuito das modas: jornalistas e afins, estilistas em começo de carreira e gente metida com alguma leitura, mas com senso o suficiente para saber que não era um profissional do ramo, tipo euzinha.

Daí tinham os outros blogs de moda, das moças ricas e bem nascidas, que exibiam seus guarda-roupas grifados, os tais achadinhos em brechós de Buenos Aires e Paris, que começaram um estilo próprio de blogar, basicamente exibindo sua vida de glamour, que lhes rendeu e rende mais dinheiro do que já tinham, simplesmente por serem ricas e exibirem sua riqueza. Ah, o capitalismo rs. E como ganharam mais dinheiro? Através de publicidades e patrocínios - as parcerias - até virar uma espécie de marca. Daí veio o fenômeno das cópias sem noção, um mundo de meninas copiando essas blogueiras, desejando status. Agora esfriou um pouco, a moda é o vlogger de qualquer coisa, que pode ou não dar certo.

Essa semana teremos alguns posts modísticos, das últimas semanas de moda, só para variar um pouco e relembrar nosso passado de resenhas das modinhas do tempo do Reverbera. Nada de mais, nada sério, super pessoal e imagético. Ou seja, o de sempre rs.

Bisous.

Imagem: Giambattista Valli Couture Fall 2015.

domingo, 28 de junho de 2015

Sobre Paulos e Paulas



Desde sexta-feira que uma onda da cor do arco-íris varre as redes sociais, tudo por conta da decisão da Suprema Corte americana, legalizando o casamento entre homossexuais em todo o país. Sim, foi lá nos Estados Unidos, um país imperialista, em que o mercado é mais importante do que gente, óbvio que se sabe disso tudo e é claro que enxergamos todos os problemas. 

Contudo, a gente também sabe que é inegável, os Estados Unidos são ainda a maior potência do mundo, especialmente em termos de cultura, ao ponto de influenciar o comportamento mundo afora. Uma vitória assim, dessa magnitude, acontecendo justamente nos Estados Unidos, é uma grande vitória.

Mas para que saibam, se alguém que me lê não sabe ainda, aqui no Brasil em 2011 a união entre homossexuais foi equiparada a dos heteros pelo Supremo Tribunal de Justiça. Foi lindo, com pronunciamentos inesquecíveis, como o do ministro Ayres Brito. E ainda, em 2013 o Conselho Nacional de Justiça obrigou os cartórios a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja, o casamento igualitário é uma realidade em terras tupiniquins. Casais homossexuais têm direitos legais. Só falta virar lei, como acabou de acontecer nos Estados Unidos. E toda a comemoração é merecida sim, como já falei, trata-se de uma conquista e já estamos sob sua influência: #lovewins.

Sobre quem está reclamando, tentando minimizar a importância dessa vitória - porque né, existe a fome - são as mesmas vozes homofóbicas, fundamentalistas, carregadas de ódio, que acham que homossexuais são pessoas dementes, criminosas e pecadoras. São pessoas que acreditam que a sexualidade e a identificação de gênero são opções. Eu não discuto com gente assim. Mas infelizmente, tenho que conviver com algumas. E depois me perguntam como eu suporto viver com uma dezena de gatos. Gatos são criaturas adoráveis (como cachorros), que não odeiam ninguém por condição sexual e identificação de gênero.

Não me recordo de nenhuma fase da minha vida em que cultivei a menor homofobia. Sou heterossexual, criada por uma família bem tradicional aos moldes latinos e nordestinos; meu pai era um militar comunista, ou seja, machista. Mas não cresci numa casa em que se falava que gay tem que morrer. Metade da minha infância meus pais brigaram, e a outra, meu pai estava doente, até vir a morrer. Na adolescência, na década de 90, meus ídolos eram gays e a primeira voz da mídia a gritar contra a homofobia, Madonna, foi minha primeira grande inspiração.

Mas houve um fato na adolescência que me marcou para o resto da vida, que foi a morte da minha prima Paula, que nasceu Paulo, que foi expulsa de casa por ser travesti (na época ainda não entendíamos a condição transgênero). Paula lutou muito, sofreu muito, até ficar doente e ser tratada pelas amigas, também travestis. Quando morreu, a "família", que deixou Paula de lado por tantos anos, num último ato de desrespeito, vestiu Paula de homem para o velório: cortou seu cabelo comprido, não fez a barba, já crescida dos dias na UTI e lhe vestiram com roupas masculinas. Lembro-me especialmente das lágrimas de suas amigas e da indignação. Eu só tinha 14 anos, mas aquilo me doeu tanto, que chorei com elas, e fiquei ao lado delas, apesar dos protestos da "família".

