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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cansada, porém viva.



Eu estou muito cansada. O ano mal começou e estou muuuito cansada, vocês não estão entendendo. Estou cansada nível a mãe do garotinho do Sexto Sentido, cansada fisicamente, na mente e no coração.

Encarei o desafio de ser a professora de português do ensino médio da escola onde dou aula, no estilo professores de português do tempo do ginásio, que dá aula de tudo, sabe como? Sou eu. Dou aula de gramática, de redação, de interpretação textual, de literatura e de paradidático. Fora laboratório de redação, fora o jornal da escola, editado por mim, fora a semana de artes (inventada por mim, e que ninguém está me ajudando. sim, eu estou me queixando) e fora a Semana Santa, com peça da Paixão de Cristo e Via Sacra, que não fui eu que inventei, mas que está sobrando pra mim. 

É muita coisa e fora isso tudo, eu sou dona de casa sem máquina de lavar, sem aspirador de pó, deixei tudo no Rio e ainda não tive dinheiros para comprar de novo, porque eu estou muito pobrinha. A lida de casa é feita por mim e meus erês no braço e no muque, e numa casa com muitos pets, a limpeza é constante. Não dá pra passar um dia sem espanar o sofá (coitado do sofá), porque ele some de tanto pêlo de gato e eu morro de tanta alergia, porque eu tenho alergia a isso tudo e nem por isso odeio gatos, pelo contrário, amo.

Então imaginem que a minha maratona de aulas numa escola, num turno, é igual a de quem trabalha em duas escolas. Eu tenho 25 aulas semanais, dou aula das 7:00 às 12;30, com um intervalinho sem vergonha de 15 minutinhos. Às vezes fico a tarde para os ensaios da peça. Chego em casa arrasada, mas tenho que fazer almoço e limpar a casa. Aí eu almoço? Claro que não, vou corrigir redação. Todo dia pelo menos 30. E depois? Dar uma olhada no que diabos eu tenho que ensinar no outro dia, porque eu simplesmente esqueço. E acaba que eu fico tão cansada, que tomo um chá e desmaio no sofá, que já limpei dos pêlos dos gatos. E eu não tenho empregada, acho que não teria nem se pudesse pagar (e eu não posso), porque acho isso tosco e escravocrata. Também não faço unha com manicure, porque acho isso coisa de dondoca, que eu não curto. E minha unhas estão sempre ok. Ao menos elas.

E essa é a minha justificativa para ter sumido um pouco do blog, porque está sinistro pro meu lado. Não vou prometer que não vou sumir de novo, porque não tenho certeza se conseguirei manter a minha promessa, mas eu vou tentar postar ao menos uma vez por semana. E voltar a desenhar, porque o meu outro trabalho está cada vez mais distante de mim, e eu tinha me prometido que em 2016 eu me apegaria com ele, que é meu bálsamo em tempos de turbulência, mas né? Fail :(

E o final eu quero dedicar a todas as pessoas egoístas, escrotas, desgraçadas e cheias de má vontade, que ao me ouvirem falar que estou cansada, vêm com as malditas comparações, etc coisa e tal. Sabe disputa de quem sofre mais, de quem é mais ocupado? Vão se catar, pelo amor de tudo que é bom e que alumia. Cara, não é pra ficar disputando com ninguém, às vezes a pessoa (eu) só quer desabafar com alguém em quem confia (ou confiava), a pessoa não está querendo dizer que você não trabalha. Melhore. É tão perverso não respeitar o direito do outro, que mundo uó! Eu sei respeitar o sofrimento alheio, as agonias individuais e não fico na quebra de braço de quem está mais lascado, porque se forem disputar comigo, perdem por tabela, porque ó, Murphy janta comigo.

Inté.

Imagem: Michael Lavine grunge.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A Quarta Temporada de Girls - WTF


Alerta: Spoiler!

Esse ano eu descobri Girls, numa das maratonas da HBO, antes de estrear a quarta temporada. E me apaixonei. Contei tudo aqui ó. Pois então, faz tempo que a quarta temporada acabou, mas só tive forças para escrever sobre agora, porque gente, o que foi a quarta temporada? WTF? 

Hannah sai de NY para fazer um MFA (alguma coisa como um mestrado). Não dá certo. A gente sabia que não daria certo, primeiro porque é a Hannah. Segundo, porque nenhum escritor (de verdade) gosta de MFA. Na verdade, todos odeiam. Daí vem o detalhe, ela tem o namorado, o indigesto do Adam, e deixa a relação meio assimassim, sem uma definição, se estão separados ou não. A Hannah, coitadinha, acha que eles estão namorando. Mas o Adam não entende assim. O que a gente entende é que ele se sentiu magoadinho, poor thing, e do nada: arranja outra namorada e coloca as coisas da Hannah num depósito. Né? Hannah retorna, para voltar para a sua normalidade - de escritora lascada e namorado (e amigos) desfuncional (mas namorado) - mas o cara está no apartamento, que era da Hannah, com outra. WTF?

E todo mundo acha normal e natural. Menos a Hannah. A idiota da Jessa acha certíssimo. Aliás, que imbecil; que a gente descobre que ajudou, inclusive, na coisa do Adam namorar outra, por motivos escusos! E a Hannah que é a egoísta?.

O mais sensacional acontece no final da temporada: Hannah trabalhando como professora duma escola super moderna e legal, dando aula de Literatura da maneira mais pessoal e absurda possível, desencanada do Adam - coisa que demorou, porque ela surtou, o que acontece com a maioria absoluta de nós, quando levamos um pé na bunda - encontra um outro namorado, professor, fofo, coisa e tal. Mas o Adam, aquele troglodita, idiota, egoísta, nojento de 1m90, decide que foi tudo um engano, que ele ama a Hannah e quer voltar, simples assim. 

Na verdade ele vai entendendo que sua nova namorada, Mimi-Rose, não é bem o que ela queria. E o que ele queria? O que os homens querem afinal? Hoje à noite, no Animal Planet. Enfim, Mimi-Rose, a nova namorada, é meio que um esteriótipo da feminista moderna, que entende seu lugar no mundo, vai contra o patriarcado, é independente, bem sucedida, natureba (não usa desodorante). Mas é uma chata. O episódio Ask Me My Name é uma prova de como ela é chata. E até cretina. E eu acho que a maioria dos artistas modernos são uns cretinos, mas tudo bem.

 Então, Adam está com uma namorada que é, teoricamente, uma mulher incrível, que é a Mimi-Rose, que é tudo que a Hannah não é, inclusive magra, loura e de nariz fininho (eu passei por isso, ser a ex de nariz feio rs), mas que de repente não serve mais, desde que ele descobriu que ela fez um aborto e não o consultou (e nem deveria, porque o corpo é dela - Hail Mimi-Rose) e, que ela gosta mesmo é do ex-namorado, um maluco moderninho, que nem ela. Ou seja, Adam levou um pé na bunda e decide que foi tudo um engano, e voltará com Hannah.

