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terça-feira, 25 de maio de 2021

A minha relação com Gilmore Gilrs é muito pessoal




Oi gente, tudo bem? Voltei foi cedo, né? Pois é minha gente, até eu me surpreendi comigo mesma porque ando tão abusada de tudo. Para quem não é do Nordeste, quando a gente diz que está abusada de algo, não é uma coisa tipo letra de funk (ai como eu tô abusada, ai como eu tô bandida) não, é mais para 'ó que abuso do universo', entendem? Então.

Voltei pra falar de Gilmore Girls. E já falei algumas vezes da série.

Rory e sua lista de livros.

Falei da lista de livros da Rory Gilmore aqui. Problemas, muitos problemas. Na verdade, falei da minha ingênua intenção de adaptar a lista para comprar as edições que eu ainda não tinha, mas que já havia lido. E, recomprar edições de livros queridos. Ingênua, porque a Lilibete de 2014 não fazia ideia de tudo o que enfrentaria, incluindo quase morrer de desgosto (e de uma infecção no sangue) dando aula em colégio de riquinhos imbecis tipo o Logan (pra quem não sabe, o namorado riquinho imbecil da Rory, que parece, é o grande amor de sua vida, tipo o Christopher foi pra Lorelai). Enfrentar toda a sorte de problemas com dinheiro, como boa proletária mal paga e explorada. E quando Lilibete acreditava que tudo ficaria bem, veio então a pandemia. 

Eu até comprei livros sim (aqui, aqui e mais que eu posto no Instagram), mas esqueci completamente dessa lista besta. Não me entendam mal, você que por acaso me lê e está seguindo a lista da Rory e tal, está tudo certo, é apenas a opinião de alguém que padece de azedume adquirido. 

Li quase todos os livros citados ali. Alguns me arrependi amargamente de ler, outros não tenho interesse alguns porque ou são muito estadunidenses (demais da conta), outros são machistas, misóginos, racistas, xenofóbicos. E li tantos outros que nem constam ali. A lista da Rory não inclui um único livro de autor brasileiro, um erro da criadora das Gilmore, Amy Shermann-Paladino. Como alguém que tinha o sonho de conhecer o Brasil, como a Rory, e que ama literatura, nunca leu nenhum autor brasileiro? Um Paulo Coelho que fosse! Ficaria muito feliz se Rory aparecesse lendo Carolina Maria de Jesus, que foi traduzida pro inglês em 1998, mas né, pedir demais pra cabeças muito estadunidenses. Sim, eu estou problematizando. Continuo gostando da série, mas não sou cega.

Gilmore Girls

Muita coisa mudou desde que escrevi isso aqui. Finalmente assisti todas as temporadas, inclusive Um Ano Para Recordar. Quando eu comecei a assistir Gilmore Girls, eu tinha uns 25, 26 anos, assistia quando passava no SBT, que não passava a série na ordem correta. Meu grande interesse era Lorelai e a mãe incrível que ela era, que eu sempre quis ser, e sua relação linda com a Rory (que também é Lorelai, pra quem não sabe). Eu achava o Luke um sonho, dono de cafeteria charmoso, que fazia panquecas fofinhas. Detestava os pais da Lorelai, não conseguia de jeito algum sentir empatia por eles e, sonhava com Stars Hollow. Claro, né, minha realidade era o calor absurdo de Fortaleza e a coisa mais próxima do bucolismo era a lagoa do Opaia (acreditem em mim, não é bucólico).

Passados quase 20 anos de quando parei de assistir a série até hoje, 2021, o ano em que maratonei e acabei Gilmore Girls, Lilibete com seus 44 anos pode afirmar que algumas coisas mudaram, já outras não.

1. Lorelai, com todos os defeitos, ainda é uma querida, sigo amando e admirando Lorelai Gilmore, seu jipe, seu amor por cinema, o amor por inverno. Mas, tem péssimo gosto pra homens.

2. Eu não gosto do Luke. Eu gosto do Luke's, das panquecas com blueberries, dos donuts, dos baldes de café, mas eu não gosto do Luke. Ele é um machistão, mau humorado, chato. Lorelai merecia coisa melhor. Na verdade, ela teve, o Max Medina, o professor de Literatura da primeira temporada, responsável por um dos episódios mais memoráveis de Gilmore Girl, o pedido de casamento que encheu Stars Hollow de flores. Mas fazer o quê?

3. Consegui sentir uma certa dó dos pais de Loreali, até da Emily Gilmore. Eu consegui entender a  amargura de ser abandonada pela filha, que preferiu fugir de casa ainda adolescente, com uma bebê nos braços, pra trabalhar de camareira numa pousada. As expectativas quebradas, a ausência da única filha, que faz questão de ficar longe. Mas, só reafirmei que Lorelai, tirando os exageros da ficção, estava certa em se manter longe. Eu tenho uma relação mais ou menos parecida e uma história muito próxima do enredo entre Lorelai e Emily (hoje em dia, inclusive,  numa via de mão dupla) e é isso gente, não tem muito o que fazer, manter uma distância segura é a decisão correta. 

4. Continuo sonhando com Stars Hollow. Se todo o problema fosse o Taylor, pôxa vida!

Os namorados de Rory e a coisa do bad boy

Nunca tive muita paciência pras aventuras românticas da Rory Gilomore. Eu gostava/gosto da relação entre Rory e Lorelai, boa parte porque eu queria ser filha da Lorelai, sabe, e crescer numa casa cheia de música, de filmes, procurando fadas pelas várias árvores centenárias de Stars Hollow. Mas o certo é que a Rory herdou o dedo podre da mãe. 

O menos ruim dos amores de Rory foi o Dean. E sim, Dean tinha alguns problemas, o pior foi casar ainda gostando da Rory e trair a esposa com a Rory. O grande problema do Dean, além do péssimo gosto pra se vestir, era a Rory. 

Logan, que aparece por último e que marcou a vida da Rory pra sempre (pra saber do que estou falando, caso já não saiba, assista Um Ano Pra Recordar na NetFlix) é um riquinho, imbecil, fraco e idiota. E olha que ele nem é o que eu menos gosto, hein!

