Hoje eu completo 39 anos, quase 40. Na verdade eu já digo que tenho quase 40 desde os 36, coisa que irrita todas as pessoas que conheço, todas mulheres, é verdade. Incrível como a sociedade encrustou em todas nós um problema absurdo com idade, como se mulher não pudesse envelhecer. E a gente pode, e deve, porque é a ordem natural das coisas: tudo o que está vivo, morre e antes disso, envelhece.
Então, nesses meus quase 40 anos eu vi muita coisa, vivi muita coisa, e fiz outras tantas, especialmente coisas socialmente inaceitáveis. Por exemplo, tomei porres memoráveis, falei verdades na cara, desfiz amizades com ebós, com gente que até era maneira, fiz tatuagens, em vez de estudar algo que me desse dinheiro, eu estudei Letras e sou professora pobrinha, quase passando fome, como profetizou uma certa tia. Ah, e casei duas vezes, tentando ser feliz, coisa que as pessoas não aceitam, porque mulher com filhos não deve tentar ser feliz. Na verdade segundo a perspectiva dessas pessoinhas, mulher não deve ser feliz, né? Pois é, mas eu nunca acreditei nisso, nunca aceitei, e me permiti tentar, mesmo que para dar com os burros n'água, como de fato aconteceu, não porque mulher não pode, mas sim por problemas meus, pessoais, que sofro duma certa incompetência emocional, digamos assim.
E se tem uma coisa de que eu não me arrependo nesses meus quase 40 anos, é a busca da felicidade. Não a procuro desesperadamente, poque desespero e felicidade não combinam, mas o certo é que sempre tentei cultivar, durante todos esses anos, o que pra mim significa felicidade: plantinhas felizes (samambaias, suculentas, flores coloridas) incenso de canela, bolo de maçã, chá, casa arrumada com cheiro de lavanda, um canteirinho com alfazemas, uma biblioteca em casa, meus filmes favoritos em dvd (blu-ray agora), música, desenhar, perfumes, decorar a casa pro Natal, estar bem longe física e mentalmente de pessoas e coisas que me fazem mal.
Já houve momentos que tudo isso era a minha vida. Hoje em dia, tenho uns, não tenho tantos outros e justamente numa fase da vida que eu deveria estar começando a pensar em descansar mais, cuidar de mim, e viver pra mim, encontro-me numa dessas tormentas, que todos afirmar que é augúrio de tempo bom que virá. E me resta a fé, que venha e que dessa vez, venha para ficar esses tempos bons. Esse é meu grande desejo de aniversário, que os tempos bons comecem.
Os dias após manifestações são meio conturbados pra mim. Geralmente excluo umas 10 pessoas das minhas redes sociais, não porque são contra corrupção, (eu também sou, de qualquer tipo; não furo nem fila de lanche da minha escola, para terem uma ideia) porque ainda tenho amigos que estão muito chateados com tudo o que está acontecendo e com a situação econômica do país, inflação subindo, desemprego aumentando (eu também estou), mas que, contudo, não são hipócritas e fascistas, porque eu não sou e nem quero ser amiga de fascistas. Mas sempre me estresso e me entristeço um pouco quando descubro que alguém por quem eu nutria algum sentimentozinho que seja é conivente com essa gente horrorosa que faz saudação nazista em plena Copacana, com lixo misógino, machista, homofóbico, racista, etc.
Mas da última manifestação, do fatídico dia 13 de março de 2016, o que ficou foi a imagem emblemática do casal branco e rico da Zona Sul carioca, com a babá caminhando atrás empurrando o carrinho de bebê, vestida com o nefasto uniforme de babá, num domingo em que o dito casal branco e rico da Zona Sul carioca estava de folga, para ir protestar, porque querem o país deles de volta. E qual é o país que essa gente quer de volta? Eu respondo, o Brasil colonial, escravocrata, como das pinturas de Jean-Baptiste Debret ou o Brasil quase isso, em que a elite tinha os aeroportos só pra ela, o Brasil sem as cotas, sem os programas sociais e com menos miséria.
A raiva que essa elite tem desse governo que está aí, nada tem a ver com o sentimento que eu tenho por exemplo, que é a desilusão em constatar que o projeto social do governo não era tão ousado e que pior, haveria de se associar com os setores mais asquerosos da política nacional. Estou desiludida e triste, mas ainda fico um pouco feliz, sabendo que a filha do porteiro do meu condomínio está numa universidade federal através das cotas para alunos de escola pública. Só que a minha alegria é a revolta da elite que odeia o PT e o Lula, que é o maior símbolo do povo que chega ao poder. Essas pessoas odeiam o Lula não porque as acusações contra ele são graves e revoltantes, mas porque ele era pobre, de origem nordestina, metalúrgico que perdeu um dedo no trabalho. Essas pessoas estavam desde os idos dos anos 2000 torcendo para algo assim acontecer, para que o "Zé povinho", representado pelo Lula, volte a não ter esperanças e nem ousar a entrar na piscina, como na cena do Que Horas Ela Volta. Essas pessoas a que me refiro são pra mim a verdadeira gentelha burra, a elite viúva da escravidão desse país.
Voltando ao uniforme de empregada e de babá: eu odeio essa simbologia. A vontade que eu tenho quando vejo uma cena assim, uma idiota rica andando na frente com a babá negra de uniforme atrás, fazendo um serviço que a idiota rica deveria fazer (cuidar do próprio filho num dia de folga) é de ir até a babá e abraçá-la, e dizer que o mundo é um lugar horrível e que a humanidade deu muito errado, mas que nem todo mundo é como a idiota rica. Geralmente eu deixo o meu abraço no olhar. Tive o desprazer de manter contato com alguns desses idiotas, na sua versão paulistana, inclusive tive um simulacro de discussão com uma, a mais ignorante de todas, justamente por conta da babá de uniforme nos finais de semana. E tive a alegra de excluí-la das minhas redes sociais, e bloqueá-la.
