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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sharp Objects - You could be anywhere on the black screen



Um dos grandes lançamentos da HBO para 2018, "Sharp Objects" recebeu, antes mesmo de estrear no último domingo (8), uma alcunha incômoda: a de "nova Big Little Lies", em referência à minissérie super premiada de 2017.  Assim como sua predecessora, "Sharp Objects" tem uma estrela hollywoodiana. como Amy Adams, traz mulheres como protagonistas, é uma adaptação de um livro (mesma autora de Gone Girl) e é dirigida por Jean-Marc Vallée. Mas a comparação não é totalmente justa, já que a nova minissérie tem méritos próprios, muitos por sinal. 



Amy Adams é Camille, uma jornalista que viaja a Wind Gap, uma cidadezinha esquecida do sul dos Estados Unidos, para investigar o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Acontece que Wind Gap é a cidade natal da protagonista, cheia de recordações traumáticas que ela deixou para trás há muitos anos. Ou, acha que deixou. Por conta disso, "Sharp Obejcts" não é um suspense convencional: importa menos o "quem matou" do que a exploração profunda e detalhada da psiquê aquebrantada de Camille. Assombrada pelas feridas do passado, ela tem pequenas garrafinhas de vodca como companheiras inseparáveis, alé, de cigarros, doces e analgésicos, e mantém o hábito de se cortar - daí o título da minissérie e do livro.



 A trama lembra, de certa forma, o que a mesma HBO fez na primeira temporada de "True Detective", também mais interessada na bagagem psicológica de seus personagens. Mas, em "Sharp Objects", isso acontece a partir de uma perspectiva feminina, potencializada pelo fato de Camille conviver intimamente com duas personagens tão interessantes quanto ela: sua neurótica mãe Adora (Patricia Clarkson), que não está exatamente feliz com seu retorno, e sua meia-irmã Amma (Eliza Scanlen), que dentro de casa é uma garota inocente, e fora mostra seu lado mais rebelde. 



 Cuidadosamente construída, a história tem um ritmo mais lento, a ser digerido aos poucos - como pede sua grande carga dramática. E isso está longe de ser um demérito: nos dois primeiros que já foram ao ar, a gente se sente instigado a continuar o mergulho na vida de Camille, em uma atuação fascinante de Amy Adams, mesmo quando ela se torna muito sombria. A série traz uma aura onírica à série, com belas sequências em que passado, imaginação e realidade confluem. E fora da luxuosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxo de "Big Little Lies": Wind Gap é uma cidade decadente, que não esconde que há algo de muito errado por lá. Talvez exista em todas as cidades pequenas. O pacote é arrematado por uma trilha sonora que se torna parte indissociável da jornada da protagonista, com,o o primeiro episódio cheio de músicas de Led Zeppilin e, em especial, a música do final do segundo episódio, que foi ao ar ontem, Black Screen, do LCD SoundSystem.


domingo, 22 de abril de 2018

Maternidade



Assistir Divinos segredos despertou uma série de coisas em mim. Parece que faz tempo, já que a última postagem sobre é de uma semana atrás. Mas, devo confessar que este post estava agendado - aliás, vou ver se faço assim, pra ver se consigo deixar ao menos uma publicação por mês por aqui. Primeiramente, lembrei dos outros filmes de mães disfuncionais que coleciono, como A Excêntrica família de Antônia, Álbum de família. Depois, da onda recente de desromantização da maternidade, fenômeno pós boom do feminismo nas redes sociais e em nossas vidas.

Fui mãe muito cedo, tinha só 18 anos quando meu filho mais velho nasceu e lá se vão quase 23 anos. Como já confessei no dito cujo do post sobre Divinos segredos, minha relação com a minha mãe é um lixo e, óbvio que quando engravidei ainda adolescente do namorado da escola, namoro que foi proibido, a relação que já era uma bela duma merda, ficou ainda pior. Não, minha mãe não se enterneceu pela gravidez da única filha, pela vinda de mais um membro da família, mesmo quando soube que era menino, ela que sempre quis um filho homem, foi aí aliás que eu comecei a errar pra minha mãe, porque não nasci homem. Né, que triste? Então, minha santa mãezinha - capte a ironia - nunca conversou comigo sobre nada que tivesse a ver com sexualidade e, muito menos maternidade. Nada me falou das dores ao longo do processo de gestação, do desconforto, da insônia, do susto que a gente toma quando o trenzinho começa a mexer. Não me falou dos exames pré-parto que passamos, que lembram muito mais um assédio sexual, inclusive eu dei na cara do obstetra. Não falou da violência que é um parto, dos cortes, do pós -parto, dos seios machucados, e de todo desespero que é cuidar de um recém-nascido.