E o Jess é detestável. Ele é um Luke piorado. A única coisa boa desse sujeito é que ele gosta de ler. Mas ele gosta de ler Bukowski, geração beat... ai que sono. Não tenho paciência com bad boy nem na vida real, tampouco na ficção. Quer bad boy de verdade? Heathcliff de Morro dos Ventos Uivantes, aquele ali sim, é um garoto mau pra ninguém duvidar, do tipo que trapaceia, rouba, mata, desenterra o cadáver da "amada" pra olhar uma última vez pro seu rosto (crânio?). Vamos falar a verdade, Heathcliff é um macho ruim ficcional. As pessoas chamam a personagem de Emily Brontë de anti-herói, não, o nome correto é macho ruim ficcional! Anti-herói é o Darcy de Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Rochester da Jane Eyre, da outra irmã Brontë, também se encaixa na definição (minha) de macho ruim ficcional (porque existem os machos ruins da vida real e desses, a gente não deve ler nem a capa).  Vejam bem, ele aprisiona a mulher, Bertha, num quarto secreto na mansão Rochester, porque a coitada enlouqueceu e daí tudo certo em prendê-la, afastando sua existência de tudo e de todos, porque assim é melhor pra ele. E o problemático é o Darcy da Jane Austen? Eu não entendo esse gosto por macho ruim. O Jess não chega a ser um macho ruim, mas ele não é um cara legal, ele foi um idiota com a Rory, com o tio, com a cidade que o recebeu bem. E não, idade e agruras não justificam tudo. A gente pode entender os porquês, mas é só.

Tudo isso, e foi muito, como sempre, cheio das minhas digressões, pra dizer que a minha relação com Gilmore Girls é muito pessoal. E é isso, as séries, os filmes, as músicas e, especialmente os livros favoritos com os quais nos envolvemos ao longo da nossa vida penetram tão profundamente em nossas almas que passam a ser parte de nós, como velhos amigos. Por isso, peço desculpas por quem gosta de Heathcliff e Rochester, eu gosto dos livros que eles protagonizam. E gosto muito muito de Gilmore Girls, mas do Jess e do Luke não.


Inté.

sábado, 31 de agosto de 2019

A vida invisível de Eurídice Gusmão





"Preciso continuar te escrevendo para não esquecer da pessoa que um dia eu fui"

Mexeu muito comigo o filme do meu conterrâneo Karim Aïnouz. Uma vida quase toda imperceptível é uma coisa que conheço de perto e é isso o filme, sobre como nós mulheres muitas vezes não somos enxergadas como pessoas, e a visão que chega até nós é a da violência e do silenciamento. A frase acima é escrita pela protagonista e bateu fundo. Entre 2008 e 2014, anos em que estive invisível pelo Rio (onde se passa a narrativa) escrevia pra uma amiga muito querida, uma espécie de irmã, apesar de que nunca soube direito o que isso significa. Hoje eu sei que, além da saudade que me incitava à escrita de cartas e e-mails, eu também escrevia pra não esquecer de mim mesma. E nunca mais nos vimos.

O filme é baseado no livro de Martha Batalha, que narra a trajetória de duas irmãs, cujos sonhos são oprimidos e soterrados pelo machismo da nossa sociedade que, nos idos de 1950 era sensivelmente mais voraz, contudo, que o século XXI ainda não conseguiu vencer. 

A vida invisível tem um ar de telenovela maravilhoso, as telenovelas que cresci assistindo, como as de Janete Clair e ainda, algo dos filmes que passavam na Sessão da Tarde de anos atrás. Interessante que faz pouco tempo, gostar de novelas era sinônimo de cafonice ou pouca inteligência: "eu não assisto novela" era a frase padrão. Mas hoje, observo vilãs de novelas como Odete Roitmam, Nazaré Tedesco e Carminha virarem ícones dessa mesma gente e mais, outros elementos telenovelescos ganharem a tela grande e seguirem pra conquistar uma vaga na corrida rumo ao Oscar - o filme de Karim está na disputa pra concorrer a melhor filme estrangeiro. Ah  ironia do tempo. Ou da moda.

Mas voltando à estória só que nem tanto, uma vez ouvi de uma das minhas professoras de Literatura da faculdade, que se não todo, quase todo homem era canalha. Naquela altura, eu já meio que sabia disso, era quase uma verdade absoluta. Teimando, por conta de alguma mandinga universal, terminei de confirmar a canalhice, a maldade e a perversidade de homens que abusam do sistema que é feito pra eles e que exploram todos os malogros do machismo, pra fazer da vida das mulheres ao redor, uma agonia. A gente cala e mata nossos sonhos, silencia perante abusos emocionais e físicos e tem que ficar feliz quando é abandonada, porque temos de recompensa, mesmo que aos pedaços, a nossa vida, quando muitas de nós terminam mortas.

Soube que Karim sentiu-se homenageando a avó e a mãe, responsáveis por sua criação. Elas não serão invisíveis. Não sejamos também.

Inté.

Imagem: de um dos postais do filme, entregue na primeira exibição de A vida invisível, que abriu o Cine Ceará 2019 no Cine Teatro São Luiz, aqui em Fortaleza, e que contou com a presença do elenco do filme, incluindo a maravilhosa Fernanda Montenegro e o diretor Karim Aïnouz.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Karma de Bastet


Existe toda uma magia entre amantes de livros e gatos. Brega, né? Sim, muito. E mentira, tá? Tem mané magia porcaria nenhuma, só se a criatura humana tiver menos do que três gatos, forem todos fêmeas ou machos castrados e ainda, se passarem 20 horas dormindo. Ah, e que seus livros fiquem longe das unhas e das vontades malignas dos seus felinos. Caso contrário, é muita dor de cabeça e produtos especiais de higiene de casa.

Não me entendam mal, eu crio gatos há quase vinte anos, meus filhos cresceram com gatos e livros e por isso mesmo sei do que falo. A equação livros+gatosmachos+adultos+nãocastrados (e às vezes castrados também) é um inferno dantesco, do nono círculo.