Gostaria de bloquear toda a maldade e ilusão do mundo.
Mas olha, as coisas podem não ter chegado ao ponto de evolução e correção de injustiças históricas que eu e muitos esperavam, mas estão sim muito melhores, como disse o vocalista da nova Legião Urbana para o idiota do faustão, o Brasil está muito melhor do que há 30 anos atrás. Especialmente quando a gente vê, no mesmo dia que a cena de Copacabana acontece, essas duas meninas negras incríveis no palco do Lollapalooza. Por isso, chora elite idiota, que os avanços que o país conquistou nunca mais partirão.
Imagem: Mural Eva do Acidum Project da minha cidade, Fortaleza.
E eu tomei a resolução de que meu 2016 será mais francês ou seja, mais baguetes, vinhos, queijos, maçãs. Ah, e só tomarei banho no verão. Brinks, até porque é verão o ano todo em Fortaleza e eu amo tomar banho ;). Mas sabe, viveria muito bem à base dos itens que enumerei acima. Mas essa coisa do ano mais francês é brincadeira até certo ponto, porque uma das minhas metas para 2016 é justamente retomar meus estudos de francês, por isso mesmo escrevi minhas resoluções en français! De começo estudarei em casa, lendo, tentando escrever, consultando uma grammaire quando o drama for grande e, quem sabe, volto a estudar formalmente, se assim for possível.
Gosto muito de resoluções para o ano novo, amo fazer listas e, apesar de ser ariana (dizem que arianos não terminam nada que começam) eu gosto também de cumprir metas e itens de listas (talvez por conta da minha lua em touro, apegada com as coisas, pé no chão; terra é sempre bom no mapa astral). Mas confesso que nos últimos três anos mal ou pouco tenho cumprido as metas que tracei para mim mesma, 2013, 2014 e 2015 que não me deixam mentir. Aconteceram muitas coisas complicadas na minha vida nesses anos que atrapalharam o meu rendimento em outros setores: a procrastinação, a tentação de ficar em posição fetal no sofá da sala, zapeando ad infinitum as canais da tv, sendo tragada para dentro da NetFlix e seu encantador mundo de séries com temporadas incríveis e completas, tudo regado a muito café, coca-cola e sorvete, especialmente após corrigir 300 redações. É muito fácil se render ao cansaço e não criar coragem para fazer algo por você, que não seja procrastinar. E é outra meta importantíssima que assumi esse ano, nada de procrastinação!
Outra coisa a ser abandonada é a negatividade (em todos os aspectos), aquela vibe "ô vida ô azar" que me acompanha invariavelmente, porque também é difícil se manter positiva quando tudo parece dar errado. Tinha uma conhecida que afirmava que "não há nada ruim que não possa piorar" e isso ficou na minha cabeça dando voltas e mais voltas, ao ponto de praticar o discurso do inverso, tipo, um dos gatos está lindo e saudável, mas não podemos dizer que está, não, ele está horrível e pra morrer. Absurdo, né? Pois é. E logo eu que preguei minha vida toda o poder e energia das palavras. Mas veja bem, é ser positivo e não arrogante. Uma coisa é confiar no seu potencial e acreditar que é possível, outra coisa é ser presunçoso.
No mais, tenho as minhas pequenas resoluções, que coloquei no meu quadro de inspirações, assim como o mantra do ano e as minhas metas mais sérias e acertivas que farão minha vida e dos meus amores deslanchar.
Lema de vida: la parole est d'argent le silence est d'or!
E 2016 já chegou e chegou lindolindolindo. Aqui em Fortaleza também chegou que chegou, trazendo chuva e dia nublado que eu amo. Fora que começou numa sexta-feria antes dum feriadão; que lindo, 2016, arrasou!
E eu fiz umas listinha de metas objetivas, que não só devem, como têm que ser realizadas, porque é séria a coisa. Mas também fiz uma lista mais levinha, de desejos, coisas que quero muito fazer durante todo 2016, ano regido pelo Sol. Mostro pr'ocês amanhã.
Por hora fiquem com as imagens da minha despedida de 2015.
E foi um ano difícil esse 2015, muito difícil. Precisa nem pensar em si mesmo, basta avaliar o mundo durante os 12 meses de agruras e desventuras. Muita gente sofreu demasiadamente, foi um ano duro, segundo a Astrologia um ano de Marte, com uma configuração similar ao do início da Segunda Guerra Mundial. Pesado o cenário, né? Pois é.
Mas sabe do que mais? Decidi não fazer do post sobre 2015 um compêndio de lamentações ou a revisão de todos os fatos tristes que me aconteceram. Dei um foda-se para isso tudo. Sinceramente, coisa ruim merece um grande foda-se.
Vou deixar aqui tudo de bom que me aconteceu.
1. Justine teve filhotinhos: Thor, Nick, Ban e Verona. Trouxeram muita alegria para casa. E alguns prejuízos rs. Thor tem uma toquinha, o rabinho cotó e gosta de carinho na barriga. Nick tem os olhinhos inexistentes, a carinha de Akita e as meninas dizem que ele tem cheirinho de porco. Ban tem os olhinhos mais lindos, gosta de carinho na barriga também. Verona tem quase carinha de persa, não cresceu e é muito irritadinha.