Então, por conta de todos estes traumas, eu sempre que tinha oportunidade, desconstruía essa coisa romântica da gestação como um estado de graça, pra todas as mulheres da minha vida, desde filhas, amigas até alunas, pois me sentia na obrigação. Ser mãe é uma coisa muito maluca e difícil, muito difícil mesmo. Todas as etapas da maternidade são uma luta. Talvez, pra mães solo, como eu, seja ainda um pouco mais assustador, porque a gente erra e voilà, a culpa é toda nossa, sem compartilhamento com o companheiro fujão. Apesar de que conheço mulheres casadas em que a coisa funciona do mesmo jeito, coisas desse patriarcado quengo.

Agora estou na fase dos filhos no final da adolescência e já passei por poucas e boas. Ou melhor, passamos por poucas e boas e, a tendência, acredito com força, é fica melhor, porque eles são meus companheiros e amigos, inclusive daquele tipo de amigo sincerão que joga umas verdades na cara. E como jogam. Criá-los paticamente sozinha foi duro, doloroso, mas também foi muito muito bom, tanto que nunca me imaginei sem eles, nunca desejei voltar no tempo e não tê-los, nem mesmo nos piores momentos. Às vezes, me sinto culpada, porque me acho egoísta. Eles mereciam ter uma mãe mais boazinha da cabeça, que não tomasse tantas decisões erradas, menos socialista, mais capitalista de repente. Mesmo eles me dizendo que gostam da nossa vida de aventuras proletárias.

Isso tudo pra dizer a todas as futuras mães que, por acaso passarem os olhos neste texto, que sim, a gravidez não é um romance do século XIX, idealizado. Na verdade, está mais pros piores e melhores momentos do Realismo/Naturalismo. Mas, por muitas vezes, é tão lindo quanto um soneto de Shakespeare. Sim, há muita dor e desespero no caminho da maternidade, mas há o amor, e é daquele tipo que faz tudo valer a pena.

Inté.

Imagem: Selma de Dancer in the Dark.

domingo, 15 de abril de 2018

Divinos Segredos

“Cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma." Ingmar Bergmam


Passou um pouco da meia-noite do dia 15, estou aqui, outra noite que o sono não vem e está passando na tv um dos meus filmes sobre afeto feminino favoritos, Divinos Segredos. Acho inclusive que este filme meio que alimentou minhas ambições em relação à amizade e, obviamente, amizade entre mulheres, se não fosse pra ser igual a Irmandade Ya-Ya, não valeria a pena. Engraçado que assisto esse filme há anos, mas só fui decorar o nome uns ano atrás, acho que foi uma espécie de bloqueio, porque as Ya-Yas despertam muita coisa em mim. 

O filme é baseado num livro, que sempre quis comprar mas nunca fui atrás. Siddalee Walker (Sandra Bullok) é uma jovem escritora famosa que tm seus livros adaptados pro teatro. Mora em Nova York, bem longe de sua cidade Natal, na Lousiana. Mas pra ela, bem mais importante do que estar nas proximidades da Broadway, é estar longe do “perigo”, personificado na adorável, mas dramática e excêntrica Vivi (Ellen Burstyn), sua mãe. Sidda maldiz o dia em que concedeu uma entrevista à revista Time. Sem perceber, com as informações que passa à repórter, Sidda dá a entender que Vivi não foi uma boa mãe e assim, profundamente ofendida, Vivi declara contra Sidda a mais antiga de todas as guerras: a batalha entre mães e filhos. Para tentar colocar tudo em seu devido lugar, amigas de infância de Vivi resolvem intervir à força no conflito. As irmãs “YA-YA”, membros de uma irmandade inventada por elas quando crianças, resolvem mostrar a Sidda quem sua mãe realmente é e para tanto, terão que permitir que ela revire o livro de fotos e registros dos “Divinos Segredos da Irmandade YA-YA”. 

E aí a gente se depara com uma Vivi que cresceu sendo odiada pela mãe, uma mulher amarga e terrível, alimentando culpa e raiva cristã e descontando tudo na filha. E eu não podia me identificar mais, já que eu tenho a mesma relação com a minha mãe. Demorei muito pra admitir em voz alta que era assim, mas consegui e foi libertador me perdoar por não ser a filha que a minha mãe queria e perdoá-la por ela nunca ter sido a mãe que eu precisava. Lacanianamente, eu me tornei a mãe que eu queria pros meus filhos, da devastação ao amor. Eu sou meio Vivi Walker, sem o charme do sul americano, mais como uma Vivi negra da Lousiana.

Apesar de ser um filme de brancas protagonistas, em que a única personagem negra, apesar de muito amada e importante pra história, aparece como a querida empregada da casa, é um filme com o qual eu me identifico e, é um filme em que identifico traços de afeto feminino, algum sabor feminista, na coisa de uma apoiar a outra, da coisa da sororidade. O filme continua lindo e mesmo sendo quase um filme tolo de seção da tarde, é profundo nas questões psicológicas envolvidas. Assistir este filme, especialmente hoje, foi como um presente da lua nova.