Não, eu nunca fui homofóbica, nunca senti que havia nada de errado com homossexuais, só por serem homossexuais. Mas a indignação e a dor perante tudo o que passam, eu entendi e carrego comigo faz 24 anos, desde o enterro da Paula. Apesar de que parece que vivemos um período mais leve, acredito que pouco ou nada mudou dentro das pessoas. Existem tantas Paulas por aí. Não, o que mudou de verdade é que as minorias não querem mais calar e se esconder.

Mas sigamos, quem sabe um dia o amor vence de verdade, porque ele ainda não venceu.

Inté

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ei pessoinha


Decidi que vez ou outro escreverei por aqui alguma coisa - ou coisas - que me deixam chateadinha. Não que eu não tenha com quem conversar, eu até que tenho, meus erês e amigos, poucos amigos porque eu sou um Sith, mas eu tenho um blog e né, para que serve um blog? Alguns podem responder que blogs servem para a pessoa se exibir, ganhar brindes e/ou parcerias, mostrando como seu recorte de vida é super interessante (ou não, na maioria das vezes) e eu respondo que também é isso, mas que no meu caso não, o meu bloguito é para a minha tagarelice e ranzinzice.

E a minha razinzice de hoje é em relação a uma pessoinha, do meu passado longínquo, que inventou de ser minha amiguinha virtual, no facetruque, mas que nuncanunquinha foi minha amiga no mundo real. Pelo contrário, essa criatura é uma das pessoas mais horrorosas que já tive o desprazer de conhecer e eu vivi todos esses anos sem contato com tamanha prática nefasta, até que ela me encontrou. 

E por que você aceitou, fia? Pra vê coé, cara. Afinal, lembrem-se que morei no Rio e peguei ao menos um pouco da manha carioca, de perscrutar, coisa que cariocas fazem super bem. 

Sei que essa persona tem um determinado interesse, por isso quer me ter, de alguma forma, por perto. Mal sabe ela que nunca estivemos tão distantes, cada vez mais distantes, uma distância que eu diria, abissal e sem a menor possibilidade de aproximação. A criatura está ainda pior do que eu me lembrava. Preconceituosa, cheia daquela visão pseudo-cristã equivocada (porque o cristianismo é muito bonito, e não é isso que essas pessoas pregam, esse ódio sem fundamento) e vazia. Essa pessoa me dá gastura, tanta gastura, que venho apagando sistematicamente todos os seus comentariozinhos em minhas publicações. E cada deletar que clico possui em si muita vontade de que essa pessoinha entenda a mensagem subliminar, de que não tem condições, tipo, nenhuma, de qualquer aproximação comigo ou qualquer pessoa ligada a mim. Ou seja, o interesse que ela tem é impossível.

Desconfiômetro deveria vir de fábrica.

Inté.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Escrava Isaura e o vampirismo



Salvo engano, foi o primeiro livro de literatura que li sem versões adaptadas. A bem da verdade, acredito que nem tive contato com versões adaptadas durante o colégio. O mais perto disso, que não era perto, foi a maravilhosa e saudosa Coleção Vagalume, a primeira versão de paradidáticos brasileiros, que são livros feitos para se ler durante a escola, com temas que se aproximassem do público alvo, adolescentes do ginásio e segundo grau, o nome antigo para fundamental e ensino médio.

O livro é chato. Eu acho chatinho e não, eu não sinto pudores em falar que acho sim o livro de Bernardo Guimarães um porre. Aquela escrava "branca" criada como uma criatura perfeita, como fidalga, sofrendo a perseguição do Leôncio do capeta, ai que saco. Contudo, é um livro essencial de nossa literatura, porque marca bem os hábitos e concepções românticas de alguns autores, tal quais Bernardo Guimarães.

E as novelas? Assisti as duas versões, a da Globo com e a da Record. SPOILER: No livro o Leôncio tira a própria vida, diferente da novela que inventam um assassino, para acentuar a dramaticidade  coisa e tal. 

Na imagem uma versão no mínimo desrespeitosa, mas engraçada: A Escrava Isaura e o Vampiro. Sinto uma certa curiosidade mórbida em relação, não posso negar. Um dia haverei de ler e sei que odiarei rs.