Sabe aquele seu livro caríssimo, que você comprou na Amazon, edição especial, importado, capa dura, jacket fofa? Se você der bobeira, o gato vai marcar território nele, sei lá porque praga egípcia. Segundo consta (sonho profético), Bastet é minha Deusa guardiã, algo assim, e já perguntei pra ela inúmeras vezes o porquê dessa pataquada na minha vida, mas nada de resposta, não uma que eu entenda. Quer dizer, só mais gatos. Tipo, segura que o karma é teu.

Mas veja bem, mesmo passando por toda esta sina, nunca desistiria de nenhum dos meus gatos, porque apesar deles me enlouquecerem, eles fazem parte da família e estão sob a minha proteção. Todos dentro de casa, lugar de gato sempre é dentro de casa. Por isso que não suporto quando o povo vem falar de alergia a gato e sei lá o quê pra justificar sua raiva. Meu povo, eu é que tenho todos os motivos do mundo pra odiar gato e meu amor por eles não arrefece. Meus gatos já quebraram porcelanas importadas, já fizeram xixi em livros antigos, rasgaram cortinas, comeram meu alecrim, quebraram minha polaroid e nenhum voou pela janela, na verdade minhas janelas são todas teladas. Você não gosta de gato, porque é uma pessoa escrota e acabou.

Pra quem não sabe, Baste é uma deusa egípcia com cabeça de gato, divindade solar e da fertilidade, além de protetora das mulheres. Também tinha o poder sobre os eclipses solares. Quando os gregos chegaram ao Egito, eles associaram Bastet com Ártemis, embora esta deusa esteja eminentemente relacionada à lua, enquanto Bastet inegavelmente estava relacionada aos mitos solares. Os gatos sõ considerados portais pro outro lado, protegidos, obviamente, por Bastet.

Inté.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O que mexeu comigo em 2017 - Livros e afins



Foi um ano duro, como eu já falei, um desdobramento de todo o peso de 2016 (e caso não tenha sido ruim pra você, parabéns), mas a gente sempre encontra um jeito de tentar sublimar a treta que, no meu caso, é através das artes: um livo novo, uma série, filmes, etc. E deixarei aqui o que salvou meu ano em termos livrísticos.

Livros.

Li pouca coisa nova em 2017. Reli muitos livros queridos, aliás, um velho hábito. Reli muitos trechos do Sopro de vida da Clarice, os diários da Virginia. Mas comecei umas leituras novas, uns nomes meio que inéditos pra mim. Confesso que não gostei da maioria, não por ser ruim, mas por não gostar, simplesmente por não gostar. E eu não sou aquela pessoinha que vai amar a Tércia Montenegro simplesmente porque todo mundo de Fortaleza ama a Tércia Montenegro. Ou a Socorro Acioli. Apesar de que não há defeitos na escrita dessas moças, apenas não me permite fruir. 

Clubes de leitura

Aí teve essa coisa dos "clubes de leitura" aqui por Fortaleza. Bem, clube de leitura é um negócio vintage, data do século XVIII. Na Inglaterra, nos idos das irmãs Brontë e da Jane Austen, era o hit do inverno. Eu acho a ideia uma fofura e, como professora e apaixonada por literatura desde que me entendo por gente, acho lindo, e faço votos de que fique pra sempre. Contudo, não é pra mim. Se eu participasse de um, haveria de ser algo bem mais intimista, quase como uma coven de bruxaria.

O ano teve um livro pra mim.

Falando em bruxaria, coisas sobrenaturais, o livro que marcou o meu ano, eu me dei de presente em março, no meu natalício, e foi A Garota Submersa, edição linda da editora DarkSide, que eu super queria que me apadrinhasse, mas né? Confesso que comprei o livro pela capa, pela beleza. É um dos meus livros mais lindos: capa dura, sem informação alguma na capa ou na contracapa, com dorso em rosa choque e aqueles arabescos e libélulas sobre o preto que envolve a história de India Morgan Phelps suas sereias e lobisomens. E que história. É assustador, é sensual. É lacaniano e lovecraftiano. Sensacional. Comecei a ler de verdade mesmo numa rua cheia de árvores da antiga Jacarecanga. O fronte das árvores assomando em sombras pelas páginas, ornando com a diagramação. Um livro estranho, uma leitura estranha, duma leitora estranha.


O livro fala de águas turvas da memória, dos contos de fadas de Perrault, dos mais assustadores. Exala do livro um cheiro agridoce, um miasma de alguém que já viveu ou foi sensato um dia. Há maresia nas entrelinhas e nas garras dos lobos, dos corvos e das sereias que se deparam com o Dália negra. Não é pra gente boa da cabeça. Não é um livro que faz bem. É pr'além de triste. É soturno e ineficaz, incompleto. E continua, como quem se depara numa rua sem saída, mas que tem um muro com heras que te chamam a pular. O pulo no abismo, no canto das sereias, com corais e águas vivas adornando os cabelos cor e de lodo. Boa sorte pra quem quer se perder. Ou submergir.

Inté.

Imagens: Girl on the river, no livro A Garota Submersa é atribuída a Phillip George Saltonstall, foi inventado pro enredo, mas a ilustração que é inspirada no livro é de Michael Zulli, um dos principais ilustradores de Sandman de Neil Gaiman (que por sinal, adora o livro).

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O mistério do pó amarelo em Mother! de Aronosky (com update)

Aviso, muito spoiler!



Não tem jeito, se você assistiu o filme Mother! está neste momento se perguntando, afinal, o que diabo é aquele pó amarelo que a personagem da J. Law coloca na água e bebe, toda vez que está abalada?

Obviamente que a resposta mais direta e lógica seria que é uma espécie de medicamento, só que a gente sabe que não é tão simples assim, porque todo o filme trabalha na casa da alegoria metafórica. Sendo assim, aquele pó amarelo não é um tipo de lítio ou algo que o valha, apesar de que tem o efeito similar, mas sim, enquanto metáfora, representa outra coisa e essa outra coisa está enlouquecendo todo mundo que parou sua vidinha durante aquela fatídica uma hora e cinquenta e quatro minutos (eu já assisti quatro vezes). Especialmente porque o Sr. Aronosky afirmou, numa das suas primeiras coletivas sobre o filme, que levaria o segredo do pó amarelo pro túmulo.