Eles voltam? Não! Risos e dancinha da alegria rs. Porque, desculpa, Hannah está super bem com seu namorado professor fofo. E ainda bem que a temporada acaba assim, Hannah com o namorado professor, caminhando de braços dados no inverno do Brooklyn. Lindo!

Esperando, a.n.s.i.o.s.a. a quinta temporada, torcendo para Hannah não voltar com Adam. Nunca mais.


Bisous.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Livro de Colorir - It's fun to lose and to pretend



Livros de colorir. O que pensar sobre livros de colorir para adultos? Nada. Se você quer e pode comprar, compre, porque ninguém pode te dizer o contrário. E se você quer pintar, porque é bacana, porque é lindo (é de colorir, né?), é feliz, é divertido e te faz super bem; compre, seu lindo. Afinal, ninguém pode te impedir. Mas não venha com essa lenga lenga que a gente não pode achar ridículo, porque a gente acha e acabou.

Admitam, a maioria esmagadora dos coloristas de livro de colorir acha que é artista plástico. O que tem de fofo postando no Instagram "olha o que eu fiz", "finalizei meu desenho". Não, criatura, você não desenhou nadica de nada, você pintou. Apenas.

Engraçado é que eu, que me chamo de Coloriste, que desenho, não tenho o menor saco para esses livros de colorir, porque já me dá tanto trabalho criar e desenhar. Na verdade eu sinto uma preguiça imensa disso tudo, que me parece muito vazio, como vazio está o mundo.

As pessoas que colorem mandalas e jardins secretos (até ficarem vesgas) simulam que são algo que não são, se debruçam nos livros de colorir e acreditam que estão sendo criativas, quando na verdade estão apenas preenchendo vazios de contornos que outros desenharam. Entendem?

Por que a gente compra livro de pintar pra criança? Para que ela desenvolva coordenação, concentração e outras noções, que devem ser estimuladas na primeira infância. Geralmente são estimuladas de maneira completamente equivocada, o que cria um bloqueio e uma frustração do tipo, não consigo pintar dentro do tracejado, cacete. Pois é, eu passei por isso. Até quando entendi, já na adolescência que professores de artes são alienígenas do mal (os meus, ao menos), então passei a ignorá-los.

Agora, por que adultos estão comprando livros de colorir? Talvez para sanar essas frustrações, para ter o seu momento Monet, e as redes sociais estão aí para a gente exibir, todos os nosso feitos, tipo pintar todo o jardinzinho encantado. Eu só acho - apenas acho - que vídeo-aula no Youtube ensinando como pintar, com regras (f.u.c.k.i.n.g - r.e.g.r.a.s) é o cúmulo. 

Toda vida que passo por uma pilha de livros de colorir na Saraiva, a vontade de dar uma voadora é forte, mas eu me controlo e vou colorir meu livro do Pequeno Príncipe. Brinks, sento e tomo um expresso mesmo. Cada um com seu jeito de desestressar.

Inté. 

Imagem: Roy Fox Lichtenstein.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Solilóquios modísticos



Vez ou outra sinto um pouco de falta de como era essa coisa de blog antes, na verdade os blogs de moda, ao menos os mais 'serinhos', geralmente escritos por gente de dentro do circuito das modas: jornalistas e afins, estilistas em começo de carreira e gente metida com alguma leitura, mas com senso o suficiente para saber que não era um profissional do ramo, tipo euzinha.

Daí tinham os outros blogs de moda, das moças ricas e bem nascidas, que exibiam seus guarda-roupas grifados, os tais achadinhos em brechós de Buenos Aires e Paris, que começaram um estilo próprio de blogar, basicamente exibindo sua vida de glamour, que lhes rendeu e rende mais dinheiro do que já tinham, simplesmente por serem ricas e exibirem sua riqueza. Ah, o capitalismo rs. E como ganharam mais dinheiro? Através de publicidades e patrocínios - as parcerias - até virar uma espécie de marca. Daí veio o fenômeno das cópias sem noção, um mundo de meninas copiando essas blogueiras, desejando status. Agora esfriou um pouco, a moda é o vlogger de qualquer coisa, que pode ou não dar certo.

Essa semana teremos alguns posts modísticos, das últimas semanas de moda, só para variar um pouco e relembrar nosso passado de resenhas das modinhas do tempo do Reverbera. Nada de mais, nada sério, super pessoal e imagético. Ou seja, o de sempre rs.

Bisous.

Imagem: Giambattista Valli Couture Fall 2015.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Coca light, Naftalina e Band-aid da Hello Kitty


O Facebook às vezes funciona como um muro das lamentações, muitas vezes lamentações em relação a besteiras: eu engordei, minha vizinha não presta, minha amiga gorda é fitness e isso me irrita. Coisas assim. Eu reclamo, por exemplo, de machismo, de pensamentos retrógrados e reacionários, de homofobia, de gente escrota em geral e, da falta existencial que sinto por não encontrar - de jeito nenhum - três artigos em Fortaleza:

Coca-cola light (não é a zero, é a light!);
Naftalina e;
Band-aid da Hello Kitty.

Sim, isso é duma besteira sem tamanho, mas eu gosto de besteiras, olha só, eu sou professora de Literatura, o que mais inútil e lindo do que Literatura pode existir? Com certeza é alguma outra arte. Uma conhecida me falou com todas as letras para que eu desistisse de ser professora, especialmente de literatura, porque ninguém quer aprender literatura, muito menos pagando. Mas não é?

O mais interessante é que eu encontrava todos esses produtinhos (que por sinal, não têm nada a ver um com o outro) muito muito fácil pela cidade de Fortaleza. Ok, Coca-cola light não era tão fácil assim, só em mercados como o São Luis e o Pão de Açúcar, mas naftalina e band-aid da Hello Kitty qualquer mercadinho de bairro de subúrbio tinha. E agora não, não encontro. Não encontro no Montese, que vejam bem, é um bairro que tem de tudo. Não encontro no Bairro de Fátima, no Benfica, no Centro, na Aldeota, no Jóquei. Não tem, gente.

E no Rio, ah no Rio, aí sim, qualquer mercadinho de bairro da Baixada Fluminense tem coca-light, tem naftalina e, band-aid da Hello Kitty.

E óbvio que exitem outras coisas legais em Fortaleza, como por exemplo refrigerante de caju São Geraldo, que eu simplesmente amo, mas eu sou louca do tipo Big Bang Theory e eu sinto falta dessas  outras besteiras. E olha só, eu andei bastante pela cidade, em fui em supermercados, em outros bairros, e não, não tem Coca-cola light em Fortaleza. Naftalina tem nos camelôs - Thank you, God - já band-aid da Hello Kitty vou ter que comprar online ou esperar a Renata enviar pra mim rs.