Bisous.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

100 Unhappy Days #14








82. Uma greve de ônibus, do nada, e daí não tem como voltar para casa e ninguém em casa atendia o celular. Difícil.

83. Eu sinto ÓDIO de gente grossa, mal educada e burrinha/ignorante. Dia desses fui atrás de comprar canetas Posca, uma marca de caneta marcador bem bacana, mostrei por aqui já. Encontrei na CD MAX e numa loja atacadista do Centro. Tudo bem. Com o exceto de que na CD MAX custou 10 reais mais caro cada caneta(!). Mas o problema foi que eu pedi uma caneta P/ó/sca, com o /ó/ aberto. E tanto a vendedora da CD Max, quanto o vendedor da outra loja do Centro (que eu, obviamente, não lembro o nome) me corrigir. E eu fiquei assim, tão incomodada, porque passei pela mesma coisa no Rio, quando ainda estava com o meu sotaque da costa norte (vulgo cearensês) intacto e pedia um jornal /É/xtra e me corrigiam para /Ê/xtra. Até que eu me enraiveci e dei uma aulinha básica de variação pré-tônica e preconceito linguístico, aulinhas essas que estão guardadinhas, na ponta da língua, porque eu darei uma passadinha básica nessas lojinhas com vendedores cheios de pseudo verdadinhas (Não, eu não tenho o que fazer!). Mas olha, enfrentar isso aqui, na minha terra, é OSSO BRASIL. Ah, e além das questões de variação diatópica, a diaba da caneta é inglesa e se pronuncia Pósca mesmo, com 'p' aspirado e tudo, ou seja, estou certa em todas as perspectivas. 
{postei isso no meu perfil no Facebook} 

84. Uma pessoa que eu conheci pela bloguelândia modística comentou um post/status no tal Facebook de uma maneira, querendo ser legalzinho, mas acabou sendo bem desgradavelzinho. Eu sei que a gente está na internet para se expôr, que esse tipo de coisa acontece, mas véi, na boa. Ninguém pediu a sua opinião. Não gostou, ignora. 

85. Descobri que iria fazer um concurso na pqp e isso é tão desestimulante. 

86. Um dia de chuva, abro a bolsa e descubro que a sombrinha não estava lá. Ok. Começou a chover. O ônibus chega, que bom. Mas daí está chovendo dentro do ônibus, que de tão velho tem buracos e as janelas não vedam e escorre água e mais água, quase em cachoeiras. Aí você quer fazer greve junto com o pessoal do transporte público da cidade.

87. Um gato arranhou meu rosto, a boca e daí me deu uma alergia , tipo uma herpes no cantinho. Horrível. Filho de quenga.

88. Uma pessoa que já me fez muita raiva, que eu meio que desprezo passou por mim e me chamou de: Betinha. Sem deboche, querendo fazer o amiguinho, depois de me azucrinar. Olha, eu passei ferro nas tábuas dos mandamentos.

Imagens: Fantástica Fábrica de Chocolate antiga, gosto bastante, mas não desprezo a versão do Tim Burton; How I Met your Mother; Curtindo a vida adoidado; De Volta para o Futuro; Breaking Bad *_*.

Bisous.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

100 Unhappy Days #13










75. Todo mundo do trabalho esqueceu do meu aniversário. Confesso que tirei o lembrete do facebook de propósito pra ver quem lembraria. E tirando família e amigos íntimos, ninguém lembrou.  E está bem visível num quadro na sala dos professores, feito pela coordenação, e daí que falam de integração da equipe. Né? Feio, viu?

76. Estou precisando de Rivrotril, e não, não é frescura, porque eu não gosto de precisar de Rivrotril. Apesar do efeito ser fantástico.

77. Raquearam minha conta do Facebook. Durou pouco, mas eu fiquei passé composé com o incômodo que provoco em algumas pessoinhas. Inveja é uma doença, de fato. E ainda tem gente que tenta amenizar a coisa da inveja. Não gente, inveja é coisa séria e grave. O pior é que sei quem foi, por conta da coisa que foi feita especificamente. A pessoa escreveu na minha linha do tempo: "dou péssimas aulas de português". Um dia depois que recebi um monte de mensagens lindinhas de alguns alunos que gostam das minhas aulas. Pessoinha, melhore.

78. Um moleque ex-aluno da escola onde dou aula tentou me cortejar, digamos assim. Na verdade, ele me deu uma cantada horrorosa, feia, asquerosa, daquele tipo que as pessoas chamam de cantada de pedreiro, que eu não entendo muito bem, porque a cantada nojenta não é um domínio único dos pedreirinhos da vida. Mas então, fiquei me sentindo mal, sabe? Porque aluno é aluno para o resto da vida.  É muito feio, é anti-ético.