Aulas recentes, em que passei a audição do filme pros meus alunos (sim, sou louca), as discussões foram das mais incríveis, tanto pra quem adorou o filme, como pra quem não gostou, por se sentir incomodado ou até mesmo ofendido (vamos combinar que, pra quem é cristão praticamente e, especialmente católico, é meio pesado). Mas então, surgiram duas teorias:

A primeira, do meu aluno Vladison, 3ª ano, que lembrou da relação das antigas religiões de culto à mãe natureza, que talvez o pó amarelo significasse a fé desses adoradores, que ela sorve pra se acalmar, daí quando ela está grávida do motivo do novo tetamento (Cristo), ela não é mais adorada, ou não será mais adorada, e daí joga o pó fora. Agora, o porquê da cor amarela eu ainda não sei nem o Vladison me disse rs.  

A segunda fui eu mesma, pirando no percurso pra casa, via Avenida José Bastos, numa segunda, feriado do comerciante, tudo fechado, sol quase se pondo e eu pensando em radicias da língua inglesa e o pouco de história da língua inglesa que aprendi quando estudava alemão (sim, é isso mesmo, maravilhas da Casa de Cultura Alemã). Yellow (amarelo, em inglês) seu radical saxão -yell significa gritar, clamar. O "dono da casa" (Deus) sempre inclui em seus discursos e escritos, presentes nos textos da Bíblia, o termo cry out, que também significa clamar. Ou seja: Ele fala dos clamores, mas quem os absorve e os sente é Ela. Eu sei lá rs.



E agora uma terceira, li numa matéria do Telegraph, que o pó amarelo seria uma leve referência ao livro Papel de parede amarelo de Charlotte Perkins Gilman, cujo enredo é o seguinte, temos a personagem central, que é nossa narradora em primeira pessoa, como uma espécie de diário. A narradora é uma mulher, cujo marido - um médico - a mantém num quarto que ele alugou durante o verão. Ela é proibida de trabalhar e se vê obrigada a esconder dele o diário que escreve, pra que ela possa se recuperar do que ele supostamente diagnosticou como sendo uma "depressão nervosa temporária - uma leve tendência histérica", um caso comum às mulheres da época, ou seja, que misógino. As janelas do quarto possuem grades, e há um portão no topa das escadas, permitindo que o infeliz do marido controle o acesso ao restante da casa. O conto ilustra o efeito do confinamento na saúde mental da narradora, e sua propensão à psicose. Não tendo nada para estimulá-la, ela se torna obsessiva pela textura e cor do papel de parede do quarto. "É do amarelo mais estranho, esse papel de parede! Me faz lembrar de todas as coisas amarelas que eu já vi - não coisa lindas como botões-de-ouro, mas ouro envelhecido, e péssimas coisas amarelas. Mas tem algo de errado nesse papel de parede - o cheiro!... A única coisa que eu posso pensar sobre isso é que é a cor do papel de parede! Um cheiro amarelo." No fim, ela imagina que há mulheres arrastando-se atrás do papel de parede amarelo, e chega a acreditar que ela é uma delas. Ela se tranca no quarto, que agora é o único lugar onde ela se sente segura, recusando-se a sair dali quando o aluguel do quarto expira.



Contudo, procurando mais coisas sobre, encontrei uma outra entrevista do Aronosfsky em que ele solta a língua ao menos um pouquinho.

 What was with that yellow powder concoction that Jennifer’s character drinks?
Oh no, this is the one I don’t love answering. [Laughs] I think Jen has a better answer for this than I do. Let’s just say it’s harkening back to Victorian novels and this idea of a deeper connection for her and the house. But I don’t love to go deeper into it than that.

O que era aquela mistura em pó amarelo que a personagem de Jennifer bebe?
Oh não, essa é uma que eu não quero responder [Risos] Eu acho que Jen tem uma resposta melhor pra isso do que eu. Vamos dizer que tem relação com as novelas vitorianas e esta ideia de uma profunda conexão entre ela e a casa. Mas eu não gostaria de me aprofundar nisso.

Adendo: J. Law sabe!

Mas então, agora que embolou o meio de campo rs. Se a gente parar pra refletir que, em termos de novelas da época vitoriana, temos Charles Dickens, Eliot e as Irmãs Brontë, com romances como Morro dos ventos uivantes, Jane Eyre, Villette, etc, realmente há essa tal de profunda relação com a casa, até porque estamos falando aqui da Inglaterra, dos longos períodos trancados em casa, no outono e inverno, em que só havia a casa e a leitura, que era feita em geral em voz alta, ou seja, as estórias eram concebidas para serem lidas em voz alta, pra todos se entreterem, daí em parte o epíteto "novela". O que isso tem a ver com pó, gente? e um pó amarelo rs? Será que é uma referência as inspirações dos escritos da era vitoriana em relação a escritoras como Charlotte Perkins Gilman?



Aceito ajudas, sugestões, abraços etc coisa e tal.

Bisous.

P.S.: Ninguém reparou, pelo menos não que eu tenha visto, mas eu acredito que o tal do pó amarelo aparece em outra momento no filme, quando ela está preparando uma espécie de argamassa, ela está misturando lá e o resultado é dum tom amarelado, primeiro meio claro e depois mais intenso. Eu acho que é o mesmo pó. Levando em conta que ela é a casa...

UPDATE!
Na minha última aula, pra um das minhas turmas de primeiro ano, um dos alunos, que já fez estudo bíblico e lê constantemente a bíblia, lembrou d e alguns trechos, fez algumas anotações. Lá no livro do Gênesis 1:2: No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia.

No começo do filme, Ela (a terra/natureza) que é ela e ao mesmo tempo a casa (que é a terra), está arrumando a casa que já fora destruída, meio sem vida ou que não está pronta. Ao longo da narrativa, numa discussão entre o Poeta e Ela, Ele fala que a casa não tem vida, e Ele quer que se encha de vida e ideias, etc. Ela, em várias partes da primeira metade do filme, sente a casa, toca nas paredes, fecha os olhos, e vemos seu interior pulsar, no que parece um útero (vida). Sempre que está alterada, em desequilíbrio, faz uso do pó amarelo misturado em água (fora o que passa na argamassa das paredes). Então, levando em conta que no início a terra era sem forma e vazia, ou seja, sem vida, o líquido amarelo pode sugerir uma espécie de vida, que ela ingere sempre que está em desequilíbrio, que vem justamente, pois ela é sem forma e vazia. Daí, quando ela engravida do Filho do Homem (Jesus), ela joga o pó amarelo fora, pois Ele veio para que tenhamos vida: trecho em João 10:10: " eu vim para que tenham vida, e que tenham vida em abundância."