E seguem imagens da minha alegria besta no Rio.






Bisous.

domingo, 28 de junho de 2015

Sobre Paulos e Paulas



Desde sexta-feira que uma onda da cor do arco-íris varre as redes sociais, tudo por conta da decisão da Suprema Corte americana, legalizando o casamento entre homossexuais em todo o país. Sim, foi lá nos Estados Unidos, um país imperialista, em que o mercado é mais importante do que gente, óbvio que se sabe disso tudo e é claro que enxergamos todos os problemas. 

Contudo, a gente também sabe que é inegável, os Estados Unidos são ainda a maior potência do mundo, especialmente em termos de cultura, ao ponto de influenciar o comportamento mundo afora. Uma vitória assim, dessa magnitude, acontecendo justamente nos Estados Unidos, é uma grande vitória.

Mas para que saibam, se alguém que me lê não sabe ainda, aqui no Brasil em 2011 a união entre homossexuais foi equiparada a dos heteros pelo Supremo Tribunal de Justiça. Foi lindo, com pronunciamentos inesquecíveis, como o do ministro Ayres Brito. E ainda, em 2013 o Conselho Nacional de Justiça obrigou os cartórios a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja, o casamento igualitário é uma realidade em terras tupiniquins. Casais homossexuais têm direitos legais. Só falta virar lei, como acabou de acontecer nos Estados Unidos. E toda a comemoração é merecida sim, como já falei, trata-se de uma conquista e já estamos sob sua influência: #lovewins.

Sobre quem está reclamando, tentando minimizar a importância dessa vitória - porque né, existe a fome - são as mesmas vozes homofóbicas, fundamentalistas, carregadas de ódio, que acham que homossexuais são pessoas dementes, criminosas e pecadoras. São pessoas que acreditam que a sexualidade e a identificação de gênero são opções. Eu não discuto com gente assim. Mas infelizmente, tenho que conviver com algumas. E depois me perguntam como eu suporto viver com uma dezena de gatos. Gatos são criaturas adoráveis (como cachorros), que não odeiam ninguém por condição sexual e identificação de gênero.

Não me recordo de nenhuma fase da minha vida em que cultivei a menor homofobia. Sou heterossexual, criada por uma família bem tradicional aos moldes latinos e nordestinos; meu pai era um militar comunista, ou seja, machista. Mas não cresci numa casa em que se falava que gay tem que morrer. Metade da minha infância meus pais brigaram, e a outra, meu pai estava doente, até vir a morrer. Na adolescência, na década de 90, meus ídolos eram gays e a primeira voz da mídia a gritar contra a homofobia, Madonna, foi minha primeira grande inspiração.

Mas houve um fato na adolescência que me marcou para o resto da vida, que foi a morte da minha prima Paula, que nasceu Paulo, que foi expulsa de casa por ser travesti (na época ainda não entendíamos a condição transgênero). Paula lutou muito, sofreu muito, até ficar doente e ser tratada pelas amigas, também travestis. Quando morreu, a "família", que deixou Paula de lado por tantos anos, num último ato de desrespeito, vestiu Paula de homem para o velório: cortou seu cabelo comprido, não fez a barba, já crescida dos dias na UTI e lhe vestiram com roupas masculinas. Lembro-me especialmente das lágrimas de suas amigas e da indignação. Eu só tinha 14 anos, mas aquilo me doeu tanto, que chorei com elas, e fiquei ao lado delas, apesar dos protestos da "família".

Não, eu nunca fui homofóbica, nunca senti que havia nada de errado com homossexuais, só por serem homossexuais. Mas a indignação e a dor perante tudo o que passam, eu entendi e carrego comigo faz 24 anos, desde o enterro da Paula. Apesar de que parece que vivemos um período mais leve, acredito que pouco ou nada mudou dentro das pessoas. Existem tantas Paulas por aí. Não, o que mudou de verdade é que as minorias não querem mais calar e se esconder.

Mas sigamos, quem sabe um dia o amor vence de verdade, porque ele ainda não venceu.

Inté

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ei pessoinha


Decidi que vez ou outro escreverei por aqui alguma coisa - ou coisas - que me deixam chateadinha. Não que eu não tenha com quem conversar, eu até que tenho, meus erês e amigos, poucos amigos porque eu sou um Sith, mas eu tenho um blog e né, para que serve um blog? Alguns podem responder que blogs servem para a pessoa se exibir, ganhar brindes e/ou parcerias, mostrando como seu recorte de vida é super interessante (ou não, na maioria das vezes) e eu respondo que também é isso, mas que no meu caso não, o meu bloguito é para a minha tagarelice e ranzinzice.

E a minha razinzice de hoje é em relação a uma pessoinha, do meu passado longínquo, que inventou de ser minha amiguinha virtual, no facetruque, mas que nuncanunquinha foi minha amiga no mundo real. Pelo contrário, essa criatura é uma das pessoas mais horrorosas que já tive o desprazer de conhecer e eu vivi todos esses anos sem contato com tamanha prática nefasta, até que ela me encontrou. 

E por que você aceitou, fia? Pra vê coé, cara. Afinal, lembrem-se que morei no Rio e peguei ao menos um pouco da manha carioca, de perscrutar, coisa que cariocas fazem super bem. 

Sei que essa persona tem um determinado interesse, por isso quer me ter, de alguma forma, por perto. Mal sabe ela que nunca estivemos tão distantes, cada vez mais distantes, uma distância que eu diria, abissal e sem a menor possibilidade de aproximação. A criatura está ainda pior do que eu me lembrava. Preconceituosa, cheia daquela visão pseudo-cristã equivocada (porque o cristianismo é muito bonito, e não é isso que essas pessoas pregam, esse ódio sem fundamento) e vazia. Essa pessoa me dá gastura, tanta gastura, que venho apagando sistematicamente todos os seus comentariozinhos em minhas publicações. E cada deletar que clico possui em si muita vontade de que essa pessoinha entenda a mensagem subliminar, de que não tem condições, tipo, nenhuma, de qualquer aproximação comigo ou qualquer pessoa ligada a mim. Ou seja, o interesse que ela tem é impossível.

Desconfiômetro deveria vir de fábrica.

Inté.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Escrava Isaura e o vampirismo



Salvo engano, foi o primeiro livro de literatura que li sem versões adaptadas. A bem da verdade, acredito que nem tive contato com versões adaptadas durante o colégio. O mais perto disso, que não era perto, foi a maravilhosa e saudosa Coleção Vagalume, a primeira versão de paradidáticos brasileiros, que são livros feitos para se ler durante a escola, com temas que se aproximassem do público alvo, adolescentes do ginásio e segundo grau, o nome antigo para fundamental e ensino médio.