79. Tomei um tombo que vocês não têm noção, mas tipo, me esborrachei sinistro no chão. Quase que desloco o joelho. 

80. Encontrei este kit de canetas marcadores da Sharpie na Montreal, que fica perto da Praça do Correios no Centro de Fortaleza. Não faço ideia do nome da rua, tampouco estou com vontade de procurar a lista de endereços. Sejam bonzinhos comigo, tudo bem? Tudo bem então. Pois é, encontrei e estava custando uns 65,00 R$ e eu pensei: é caro, depois eu passo aqui e compro. E eu voltei um pouco depois. E não tinha mais. E deixe que agora estou viciadinha na frescura de lettering, que é basicamente fazer uma letra desenhada ou gótica ou ambos e as canetas Sharpie são bem boazinhas para começar, né? Eu as uso para ilustração também, são baratas a unidade, cerca de 5,00 R$. Pois não tinha mais desse estojo com todas essas cores lindas. Encontrei online vendendo por 150,00 R$. Sim, você leu certo, CENTO E CINQUENTA REAIS. E me deu vontade de escrever um email para a loja perguntando da cara de pau. E não tem o diabo do estojo em nenhum outro lugar. Osso.

81. Aliás, material de desenho é um negócio assustadoramente caro e difícil em Fortaleza. Fiz um post para La Coloriste sobre, contando um pouco da minha historinha com material artístico ao longo dos anos. Uma frustração só. Que saudades das Casas cruz.

Inté.

Imagens: 4. A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e 5. Laranja Mecânica.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Hey. Wait, I got a new complaint



Frances Bean Cobain, que tem a quem puxar, deu uma entrevista para a revista Rolling Stones em que meio que desdenhou do Nirvana. Ela prefere coisas como Oasis. O.a.s.i.s. 

A entrevista, que primeiro li em pedacinhos no site Petiscos, e depois fui procurar na íntegra para ver se não estava fora de contexto, é ainda pior na íntegra do que nos retalhinhos petisquetes. Tem um ar de desdem, que não fica só no subentendido das entrelinhas, mas nos pressupostos de tudo o que foi declarado por essa garotinha de 22 anos, que se acha profundamente madura para ficar por aí soltando juízo de valor negativo sobre um mito, que por acaso é seu pai.

Posso até entender que, em vez de ter o ídolo Kurt Cobain, líder da banda que modificou o cenário musical a partir dos anos 1990, influenciando coisinhas barulhentas e legaizinhas, como Oasis, ela preferiria ter o pai, e apenas isso. É perfeitamente aceitável. E bonito. E triste, tudo junto. Heart shaped box.

Mas existem maneiras e maneiras de se lidar com a dor. Não vejo como algo bacana e natural lidar com a dor sendo babaca, com eterno ar de fuck off todos vocês que conheceram meu pai, amaram meu pai, consideram meu pai um ídolo. Fuck off a maior banda dos anos 90, a banda que mudou a música e que já era isso tudo antes do Kurt Cobain morrer, porque já era, eu vivi a época, eu sei.

Frances Bean só é Frances Bean, só tem uma voz, por causa do pai, que por acaso era o vocalista da banda que ela não gosta, preferindo Oasis (imagine o tanto que Kurt sentiria asco dos Gallagher? - não me entendam mal, eu gosto de Oasis. um pouquinho, ao menos). Qualquer outra conjectura cairia na máxima da minha querida Vera Queiroz: e se ela fosse um camundongo?

Frances Bean, que não dá a mínima eternamente para nada, possuída por um tédio eterno de 22 anos. Frances Bean, que eu não dou a mínima.

 Inté.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Séries guilty pleasures


Para os queridos que odeiam estrangeirismos, gente colonizada que usa expressões em inglês (tipo eu), jamaicano arcaico etcetera coisa e tal, eu vos digo que, ninguém liga pra vocês. Apenas recolham-se às profundezas de gramáticas ruinszinhas como a do Cegalla e deixem-nos em paz, nós que somos bárbaros.

Guilty pleasures, ou prazeres proibidos, do tipo vergonha alheia, é aquele tipo de série que a gente sente vergonha por assistir, porque sabemos que são ruins. Mas é uma vergonha tão grande, tão grande, que nos abstraimos de nós mesmo e nos tornamos outrem, que nos apreciamos de fora para dentro e sentimos vergonha alheia de nós mesmos. Entenderam? Não. Não tem importância.

Para nós, seres estranhos que amamos séries ruins, é um prazer quase inenarrável apreciar tosqueira que, de tão ruim, fica bom, sabe como é? Pois é!


Barrados no Baile - Pois é, eu era adolescente na década de 1990 e eu assisti Barrados no Baile (ou Beverly Hills 90210) para mim, uma menininha de tranças aos 13-14 anos, era o máximo aquela baboseira de gente rica de Beverly Hills, daquela high school super nada a ver com a minha realidade de escola particular do Montese. Em Fortaleza. Nordeste. Brasil. Pois é, mas eu gostava e acompanhei tudo. Deve ser o mesmo sentimento de gente que era/é fã de Black Street Boys quando adolescente e hoje é fã de, sei lá, Pixies e sente no fundo do coração uma vergoinha. Amigo, dá cá um abraço, porque somos toscos.