Inté.

Pequena relação com este post aqui.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Poder e Igualdade



Há quem diga que feministas são mulheres mal amadas, infelizes e insatisfeitas com a vida. Bem, falando por mim, mal amada eu não sou não, sou muito amada e amada de verdade, sem interesses ou pequenezas. Quanto ou infeliz e insatisfeita, olha sou sim, sabe? Sou infeliz de viver numa sociedade opressora que a toda hora me diz que sou inadequada. E estou insatisfeita com tudo isso.  

Lembro quando o feminismo começou a fazer sentido pra mim, mas continuei me sentindo infeliz e insatisfeita, contudo, menos só. Daí, deparei-me com um termo novo, desconhecido: sororidade. Lendo, discutindo, refletindo, desconstruindo, chegamos na beleza (ao menos teórica) da sororidade, que almeja quebrar um dos braços mais fortes do patriarcado: a rivalidade entre mulheres. Um dos mais fortes, porque é praticamente um escudo contra o verdadeiro opressor, que nos faz lutar uma contra as outras enquanto o que tem que ser destruído, esse sistema que estupra mulheres a cada 12 segundos, continua firme e forte. 

Tentamos desconstruir tudo quanto é problemática e opressão, desde as mais intrínsecas: racismo, classismo, gordofobia, etc, etc, etc. A gente fala de empoderamento, a gente procura o empoderamento, a gente se liberta, acima as rédeas da própria vida e, quando finalmente está tudo claro e pronto, e se pode daí resgatar outras mulheres, a gente se acomoda. Sororidade pra quê, pra quem? 

O conceito de sororidade, ao menos pra mim, o que eu consegui entender, é da união de mulheres contra o patriarcado, tática de luta contra a rivalidade feminina, que mantém a unidade de movimento, mas não iguala opressão e sofrimento. Partindo do principio de interseccionalidade, em que opressões se somam, nem todas as mulheres sofrem apenas por opressão de gênero. Por isso, mesmo que oprimidas, mulheres oprimem outras mulheres. E aí é que entra a linda da sororidade novamente, porém não mais na pureza de seu conceito e sim como a arma silenciadora mais dolorosa de todos os tempos, que promove destruição do movimento de dentro pra fora. Porque em espaços que temos que ser contempladas por completo, nos é cobrado sentimento de irmandade com opressor, e que esteja bem entendido que o opressor a que me direciono é mulher branca, cis, hétero, de classe média/rica. Não se pode cobrar/obrigar irmandade de uma mulher negra e periférica, por uma branca rica, e nem de uma trans com uma cis, porque não se exige irmandade de oprimido com opressor. E sou muito firme em afirmar que até falta de sororidade é uma reação de oprimido, ou seja, é totalmente legítimo. 

 Volto a afirmar meu posicionamento de que sororidade é para unidade de movimento e tática de luta contra rivalidade entre mulheres ao falarmos de opressão de gênero, mas todo o resto é balela. 

Viva ao feminismo abolicionista!

Inté. 

Imgem: Maravilhosa Angela Davis.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Feminismo é independência



Eu sou uma velha, não por causa dos meus 40 anos, vividos intensamente (ô), mas por causa da minha alma, porque eu sou um espírito velho. Eu me identifico como feminista desde muito cedo, com diferentes intensidades. Houve época que fui mais engajada, militante quase, depois essa militância se calou perante uma relação tóxica e abusiva que só me fez mal, depois voltou com força, quando voltei a viver (de maneira dolorosa, mas voltei). 

E, nesse tempo, veloz e efêmero da sociedade líquida, às vezes não consigo me inteirar de tudo, inclusive da pauta feminista que, por vezes, parece viver mais de lacração do que de realizações. Vejo várias garotas e mulheres incríveis, perdendo um tempo precioso pra falar do empoderamento do cabelo, dos pêlos, do batom, do shortinho, da menstruação, etc, etc, etc, quando deveríamos estar, ainda, batendo na tecla da independência intelectual e financeira. 

Mulheres, minhas queridas, sem independência não chegaremos a lugar nenhum, muito menos um lugar de voz autorizada. Nenhuma pauta será compreendida, quiçá atendida. A gente tem que estudar, trabalhar muito, muito mais do que os outros e, por vezes, das outras que ocupam lugares de privilégio (brancas, cis, héteras, classe média com babás negras, por exemplo). 

Quando todas nós entendermos que, sem independência, autonomia, não conseguiremos nada, quando a maioria de nós compreender profundamente que precisamos vencer as engrenagens opressoras por dentro, usando o capitalismo ao nosso favor, e dando a volta no patriarcado, aí sim, nossa vitória individual, multiplicada em coletividade, será plena. 