2. Voltei para a vida acadêmica! Ao menos um pouquinho rs! Li textos muito interessantes, que arejaram a minha mente que andava enferrujada e tacanha.
3. Depois de muito tempo, voltei a dar aula de Literatura, que é a minha paixão, eu fiz Letras por causa da Literatura. Foi muito bom, me fez crescer como profissional e me trouxe muita alegria ao longo do ano. Observar alunos despertarem o gosto por Machado, Clarice, Rosa foi muito especial.
4. Gaia! Gaia a gente resgatou do Campus do Pici, era muito pecorrucha, estava muito doente e quase perdeu um olho, mas conseguimos salvá-la e hoje ela está linda.
5. Esse ano fiz uma nova amizade, a Erica, e fazia tempo que não fazia um amigo assim, pessoalmente. A internet me trouxe um monte de gente linda, que torço muito para conhecer pessoalmente, mas sempre fui mais afeita às amizades de pertinho, que a gente pode abraçar quando quiser ou tomar um café na livraria.
6. Julho foi um mês muito bacana, de descanso, algum dinheiro sobrando e pequenas alegrias: como assistir Big Bang Theory o dia todo comendo Pringles com os erês.
7. Passei num concurso quando não tinha a menor esperança de passar. Não estudei, não me preparei, tinha certeza que todo mundo passaria, menos eu e páh, passei rs. Tudo bem, fiquei fora das vagas, mas fui aprovada! E com uma prova didática bem louca, em que dei uma aula de gramática pautada na sociolinguística, que eu pensei que a banca havia detestado, mas vi que não foi bem assim rs. E isso me deu fôlego pra futuros concursos, acreditando mais em mim :).
8. Escapei de uma doencinha braba e me recuperei rapidinho... with a little help from my friend ;).
9. Star Wars depois de 10 anos! Assistir a uma estreia de Star Wars no cinema com meus meninos foi muito muito bom, especialmente depois de todo o stress do ano.
10. Consegui me livrar de um montão de negatividade que me cercava. Sinto meu sorriso mais solto, meus ombros menos pesados e meu espírito mais leve.
Para o próximo ano farei um potinho das alegrias diárias de 2016, achei a ideia tão bonitinha que farei lindamente, vou colocar até umas estrelinhas e glitter no pote. Vocês que me leem e também não tiveram um 2015 dos melhores, tentem refletir sobre o que foi bom, porque sempre tem algo de bom, até na pior das experiências.
Achei por bem registrar a data, porque né, merece o registro. Aliás, todo natal merece o registro, ao menos para quem gosta, como eu. Mas o certo é que 2015 foi um ano que não deu trégua do começo ao fim, e o natal não foi diferente.
De longe foi um dos natais mais calmos que passei e isso não é normal para um dia como esse aqui no cafofo da família fofurice, ou seja, sem a peculiar correria pra providenciar a ceia ou comprar alguma coisa de última hora. Houve um ano em que, em pleno dia 24 de dezembro, estávamos no meio de um engarrafamento na Avenida Atlântida, coisa que aliás acredito que ajudou para que eu levasse um pé na bunda; apesar de que não era eu que esquecia de comprar os presentes dos meus parentes, incluindo pai e mãe, mas forçava a barra pra bater perna ;).
E esse ano não teve correria pra nada, porque praticamente não fiz nada. A ceia se desenvolveu ao longo do dia, assistindo maratona de Roma, num dia chuvoso em pleno verão cearense, o que eu amei. Sem internet por algum complô universal, aliado ao mal serviço de todos os servidores de internet do Brasil, o que foi até bom. Apesar de que uso as redes sociais para divulgar minhas colorices e achismos, às vezes é bom se desconectar. Em resumo, um dia de calma, chuva e Roma. Ninguém quase morreu, nenhum gato adoeceu, ninguém me incomodou.
Lembrei dos natais que passava sozinha, ouvindo Smiths, comendo uvas, tomando cidra, também sem mortes, sem doenças ou incômodos. Éramos só minha mãe e eu, não íamos pra casa de parente nenhum, nem amigos, nem comemorávamos com a vizinhança. Era só a gente em casa, galinha assada e cidrinhas :). Em geral eu ficava sozinha em casa, ouvindo minhas fitas k7 ou assistindo alguma coisa minimamente assistível (até a morte, menos o especial de natal do Roberto Carlos - ódio) que por ventura estivesse passando na programação da tv aberta, algum filme antigo, como o Milagre na Rua 34 ou Esqueceram de mim, que nessa época era novidadinha. Calmo, indolor, sem traumas, uma experiência só minha.
Estou cogitando adotar como votos de natal: desejo um natal sem mortes, sem doenças e sem incômodos.
E vou avisar de novo, para que não reclamem, vai ter spoiler sim, porque né, difícil comentar o filme a partir das minhas impressões, sem contar nada do enredo. Eu amo a saga Star Wars, cresci assistindo e na verdade, nasci com a saga, porque nasci em 1977, ano da estreia de Uma Nova Esperança, primeiro filme da trilogia clássica, que depois virou a segunda trilogia (ou Trilogia Original, Sequela, sei lá rs), então é muito difícil pra mim escrever de forma não passional.