Combo Buffy & Angel - Sim, eu assisti Buffy e Angel e eu acompanhava todos os episódios e eu já era adulta, mas eu gostava e ainda sinto saudades. Pode rir de mim.



Xena - Pois é, ria, ria muuuito, porque eu também rio muito do fato de que eu gostava de Xena, A Princesa Guerreira. Era tosco, era horrível, era homossexual pra caralho caramba e por isso mesmo eu adorava rs. Passava na Record, gente, uma coisa tão lésbica caminhoneira (ou guerreira rs) passar numa canal reaça ridícula como a Record, é simplesmente m.a.r.a.v.i.n.h.o.s.o. rs!




Smallville - Eu amava Smallville, eu me amocionava com Smallville, tipo aquele episódio que aparece o Flash, coisa linda de Deus. Na verdade, nem acho Smallville muito guilty pleasure. Não até a 3ª temporada, porque depois, virou uma porcaria nonsense (o que era a Lana bruxa, gente?). Mas eu continuei assistindo, mesmo achando tudo o horror. Um horror divertido.



Supernatural - Eu amo Supernatual, eu acompanho (tudo bem, houve um momento que eu parei de acompanhar, porque o ex o.d.i.a.v.a. e meio que implicava e daí eu largava mão). Mas a verdade é que eu amo Dean e Sam e seu Chevrolet Impala, o Metallicar e não ligo a mínima se a série está com o mesmo enredo desde o começo dos tempos: os irmãos combatem os demônios, um deles fica endemoniado, dai aparece um anjo maneiro, livram-se do demônio e voltam a combater os demônios, e daí um deles fica endemoniado e aparece um anjo maneiro... entendeu?



Combo Vampire Diaries & The Originals - Comecei a assistir as séries no início de 2014 nas maratonas da MTV e comecei odiando, mas daí foi me ganhando e ganhando e ganhando rs. Fiquei viciada. Durante meses foi minha válvula de escape e, confesso, eu comecei a gostar mesmomesmo quando os originais apareceram na trama de Vampire Diaries. Odeio a Elena Gilbert. Odeio a Katherine Petrova, apesar do nome K.a.t.h.e.r.i.n.e. P.e.t.r.o.v.a. ser lindo. Ainda mais lindo pronunciado pelo Elijah Mikaelson rs. Viu como é sério rs?



Glee - Sim, eu amava Glee. Cheguei até a chorar em alguns episódios, olha só que loka, chorando com uma série de comédia. Mas confesso que eu assistia mais ainda por causa dos professores Sue Sylvester e Will Schuester (especialmente Sue) e sua briga eterna e terrível e divertidíssima e nem aí para que me julguem. Amo rs.

 

Gotham - E a mais recente guilty pleasure, que eu assisto por causa do Pinguim genial. Oswald Cobblepot, o Pinguim, é disparado o personagem mais incrível da série. Ele é ao mesmo tempo charmoso, ingênuo e maquiavélico. O ator Robin Lord Taylor, fabuloso, faz o protagonista de verdade da série Gotham ser o Pinguim e não o James Gordon, ou seja, está tudo errado com a série rs. Genial, né? Assistam o episódio O Guarda-chuva do Pinguim e me contem. 

Bisous.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

RIP Leonard Nimoy - 100 Unhappy Days #12


73.

Gente, eu cresci assistindo Star Treck, é simplesmente uma das minhas memórias mais antigas. Spock é uma das referências da minha vida com os dizeres "vida londa e próspera". 

A gente vai ter que conviver com a ideia de que, de agora para frente, a pessoa que deu vida a um dos maiores símbolos da cultura pop do século XX, não está mais entre nós.

Eu me sinto imensamente triste. 

Inté.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

100 Unhappy Days #11


72. 
O Unhappy está muito fácil por aqui, porque os dias continuam total Katia cega, não estão sendo fáceis. Complicações, tensões, ansiedades, coisas que não se resolvem, dificuldades, medos, ou seja, toda uma série de malfazejos que indicam a necessidade de ansiolítico. Não, eu não acho isso legal. Porque não é legal não conseguir dormir de ansiedade. Porque não é legal não conseguir esquecer os problemas e tudo o que te angustia nem por um segundo, nem tomando um sorvete. Porque não é legal não ser dona e senhora das suas emoções.

E é óbvio que quando estou assim, muito bem, vou assistir David Lynch.

Inté.

Imagem: Mulholland Dr.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Photo a Day Week 7


Semana difícil, gente. Gatinho dodói, pilhas de redações para corrigir, muito stress e pouco tempo para pensar em coisas positivas, tirar uma fotinha para registrar alguma belezura. Mas a gente tenta. É o ao menos da vida.