O livro é chato. Eu acho chatinho e não, eu não sinto pudores em falar que acho sim o livro de Bernardo Guimarães um porre. Aquela escrava "branca" criada como uma criatura perfeita, como fidalga, sofrendo a perseguição do Leôncio do capeta, ai que saco. Contudo, é um livro essencial de nossa literatura, porque marca bem os hábitos e concepções românticas de alguns autores, tal quais Bernardo Guimarães.

E as novelas? Assisti as duas versões, a da Globo com e a da Record. SPOILER: No livro o Leôncio tira a própria vida, diferente da novela que inventam um assassino, para acentuar a dramaticidade  coisa e tal. 

Na imagem uma versão no mínimo desrespeitosa, mas engraçada: A Escrava Isaura e o Vampiro. Sinto uma certa curiosidade mórbida em relação, não posso negar. Um dia haverei de ler e sei que odiarei rs.

Bisous.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

100 Unhappy Days #14








82. Uma greve de ônibus, do nada, e daí não tem como voltar para casa e ninguém em casa atendia o celular. Difícil.

83. Eu sinto ÓDIO de gente grossa, mal educada e burrinha/ignorante. Dia desses fui atrás de comprar canetas Posca, uma marca de caneta marcador bem bacana, mostrei por aqui já. Encontrei na CD MAX e numa loja atacadista do Centro. Tudo bem. Com o exceto de que na CD MAX custou 10 reais mais caro cada caneta(!). Mas o problema foi que eu pedi uma caneta P/ó/sca, com o /ó/ aberto. E tanto a vendedora da CD Max, quanto o vendedor da outra loja do Centro (que eu, obviamente, não lembro o nome) me corrigir. E eu fiquei assim, tão incomodada, porque passei pela mesma coisa no Rio, quando ainda estava com o meu sotaque da costa norte (vulgo cearensês) intacto e pedia um jornal /É/xtra e me corrigiam para /Ê/xtra. Até que eu me enraiveci e dei uma aulinha básica de variação pré-tônica e preconceito linguístico, aulinhas essas que estão guardadinhas, na ponta da língua, porque eu darei uma passadinha básica nessas lojinhas com vendedores cheios de pseudo verdadinhas (Não, eu não tenho o que fazer!). Mas olha, enfrentar isso aqui, na minha terra, é OSSO BRASIL. Ah, e além das questões de variação diatópica, a diaba da caneta é inglesa e se pronuncia Pósca mesmo, com 'p' aspirado e tudo, ou seja, estou certa em todas as perspectivas. 
{postei isso no meu perfil no Facebook} 

84. Uma pessoa que eu conheci pela bloguelândia modística comentou um post/status no tal Facebook de uma maneira, querendo ser legalzinho, mas acabou sendo bem desgradavelzinho. Eu sei que a gente está na internet para se expôr, que esse tipo de coisa acontece, mas véi, na boa. Ninguém pediu a sua opinião. Não gostou, ignora. 

85. Descobri que iria fazer um concurso na pqp e isso é tão desestimulante. 

86. Um dia de chuva, abro a bolsa e descubro que a sombrinha não estava lá. Ok. Começou a chover. O ônibus chega, que bom. Mas daí está chovendo dentro do ônibus, que de tão velho tem buracos e as janelas não vedam e escorre água e mais água, quase em cachoeiras. Aí você quer fazer greve junto com o pessoal do transporte público da cidade.

87. Um gato arranhou meu rosto, a boca e daí me deu uma alergia , tipo uma herpes no cantinho. Horrível. Filho de quenga.

88. Uma pessoa que já me fez muita raiva, que eu meio que desprezo passou por mim e me chamou de: Betinha. Sem deboche, querendo fazer o amiguinho, depois de me azucrinar. Olha, eu passei ferro nas tábuas dos mandamentos.

Imagens: Fantástica Fábrica de Chocolate antiga, gosto bastante, mas não desprezo a versão do Tim Burton; How I Met your Mother; Curtindo a vida adoidado; De Volta para o Futuro; Breaking Bad *_*.

Bisous.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Hey. Wait, I got a new complaint



Frances Bean Cobain, que tem a quem puxar, deu uma entrevista para a revista Rolling Stones em que meio que desdenhou do Nirvana. Ela prefere coisas como Oasis. O.a.s.i.s. 

A entrevista, que primeiro li em pedacinhos no site Petiscos, e depois fui procurar na íntegra para ver se não estava fora de contexto, é ainda pior na íntegra do que nos retalhinhos petisquetes. Tem um ar de desdem, que não fica só no subentendido das entrelinhas, mas nos pressupostos de tudo o que foi declarado por essa garotinha de 22 anos, que se acha profundamente madura para ficar por aí soltando juízo de valor negativo sobre um mito, que por acaso é seu pai.

Posso até entender que, em vez de ter o ídolo Kurt Cobain, líder da banda que modificou o cenário musical a partir dos anos 1990, influenciando coisinhas barulhentas e legaizinhas, como Oasis, ela preferiria ter o pai, e apenas isso. É perfeitamente aceitável. E bonito. E triste, tudo junto. Heart shaped box.

Mas existem maneiras e maneiras de se lidar com a dor. Não vejo como algo bacana e natural lidar com a dor sendo babaca, com eterno ar de fuck off todos vocês que conheceram meu pai, amaram meu pai, consideram meu pai um ídolo. Fuck off a maior banda dos anos 90, a banda que mudou a música e que já era isso tudo antes do Kurt Cobain morrer, porque já era, eu vivi a época, eu sei.

Frances Bean só é Frances Bean, só tem uma voz, por causa do pai, que por acaso era o vocalista da banda que ela não gosta, preferindo Oasis (imagine o tanto que Kurt sentiria asco dos Gallagher? - não me entendam mal, eu gosto de Oasis. um pouquinho, ao menos). Qualquer outra conjectura cairia na máxima da minha querida Vera Queiroz: e se ela fosse um camundongo?

Frances Bean, que não dá a mínima eternamente para nada, possuída por um tédio eterno de 22 anos. Frances Bean, que eu não dou a mínima.

 Inté.


quinta-feira, 19 de março de 2015

100 Unhappy Days #14



75. 
Ausencia.

Sentir falta é muito difícil. Imagine sentir falta de alguém que não voltará. Não há o que ser feito, não há a quem recorrer, apenas não há. Não há jeito, não há choro e não há remédio para o sentir falta. A gente simplesmente tem que deixar curar para que fique uma cicatriz que apenas lateje a saudade daquele que se foi.