O Despertar da Força, episódio VII da terceira trilogia de Star Wars, foi muito mais do que eu esperava, superou todas as minhas expectativas e eu nem tinha tantas, só estava ansiosa mesmo. Lembro de quando estreou a segunda trilogia, que na verdade virou a primeira (Prequela, Prelúdio), com os episódios I, II e III, que as pessoas odeiam e que eu até gosto (porque gosto de saber do começo das coisas) que fiquei muito muito ansiosa. Lembro de que fui assistir a estreia da Vingança dos Siths (2005) com meus amigos de faculdade, e lá se vão 10 anos. Chorei com todo o processo de transformação do Anakin em Darth Vader, desde a morte do Mance Windu, dos padawans até a luta com Obi-Wan. Sim, eu chorei com filme de ficção científica, me deixa. Até porque, Star Wars nos comove e atravessa gerações e não é por causa dos efeitos especiais, mas sim da luta do bem contra o mal, e ainda, porque é profundamente humano na maneira como aborda tudo isso. Ah, o cinema ❤.
O filme em si: espetacular. Desde os efeitos especiais inacreditáveis, até todo o respeito no trato dos detalhes e homenagens à antiga trilogia (o filme está cheio de easter egs, ou ovos de páscoa, expressão em inglês que quer dizer, mais ou menos, surpresas inesperadas) e toda a mitologia surgida a partir de O Despertar da Força. Rey é nosso novo Luke Skywalker, sendo filha dele ou não (não sabemos ainda); Finn, o Stormtrooper desertor, nosso novo Han Solo; Kylo Ren o novo Darth Vader. Não entendam como substitutos, não. Cada personagem novo tem sua própria história e personalidade, mas que podemos localizar no lugar das personagens da trilogia original, dentro de uma nova história que no final das contas é a mesma: a busca pelo equilíbrio da Força.
Rey, qual é a sua história? A gente sabe que ela foi deixada em Jakku, por algum motivo extremo, porque abandonar uma menininha à própria sorte, num planeta de ladrões e traficantes não é algo normal; alguém que tem alguma ligação com os Skywalker, porque afinal, Rey ouve o chamado do sabre de luz de Anakin, que passou para Luke, que o perdera na luta épica que travou com seu pai, Darth Vader - O Império Contra-Ataca; e a força é poderosa em Rey, como é poderosa na família Skywalker; Rey não só resiste ao poder mental de Kylo Ren, como entra em sua mente e vê seu medo, hipnotiza o Stormtrooper, exatamente como o Obi-Wan de Alec Guinness faz em Tatooine (o mesmo sotaque britânico *_*) e desenvolve muito rápido habilidade de usar a Força. Minha ídala!
Kylo Ren, filho de Han Solo e Leia Organa, levado para ser treinado na Academia Jedi de Luke, seu tio, até alguma coisa acontecer, e ele se virar contra os Jedi e matar todos da academia, como seu avô Anakin fez no Templo Jedi em Coruscant. Han Solo comenta com Leia, num certo trecho do filme, que sempre teve muito de Darth Vader em Kylo Ren (que na verdade se chama Ben, certamente uma homenagem a Obi-Wan). No episódio VII nos deparamos com um vilão em formação, assim como Rey e Finn são heróis em formação. Kylo Ren é agressivo, há muita raiva e ressentimento nele, como se sentisse traído e enganado por sua família e pela luz, como se essa representasse algo de que ele tem medo e quer fugir. Ou seja, ele acredita que está no lado correto, profundamente influenciado pelo verdadeiro vilão, o Líder Supremo Snoke, que aliás é a minha única ressalva em relação ao filme, não a personagem, mas o nome ridículo.
Snoke, quem é você na noite? Ou no Lado Negro? Gente, quase certo que Snoke seja um Darth Plagueis, só o maior vilão da Mitologia de Star Wars, um dos maiores, e sem dúvida mais poderosos Sith do universo da saga. Embora ele nunca tenha marcado presença fisicamente em qualquer dos filmes da franquia, seu alcance se estendeu muito além de sua morte. Plagueis era o mestre de Darth Sidious, também conhecido como Imperador Palpatine, e foi reverenciado em uma cena entre Sidious e Anakin Skywalker no Episódio III: A Vingança dos Sith. Esse antigo Lorde Sith aparentemente tornou-se tão poderoso em seus estudos sobre o Lado Sombrio, que encontrou uma maneira não apenas de se tornar portador da maior força do universo, mas também de dominar a morte. No conto que Palpatine narra para Anakin, seu mestre, Plagueis, estudou extensivamente os midichlorians, usando seus recém adquiridos conhecimentos a fim de impedir a morte daqueles que lhe eram próximos. Uma alternativa sedutora o suficiente para balançar Anakin naquele momento de sua vida. Mas afinal, como Darth Plagueis poderia estar no Episódio VII? Bem, como sabemos, O Despertar da Força possui um outro grande vilão acima de Kylo Ren, e do qual temos poucas informações até agora: Snoke. Interpretado pelo ator Andy Serkis por meio de captura de movimentos, Snoke têm uma aparência bastante similar à de Plagueis, inclusive o tamanho assustador. Embora pelo que se saiba, o antigo Lorde Sith tenha sido morto por Darth Sidious, estamos falando de alguém que tinha controle sobre a vida e a morte, e do qual não sabemos a extensão do conhecimento a respeito disso. Se Qui-Gon Jinn descobriu como se tornar um só com a Força e passou isso a Yoda e Obi-Wan, porque Plagueis não poderia ter burlado a própria morte e acumulado poder esperando o momento perfeito para retornar ao universo? Isto faria uma excelente ligação com as outras trilogias, ao mesmo que traria o seu próprio vilão, que não foi visto em filmes anteriores. Lembrando que, embora o livro Darth Plagueis tenha sido desconsiderado, o personagem ainda é cânone, graças à historia contada por Palpatine a Anakin.
E mais uma cerimônia do Emmy, maior prêmio da tv mundial. Esperando ansiosa pelo red carpet com pipoca e tudo para meus tweets, como sempre, porque não tem lugar melhor para acompanhar esse tipo de coisa do que o Twitter. Já me seguem por lá?