Monday 9: Energy - Minha foto foi tão sem graça que eu nem tive coragem de trazê-la para cá.
Tuesday 10: This is inspires me - Não fiz.
Wednesday 11: On the wall - Foi uma das únicas fotos que fiz que gostei. Na verdade acho que foi a única mesmo.
Thursday 12: Pointy - Que foto incrível, né? #sqn
Friday 13: Temptation - Eu enseiei uma foto com doces e chocolates, tudo o que não estou comendo no momento, mas passei o resto do dia, após as aulas, terminando de corrigir as redações e daí que foi tomar um banho e morrer.
Saturday 14: Love - Pra sempre meus erês.
Sunday 15: Spot - nop

A última foto foi meu presente de Valentines. Fofo, né?

Bisous.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Oscar 2015


Há mais ou menos oito anos, acompanho os red carpets e cerimônias de premiação com um olho na transmissão na tv, e outro no twitter, meu amor antigo tweet-tweet, só que eu confesso, estou quase enjoando. Na maioria das vezes é divertido, mas sempre acontece alguma besteira que me aborrece.

Ontem foi alguma coisa em relação ao saudoso José Wilker, algum comentário desnecessário, grosseiro, demonstrando alguma satisfação com a sua morte (pois é), reclamando do seu gosto por cinema de arte. Bem, o cara era artista, estudioso de cienma, um dos nossos maiores atores. Por que será que ele gostava de cinema de arte, né? Eu, particularmente, acho a apreciação do cinema de arte, tão esquecido, meu Deus do céu, é algo lindo e necessário, e esperado, especialmente dum artista da área. É pra gostar de quê? X-men? Meu povo, melhore.

E eu me emocionei em vários momentos do Oscar, gente. Achei linda a apresentação da Lady Gaga, as falas do Simmons, da Arquette, a emoção de Julianne Moore, Iñárritu homenageando os imigrantes latinos e o Keaton e a apresentação da canção Glory, que foi de arrepiar. Outro momento boring do Twitter, o povo reclamando da "chatice" do Oscar. Como assim chatice rs?

A cerimônia, apresentada por Neil Patrick Harris, mostrou-se logo de começo diferente. NPH praticamente iniciou a sua fala chamando atenção para a falta de indicação de artistas negros nesta edição do Oscar, que tinha entre os filmes que concorriam em alguma categoria, Selma, sobre Luther King, que por sinal não foi indicado a melhor filme sei lá o motivo. E é um ótimo filme, o melhor sobre Dr. King que já assisti. E as alfinetadas contra o suposto "esquecimento" da academia duraram toda a premiação. Mas, não se deixem enganar, o discurso foi ensaiado, foi a Academia fazendo um mia culpa. É bonito, mas fica só na boniteza.



Para mim em especial houve um momento tenso, o anuncio de que Lady Gaga faria uma homenagem a Sound of Music, interpretando a própria Sound of Music, eternizada na voz cristalina de Julie Andrews. E confesso que senti um arrepio da nuca ao dedinho do pé. Mas foi lindo, gente. Gaga parecia uma musa do cinema antigo e o vestido da apresentação estava lindolindolindo. Confesso que me emocionei quando apareceu a própria Julie Andrews *_*! É tão bom se surpreender nessa vida.

Mas os momentos que mais me alegraram foram as falas dos vencedores na categoria ator e atriz coadjuvante. A fala fofa de Simmons de Whiplash, pedindo para lembrarmos dos nossos pais, especialmente numa cultura que prega o desapego aos pais, como é a cultura americana, foi muito corajoso e tocante. E, o discurso reenvindicando direitos iguais no cinema para as atrizes, na voz de Patrica Arquette de Boyhood (único Oscar do filme).

Os premiados.

Melhor filme: Birdman {acertei}
Melhor diretor: Alejandro Gonzáles Iñárritu (Birdman)
Melhor ator: Eddie Redmayne (Teoria de tudo) {acertei}
Melhor Atriz: Julianne Moore (Para sempre Alice) {acertei}
Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons (Whiplash) {acertei}
Melhor Atriz coadjuvante: Patricia Atquette (Boyhood) {acertei}
Melhor roteiro original: Birdman
Melhor roteiro adaptado: Jogo da Imitação {acertei}
Melhor filme estrangeiro: Ida {acertei}
Melhor animação: Big Hero
Melhor fotografia: Birdman {acertei}
Melhor maquiagem: Grande Hotel Budapeste {acertei}
Melhor figurino: Grande Hotel Budapeste {acertei}
Melhor design de produção: Grande Hotel Budapeste {acertei}
Melhores efeitos visuais: Interestellar {acertei}
Melhor canção: Glory, Selma {acertei}
Melhor trilha: Grande Hotel Budapeste {errei, mas fiquei feliz rs}

Este ano não acertei tudo como ano passado, mas acertei treze palpites de dezessete, então né? Pois é.