Inté.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

100 Unhappy Days #11


72. 
O Unhappy está muito fácil por aqui, porque os dias continuam total Katia cega, não estão sendo fáceis. Complicações, tensões, ansiedades, coisas que não se resolvem, dificuldades, medos, ou seja, toda uma série de malfazejos que indicam a necessidade de ansiolítico. Não, eu não acho isso legal. Porque não é legal não conseguir dormir de ansiedade. Porque não é legal não conseguir esquecer os problemas e tudo o que te angustia nem por um segundo, nem tomando um sorvete. Porque não é legal não ser dona e senhora das suas emoções.

E é óbvio que quando estou assim, muito bem, vou assistir David Lynch.

Inté.

Imagem: Mulholland Dr.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Oscar 2015


Há mais ou menos oito anos, acompanho os red carpets e cerimônias de premiação com um olho na transmissão na tv, e outro no twitter, meu amor antigo tweet-tweet, só que eu confesso, estou quase enjoando. Na maioria das vezes é divertido, mas sempre acontece alguma besteira que me aborrece.

Ontem foi alguma coisa em relação ao saudoso José Wilker, algum comentário desnecessário, grosseiro, demonstrando alguma satisfação com a sua morte (pois é), reclamando do seu gosto por cinema de arte. Bem, o cara era artista, estudioso de cienma, um dos nossos maiores atores. Por que será que ele gostava de cinema de arte, né? Eu, particularmente, acho a apreciação do cinema de arte, tão esquecido, meu Deus do céu, é algo lindo e necessário, e esperado, especialmente dum artista da área. É pra gostar de quê? X-men? Meu povo, melhore.

E eu me emocionei em vários momentos do Oscar, gente. Achei linda a apresentação da Lady Gaga, as falas do Simmons, da Arquette, a emoção de Julianne Moore, Iñárritu homenageando os imigrantes latinos e o Keaton e a apresentação da canção Glory, que foi de arrepiar. Outro momento boring do Twitter, o povo reclamando da "chatice" do Oscar. Como assim chatice rs?

A cerimônia, apresentada por Neil Patrick Harris, mostrou-se logo de começo diferente. NPH praticamente iniciou a sua fala chamando atenção para a falta de indicação de artistas negros nesta edição do Oscar, que tinha entre os filmes que concorriam em alguma categoria, Selma, sobre Luther King, que por sinal não foi indicado a melhor filme sei lá o motivo. E é um ótimo filme, o melhor sobre Dr. King que já assisti. E as alfinetadas contra o suposto "esquecimento" da academia duraram toda a premiação. Mas, não se deixem enganar, o discurso foi ensaiado, foi a Academia fazendo um mia culpa. É bonito, mas fica só na boniteza.



Para mim em especial houve um momento tenso, o anuncio de que Lady Gaga faria uma homenagem a Sound of Music, interpretando a própria Sound of Music, eternizada na voz cristalina de Julie Andrews. E confesso que senti um arrepio da nuca ao dedinho do pé. Mas foi lindo, gente. Gaga parecia uma musa do cinema antigo e o vestido da apresentação estava lindolindolindo. Confesso que me emocionei quando apareceu a própria Julie Andrews *_*! É tão bom se surpreender nessa vida.

Mas os momentos que mais me alegraram foram as falas dos vencedores na categoria ator e atriz coadjuvante. A fala fofa de Simmons de Whiplash, pedindo para lembrarmos dos nossos pais, especialmente numa cultura que prega o desapego aos pais, como é a cultura americana, foi muito corajoso e tocante. E, o discurso reenvindicando direitos iguais no cinema para as atrizes, na voz de Patrica Arquette de Boyhood (único Oscar do filme).

Os premiados.

Melhor filme: Birdman {acertei}
Melhor diretor: Alejandro Gonzáles Iñárritu (Birdman)
Melhor ator: Eddie Redmayne (Teoria de tudo) {acertei}
Melhor Atriz: Julianne Moore (Para sempre Alice) {acertei}
Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons (Whiplash) {acertei}
Melhor Atriz coadjuvante: Patricia Atquette (Boyhood) {acertei}
Melhor roteiro original: Birdman
Melhor roteiro adaptado: Jogo da Imitação {acertei}
Melhor filme estrangeiro: Ida {acertei}
Melhor animação: Big Hero
Melhor fotografia: Birdman {acertei}
Melhor maquiagem: Grande Hotel Budapeste {acertei}
Melhor figurino: Grande Hotel Budapeste {acertei}
Melhor design de produção: Grande Hotel Budapeste {acertei}
Melhores efeitos visuais: Interestellar {acertei}
Melhor canção: Glory, Selma {acertei}
Melhor trilha: Grande Hotel Budapeste {errei, mas fiquei feliz rs}

Este ano não acertei tudo como ano passado, mas acertei treze palpites de dezessete, então né? Pois é.

Achei um absurdo Big Hero ganhar na categoria melhor animação. Para começar, Como Treinar seu dragão tem história, como falei na minha postagem sobre os Globos de Ouro, Como Treinar seu Dragão é daquele tipo de animação muito muito boa. Em termos de técnica de animação, não há nada de mais, só que em termos de história e conteúdo a conversa é outra. Baseada na série de livros homônimo - que eu super recomendo, é divertido, é rico e tem profundidade, não é só bonitinho. Como não amar Toothless (Banguela)? Apesar do fundo fantástico, com dragões alados na era dos vikings, no âmago da história a gente vê que Como treinar seu dragão fala de amizade, de família e de crescer, que às vezes dói. As relações estabelecidas entre pessoas queridas e toda a complexidade dessas relações. Inclusive a perda.

 E eu nem preciso falar da Princesa Kaguya, né? Porque era simplesmente a melhor animação concorrendo. Espero que não me venham aqui reclamar que Lego não estava concorrendo, e não deveria mesmo concorrer, a qualidade técnica não dá nem pra tentar concorrer com Big Hero, menos ainda com Kaguya, todo feito a mão. E, vamos lá, Big Hero ganhou porque é Disney e a Disney é a cara dos Estados Unidos, é um patrimônio. Enquanto a Academia puder deixar suas estatuetas (e dinheiro) com os indicados que são a cara de Hollywood, ela deixará. E, um filme baseado numa série de livros noruegueses e uma animação japonesa, definitivamente, não são a cara de Hollywood.

Inté.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

100 Unhappy Days #10








65. Discussões por Grammy que Madonna é um fracasso, que Beyonce é musa, que Nikki Mijada Minaj é musa, que Sia não tem talento. Saco. Como disse Morrissey à época da premiação em 2013: "Whether it be Beyoncé or Justin Bieber, we see singers who have absolutely nothing to offer anyone as they walk off stage clutching three Grammys in each hand."

(Tradução minha) "Quer se trate de Beyoncé ou Justin Bieber, vemos cantores que não têm absolutamente nada a oferecer a alguém e como andam fora do palco, segurando três Grammys em cada mão."

Amen.