Inté.

Imagem: Beyoncé como Rosie the Riveter: garota dum poster do tempo da Segunda Guerra que virou um símbolo feminista pin-up.

domingo, 3 de setembro de 2017

Detergente neutro



Lá em casa tinha um sofá amarelo pastel, mas pastel de envelhecido. Era velho o sofá. Deram de presente, mas aquele tipo de presente desapego-quero-me-livrar-dessa-tranqueira, sabe como? Pois então. E a gente aceita porque é pobre sinistro e não tem onde cair morto, antes que se caia num sofá amarelo pastel de tanto uso.

Lembro que a persona que mo deu, fez uma espécie de tutorial pra mode me ensinar a limpá-lo: tire todo pó, daí encha um balde d'água e detergente neutro, com um pano umedecido, limpe todo o sofá, repita essa etapa ao menos duas vezes, três é o ideal, então deixe secar; mas lembre-se, tem que tirar todo o pó, esperar, e tem que fazer isso uma vez por semana. E eu, oi, tá boa?

Nunca fiz. Mas fiquei com o sofá.

Hoje, me diverte essa memória e a certeza de que a pessoinha ficava chateada de saber que, além de não ter dado a mínima pro tutorial de como manter sem graça, porém limpinho, o sofá amarelo, meu gato, também amarelo, dormia no sofá, afiava as unhas no sofá e às vezes, fazia xixi no sofá. 

Sim, sou cretina.

Imgem: T2i, e outro sofá, este com a capa amarela, outro causo.

O Feminismo e a Liberdade na era de *temer



*troque o t minúsculo pelo maiúsculo...

Esta semana, mais uma semana, de muita correria, stress, nada de novo sob o sol, um pra cada vivência aqui em Fortaleza e há quem chame de cidade solar por causa disso. Acho brega no último. Mas então, foi uma semana meio difícil pra mim. Tudo bem, sempre é meio difícil pr'uma mulher dona das ventas, feminista e socialista num ambiente cujas as cores são outras. Mas esta última semana, ah esta última, foi de lascar. 

Primeiro, filhas doentes. Uma do rim, outra da vesícula. Às vezes perco o sono pedindo pra ser comigo e não com elas. Por menos grave que seja, mãe nenhuma merece ver os filhos sofrerem. E os meus já sofreram tanto desde que voltamos do Rio. Há de melhorar.

Segundo, observar pessoas que se relacionam entre si por causa de iPhones 7. Sério, existem pessoas que têm iPhone 7 que só fazem amizade com outros donos de iPhone 7. Steve Jobs rindo, diabolicamente, no oitavo círculo dantesco. Algum estoico pode me aconselhar pra mode evitar esse tipo de gentinha. Pois é, amiguinho, não posso não ó, desolée pour moi (problema meu, né?). 

Em seguida, discutir com gente que acredita que magro é oprimido por ser magro, assim como branco, homem, hétero. Gente. Queria morrer, sério. No mesmo dia, numa lotérica pagando boleto (é só o que eu faço nesta vida severina) um homem horroroso me empurrou e falou bem alto, pra todo mundo ouvir, que era por isso que mulheres apanhavam, porque estavam sempre no caminho. Ainda falou que Maria da Penha não servia de nada porque as juízas apanhavam dos maridos em casa também. E foi nesses últimos dias que a Clara Averbuck foi molestada num Uber, que um maníaco ejaculou numa moça dentro dum transporte público e foi liberado pelo juiz que não entendeu como injúria grave o ocorrido, e o pior de tudo, cara solto fez de novo, está preso agora, até o juiz, seu fã número um, o liberar de novo. Uns meses atrás, minha filha e eu fomos agredidas na rua por um monstrinho, que passou por nós dizendo que iria estuprar todas as feministas nojentas, e esbarrou na minha filha com força. Acho que esse monstro supôs que éramos namoradas, estávamos de braços dados, sei lá. Quem entende o que se passa na cabeça dessa gente? Eu não entendo e nem quero.

Daí disso tudo, emergiram as lembranças de outras agressões. Sim, mulheres instruídas e esclarecidas estão sujeitas à agressão, às vezes por desconhecidos (já aconteceu comigo, tentando defender amiga), outras vezes, a maioria, por quem deveria nos amar, e isso foi cafona. Acreditar em amor romântico é uma cafoneira horrorosa. E eis que chega-se à conclusão de que já fui agredida de tudo que foi jeito, dentro e fora de relações tóxicas e abusivas.