E aí, minha gente, eu fiz a ligação com as tais novelas vitorianas, já que se lia as tais novelas no inverno, para trazer vida pra dentro de casa, e daí a relação das mulheres e das casas, pois eram elas que liam, ou seja, que trariam (ou criavam) vida.

Já a escolha da cor amarela, acredito que seja pela representatividade do amarelo, cor do ouro, do sol, do açafrão, representa a luz divida, já que atravessa o azul do céu, e ainda, a gema de ovo, que guarda a vida, amarelo simboliza isso, vida. Na Bíblia, o amarelo é a cor da cura, da unção, da fé em Deus, talvez daí Ela precise ingerir o amarelo, pra se curar, ungir e se embeber de fé Nele.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Emmy 2017 e a força da representatividade feminina



Hoje, dei aula de revisão de conteúdos, provas semanais chegando, depois de uma semana intensa de feira cultural na escola (trabalhos lindos, turmas me matando de orgulho, como 1ª 1 e 2ª do meu coração) e, no meio das minhas considerações pras avaliações de literatura, notei que fiz um adendo à informação de que Clarice (Lispector) não gostava de ser rotulada como escritora feminista, e ela não gostava mesmo, mas, independente do que Clarice queria ou não queria, a obra é aberta a múltiplas interpretações dos leitores, e nós leitoras percebemos esta voz feminina, esta representatividade e protagonismo das personagens criadas por Clarice.



E ontem, assistindo o Emmy 2017, quando vi Margaret Atwood subir ao palco junto com o elenco de Handmaids' Tale (O Conto da Aia, em português) só lembrei de suas declarações sobre este livro, de que não era um livro feminista, porque não teve a intenção de ser feminista, porque foi escrito antes da grande onda feminista  etc. Mas, corroborando da mesma perspectiva das leitoras, nós sentimos tudo isso em The Handmaid's Tale, é impossível não sentir. A série The Handmaid's Tale levou seis prêmios no International Emmy Awards, que aconteceu ontem. Entre eles, o de melhor atriz em série dramática para Elisabeth Moss. A série, adaptada do livro de Atwood, fala sobre aquilo que toda mulher tem medo: a perda de sua voz e autonomia sobre sua vida e seu corpo. A atriz se destacou no papel da aia Offred, uma mulher forte, destemida e brutalmente atingida pela estrutura machista.

Outro grande vencedor da noite foi Big Little Lies, Nicole Kidman em sua fala pra agradecer a premiação, falou de violência doméstica e como nos calamos perante este absurdo, e eu não consegui não me colocar no lugar da personagem, já que passei por isso (e demorou um tempo até eu conseguir admitir pra mim mesma que vivi isso, que romantizei e normatizei relação abusiva). Mas foi a fala de Reese Whitherspoon que mexeu comigo: "Deixem as mulheres serem protagonistas de suas próprias histórias, serem as heroínas de suas histórias". E de novo, foi impossível pra mim não me colocar diretamente neste lugar e me sentir representada na fala da atriz, com a série e com o livro, que devorei em algumas horas numa noite em que esbarrei no primeiro episódio na HBO.



Então, deixo aqui minha alegria, duma noite linda e importantíssima pra nossa luta e, fica a recomendação de que assistam The Handmaid's Tale e Big Little Lies, assim como leiam os livros, escritos por duas mulheres incríveis.

Bisous.

Imagens: The Handmaid's Tale (aquela fotografia e direção de arte que você respeita); Clarice fazendo 'a natural' datilografando; Cena final de Big Little Lies.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

6 on 6, Primeirão do blog


Vocês que me acompanham viram que nos últimos dois anos vinha postando um projetinho fotográfico, 3 Things, né? Pois então. Era semanal e eu tentava, aos trancos e barrancos conseguir postar com a frequência certa, o que nem sempre acontecia.  Descolar três coisas legais que te aconteceram e daí registrar e postar no blog, em anos tão uó como foram 2015 e 2016 não foi nada fácil. Mas, como disse, até que consegui.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Probleminha



Costumo dizer que eu me entendo feminista há 24 anos, mas nasci feminista, porque todas nós somos em alguma instância, porque é inerente a toda mulher que busca viver uma vida plena. Ela pode não saber, mas é feminista.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O Nevoeiro



Diferente do último filme resenhando, A Pirâmide, este eu não assisti de madrugada, mas sim numa tarde sem ter muito o que fazer ou com preguiça de fazer algo, além de assistir televisão. O engraçado é que sempre via este filme passando, mas nunca tive vontade de assistir. Ou coragem. Não que o enredo me assustasse (um nevoeiro maligno com coisas sinistras matando todo mundo), mas sim com medo de presenciar outro texto do Stephen King mal adaptado (e são muitos).

Normalmente, os filmes baseados na obra de Stephen King são ruins. bem ruins. Alguns muito muito ruins. As exceções ficam por conta de Carrie (do Brian de Palma) e O Iluminado (versão Kebruck, apesar de que Stephen King odeia a versão). Quando vi anunciarem mais uma adaptação (baseado numa novela no Tripulação de Esqueletos), pensei: lá vem bomba.

Mas, numa tarde quente de julho, resolvi assistir a versão para o cinema de The Mist, O Nevoeiro. Começa com uma violenta tempestade que devasta a cidade. David Drayton (Thomas Jane, de O Justiceiro), um artista local, corre com seu filho para o supermercado para comprar suprimentos e material para remendar uma das janelas de sua casa, destruída por uma árvore. Neste meio tempo, um estranho nevoeiro toma conta da cidade e acaba deixando David e mais alguns moradores locais presos dentro do supermercado. Logo eles descobrem que existe algo mais no nevoeiro, e sair dele pode significar a morte. 