66. Assistir Little Princess me faz muito bem, mas automaticamente me faz lembrar de duas coisas que me fzem meio que mal, uma lembrança antiga e uma lembrança recente. A antiga, meu pai que me contava a mesma história das bonecas, de que quando não olhamos nossos brinquedos tomam vida.É uma lembrança feliz e triste ao mesmo tempo. A segunda é a época da minha separação, em que o ex-respectivo queria que eu arranjasse um emprego do nada, que estudasse para um concurso público nada a ver comigo e com a minha índole para um momento normal, quiçá num momento em que o minha vida estava desmoronando. Daí que me vi como a Sarah, quando a Miss Mincher conta que seu pai havia falecido. Vou associar Miss Mincher ao meu ex e rir disso tudo.

67. Álbum de Família. Outro filme que despertou um mim uma série de sentimentos. Um filme incrível e muito difícil. A cena de Violet contando sobre as botas marrom reluzentes que sonhou ganhar de natal, para combinar com as botas marrom reluzentes do seu primeiro amor. E sua mãe colocou num pacote com um lindo papel de presente, botas de homem velhas, furadas e sujas de esterco, e riu de Violet por semanas. Daí eu lembrei que minha mãe - com quem tenho muitos muitos problemas - me deu no meu aniversário de 1990 um all star, que eu havia pedido durante dois anos inteiros, mas meu pai havia morrido e estávamos sem dinheiro. Eu me senti mal, porque de repente as pessoas que achamos que são más e ordinárias, não são tão más e ordinárias.

68. Eu me perdi indo para o Campus do Pici. Enlouqueci e entrei numas de que o ônibus Campus do Pici- Unifor era um ônibus que circulava no terminal da Parangaba, que funconaria como um atalho pra mim. Só que o ônibus passa pelo Benfica, Avenida 13 de Maio. Alguém me interne, por favor. Bem, passando por várias informações erradas, porque fiscal de Terminal de ônibus é uma existência complicada, pegamos o ônibus Parque Universitário que nos leveou para a parte de trás do Campus, no meio da Favela Planalto Pici. Cagaços depois, andando cerca de 30 hectares, conseguimos. 

69. Corrigir redação não é de Deus, Fico imaginando como fica a cabeça dos corretores do Enem (oi, seus lindos) após corrigir milhares de redações, porque eu que corrijo apenas algumas centenas sinto-me um pouco retardada, de tanta asneira e descosntrução da língua portuguesa que passa pelos meus olhos (tipo "estrumamento").

70 e 71. E mais um dos meus gatinhos está doente. É sempre muito sofrido, difícil.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

The girl with the thorn in his side



Organizando e procurando os blogs que eu gosto de ler para, finalmente, editar a lista de links do blog (assim como as outras páginas) descobri que mais um blog querido se foi, o Hello Lolla. Conheci o blog em meados de 2008 e de lá pra cá sempre o procurava para ler e me sentir inspirada, mexida e por vezes incomodada (sim, por que não?) com as postagens. E daí que hoje, no endereço do blog, há uma senha. Uma pena, porque é dos poucos blogs incríveis em língua portuguesa. Uma merda, porque fez com que eu relembrasse do porquê encerrei o Reverbera, querida.

Acho que eu nunca contei abertamente o que me fez parar de escrever lá no Reverbera, querida (que ainda continua no ar, apenas não é mais atualizado). Foi porque me separei. E por quê? Usando vocês como terapia...

Antes do Reverbera, eu escrevia um outro blog, Nights with Violet Skies. Publicava pretensos textos literários, acadêmicos e meus desenhos. E acontece que sempre algo de minha autoria lá do Violet Skyes era utilizado em outro blog, sem a minha permissão. E eu me aborreci e deletei, sem salvar nada. Fazia pouco tempo também que meu gato Mingau havia morrido, depois de meses de muito sofrimento com insuficiência renal. Deixei de falar com amigos por escrotidões minhas, deles, alheias. Toda uma convergência ruim em minha vida. 

Pouco tempo depois disso tudo, conheci uma pessoa, e essa pessoa se tornou meu noivo. Aí, inspirada pela Constance e por um outro blog muito lindo (duma conterrânea) criei um blog diário de noiva, que era o Reverbera. Acontece que mais rápido do que deveria, o noivo virou marido e fomos morar no Rio. O blog se calou enquanto minha vida se reajustava. Meses depois voltei e o Reverbera voltou com outra voz, mais polissêmica, não só versado em noivices. E foi assim, até uma separação muito dolorosa e feia em 2013, que me fez pôr fim ao Reverbera. Mas acontece que eu queria muito bem a um monte dos textos que escrevi por lá, e sei que vocês também queriam, então o deixei por aí. Às vezes ele é muito mais acessado que o Solilóquios, mas eu não ligo ;).

O Solilóquios nasceu da minha vontade de não me calar, de mostrar que ainda estou aqui, da minha teimosia e verborragia, que algumas pessoas não entendem e outras gostam tanto.

Inté.

Imagem: Mozy falando por nós. As usual.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

100 Unhappy Days #9









58. Um grupo de idiotas estava maltratando uma gatinha filhote lá no Campus do Pici. Fui lá e a resgatei. Como foi no dia da matrícula do meu filho num certo curso aí, a gata levou o nome de Gaia.

59. Eu chorei na Tok&Stok. Fazia tempo que não ia a uma das lojas, desde o Rio, desde quando minha vida era outra. E me fez lembrar minha antiga casa e vida e tanta coisa se passou que me apertou o coração. 

60. Eu sou a pessoa que consegue simplesmente escolher o pior sabor de sorvete da 50 Sabores. Tipo, tangerina. Eu amo tangerina, mas aquela bola de sorvete gigante que só falta não acabar, na variação eterna entre o azedo e o doce, fazendo todas as papilas gustativas reagiram e criaram bilhões de rugas no seu rosto. Essa sou eu.

61. Uma atendente ruim das lojas Americanas. Preguiçosa, folgada, desatenciosa. Uma atendente ruim das Americanas pode acabar com o humor da semana toda. Só quem já passou por isso sabe o que é uma atendente ruim das Americanas.

62. Reunião de pais e mestres, primeira do ano. Fui de salto 10 bico agulha que judiou de mim até eu desistir e tirar os sapatos, no pior estilo fim de festa. Glamour zero.

63. Eu criaria 20 filhas mulheres e nenhum filho homem de novo.

64. Noite mal dormida, muita. Mais uma. Daí o que eu faço? Asleep.

Bisous.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Os piores livros da minha vida


Por conta dos escritos sobre 50 tons de nojo, ate agora recorde de visualizações do bloguito, resolvi trazer para cá (com adendos) um post do meu antigo Reverbera, querida!, Os piores livros da minha vida.