E segue a lista, enorme, e meus pitacos, que já são de praxe, né mesmo? Pois então. Já estou prevendo que Mad Men levará tudo, ou quase tudo a que está concorrendo, porque a serie é um sucesso, todos os chatos do mundo amam (aliás eu utilizo isso para identificar chatos: gosta de Mad Men, batata que é chato).
Melhor série dramática
Better Call Saul
Downton Abbey (ficaria felizinha se ganhasse)
Game of Thrones (não entenderia se ganhasse, apesar de amar, a temporada foi ruim)
Homeland
House of Cards (tem chances)
Mad Men (acho que ganha)
Orange is the New Black
O que diabos OITNB (tem post esse semana sobre!) está fazendo aí? Tudo bem, a gente sabe que tem alguma coisa de drama, mas a série é uma comédia, uma dramédia que seja. Acho que é uma espécie de boicote, porque se OITNB concorre em comédia, ganharia, sem sombra de dúvidas.
Melhor atriz em série dramática
Claire Danes - Homeland
Viola Davis - How to Get Away with Murder
Taraji P. Hensen - Empire
Tatiana Maslany - Orphan Black
Elisabeth Moss - Mad Men (tem chances reais)
Robin Wright - House of Cards (tem chances)
Melhor ator em série dramática
Kyle Chandler - Bloodline
Jeff Danieles - The Newsroom
Jon Hamm - Mad Men (acho que leva)
Bob Odenkirk - Better Call Saul
Liev Schreiber - Ray Donovan
Kevin Spacey - House of Cards (deveria ganhar)
E olha que eu nem gostei de House of Cards, mas estou estudando assistir de novo e direito. Mas o Kevin Spacey é tão destruidor, o cara é tão incrível, que qualquer coisa que ele faça se torna notável.
Melhor atriz coadjuvante em série dramática
Joanne Froggatt - Downton Abbey
Lena Headey - Game of Thrones (tem chances por causa dessa cena o que eu não acho justo, porque foi uma cena gráfica, quase sem atuação)
Emilia Clarke - Game of Thrones (por quê? alguém me explica)
Christine Baranski - The Good Wife
Christina Hendricks - Mad Men (tem chance)
Uzo Aduba - Orange is the New Black (seria lindo se ganhasse)
Melhor ator coadjuvante em série dramática
Jonathan Banks - Better Call Saul
Ben Mendelsohn - Bloodline
Jim Carter - Downton Abbey
Peter Dinklage - Game of Thrones (aí sim, porque houve muitos momentos dramáticos para nosso Tirião, vulgo Tiryon Lannister na malfadada 5ª temporada de GoT)
Alan Cumming - The Good Wife
Michael Kelly - House of Cards (tem chance)
Melhor atriz convidada em série dramática
Margo Martindale - The Americans
Diana Rigg - Game of Thrones
Rachel Brosnahan - House of Cards
Cicely Tyson - How to Get Away with Murder
Allison Janney - Masters of Sex
Khandi Alexander - Scandal
Não faço a menor ideia.
Melhor ator convidado em série dramática
Alan Alda - The Blacklist
Michael J. Fox - The Good Wife (acho que leva, pelo fator superação e emoção envolvidos, fica bonito no evento)
F. Murray Abraham - Homeland
Reg E. Cathey - House of Cards
Beau Bridges - Masters of Sex
Pablo Schreiber - Orange is the New Black
Melhor direção em série dramática
Tim Van Patten por "Eldorado" - Boardwalk Empire
David Nutter por "Mother's Mercy" - Game of Thrones (tem chances)
Jeremy Podeswa por "Unbowed Unbent Unbroken" - Game of Thrones (acho que leva)
Lesli Lika Glatter por "From A to B and Back Again" - Homeland
Steven Soderbergh por "Method and Madness" - The Knick
Melhor roteiro em série dramática
Joshua Brand por "Do Mail Robots Draeam of Electric Sheep?" - The Americans
Gordon Smith por "Five-O" - Better Call Saul
David Benioff e D.B. Weiss por "Mother's Mercy" - Game of Thrones (chances, muitas chances)
Semi Chellas e Matthew Weiner por "Lost Horizon" - Mad Men
Matthew Weiner por "Person to Person" - Mad Men (muitas, muitas, todas as chances)
Melhor série cômica
Louie
Modern Family (ainda?)
Parks and Recreation
Silicon Valley (chata)
Transparent
Unbreakable Kimmy Schmidt
Veep (acho que leva)
Melhor atriz em série cômica
Eddie Falco - Nurse Jackie (ainda?)
Lisa Kudrow - The Comeback
Julia Louis-Dreyfus - Veep (acho que leva)
Amy Poehler - Parks and Recreation
Amy Schumer - Inside Amy Schumer
Lily Tomlin - Grace and Frankie
Melhor ator em série cômica
Anthony Anderson - Black-ish
Louis C.K. - Louie
Don Cheadle - House of Lies
Will Forte - The Last Man on Earth
Matt LeBlanc - Episodes
William H. Macy - Shameless
Jeffrey Tambor - Transparent
Nada disso me faz rir, então...
