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quinta-feira, 19 de março de 2015

100 Unhappy Days #14



75. 
Ausencia.

Sentir falta é muito difícil. Imagine sentir falta de alguém que não voltará. Não há o que ser feito, não há a quem recorrer, apenas não há. Não há jeito, não há choro e não há remédio para o sentir falta. A gente simplesmente tem que deixar curar para que fique uma cicatriz que apenas lateje a saudade daquele que se foi.

Inté.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Jout Jout Prazer




Uma altura dessas todos vocês, seus lindos, já conhecem a Jout Jout Prazer, mas eu tinha que vir aqui e compartilhar!

Na verdade eu descobri Jout Jout ano passado, meados de 2014 e me diverti horas com os vídeos, que eram poucos ainda, mas perfeitos, muito autênticos e de verdade. Aquela garota bacana, maluca, sincera, que explica a vida de forma tão eloquente e escatológica. Amo.

Mas acontece que a minha vida estava uma merda uma confusão tão grande que esqueci de Jout Jout, deixei pra lá. Até reencontrá-la num abençoado compartilhamento do Facebookson no vídeo que aparece lá pra baixo, Não tira o batom vermelho.

Assistam Jout Jout, gente. Jout Jout (ou Júlia) que tem balões de Parati sobre sua cama antiga e maravilhosa. Jout Jout faz dancinha que virou hit internacional, presente nas melhores fertinhas (eu sei que é festinha), Jout Jout que come no Tio Barriga, que mora em Niterói. Jout Jout maravilha!

P.S.: Aqui em casa a gente super concorda com o youPIX (donde, inclusive, roubei o gif maravilhoso) que Jout Jout é nossa Lena Dunham. 





Bisous.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Eu ♥ Kombis



Como falei no outro post, tenho uma história afetiva com kombis. Sim, eu sou louca, eu sei. Mas faz meio que parte da minha história de vida. Passei minha infância toda indo para a escola na Kombi do Sr. Antonio, transporte escolar da Medalha Milagrosa, a escola onde estudei no Montese.

Depois um dos meus amigos mais queridos comprou como primeiro carro uma kombi caindo aos pedaços, mas que fez nossa alegria durante muito tempo. Barulhenta, esculhambada, o parachoque vivia caindo, mas a pintura vintage era tão fofa. Tinha cheiro de infância, de praia, de ta de de compras de material escolar ao som de Nirvana. E dava pra dormir *_*. Depois meu amigo vendeu a Kombi e comprou um outro carro, menos esculhambado. Na verdade, bem menos esculhambado (cadê você :( ?).

E daí que eu meio que estou nutrindo o desejo de comprar uma Kombi, em algum momento da minha vida. Sim, eu sei que elas não são mais fabricadas, que se conseguir, terei que comprar uma antiga (lindo!) e que Kombis só devem ser uadas como utilitários. Mas sabe sonho? Sonho não tem que ser lógico ou exato. Sonho tem que ser o que é, sonho. E só.






Bisous.

Imagem: E a primeira imagem do post é do filme querido Little Miss Sunshine.

domingo, 14 de dezembro de 2014

I Hate Valentine's Day



Está longe do dia 14 de fevereiro e ainda mais longe do dia dos namorados tupiniquim, dia 12 de junho, mas eu passei a minha vida toda odiando dia dos namorados, seja em fevereiro, em junho, tanto faz. Sempre odiei, mesmo quando estava com alguém.  Acho um dia sufocante, em que pessoas sozinhas são ridicularizadas, como se fosse alguma piada vivenciar a experiência humana in loco, que é a solidão. E as acompanhadas forçadas a presentear e ser presenteadas, às vezes sem a menor vontade de fazer algo do tipo. Porque amor não significa nada disso.

E tem este filme, I Hate Valentine's Day, que sempre evitei assistir, mas que daí assisti dia desses e fiquei comovida por uma cena em especial. Não que o filme todo não seja bom, é muito bom, bom demais para o gênero, comédia romântica boba. Mas voltando, a cena do cara da entrega, Tim, quando ele responde para Genevieve o que é o amor, mais ou menos assim: minha mulher estava na cozinha fazendo panquecas, de roupão, o cabelo amassado, com bafo de espantar gambá, as crianças correndo pela casa. Sem ela ver, roubei a calda das panquecas e escrevi Happy valentine's day em seu prato. Ela chorou. Amor é isso.