E, mesmo sendo feminista, tenho consciência de que o feminismo nunca me protegeu ou livrou de nada disso. O feminismo não evita que vivamos relações erradas ou que sejamos agredidas na rua, andando de braços dados com nossas filhas e filhos. O feminismo não nos cria um escudo, nem uma redoma de vidro, não nos impede de tomar decisões perigosas, como entrar num Uber sozinhas e vulneráveis, num mundo feito pra machos ruins. Mas o que o feminismo faz por todas nós é nos acordar, é nos dar consciência que a culpa nunca é nossa do mundo ser esse patriarcado lixo que nos oprime. Ou seja, o feminismo nos liberta da escravidão de achar que a culpa é nossa, naquela concepção medieval de que ser mulher é errado. Medieval nada, milenar, bíblica, judaico-cristã.

Viva ao Feminismo Abolicionista.

Inté.

Imagem: feita por mim com uma Sony Cybershot.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Girls, a última temporada (Tchau, Hannah)


Ainda estou meio órfã, porque Girls acabou, porque Big Little Lies começou e acabou num susto, porque Westworld só volta em 2018. Ai gente, muitas coisas, estou na bad, total bode preto sinistro, nem sei porque raios inventei de escrever sobre a última temporada de Girls.

terça-feira, 14 de março de 2017

Big Little Lies



Oiê! Sentiram minha falta? Sumida, né? Pois é, como disse no post das previsões para o Oscar 2017, meu note morreu (talvez volte em breve do mundo dos mortos), estou aqui aproveitando um note amigo, alheio, para ver se deixo o bloguito mais ou menos atualizado. Ao menos um pouco.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Probleminha



Costumo dizer que eu me entendo feminista há 24 anos, mas nasci feminista, porque todas nós somos em alguma instância, porque é inerente a toda mulher que busca viver uma vida plena. Ela pode não saber, mas é feminista.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

3 Things #23


Coisas muuuito legais aconteceram essa última semana, pra variar um pouco o ano que foi bem ruinzinho, o que não vem ao caso agora, porque estou feliz.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Filme de terror alternativo - Corrente do Mal (It Follows)



Ainda buscando por filmes de terror diferentes que tenho assistido ultimamente, dia desses (na verdade, uns meses atrás) dei de cara com esse Corrente do mal. O nome me levou para o bonitinho lacrimoso Corrente do Bem, com o então erê garotinho de Sexto Sentido, Haley Joel Osment (que por sinal, fez um outro filme de terror, muito muito muuuuito bizarro e ruim, em que um cara é transformado numa morsa; assista por sua conta e risco), mas obviamente, nada tinha a ver com o filme da criancinha que conectava toda uma comunidade; esses problemas de tradução de nomes de filmes que direcionam as expectativas dos incautos. Não, Corrente do mal é uma outra coisa.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

American Horror Story: Roanoke (treta sinistríssima)


Alerta de Spoiler, leia por sua conta e risco.




American Horror Story: Roanoke



Sim, eu estou atrasada, porque metade da série já foi ao ar, mas pouco importa, porque as coisas só começaram a fazer sentido agora, na metade da série. Confesso que nem assisti na estreia, muuito enrolada que estava sendo professorinha arrependida, peguei justamente do episódio cinco (semana passada) e daí assisti os outros episódios online e olha, meus amiguinhos, treta sinistra: muito sangue, mutilações explícitas, fantasmas tipo de filme japonês, caipiras canibais, fantasmas do século passado, sacrifícios humanos e bruxas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Água Negra, versão de Walter Salles



Passei anos me recusando a assistir a versão estadunidense do fantástico Dark Water japonês, por realmente não acreditar que fizessem algo minimamente a altura, como o caso de O Chamado, que conta com boa versão hollywoddiana. Mas dia desses estava passando de madrugada na televisão e resolvi dar uma chance.

O nome por trás da versão ocidental de Honogurai mizu no soko kara (de Hideo Nakata, 2002) é um conhecido nosso, Walter Salles (Central do Brasil), que fez o filme do jeito dele, o que devo confessar, ficou bom: um filme com pegada setentista, à moda de O exorcista (1973) e dos suspenses opressivos de Roman Polanski. Não interessa a Salles, ainda que se mantenha fiel à premissa original, pregar sustos. O filme de Nakata já era bem econômico neste sentido, mas tinha lá seus vultos no espelho, no elevador, suas crianças correndo diante de portas abertas. Salles reduz ainda mais esse tipo de recurso. Os sustos só servem para extravasar a tensão psicológica que ele faz questão de represar. O único artifício que Salles preserva é, evidentemente, o líquido lodoso que sai de torneiras e pinga do teto. Já reparou como todo filme de terror tem o seu problema de encanamento, com banheiras transbordando? Pois aqui a água, protagonista, está por todo lado. Não a causa, mas o efeito. 