Melhor atriz coadjuvante em série cômica
Mayim Bialik - The Big Bang Theory (seria fofo)
Niecy Nash - Getting On
Julie Bowen - Modern Family
Allison Janney - Mom
Kate McKinnon - Saturday Night Live
Gaby Hoffman - Transparent
Jane Krakowski - Unbreakable Kimmy Schmidt
Anna Chlumsky - Veep (acho que leva)
Melhor ator coadjuvante em série cômica
Andre Braugher - Brooklyn Nine-Nine
Adam Driver - Girls (porque sim rs)
Keegan-Michael Key - Key & Peele
Ty Burrell - Modern Family
Tituss Bugess - Unbreakable Kimmy Schmidt
Tony Hale - Veep (tem chances)
Melhor atriz convidada em série cômica
Christine Baranski - The Big Bang Theory
Gaby Hoffman - Girls (fez a diference, seria merecido)
Pamela Adlon - Louie
Elizabeth Banks - Modern Family
Joan Cusack - Shameless
Tina Fey - Unbreakable Kimmy Schmidt
Não quero opinar, porque tá difícil.
Melhor ator convidado em série cômica
Mel Brooks - The Comedians
Paul Giamatti - Inside Amy Schumer
Bill Hader - Saturday Night Live
Louis C.K. - Saturday Night Live
Bradley Whitford - Transparent
Jon Hamm - Unbreakable Kimmy Schmidt
Algum dos indicados por Saturday Night Live.
Melhor direção série cômica
Phil Lord e Christopher Miller por "Alive in Tucson (Pilot)" - The Last Man on Earth
Louis C.K. por "Sleepover" - Louie
Mike Judge por "Sand Hill Shuffle" - Silicon Valley
Jill Soloway por "Best New Girl" - Transparent
Armando Ianucci por "Testimony" - Veep (acho que leva)
Melhor roteiro em série cômica
David Crane e Jeffrey Klarik por "Episode 409" - Episodes
Will Forte por "Alive in Tucson (Pilot)" - The Last Man on Earth
Louis C.K. por "Bobby's House" - Louie
Alec Berg por "Two Days of the Condor" - Silicon Valley
Jill Soloway por "Pilot" - Transparent
Simon Blackwell, Armando Ianucci e Tony Roche por "Election Night" - Veep (tem chance)
Melhor minissérie
American Crime
American Horror Story: Freak Show (apesar de que não foi a melhor temporada, mas Elsa merece ;))
Olive Kitteridge
The Honourable Woman
Wolf Hall
Melhor filme feito para TV
Agatha Christie's Poirot: Curtain, Poirot's Last Case
Bessie (maravilhosa)
Grace of Monaco
Hello Ladies: The Movie
Killing Jesus
Nightingale
Melhor atriz em minissérie ou filme feito para TV
Maggie Gyllenhaal - The Honorable Woman
Felicity Huffman - American Crime
Jessica Lange - American Horror Story: Freak Show
Queen Latifa - Bessie
Frances McDormand - Olive Kitteridge
Emma Thompson - Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (Live from Lincoln Center)
Que difícil! Foi a última temporada com Jessica Lange em AHS e a Elsa estava incrível. Queen Latifa arrasou dando vida a Bessie é Emma Thompson é Emma Thompson.
Melhor ator em minissérie ou filme feito para TV
Adrien Brody - Houdini (acho que tem chances)
Ricky Gervais - Derek
Timothy Hutton - American Crime
Richard Jenkins - Olive
Kitteridge
David Oyelowo - Nightingale
Mark Rylance - Wolf Hall
Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV
Regina King - American Crime
Sarah Paulson - American Horror Story: Freak Show (tem chance)
Angela Bassett - American Horror Story: Freak Show
Kathy Bates - American Horror Story: Freak Show (todas as chances)
Mo'Nique - Bessie (muitas chances)
Zoe Kazan - Olive Kitteridge
Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV
Richard Cabral - American Crime
Denis O'Hare - American Horror Story: Freak Show (tem chance)
Finn Wittrock - American Horror Story: Freak Show (tem chance)
Michael Kenneth - Bessie (tem muita chance)
Bill Murray - Olive (tem todas as chances)
Kitteridge
Damien Lewis - Wolf Hall
Melhor roteiro em minissérie ou filme feito para a TV
John Ridley por " Episode One" - American Crime
Dee Rees, Christopher Cleveland, Bettina Gilois e Horton Foote por Bessie (tem chance)
Stephen Merchant, Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg por Hello Ladies: The Movie
Hugo Blick por The Honourable Woman
Jame Anderson por Olive Kitteridge
Peter Straughan por Wolf Hall
Melhor direção em minissérie ou filme feito para a TV
Ryan Murphy por "Monsters Among Us" - American Horror Story: Freak Show (tem chance)
E uma das sextas que eu mais esperei na minha vida. Tudo bem, desse ano rs. Mas não importa! O que importa é que ela chegou, trazendo o final de semana prolongado com feriado, em que eu vou descansar, porque eu já elaborei e corrigi todas as provas das minhas turmas! Vou escrever mais para o blog, finalmente ressuscitarei o outro bloguito de ilustrações, farei vídeo para o canal e snaps reclamosos rs.
Brincarei com Benji e os gatos, assistirei filminhos e maratonas de séries, porque, segundo pesquisas, eu sou depressiva e doente (e quem liga rs?). Quem sabe minha caixa da China e a outra da Inglaterra chegam, né? Aí sim, será o final de semana perfeito.
O bloguito Solilóquios fez aniversário essa semana, dois aninhos, um erê, nhoin rs. Daí que me deu vontade de fazer um bolinho bem bonito e vistoso. Então pensei na fofurice Raibow Cake ou Bolo arco-íris.
Um tempo atrás, eu já havia feito o Rainbow Cake, na verdade Rainbow Cupcake, no aniversário de 5 anos do Reverbera. Aqui ó.
A maneira de fazer os dois, o bolo e o cupcake, é diferente. O Cupcake é infinitamente mais simples, menos trabalhoso e fica uma fofura. Já o bolo dá um trabalhão, mas fica muitomuitomuito lindo *_*.