***



E essa será uma daquelas postagens enormes, cheia de causos e estorinhas da minha vida, então há de se ter vontade de ler e paciência. Deixo cá o aviso porque, infelizmente, creio que não só quem gosta de me ler aparece por aqui (e lê tudo), mas sim aquelas pessoas que nutrem mágoa de caboclo por minha persona e sei lá por que afecção nervosa debilitante das faculdades mentais. 

 Pedirei ainda para que ao menos tentem não se melindrar com a minha opinião, caso eu descasque algo muito amado por vossas mercês, mas é porque me falta paciência. Fora que né, isso aqui é um blog pessoal, escrito, via de regra, em primeira pessoa. Faço esforço para que não se transforme no depósito das minhas escrotidões, cultuo a fofurice e respeito quem me lê. Então vale a recíproca, né? 

 1. (esse 1 se subdivide) Começando sem enumerações, para deixar aqui o meu profundo abuso desse pseudo sub-gênero Chick Lit, do pseudo gênero literatura feminina, ficção feminina. A crítica feminista (que tem e não tem, ao mesmo tempo, relação com o Feminismo) é sim uma corrente de estudos presente nos principais centros acadêmicos literários e que corta um dobrado pra ser aceito e reconhecido, porque tenta decifrar o que seria código feminino, olhar feminino em literatura. Não é falar sobre coisinhas de mulher. Seria essa mulher, enquanto entidade, se decodificando, se expressando. É o farol da Virginia, é a barata da Clarice e não a baboseira superficial da mulher moderninha de Bushnell. Por mais que eu goste de Sex and the City (a série), não dá. Tudo lixo editorial, esvaziador, emburrecedor e reflexo de como a falta da literatura de verdade está nos conduzindo para o nada, para pessoas vazias, sabe como? Uma coisa é leitura de fruição (vão ler Marion Zimmer Bradley), despretensiosa, outra é porcariazinhas como esse Diário da Princesa. E tudo vira filme ou série pra tv. E sim, eu gosto da Bridget Jones, mas o filme, porque me divirto com as brigas do Hugh Grant e Colin Firth. E acaba aí. Churume: Candace Bushnell, Marian Keyes, Meg Cabot, Helen Fielding, Lauren Conrad, Candy Emily Giffin. Não sei qual é a pior. 

 2. Os quatro livrecos da Stephanie Meyer estão na lista dos 10 piores livros já escritos, sendo que Crepúsculo foi escolhido como o 'péor'. Realmente a serie é um cocô de porco doente. Contudo, acho Amanhecer uma das piores coisas que já tive o desprazer de repousar meus olhos cansados. Já não bastasse o parto à dentadas, tem o ato sexual dos personagens principais, obra (em todos os sentidos em língua portuguesa) de um cérebro débil, de uma adolescente punheteira que não entendeu Anne Rice. Só o fogo resolve. Adendo: escrevendo sobre 50 tons de abuso lembrei da coisa do imprinting entre o lobisomem e a criança híbrida, que tem um ranço de pedofilia absurdo.

3. A primeira vez que li Paulo Coelho nada sabia da sua má reputação entre a crítica literária, entre intelectuais, etcetera coisa e tal e anos antes de entrar para o curso de letras. Apenas soube que era um escritor brasileiro, que exercitava escrita fantástica/maravilhosa, que eu particularmente adouro. Então li Paulo Coelho com o olhar ingênuo, querendo me divertir, com um mundo de boa vontade. E dei com os burros n'água. Na verdade afoguei meus burrinhos todas as vezes que tentei ler algum livro desse senhor. São péssimos. Pretensiosos, mal escritos, bregas, lugar comum, cheio de respostinhas e moralzinhas ao sabor místico da vez. O horror. 

4. Não sinto qualquer simpatia pela escola Naturalista. E entrando de sola, na verdade eu odeio mesmo. Nojo. O Zola foi assassinado após J'accuse e às vezes me pergunto se alguma encarnação minha estava ali no meio, talvez por isso eu esteja aqui expurgando os meus pecados, cercada de leitores de Marian Keyes. Voltando. Contudo, o livro naturalista que mais odiei na vida foi a Normalista. Basicamente é a história duma colegial que é abusada pelo padrinho-tio, engravida, é escondida e vai parir a criança em pé feito índia, daí a criança cai com o quengo no chão e morre. Discutindo o enredo com alguns coleguinhas professores, eles não conseguam entender como isso era caricato e insistiam que era bom e, moderno. Véi, na boa. Ah, eu acho Adolfo Caminha seboso. Detalhe: lerei Adolfo Caminha com meus aluninhos.

5. E acabo de incluir os 50 tons de cinza (nojo, abuso, asco) pelos motivos descritos aqui.

 E acho que esses são os meus ódios em termos de subliteratura, com exceção do Naturalismo, que eu odeio, mas que né, o fato de que odeio não o retira do lugar a que pertence, que é a literatura sim. Um adendo: na verdade o termo e a ideia subliteratura, para os estudos de literatura moderna, não são aceitos ou seja, todo esse mói (cearês = monte) de malfazejo é literatura no sentido que é registro de expressão humana escrita, littera. E na verdade, a prória literatura em si, o que é, como assim, é discutida. Mas ovo podre é ovo podre, até para os chineses (eles comem ovo podre). Pois é, entendo e não aceito. 

 Inté. 

 Imagem: Sylvia Plath te despreza.

100 Unhappy Days #8









50. Ansiedade. Eu realmente deveria voltar a cuidar dessa minha ansiedade que está quase que começando a prejudicar a minha vidinha.

51. Clima estranho num ambiente que já não é assim, essas maravilhas. Imagine um lugar onde se deposita uma certa dose de concorrência desnecessária, um pouco mais de fofoca e intriga e acrescente mais tensão. Imaginou? Legal, né? #sqn

52. Todas as minhas unhas quebraram. Eu disse: todas.

53. Tive a certeza absoluta que barato sai caro.

54. Eu tenho dificuldades em lidar com gente travada feito uma porta. Não dá. Não consigo. Mas eu tenho que conseguir. E com sorriso no rosto. Não posso deixar transparecer que a pessoa é uma energúmena, mas é tão difícil, meu deus.

55. Comecei a me sentir muito muito mal. Sofro dum certo mal estar que vez ou outra me assombra. E de novo, não há nada ruim que não possa piorar.

56. Ter que sair se sentindo mal. Imagine então ter que ir a uma reunião daquelas bem chatas, em que nada se resolve e ainda por cima, passando mal. Ah, e cercada de gente que, em sua maioria, não está nem aí. Não recomendo.

57. Acho que Petit Prince não virá para o Brasil em francês. Só em inglês e português. C'est drôle.

Bisous.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

50 tons de cinza (abuso)



Faltam dez dias para a estreia do filme 50 tons de abuso cinza baseado no livro homônimo. E daí que eu acabei de entender que a tranqueira estreará dia 14 de fevereiro, valentine's day, ou o dia dos namorados (12 de junho é só aqui, ok?). E isso é um absurdo. É revoltando e me dá asco.