Não pára de chover em Roosevelt Island, anexo pobre de Manhattan, com seus prédios customizados para abrigar centenas de famílias. É para lá que se muda Dahlia (Jennifer Connelly) com sua filha Ceci (Ariel Gade, um achado) depois de se separar do marido (Dougray Scott). Ele reclama da distância, diz que é provocação para dificultar suas visitas, ameaça pedir a guarda da menina na justiça. Dahlia diz que o aluguel barato, o metrô e a escola na porta de casa contaram mais. Mas basta ver o apartamento para conferir o sacrifício que elas fazem. O lugar é um buraco. O malandro Mr. Murray (o maravilhoso John C. Reilly), administrador do prédio, tenta dissimular o indisfarçável. É a chuva, diz ele, diante das goteiras que dominam o cubículo apertado, escuro, depressivo. 

Bem, Dahlia não demora para descobrir que o problema não é a chuva. A grande sacada do diretor é intercalar manifestações sobrenaturais com evidências de que elas são só paranoia de Dahlia. Manter o pé no verossímil, até onde for possível, é importantíssimo dentro da sua proposta: tratar da família. Afinal, a preocupação da personagem de Jennifer Connelly (que compreendeu bem o que o diretor queria) é manter a filha ao seu lado. O marido reclama, seu emprego paga mal, a escola da menina não vai bem e o teto periga desabar em sua cabeça. Tudo conspira para afastar as duas (e, na visão de Dahlia, a estranheza que toma o apartamento é apenas parte dessa conspiração). Nakata, também criador dO Chamado e Água Negra originais tem outra preocupação, a sociedade japonesa é menos emotiva, ou sentimentaloide, dependendo também do ponto de vista. E os suspenses japoneses atuais são prioritariamente baseados na filosofia oriental. Tem-se um mistério do além e tem-se uma pessoa, afetada por uma espécie de maldição, que só se libertará quando solucioná-lo. Água negra na versão de Walter Salles funciona diferente, porque não privilegia o fantasma, mas a maldição; não a causa, mas o efeito.

Inté.

domingo, 14 de agosto de 2016

Feliz dia dos pais



Hoje é dia dos pais, uma data super comemorada pela mídia e comércio, só que é nesse mesmo comércio que a gente identifica o que todo mundo sabe, mas cala: mãe é mais significativo do que pai. Herança das culturas antigas talvez, basta lembrarmos dos milênios iniciais da nossa espécie, em que éramos matriarcado, em que nem se cogitava a participação masculina (pai) na criação das crianças. E se lembrarmos das metáforas clássicas de pais, a coisa fica bem tensa, tipo Chronos, Zeus e se procurarmos em outras mitologias, a coisa fica ainda mais sinistra.  Trazendo para nosso tempo, o dia das mães sempre vende mais, porque mãe é fundamental como construção social, porque foi designado que a vida de sacrifícios e dificuldades sempre será da mãe, que é recompensada com umas florzinhas no dia destinado a ela. E isso está errado como construto, mais uma prova de como nossa sociedade é doente.

Mas hoje falarei sobre essa coisa de ser pai, porque olha, eu tenho muita experiência nisso. Alguém que lê essa minha afirmativa deve pensar que não, eu não sou pai porque não sou homem (graças a tudo que é bom e que alumia!), mas vamos lá raciocinar: se ser pai for apenas ser um macho homo sapiens que engravida a fêmea, então eu não sou pai mesmo; contudo, se ser pai significa amar, prover, educar, cuidar, zelar, proteger em todas as instâncias, nunca abandonar, então, eu sou pai sim. Daí que vem uns psicólogos com uma conversa fiada de que a figura paterna não pode ser substituída. É? Deixe-me fazer um flashback da minha vida: várias empregos pra conseguir manter as contas da casa (pagas por duas mulheres, mãe e avó), resolver briga de garoto em escola (apartando os moleques e resolvendo tudo), incontáveis consertos domésticos (encanamento, fiação elétrica, fechaduras, montar móveis, pintar casa, trocar botijão de gás e água, empurrar carrinho de supermercado, abrir o pote de palmitos, carregar minhas sacolas), festas de dia dos pais na escola (pra receber as gravatinhas), defender as filhas de aliciadores nas ruas (prometendo quebrar a cara, inclusive). Tudo isso aí listado que, em geral, a sociedade brasileira destina aos pais, sempre foi a minha verdade, por mais que eu não considere que essas coisas classificam um pai. Mas a sociedade acha. E o mais engraçado é que basta o homenzinho fazer todas essas cosias que ele merece uma medalha. Mas se a mulher fizer todas essas coisinhas, fora o que a sociedade entende que é serviço de mãe (lavar, passar, cozinhar, cuidar do filho quando adoece, ensinar lição de casa), a mulher não fez mais do que sua obrigação.

E eu digo uma coisa: está errado. E se você não vê nada de errado nessa inversão, nessa perversidade, nessa desproporção no papel social da mulher, você é uma criatura toda errada. E que se exploda as convenções sociais.