Achei um absurdo Big Hero ganhar na categoria melhor animação. Para começar, Como Treinar seu dragão tem história, como falei na minha postagem sobre os Globos de Ouro, Como Treinar seu Dragão é daquele tipo de animação muito muito boa. Em termos de técnica de animação, não há nada de mais, só que em termos de história e conteúdo a conversa é outra. Baseada na série de livros homônimo - que eu super recomendo, é divertido, é rico e tem profundidade, não é só bonitinho. Como não amar Toothless (Banguela)? Apesar do fundo fantástico, com dragões alados na era dos vikings, no âmago da história a gente vê que Como treinar seu dragão fala de amizade, de família e de crescer, que às vezes dói. As relações estabelecidas entre pessoas queridas e toda a complexidade dessas relações. Inclusive a perda.

 E eu nem preciso falar da Princesa Kaguya, né? Porque era simplesmente a melhor animação concorrendo. Espero que não me venham aqui reclamar que Lego não estava concorrendo, e não deveria mesmo concorrer, a qualidade técnica não dá nem pra tentar concorrer com Big Hero, menos ainda com Kaguya, todo feito a mão. E, vamos lá, Big Hero ganhou porque é Disney e a Disney é a cara dos Estados Unidos, é um patrimônio. Enquanto a Academia puder deixar suas estatuetas (e dinheiro) com os indicados que são a cara de Hollywood, ela deixará. E, um filme baseado numa série de livros noruegueses e uma animação japonesa, definitivamente, não são a cara de Hollywood.

Inté.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

100 Happy Days #10





Foi uma semana u-ó, gente.

65. Assistir Little Princess (A princesinha) numa manhã de segunda-feira completamente sem querer, num dia de folga ♥. Um dos meus filmes favoritos, baseado numa das histórias infanto-juvenis que mais amo. A história em si foi adaptada para o cinema de maneira a deixar tudo um pouco mais leve, já que na literatura Sarah sofre um bocadinho mais, mas continua sendo um filme lindo e que toca meu coração ou candle my heart.

66. Café da manhã de sábado de carnaval para afastar a urucubaca sinistra.

Inté.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

100 Unhappy Days #10








65. Discussões por Grammy que Madonna é um fracasso, que Beyonce é musa, que Nikki Mijada Minaj é musa, que Sia não tem talento. Saco. Como disse Morrissey à época da premiação em 2013: "Whether it be Beyoncé or Justin Bieber, we see singers who have absolutely nothing to offer anyone as they walk off stage clutching three Grammys in each hand."

(Tradução minha) "Quer se trate de Beyoncé ou Justin Bieber, vemos cantores que não têm absolutamente nada a oferecer a alguém e como andam fora do palco, segurando três Grammys em cada mão."

Amen.

66. Assistir Little Princess me faz muito bem, mas automaticamente me faz lembrar de duas coisas que me fzem meio que mal, uma lembrança antiga e uma lembrança recente. A antiga, meu pai que me contava a mesma história das bonecas, de que quando não olhamos nossos brinquedos tomam vida.É uma lembrança feliz e triste ao mesmo tempo. A segunda é a época da minha separação, em que o ex-respectivo queria que eu arranjasse um emprego do nada, que estudasse para um concurso público nada a ver comigo e com a minha índole para um momento normal, quiçá num momento em que o minha vida estava desmoronando. Daí que me vi como a Sarah, quando a Miss Mincher conta que seu pai havia falecido. Vou associar Miss Mincher ao meu ex e rir disso tudo.

67. Álbum de Família. Outro filme que despertou um mim uma série de sentimentos. Um filme incrível e muito difícil. A cena de Violet contando sobre as botas marrom reluzentes que sonhou ganhar de natal, para combinar com as botas marrom reluzentes do seu primeiro amor. E sua mãe colocou num pacote com um lindo papel de presente, botas de homem velhas, furadas e sujas de esterco, e riu de Violet por semanas. Daí eu lembrei que minha mãe - com quem tenho muitos muitos problemas - me deu no meu aniversário de 1990 um all star, que eu havia pedido durante dois anos inteiros, mas meu pai havia morrido e estávamos sem dinheiro. Eu me senti mal, porque de repente as pessoas que achamos que são más e ordinárias, não são tão más e ordinárias.

68. Eu me perdi indo para o Campus do Pici. Enlouqueci e entrei numas de que o ônibus Campus do Pici- Unifor era um ônibus que circulava no terminal da Parangaba, que funconaria como um atalho pra mim. Só que o ônibus passa pelo Benfica, Avenida 13 de Maio. Alguém me interne, por favor. Bem, passando por várias informações erradas, porque fiscal de Terminal de ônibus é uma existência complicada, pegamos o ônibus Parque Universitário que nos leveou para a parte de trás do Campus, no meio da Favela Planalto Pici. Cagaços depois, andando cerca de 30 hectares, conseguimos. 