Para o Cupcake
Eu fiz um cupcake com 5 cores (roxo, azul, verde, amarelo e vermelho).
Faça uma massa de bolo fofo, separe a massa em cinco porções e adicione corante alimentício. (Dica: se a sua massa de bolo fofo leva claras em neve no final, adicione a anilina antes das claras). Na forminha de cupcake, antes de levar ao forno, despeje colheradas de cada cor, tomando cuidado para não misturar (Outra dica: Não encha a forminha até o final, porque quando o bolinho crescer, vai transbordar e daí queima).
Para o Bolo
Escolhi 6 cores (roxo, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho).
Fiz seis massas para cada cor, esperei esfriar e daí foi decorar com buttercream (mas você pode usar a cobertura de sua preferência) e confeitos coloridos lindos. É mais trabalhoso do que difícil. E fico lindo. O efeito de quando a gente corta as fatias é muito legal. Eu mesma fiquei mó tempão admirando rs.
Qualquer dúvida, só perguntar ;).
E o adendo dos brigadeirinhos fofinhos, feitos por minha erê caçula, Carol, que está famosa no meu perfil do Facebook com o Se liga na rima rs.
A maioria dos leitores do Solilóquios já me acompanhava do Reverbera, que foi o blog que me deixou conhecida, onde escrevi por seis anos, até passar por uma profunda e transformadora mudança de vida: separação, mudança de estado, de vida.
Passei um hiato sem escrever no Reverbera, até chegar a conclusão de que não dava mais pra mim escrever por lá, mas precisava dum bloguinho, porque é uma década de internet, de blogs, dividindo minhas descobertas, meu dia a dia. No começo eu nem pensava que o Solilóquios tinha algum futuro. Fui escrevendo, publicando imagens queridas do meu IG, postagens boas do Reverbera, até ficar com essa carinha que aí está. Que aviso, vai já já mudar rs. Ao menos um pouquinho do layout. Já tá bom dessa moça escrevendo sozinha no meio da floresta.
Obrigada, mais uma vez, a todos que estão me acompanhando, que enviam e-mail, carinho, que me ajudam.
Desde sexta-feira que uma onda da cor do arco-íris varre as redes sociais, tudo por conta da decisão da Suprema Corte americana, legalizando o casamento entre homossexuais em todo o país. Sim, foi lá nos Estados Unidos, um país imperialista, em que o mercado é mais importante do que gente, óbvio que se sabe disso tudo e é claro que enxergamos todos os problemas.
Contudo, a gente também sabe que é inegável, os Estados Unidos são ainda a maior potência do mundo, especialmente em termos de cultura, ao ponto de influenciar o comportamento mundo afora. Uma vitória assim, dessa magnitude, acontecendo justamente nos Estados Unidos, é uma grande vitória.
Mas para que saibam, se alguém que me lê não sabe ainda, aqui no Brasil em 2011 a união entre homossexuais foi equiparada a dos heteros pelo Supremo Tribunal de Justiça. Foi lindo, com pronunciamentos inesquecíveis, como o do ministro Ayres Brito. E ainda, em 2013 o Conselho Nacional de Justiça obrigou os cartórios a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja, o casamento igualitário é uma realidade em terras tupiniquins. Casais homossexuais têm direitos legais. Só falta virar lei, como acabou de acontecer nos Estados Unidos. E toda a comemoração é merecida sim, como já falei, trata-se de uma conquista e já estamos sob sua influência: #lovewins.
Sobre quem está reclamando, tentando minimizar a importância dessa vitória - porque né, existe a fome - são as mesmas vozes homofóbicas, fundamentalistas, carregadas de ódio, que acham que homossexuais são pessoas dementes, criminosas e pecadoras. São pessoas que acreditam que a sexualidade e a identificação de gênero são opções. Eu não discuto com gente assim. Mas infelizmente, tenho que conviver com algumas. E depois me perguntam como eu suporto viver com uma dezena de gatos. Gatos são criaturas adoráveis (como cachorros), que não odeiam ninguém por condição sexual e identificação de gênero.
Não me recordo de nenhuma fase da minha vida em que cultivei a menor homofobia. Sou heterossexual, criada por uma família bem tradicional aos moldes latinos e nordestinos; meu pai era um militar comunista, ou seja, machista. Mas não cresci numa casa em que se falava que gay tem que morrer. Metade da minha infância meus pais brigaram, e a outra, meu pai estava doente, até vir a morrer. Na adolescência, na década de 90, meus ídolos eram gays e a primeira voz da mídia a gritar contra a homofobia, Madonna, foi minha primeira grande inspiração.
Mas houve um fato na adolescência que me marcou para o resto da vida, que foi a morte da minha prima Paula, que nasceu Paulo, que foi expulsa de casa por ser travesti (na época ainda não entendíamos a condição transgênero). Paula lutou muito, sofreu muito, até ficar doente e ser tratada pelas amigas, também travestis. Quando morreu, a "família", que deixou Paula de lado por tantos anos, num último ato de desrespeito, vestiu Paula de homem para o velório: cortou seu cabelo comprido, não fez a barba, já crescida dos dias na UTI e lhe vestiram com roupas masculinas. Lembro-me especialmente das lágrimas de suas amigas e da indignação. Eu só tinha 14 anos, mas aquilo me doeu tanto, que chorei com elas, e fiquei ao lado delas, apesar dos protestos da "família".