Intimamente, O Nevoeiro é muitas coisas, e todas elas muito legais: começando pela clara influencia de  H. P. Lovecraft e William Golding; um ensaio sobre o horror na cultura; e uma reflexão sobre a fragilidade da civilização em tempos de crise. Quem espera ver um filme de monstros, com sangue para todos os lados, pode esquecer. Aqui, os monstros existem, mas praticamente não se pode vê-los. O único monstro (o pior de todos, talvez) que aparece a todo o tempo é o ser humano. Quando as pessoas estão trancadas naquele supermercado, começamos a ver a civilização em reverso, desde o começo, quando a pobre mãe implora que alguém a acompanhe para voltar pra casa, pra salvar os filhos, e todos se recusam, incluindo nosso herói, David, com a justificativa de proteger o próprio filho, no que ele falha miseravelmente.

Vemos uma volta à barbárie, o fanatismo religioso (na pele da Sra. Carmody, muito bem interpretada por Marcia Gay Harden) e a perda de parâmetros. O excesso religioso que (que algumas pessoas reclamaram), é um ponto muito bem abordado por Stephen King em sua novela. Por outro lado, trata-se também de uma reflexão sobre a fé, não apenas religiosa, mas a fé uns nos outros, no amor e no dever, na esperança de que tudo pode acabar bem. E também sobre a própria falta de fé. O desespero (conseqüência do medo do desconhecido) é capaz de transformar o ser humano em uma aberração, e apontar inimigos à sua volta parece ser a única saída para uma situação onde o que importa é sobreviver.

O final é ontológico, muito mais do que na novela.

SPOILER!
No filme, David, seu filho e mais dois sobreviventes conseguem sair do supermercado num carro, no entanto eles viajam até acabar o combustível e continuam encobertos pela névoa e cercado pelas criaturas. Sem trocar uma palavra, eles chegam a melhor solução possível: o suicídio coletivo. Só que restam apenas 4 balas e eles estão em cinco, ou seja, alguém vai sobreviver e ficar a mercê dos predadores infernais que dominaram o mundo. E para David a situação é mais dramática ainda, pois não basta se matar, ele tem que assassinar o próprio filho, só que no desespero não há outra saída. Seus amigos se suicidam e David atira no filho. Ele sai do carro, esperando que alguma criatura o ataque, mas aí ele percebe que os sons que ouvia do carro não eram mais as criaturas, mas sim o exército que deu um jeito de exterminar os monstros e estava escoltando sobreviventes, inclusive aquela mãe do começo da história. Na novela o nevoeiro não tem fim e os personagens ficam em um hotel abandonado, esperando o próximo capítulo, que não chega. 



Amei o filme e depois fui pesquisar quem estava por trás, e era ninguém menos do que Frank Darabont. Para quem não sabe, Darabont foi responsável por duas excelentes adaptações de textos de Stephen King: À Espera de um Milagre (The Green Mile) e Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption). Explicado ;).

Inté.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Vamos falar sobre GoT? Vamos!

AVISO: spoilers, spoilers pra caramba não só sobre GoT, mas sobre várias outras coisas. Pare de ler aqui se você tem faniquito com spoiler.



OH MY FUCKING GOD! Nesse momento que vos escrevo, está passando uma reprise de The Walking Dead na Fox, o fatídico 16ª episódio da 6ª temporada: sim, Negan, Lucille e alguém que morre (que no quadrinho é o Glenn, mas na série a gente não sabe) E sim, eu estou devendo um post sobre The Walinkg Dead, mas eu não sei se tenho nervos suficientes para tal (vocês sabem que eu assisto a série tampando o rosto, né? Que um dos maiores medos da minha vida é de zumbis? Uma série que, apesar da temática improvável, é verossímil dentro do conhecimento das baixezas da raça humana. Cara, é desesperador, porque certeza absoluta que se essa treta acontecesse de verdade, seria como na série.



Mas vamos ao que interessa, vamos conversar sobre a 6ª temporada de GoT. O que falar sobre essa temporada, que já já vai acabar e que até agora foi devastadora? Gente, tudo que eu odiei a 5ª temporada, estou amando a 6ª. Talvez seja a falta do livro (que não foi lançado concomitante, como eu esperava. Talvez seja por motivos de que Jon voltou (gritinhos felizes), porque Dany e Sansa estão badass e eu amo tudo isso (apesar de que não sou muito fã da Sansa nem dos livos, nem da série, mas né, deixemos isso de lado) Talvez ainda por conta da promessa da Stoneheart (ahhhhh). Talvez a que está quase confirmada a origem dragonífera de Jon Snow (alguém reparou no dragão no gelo quando ele foi levantado quando estava morto? E do sangue que virou cinzas?).



Muitos talvez, mas eu estou amando a temporada. E já chorei muito: Hold The Door :(. E gritei muito, vibrei muito: todos os Khals pegando fogo Daenerys Targaryen intacta, peladona e maravilhosa (Daenerys Targaryen, the First of Her Name, Queen of Meereen, Queen of the Andals and the Rhoynar and the First Men, Lord of the Seven Kingdoms, Protector of the Realm, Khaleesi of the Great Grass Sea, called Daenerys Stormborn, the Unburnt, Mother of Dragons).

Agora é torcer para que a temporada continue assim, surpreendente para todos, os sem livro, os que nunca leram, todos no mesmo barco, sem Greyjoy, porque eu não gosto dos Greyjoy.



Inté.


sexta-feira, 11 de março de 2016

Miss Peregrine's Home For Peculiar Children ❤




Eu já tinha ficado muito muito (mas tipo assim, muuuito) feliz com a notícia da filmagem de um livro que eu adoro, Miss Peregrine, ainda mais porque a direção ficou com Tim Burton, ainda mais porque Miss Peregrine é Eva Green.

Ransom Riggs, autor do livro, é roteirista e coleciona fotos antigas, inclusive tem um livro publicado com elas, mas em uma de suas viagens a procura de fotografias, encontra uma coleção muito peculiar. Ao procurar sua editora para produzir um segundo livro de fotografias, o editor o pergunta o porquê não escrever uma história baseada nessas fotos. Riggs aceita o desafio e daí nasce Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children. 