Ser pai não é fazer filho, ou criar filho. Ser pai (assim como ser mãe) é um estado em que a natureza te coloca, de não conseguir viver, agir e sentir de outra forma que não para esse outro ser, que é colocado nas suas mãos para ser criado e crescer e, a partir daí, sentir uma imensa e completa empatia por todos os seres que precisam ser criados para crescer. Então, se você só é pai dos seus filhos e está pouco se lixando para as outras crianças, você é apenas um macho provedor.

Uma lista de possibilidades medonhas enquanto pais:

O mais óbvio, o pai que abandona porque se separou da mãe, e passa um tempo e não procura mais os filhos; ou apenas engravidou a mulher e não assumiu ao menos as responsabilidades morais: vocês são pessoas horríveis. E, se em outra fase da vida, casam e têm outros filhos e daí viram o tal do pai socialmente aceito, saibam que vocês continuam sendo um lixo, porque uma coisa não abona a outra.

O pai que se separa da mãe porque a traiu, enjoou, a paixão acabou, etc, Mas, este pai "maravilhoso" continua participando da vida dos filhos, mesmo sendo o causador de um trauma terrível que é a separação, porque toda separação é dolorosa, imagine então uma separação por conta de uma traição, e os filhos assistindo aquilo: briga por conta de guarda, visitas, pensão alimentícia, humilhações, a outra figurando em todas as pautas, quando a pessoa (mãe e filhos: porque a traição envolve a todos) só quer entrar num buraco e morrer. Você é uma pessoa horrível que acha que é legalzinha.

O pai que está casadinho, dentro de casa com os filhos, mas só de corpo. Não há relação emocional, e aquele filho cresce pra reproduzir, provavelmente, o que aprendeu que é ser pai. Você também é um lixo. Ah, tem o pai que trai a mulher, mas ainda fica dentro de casa, fazendo com que toda aquela humilhação se perpetue ad infinitum e tem aquele tipo monstro, que do mesmo jeito está em casa com a "família", mas agride de várias formas (verbal, física, moral) a quem deveria proteger. Não tem nem palavras pra classificar.

E tem aquele camarada que cresce, fruto de um pai desses tipo lixo, que poderia tentar ser melhor do que o pai foi com ele, mas não, ele vai reproduzir esse comportamento em alguma instância. Um exemplo bem comum são os filhos do primeiro casamento que odeiam os filhos do segundo casamento, só porque eles cometeram o crime de nascer. E se tiver diferença grande de idade, e herança, o ódio é ainda maior, porque na verdade se trata do ódio que aquele filho sentia daquele pai, que ele repassa pro meio irmão. Não importa se você é bom pai pros seus filhos, se você agir assim, você é um super lixo.

E tem o avô, que dizem por aí que é pai duas vezes, isso depende, porque se você é aquele avô que ao descobrir que o filho engravidou uma mocinha por aí, e daí o incentiva a não assumir ou ainda, ameaça, dizendo coisinhas fofas como, 'se seu filho depender de mim, morre de fome', você é um mega lixo.

Se você está nessa lista de pessoas lixo, de repente, se você largar tudo e virar voluntário numa missão humanitária a Síria e se colocar na frente de uma bomba, talvez você se redima. Mas é só talvez. Levando em conta que a maioria dos missionários, o são de coração, é essa empatia verdadeira que os faz agir de forma tão desprendida, isso já tira os nossos tipinhos de homenzinhos do perfil, ficando difícil o expurgo, então vocês merecem mesmo o inferno cristão.

Inté.

Imagem: Jack de O Iluminado, um exemplo de pai. 


domingo, 7 de agosto de 2016

Troféu



Dia desses me ocorreu que fazem quase vinte anos que fiz vinte anos, e que desde os vinte, já me sentia velha, porque eu já nasci velha. Talvez porque tenha herdado os sessenta e tantos anos que meu pai tinha quando resolveu que dava tempo pra ser pai de novo. Mas sempre fui meio gauche nessa vida, talvez um pouco diferente do Carlos, autor do tal verso copiado aqui, mas sim, sou gauche. Tudo comigo é meio desandado, é meio na contramão, o que sempre me atrapalhou. Aos vinte, aos trinta e nove, tanto faz.

Namorar, por exemplo, sempre foi um problema. Nunca me entendi bem com essa coisa de namorar. O que os moralistas imbecis não entendem, porque né, eu tenho uma penca de filhos, dois casamentos. Bem minha gente, isso não é sinônimo de ser alegre saidinha, eu até queria ser, morro de inveja de todas as moças alegres e saidinhas. O meu problema com namoros é que namorei pouquíssimas vezes na vida, por tempo curtíssimo, e pronto fui morar junto. Montar casa, comprar liquidificador, coleção de prendedores de roupa. Rotina, plantas, contas, traição e a separação com tudo o que tem direito, todo aquele dramalhão ridículo, e uma vida toda pra recomeçar, que eu sempre recomeço da maneira errada - diga-se de passagem - pra depois ter que recomeçar tudo de novo. É a fase que estou vivendo exatamente agora.