69. Corrigir redação não é de Deus, Fico imaginando como fica a cabeça dos corretores do Enem (oi, seus lindos) após corrigir milhares de redações, porque eu que corrijo apenas algumas centenas sinto-me um pouco retardada, de tanta asneira e descosntrução da língua portuguesa que passa pelos meus olhos (tipo "estrumamento").

70 e 71. E mais um dos meus gatinhos está doente. É sempre muito sofrido, difícil.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

The girl with the thorn in his side



Organizando e procurando os blogs que eu gosto de ler para, finalmente, editar a lista de links do blog (assim como as outras páginas) descobri que mais um blog querido se foi, o Hello Lolla. Conheci o blog em meados de 2008 e de lá pra cá sempre o procurava para ler e me sentir inspirada, mexida e por vezes incomodada (sim, por que não?) com as postagens. E daí que hoje, no endereço do blog, há uma senha. Uma pena, porque é dos poucos blogs incríveis em língua portuguesa. Uma merda, porque fez com que eu relembrasse do porquê encerrei o Reverbera, querida.

Acho que eu nunca contei abertamente o que me fez parar de escrever lá no Reverbera, querida (que ainda continua no ar, apenas não é mais atualizado). Foi porque me separei. E por quê? Usando vocês como terapia...

Antes do Reverbera, eu escrevia um outro blog, Nights with Violet Skies. Publicava pretensos textos literários, acadêmicos e meus desenhos. E acontece que sempre algo de minha autoria lá do Violet Skyes era utilizado em outro blog, sem a minha permissão. E eu me aborreci e deletei, sem salvar nada. Fazia pouco tempo também que meu gato Mingau havia morrido, depois de meses de muito sofrimento com insuficiência renal. Deixei de falar com amigos por escrotidões minhas, deles, alheias. Toda uma convergência ruim em minha vida. 

Pouco tempo depois disso tudo, conheci uma pessoa, e essa pessoa se tornou meu noivo. Aí, inspirada pela Constance e por um outro blog muito lindo (duma conterrânea) criei um blog diário de noiva, que era o Reverbera. Acontece que mais rápido do que deveria, o noivo virou marido e fomos morar no Rio. O blog se calou enquanto minha vida se reajustava. Meses depois voltei e o Reverbera voltou com outra voz, mais polissêmica, não só versado em noivices. E foi assim, até uma separação muito dolorosa e feia em 2013, que me fez pôr fim ao Reverbera. Mas acontece que eu queria muito bem a um monte dos textos que escrevi por lá, e sei que vocês também queriam, então o deixei por aí. Às vezes ele é muito mais acessado que o Solilóquios, mas eu não ligo ;).

O Solilóquios nasceu da minha vontade de não me calar, de mostrar que ainda estou aqui, da minha teimosia e verborragia, que algumas pessoas não entendem e outras gostam tanto.

Inté.

Imagem: Mozy falando por nós. As usual.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

100 Unhappy Days #9









58. Um grupo de idiotas estava maltratando uma gatinha filhote lá no Campus do Pici. Fui lá e a resgatei. Como foi no dia da matrícula do meu filho num certo curso aí, a gata levou o nome de Gaia.

59. Eu chorei na Tok&Stok. Fazia tempo que não ia a uma das lojas, desde o Rio, desde quando minha vida era outra. E me fez lembrar minha antiga casa e vida e tanta coisa se passou que me apertou o coração. 

60. Eu sou a pessoa que consegue simplesmente escolher o pior sabor de sorvete da 50 Sabores. Tipo, tangerina. Eu amo tangerina, mas aquela bola de sorvete gigante que só falta não acabar, na variação eterna entre o azedo e o doce, fazendo todas as papilas gustativas reagiram e criaram bilhões de rugas no seu rosto. Essa sou eu.

61. Uma atendente ruim das lojas Americanas. Preguiçosa, folgada, desatenciosa. Uma atendente ruim das Americanas pode acabar com o humor da semana toda. Só quem já passou por isso sabe o que é uma atendente ruim das Americanas.

62. Reunião de pais e mestres, primeira do ano. Fui de salto 10 bico agulha que judiou de mim até eu desistir e tirar os sapatos, no pior estilo fim de festa. Glamour zero.

63. Eu criaria 20 filhas mulheres e nenhum filho homem de novo.

64. Noite mal dormida, muita. Mais uma. Daí o que eu faço? Asleep.

Bisous.
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