Acompanhando Jacob na descoberta desse mundo fantástico, essa obra infantil pode nos transportar a um novo mundo. E, depois da leitura, quem sabe nos leva a crer em um mundo mais fantástico. A cara do Tim burton, né? *_* A integração das fotos com a história em si é espetacular, é um livro fantástico ilustrado com imagens mais fantásticas ainda, o que nos faz pensar que tudo aquilo pode ser real, querendo ir pra lá. Ao menos eu rs.  

O enredo: Jacob era muito ligado ao seu avô e quando pequeno, as histórias extraordinárias contadas por ele foram a base para que decidisse ter uma vida extraordinária e cheia de aventuras. Mas todos os pequenos crescem e, ao crescer, Jacob descobriu que as fantásticas histórias relatadas por seu avô nada mais eram do que uma maneira dele fugir da nada feliz infância que teve como um órfão judeu fugitivo na segunda guerra. Quando crescemos, até mesmo as fotografias (provas apresentadas pelo seu avô) podem parecer falsas. Mas, quando seu avô morre de maneira misteriosa, Jacob precisa retornar ao cenário da infância do seu avô. E o que ele descobre lá pode ser muito, muito peculiar. Será que histórias fantásticas podem ser fantásticas?

Aguardando o filme. Fiquem com as imagens prévias.







Inté.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Christiane F. 13 anos, Drogada, Prostituída e que eu roubei



Como hoje está sendo um dia muito estranho, silencioso, de um sol morno, nada comum para Fortaleza, fiquei aqui revisitando minhas lembranças sobre David Bowie. E me ocorreu que meu primeiro contato com a música e a persona David Bowie foi o filme Christiane F., que assisti na escola, num dos sábados no cinema, organizado pela professora de História, que conseguiu convencer a direção a nos deixar assistir o filme, muito polêmico por conta da imagética seca e crua sobre drogas e ao que elas levam, mas essencial para conscientizar as pessoinhas da minha idade.

E não gostei muito do filme, que eu assisti com 14 anos, porque já tinha lido o livro um pouco antes, quando tinha 12 anos, e o livro é bem mais intenso, digamos assim. Acho que nasceu justamente com ele, a antipatia que tenho por adaptações cinematográficas de livros que amo. Só anos depois, estudando Letras, é que entendi que não se deve cobrar de uma estética características da outra, que tudo é um processo de tradução de uma linguagem para outra, e como o nome sugere, é necessário que se faça adaptações, porque as estéticas são diferentes.



Mas então, a história é pesada, tem uma narrativa super forte e sem melindres ou eufemismos, bem ao estilo alemão. Em várias passagens vem a ânsia de vômito, o embrulho, como se estivéssemos sob efeito de drogas, até o ponto de viciar. E eu fiquei viciada no livro, sei trechos de cor até hoje. E a minha estória com esse livro é muito inusual, porque eu resgatei uma edição (que foi por anos a minha edição) do lixo.

Minha mãe e eu tínhamos ido à costureira para encomendar nossos habituais vestidos para a missa de natal, 1989. A costureira, Dona Tereza, estava no meio de uma briga com a filha, uns 5 anos mais velha do que eu, justamente por conta do "livro imoral", que ela não queria dentro de casa, que se tratava exatamente de Christiane F. E jogou o "livro imoral" no lixo, que estava na entrada da casa, na calçada. Um livro no lixo? Um livro imoral no lixo? Eu precisava dele! A filha chorando no quarto aos berros, as duas senhoras conversando sobre os babados ridículos que seriam plissados nos malditos vestidos e eu, dissimuladamente, escapuli pra rua e resgatei o livro, uma edição similar a essa que ilustra a postagem. Lembro que meu rosto ardia, as mãos em orvalhos nervosos (e se minha mãe me pega com o livro imoral?). Pudor por "roubar" o livro da dona, que sofria tanto? Nenhum. E o escondi sob a roupa até chegar em casa. Escondi o livro na mochila da escola, que minha mãe nunca olhava. E li esse livro desesperadamente. E ele não tinha fim, um desfecho. E aquilo me enlouquecia. Tratava-se de um relato, uma biografia muito chocante da realidade terrível de uma adolescente alemã quase da minha idade, que se prostituiu para comprar heroína. 

Anos depois eu descobri que tudo nasceu por conta do processo contra um porco alemão de 50 anos, julgado num tribunal de Berlim sob acusação de ter mantido relações sexuais com menores. Uma das principais testemunhas foi essa garota de 15 anos, justamente Christiane. No mesmo tribunal se encontrava Horst Rieck, jornalista da revista STERN, que estava escrevendo uma história sobre  o estilo de vida dos jovens da Alemanha. Apesar de Christiane se recusar a dar provas contra o acusado, seu depoimento fascinou Rieck, que pediu para entrevistá-la e dessa entrevista-depoimento, nasceu o livro, de 1978, e o filme de 1981 com trilha de David Bowie, inclusive Heroes. Bowie inclusive aparece no filme interpretando a ele mesmo.

Coisas que a gente lembra numa segunda inusual.

Inté.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Photo of the Day - Outubro


O mês de outubro foi uma versão das trevas cavernosas do pior agosto que já passei. Em resumo foi isso. mas vou me recuperar, o que não me mata, só me fortalece, meu lema de vida baseado em Nietzsche.

Seguem algumas imagens de outubro editado e filtrado através de fotos, recortes de vida, porque fotografar é preciso, sempre.

















Bisous.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mês do Halloween - Entrevista com o Vampiro



Daquele tipo de filme que a gente torce com força para que nunca inventem de refilmar, porque não tem necessidade alguma (apesar de que li, em algum lugar, que sim, estão pensando em refilmar - why, dear god?).

 O filme me transformou numa fervorosa fã de Anne Rice, autora das crônicas vampirescas, entre elas justamente Entrevista com o Vampiro, que por sinal tem roteiro assinado por ela mesma. O diretor, Neil Jordan, trouxe aos cinemas em 1994 o que é considerado por muitos o melhor filme de vampiro já feito. Como confessei no post passado, para mim esse lugar é do Dracula do Coppola. Não que Neil Jordan tenha feito algo ruim com Entrevista com o Vampiro, longe disso. Decerto é um dos melhores filmes do gênero já realizado. Na minha lista particular está em segundo, inclusive. Mas, Entrevista com o Vampiro traz realmente uma certa dose de maturidade aos sanguessugas cinematográficos. Forte, intenso, com boas interpretações e uma direção cuidada, encanta a quem assiste, independente de idade. 