Interação com homens é sempre algo complicado, jovens, velhos, é complicado. Dia desses, passei por uma situação engraçada, quase constrangedora. Um homenzinho que pediu a outro homenzinho pra me perguntar se eu tinha alguém, porque eu sou charmosa e ele estava interessado. Como é que se comporta nessas horas? Minha vontade foi de sair correndo e gargalhando. A parte de rir aconteceu, confesso, porque foi engraçado. Um homem adulto, duns quarenta anos, pedir pro coleguinha intervir. Não sei. Isso não é coisa de intervalo de colégio? Ou de filme ruim, quando o garçom vem com uma bebida que a gente não pediu, mas alguém pagou, no caso um cara cafona? Enredo de filme tosco, que eu sempre mudo de canal. Mas não sei lidar com essas coisas, e não tive reação, além de rir. 

Da minha roda de convivência, sou a única solteira, e meio que tem uma pressão pra que eu saia desse limbo. O que essas pessoas não sabem, é que esse meu limbo é seguro e quentinho, estou muito bem aqui, justamente porque não seu lidar com essas interações, porque eu sou gauche. 

Quando eu tinha uns vinte e poucos, um homem de uns quarenta e tantos, que por sinal era casado e meu professor, dava em cima de mim de forma discreta, até começar a me seguir de carro, e aparecer em todos os lugares em que eu estava. Homens de quarenta com moças de vinte. A gente funciona como troféu dos quarentões. Com trinta, começaram a aparecer os garotões, que fantasiam com mulher madura, mas que ainda não está decrépita. A gente começa a funcionar como um troféu dos garotões. E olha só, a gente não é troféu, sendo gauche ou não. Mais novas, mais velhas, deixa quem quer ficar no seu limbo.

Inté.

Imagen: Minha chará maravilhosa.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

My Mad Fat Diary



Descobri a série ano passado e estou reassistindo agora (passa no iSat toda sexta-feira) e é daquele tipo de série de adolescente disfuncional que pega a gente, especialmente quando a gente foi (é) adolescente disfuncional.

Ambientada em Lincolnshire (Inglaterra) de 1996, a série conta a trágica e bem-humorada história de uma adolescente obesa, cheia de problemas, Rae (Shaaron Rooney). Ela acabou de sair do hospital psiquiátrico, onde passou quatro meses depois de uma tentativa de suicídio. Ela então retoma sua amizade com Chloe (Jodie Comer) e seu grupo de amigos, que desconhecem os problemas de Rae com sua própria imagem. 

Rae é uma das melhores protagonistas de série do gênero já criadas. A estória é baseada em um diário de uma garota real chamada Rachel (ou melhor, Rae), “My Mad, Fat Teenage Diary”. Para aproximar o estilo dos episódios com o diário, usaram o recurso da narração em off e também desenhos, rabiscos e frases, como se a Rae estivesse escrevendo sobre a tela. Isso faz com que o público crie uma empatia com a personagem desde o começo, como se a narrativa estivesse se desenvolvendo naquele minuto. Rae é maravilhosa, é muito fácil gostar da protagonista, porque você sente que aquilo que está assistindo é genuíno. MMFD é uma série que trata de temas que pedem uma carga dramática forte, mas ela não fica só nisso, já que a Rae traz também um humor muito interessante para a história, e a gente fica querendo ser amiga da Rae.

Outro ponto forte da série é a dignidade com que os adolescentes são tratados. Uma coisa que me incomoda em algumas séries, livros e coisas do gênero para o público YA é a visão deturpada das coisas, da vida de um adolescente. Tratam como se adolescentes não fossem exatamente pessoas, como se todas as suas atitudes fossem impensadas e inválidas, já que crescerão e se tornarão pessoas superiores. MMFD, no entanto, fugiu disso. E os problemas são discutidos e mostrados sem suavidade, do jeito que tem que ser: drogas, sexualidade, gravidez, etc. Nada é tratado como tabu. 

E aquele grupo de amigos? Rae ao sair do hospital vai logo atyrás dos amigos, mas as cosias estvam estranhas. Chloe, que antes era sua melhor amiga, está mais distante e anda com pessoas descoladas. Rae se aproxima deles, mas é difícil provar que é legal o suficiente para entrar em um grupo de amigos, ainda mais quando se está passando por uma fase delicada, tipo um pós-suicídido que ninguém sabe (todos pensam que ela estava na França). Mas ela se torna parte da turma. O desenvolvimento das relações, mesmo que em apenas seis episódios, é muito legal. A amizade entre eles é tão complexa e forte que em vários momentos você vai querer fazer parte daquilo. 

Assistam.

Inté.
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