Não, eu nunca fui homofóbica, nunca senti que havia nada de errado com homossexuais, só por serem homossexuais. Mas a indignação e a dor perante tudo o que passam, eu entendi e carrego comigo faz 24 anos, desde o enterro da Paula. Apesar de que parece que vivemos um período mais leve, acredito que pouco ou nada mudou dentro das pessoas. Existem tantas Paulas por aí. Não, o que mudou de verdade é que as minorias não querem mais calar e se esconder.
Mas sigamos, quem sabe um dia o amor vence de verdade, porque ele ainda não venceu.
E no primeiro dia de inverno, dia 21 de junho (ontem) amanheceu fresquinho e, chovendo em Fortaleza. O suficiente para tomar um perfumado Twinings, sem precisar ficar na frente do ventilador. E vestir um pijaminha (levinho, óbvio).
Ao longo dos meus 38 anos, passei um pouco mais que uma década em outros lugares do Brasil (Brasília e Rio de Janeiro), lugares em que o inverno é mais presente, ou seja, faz frio. Dias que não ultrapassam os 18º, e madrugadas mais intensas, 4º. Moletons, casados, luvas, gorros, edredons, comidinha de inverno, toda uma variedade de sopas, caldo verde, chocolate quente e, é claro, muito chá.
E eu sei que não passei frio de verdade, como na Europa ou mesmo o frio do Sul do país, em que neva. Mas me deixem com as minhas felizes lembranças do friozinho do Sudeste e das intempéries do Centro-Oeste, enquanto Londres não se torna, quiçá, uma realidade.
Hoje, para os brasileiros, é dia dos namorados, e as redes sociais, as revistas, os jornais, cadernos especiais, os restaurantes, os shoppings, todos os lugares estarão repletas de fotinhas românticas do passado e presente dos enamoradinhos; vai ter de tudo: homenagem brega, homenagem, chique, homenagem bobinha, homenagem hispter, t.u.d.o.
Mas para mim dia 12 é o dia em que me tornei mãe, é o aniversário do meu filhão Yan e sempre será assim. Ele é meu eterno presente de dia dos namorados. É o amor mais perfeito que já senti, o de ser mãe, e o mais completo.
Mas veja bem: se aplica a mim. Se você é mãe e não sente isso ou se você não é mãe e não acha que é assim, eu respeito sua opiniãozinho. Mas fique na sua, tudo bem? Tudo bem então.
Hoje é meu aniversário, 38 anos de vida. Ao longo dos meus 38 anos de idade eu passei pela morte de uma irmã (a única), passei pela morte do meu pai, atravesso uma relação difícil com a minha mãe, enfrentei duas separações muito difíceis, que me deixaram marcas, me desiludi com gente. Mas, eu tive filhos lindos, que alegram a minha vida, cultivei amigos que conheço há anos, fui amada, lembrada, fiz plantinhas florescerem, criei gatos, cachorrinhos. Dia desses uma moça, de dentro do ônibus, tentou jogar um papel num cesto de lixo numa das plataformas no Terminal da Lagoa, só que ela errou e daí eu fui lá e coloquei no lixo para ela, que me retribuiu com um sorriso lindo e sincero.
Eu aprendi que, se a gente parar e prestar atenção, todo dia recebe algum presente da vida, fora acordar vivo, que já é presente por si só. Uma brisa fresca num dia de calor é um presente. Um gole d'água que refresca a garganta é um presente. Encontrar 20 reais num bolso esquecido é presente (50 hein rs?). Receber um lambejo do seu gato ou do cachorro é presente. Um abraço quentinho (do Olaf) de quem se ama, do nada, só por abraçar, é presente sim senhor. Um arco-íris é um presente.
Ano passado, nesse mesmo dia, no dia do meu aniversário, acordei sem bolo, sem festa e sem vontade, desacreditando de tudo, perguntando a mim mesma até quando duraria o inferno existencial em que minha vida havia entrado há mais ou menos seis meses. Bem, pois nesse mesmo dia, 24 de março, recebi oferta de emprego, esse emprego em que estou hoje e, recebi as chaves do meu apartamento fofinho, que todo mundo que vê as fotinhas no meu IG, diz querer visitar.
O que eu tenho para dizer a vocês é que a vida é breve e intensa, em seus momentos bons e maus. Que tudo nos deixa algum ensinamento, por mais bobo que pareça e, que tudo tem fim ou mesmo arrefece, até o sofrimento mais dolorido.
Não é odiar os homens e tudo o que representa a sociedade falocêntrica (ok, essa parte é passível de ódio mesmo), tampouco o repúdio à depilação e demais elementos do chamado universo das feminicices. Não, também não. Odiar a Disney e sua concepção das princesas que aguardam por seus príncipes encantados, em cavalos brancos e cabelos louros esvoaçantes. Também não. Até porque, sejamos francas, tanto a figura do príncipe, quanto a do sapo são asneiras desmedidas.
Simone de Beauvoir dizia que as mudanças pelas quais lutara não se realizariam durante a sua vida. Quiçá, dali a quatro gerações. E, infelizmente, podemos afirmar que, desolée Simone, ainda não.
Decerto que mudanças ocorreram, mas a essência do problema continua. A situação da mulher, do ponto de vista biológico, sociológico e psicanalítico, continua marginal perante instâncias de poder na sociedade contemporânea e às diferentes formas de dominação.
Razões históricas e os mitos que fundaram a sociedade patriarcal e a sustentam e que trataram a mulher como um “segundo sexo”, silenciando-a e relegando-a para um lugar em segundo plano, continuam e, reafirmam-se.
Garotas, mulheres, precisamos ser respeitadas como seres humanos. Quando tivermos nossa humanidade reconhecida, as flores do dia 8 de março farão sentido.