Acompanhamos a história de Louis (Brad Pitt) desde que ele nasceu para escuridão, como define ao entrevistador Daniel Malloy vivido por Christian Slater. Através de sua entrevista, vamos conhecendo a alma do vampiro que se sente culpado por ter que matar. Sim, porque ao contrário dos demais de sua espécie, Louis conserva sua alma humana, com todas as suas paixões, desejos e culpas. Assim se constrói uma espécie de fascínio em Lestat e depois em Armand, para não falar da pequena víbora Cláudia. 

Através dos olhos perdidos de Louis, o vampiro mais chato de todos os tempos (sim, eu não gosto do Louis, ele é um porre -resenha do livro? quem sabe um dia) somos apresentados ao mundo imaginado por Anne Rice, um mundo que se desdobra nas sombras dos becos das cidades. Não há ainda muita explicação para a origem dos vampiros - que Anne Rice só aprofunda em outras narrativas das crônicas vampirescas - até porque Louis não sabe muito sobre isso, só sabe que se tornou um monstro, que não pode mais ver a luz do sol e precisa de sangue. 

Entrevista com o Vampiro já é impactante em seus detalhes. Começa com uma tomada aérea noturna com a bela trilha de Elliot Goldenthal nos ambientando com o clima do filme. Somos então levados até um quarto simples, onde seremos apresentados a Louis, de costas para o entrevistador (Christian Slater), olhando a rua; a sala está na penumbra, apenas sua voz em destaque. Só então, ele anuncia que acenderá a luz e vemos seu rosto fantasmagórico. Isso sem falar no texto que dá sempre a sensação de algo especial, com um tom ácido, sarcástico. "Como devo começar, igual a David Copperfield? Eu nasci, cresci? Ou quando eu nasci para a escuridão como eu chamo?" 

Tudo se encaixa como uma orquestra. que nos leva ao século XVIII, a Lestat e aí reside o grande jogo criado por Anne Rice, o contraste de visões de mundo. Não é exatamente a dicotomia Bem e Mal, é bom deixar claro. Aos nossos olhos, Lestat parece mesmo um ser tenebroso, até porque quem nos apresenta é Louis, que o culpa por tudo. Seja lá o que for. Mas, o vampiro é apenas um retrato de sua própria natureza. Em determinado momento, Lestat questiona a Louis "o que é o mal?" Para ele, suas atitudes são apenas reflexo do que tem de ser, não há culpas, nem julgamentos. "Deus também mata aleatoriamente", diz ele e ainda completa "não há ninguém como ele, assim como não há ninguém como nós." 

Compreendendo a mitologia em que se baseia Anne Rice, de que os vampiros são filhos de Lilith, a primeira mulher expulsa do paraíso por não aceitar ser submissa a Adão, tudo faz ainda mais sentido. Não existe aqui a culpa do pecado original. Há sim, uma busca por liberdade plena. De certa forma, Louis e Lestat se completam, mesmo que em meio ao desespero do primeiro, que não consegue aceitar sua natureza. O equilíbrio acaba quando entra em cena Cláudia, a pequena órfão, mordida por Louis, que Lestat transforma em vampira, dando assim "vida" a um monstro. Cláudia é a garotinha com ar angelical, cabelos louros cacheados, roupas de boneca. Mas, o tempo é sempre cruel com a melhor das criaturas, e ela se torna uma mulher, presa em um corpo infantil. Tem a malícia e os desejos de uma mulher egoísta, que foi criada com todos os mimos, mas engana por suas feições. Cláudia se torna a mais perversa das criaturas e conduz Louis em sua trajetória de traição, castigo, redenção e eterna culpa, com o que vai acontecendo a partir de então. 

 Como um bom filme de vampiro, boa parte das cenas é feita a noite. O filme abusa das sombras, do efeito da vela, das tempestades escuras para ajudar na construção da narrativa. Os detalhes são explorados, os cenários são ricos, tudo nos transporta para aquele mundo irreal e fascinante, apesar de assustador. 

Quando Louis e Cláudia vão para Europa o clima sombrio se mantêm com as ruas desertas e pouco iluminadas, os becos escuros e as lojas visitadas apenas pela noite. Mas, há também novidades como a trupe do Teatro do Vampiros e sua morada propícia para vampiros. E claro, Armand, um vislumbre de mestre que Louis sempre sonhou que pudesse, talvez, explicar o que seria tudo aquilo. Mas, é aí também que ele perderá parte de sua alma. 

 Outro ponto fundamental para o sucesso de Entrevista com o Vampiro é o elenco. Mesmo com todos os protestos de Anne Rice, Tom Cruise encarnou um Lestat digno de qualquer livro da autora. Sedutor, forte, envolvente e ao mesmo tempo assustador. Brad Pitt estava irretocável como Louis, o chato das trevas. Minha única ressalva é para Armand vivido por Antonio Banderas. Não gente, não funcionou, até porque Armand tinha 16 anos quando foi transformado e era do leste europeu, ou seja. Não.

Apenas como curiosidade, River Phoenix estava escalado para ser o entrevistador, mas sua morte prematura deu espaço para Christian Slater.

Por tudo isso, Entrevista com o Vampiro é daqueles filmes que impressionam e ficam em nossa memória. 

Boo.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Book a Day Week 39








21. One day - Edição fofinha da Martin Claret, Bruxas e Bruxos e os feitiços mais cruéis, são contos de fadas celta

22. Girl - Auto explicativo.

23. Art - Amo essa edição, comprei na Bienal do Rio em 2013.

24. River - Não fiz.

25. Flowers - Detalhe da capa da minha edição da Puffin de Secret Gardens.

26. Keep me young - Porque contos de fadas conservam minha mente e espírito jovens.

27. Weird - Nem acho rs. Edição da Enciclopédia dos monstos mais GoGos Jack e Frakenweenie.

Bisous.
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