Até já comentei alguma coisa com algumas pessoinhas, por conta do fenômeno fanfic, que, de certo modo, acho bacana, porque trouxe à tona uma geração que lê muito. Não necessariamente lê bem. E escreve, inspirado pelos ídolos, geralmente escritores YA. E o tal dos 50 tons de abuso cinza é uma fanfic da série de livros dos vampiros fadinhas, digo do Crepúsculo da Stephanie Meyer. E eu nunca pensei que eu diria isso, mas eu prefiro Crepúsculo e seus vampiros fadinhas.

 E eu li as duas séries. Da Stephanie Meyer eu li os três livros. Já da E. L. James, vulgo autora da outra série, confesso que li os dois primeiros. E o segundo eu li superficialmente, porque simplesmente não consegui terminar. Asco, sabe? Confesso ainda que já estava com asco desde o primeiro livro, que apresenta Anastasia e Mrs. Grey.

Eu posso afirmar que sou filha da contra-cultura, que tive meu quinhão de experimentações, não sou puritana, contudo, 50 tons de abuso cinza me incomodou profundamente. Além de todos os problemas com a coisa da submissão, da humilhação, da leitura desvirtuada das práticas de sado masoquismo (que me incomoda. é a minha opinião) a leitura me deixou um ranço, um amargo que eu não entendia muito bem, até ler um artigo que relacionava a história do livro à pedofilia. Aí aquela coisa que me incomodava tomou forma e me fez muito mal.

50 tons de abuso e agora sem o cinza. Sim, abuso, o livro fala de abuso de um homem mais velho, que é sempre descrito como "poderoso", contra uma menina, que é apresentada no livro com apenas 21 anos, ou seja, maior de idade, mas que sabemos, foi inspirada na personagem de Crepúsculo, Bella, que tem quantos anos mesmo? Entre 16 e 17. E na verdade, Bella soa muito mais pueril. Não sei onde, mas li que Crepúsculo parecia o diário de uma adolescente idiota, cujos hormônios estão explodindo, como se uma menina de 13 anos estivesse por trás da escrita. É quse a mesma sensação em 50 tons de abuso cinza, só que piorada.
Adendo: fora que até em Crepúsculo já tem algo de muito estranho naquele imprinting com um bebê. Pensando bem, eu não prefiro Crepúsculo porcaria nenhuma.

Mas voltando.

E na verdade, Anastasia parece muito muito mais jovem em sua psiquê. Virgem, intocada, quase imaculada, beijara apenas dois rapazes. E só. Algumas vezes a melhor forma de se esconder alguma coisa é deixar à vista. Como mencionei, Anastasia não tinha nenhuma experiência sexual. Nenhuma. Inocente.  A narrativa, que é a voz da Anastasia conversando com o leitor, é a voz de uma menina. É inconfundível. Há muito pouca maturidade emocional e absolutamente nenhuma maturidade sexual. Ela é seduzida por este homem, da mesma forma que um pedófilo seduz uma criança. Estamos lendo a sedução de uma menina por um pedófilo. Ela é quase completamente impotente. Ela é ingênua até mesmo para uma adolescente, e certamente muito mais ingênua do que uma estudante universitária. Ela é incapaz de sequer tomar as mais simples das decisões do dia a dia e deve ser dita o que fazer por seu agressor, e este por sua vez gasta muito tempo e esforço convencendo-a de que isso é realmente o que ela quer. Nojo.

Estamos lendo pornografia infantil. Remove a idade falsa da menina, que não tem base na realidade, e o que estamos realmente a ler é o abuso de uma menininha.

 A personagem principal é descrita com tranças, seu vocabulário "holy cow" parece que saiu da boca do Bart Simpson. Não sabe operar um computador, mas é, supostamente, graduanda em jornalismo. Como? Descreve pula-corda e piruetas. Tem até um amigo imaginário, a sua "deusa interior". Sente vergonha, é espancada e banhada em óleo de bebê. Está sempre sobre ordens do que comer, do que fazer. E além de todas essas evidências, há o fato de que o personagem masculino, Mrs. Grey, é ele próprio um produto do abuso sexual nas mãos de um pedófilo. Sim, eu não li a trilogia completa, mas eu sei do que se trata. 

A menina cujos pensamentos ouvimos a medida em que é abusada, reconhece este aspecto do agressor, mas aparentemente é muito ingênua ou não quer perceber que ela continua esse ciclo de abuso, o que reforça a ideia de que ela é realmente apenas uma criança.

E você que leu 50 tons de abuso (sim, abuso!), e está na contagem regressiva para lotar os cinemas nesse novo e nefasto fenômeno mundial, procure ajuda. Sério e por favor.

Até mais. 

Imagem: Mãe morta de Munch.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

100 Unhappy Days #7







43. E quem estava doente morreu. Fazia muito tempo, lutava contra enfermidades, vivia há muito uma vida pela metade e a razão fala que descansou. Pois é, mas acontece que lidar com a morte nunca é fácil. Como perdi meu pai muito cedo, mas numa idade em que eu entendia exatamente o que estava acontecendo, sempre estive às voltas com a morte. E eu confesso que nunca me acostumei a perder as pessoas. E sempre que alguém próximo morre, revivo o dia que meu pai morreu.

44. Insegurança. A sensação de não saber ao certo o que vai acontecer, depender da resposta de alguém. É muito ruim.

45. Já passei por muita coisa na vida, mas nunca me vi num patamar de sabedoria  para julgar sicrano ou fulano. Ou ainda, debochar do sofrimento alheio, porque sei lá, eu sofri muito e a vida não é fácil. Fazer pouco caso das dores, das preocupações e das angústias dos outros fala exatamente do caráter de alguém. A falta de caráter, na verdade. Lembrem-se crianças, um dia da caça...

46. Eu não gosto de carnaval. Eu sempre fui aquela criança amuada num canto do salão nas matinês do clube do bairro. Só gostava mesmo de juntar confete, porque eu achava bonito. Então gosto muito de nada que represente o carnaval, muito menso de banda de marchinhas de carnaval, com trompetes barulhentos. Imagine uma banda de marchinhas de carnaval dentro de uma papelaria nessa calor infernal. Imaginou? Inferno define.

47. Noticia ruim no trabalho. Eu até já esperava, mas é sempre desagradável.

48. Tive que levar os filhotes para o veterinário e optei por um táxi. O taxista era um verme desgraçado. Estou até agora rogando pragas. Pedi para desligar o ar, por causa dos filhotes que são sensíveis, ele se recusou com muita grosseira e ainda ofendeu meus gatinhos. Já disse, um verme.

49. Lidar com gente ruim. 
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