Engraçado que Tim passa o filme todo reclamando da sua vida de casado com duas hipotecas, filhos correndo e berrando e a mulher, que também berra. Mas é isso, sabe, que o realiza. Tim é o cara. E eu sou como a mulher do Tim, eu sou exatamente como ela, mas sem o Tim. Ah, e o Tim é completamente secundário para a história, que é sobre Genevieve e Greg. Genevieve que é dona de uma loja de flores, onde trabalha um monte de gente legal do Brooklyn (aliás, tudo se passa no Brooklyn), que fatura um monte no dia dos namorados e que arquitetou um plano para nunca se envolver com ninguém, daí não sofrer: os cinco encontros e pronto, acaba. Até conhecer o Greg, e todo aquele clichê, porque afinal é uma comédia romântica. E por que Genevieve criou este plano? Porque ela viu todo o sofrimento de sua mãe, ao descobrir que era traída pelo marido, pai da Genivieve, e ela não queria passar por aquilo. Ela queria se proteger de chorar na frente de alguém que a traiu e magoou. Aliás, a cena em que Genevieve vai ao encontro do pai e fala tudo isso, de maneira muito plácida e lúcida, é tocante.

Mais um adendo, amei Genivieve. Ela é descrita por Greg, quando eles brigam, como se vivesse nos créditos de um filme francês. E ela ama filmes franceses. Bem, sou exatamente assim também, minha vida é assim, minha casa é assim. Um dia uma aluna me parou, eu estava ouvindo música. Ela me pediu meu fone para saber o que eu estava ouvindo. E eu estava ouvindo a trilha da Amélie Poulain. A aluna não conhecia Amélie Poulain, mas achou muito francês e achou a minha cara. E podem acreditar, desperto raiva de algumas pessoas por ser exatamente como sou, alguém que chora com mensagens escritas em pratos e que parece ter saído dos créditos de um filme francês.

Bisous.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

I go through all this



Às vezes  eu me pego pensando o que fiz da minha vida nos últimos sete anos e eu não gosto muito das respostas que o vento me traz. Foram anos em que eu deixei de me bastar, desisti de uma carreira e estudos e vivi para os outros e não para mim. Apesar da minha teimosia, muito humana por sinal, em apontar culpados para a inércia, a culpa é toda minha. E só minha. E me resta chorar as pitangas.

Estou assim, porque fazem exatamente sete anos que me vejo às voltas com o ímpeto de cursar uma pós-graduação e entre o conseguir, o desistir ou o fracassar, que saldo que me resta? O desgosto existencial.

Lembro que um ano, lá no Rio, inscrevi-me no Mestrado em Literatura da UFRJ. Ô mestrado lindo. Estudei, li, tudo escondido. Mas fugi, como quem foge de si mesmo. Como fugi do Grupo de pesquisa sobre Clarice da UERJ. Eu meio que peguei trauma, por conta do meu vertical fracasso no mestrado da Federal da terra dos Alencares. Travei uma luta no dia da entrevista, uma banca que nem leu o feto de projeto que a gente tem que apresentar para conseguir uma vaga. Ao menos o meu, eles não lerem. Já entrei naquela sala com a sentença dada. E tive que enfrentar um dos professores, que teimava em chamar Clarice Lispector de escritora egoísta. Fui chamada de arrogante. Virei meio que uma lenda assombrada por lá.

Depois vieram as confissões da minha amiguíssima Bel, teimosa que só ela, conseguiu defender sua dissertação filosofante e interdisciplinar sobre Machado, lutando contra praticamente todo o Departamento de Literatura, recebendo a ajuda furtiva da única que lhe sobrou, a Profa. Odalice (Ah, a Professora Odalice). E ela conseguiu. Sempre me emociono, porque ela me disse que quando defendeu, defendia não só por ela, mas por mim. A perseguição foi algo tão escabroso que se conta pelos corredores do curso de letras que Bel perdeu o mestrado. Quando conto para alguém que, além de ter conseguido, ainda está cursando tradução na Alemanha, o espanto é tamanho que às vezes me dá vontade de rir, da pequeneza dessa gente.

Apesar da lindeza da vitória dessa minha amiga, o trauma aumentou. Toda vez que abro a página da Pòs dessa minha antiga universidade, sinto náusea e calafrio. Não sou forte como Isabel. Somos parecidas em nossas diferenças, mas sei que não conseguiria. 

E agora eu fico matutando o que fazer da minha vidinha, atarefada com aulas, com pavor da pós da minha antiga morada acadêmica, quase sem opções.

Penso num curso de fotografia com o lindo do André (do Grão de Sonho) como companhia. Feliz de ter feito esse amigo. Penso em outras formas de continuar os meus estudos, em lonjuras e aspectos diferentes, La Coloriste precisa de atenção e de cuidado. Ai de mim.

Torçam por mim, por favor. Precisada.


Inté.



Imagem: La Coloriste.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Consultorinho sentimental - the animal instinct in me



Inaugurando no bloguito uma seção que será uma espécie de terapia, porque afinal escrever para mim já é uma terapia - dia desses me sugeriram análise, pague que eu vou - o consultorinho sentimental.

A gente vai se deter por aqui nos pormenores do coração. Olha só que brega, não é mesmo? Pois é, mas vamos tentar ao menos rebuscar a nossa breguice existencial, vamos transformar em algo kitsch, né? Pois então. Dizem por aí que todo apaixonado é brega e eu sempre fiquei pensando, já que o apaixonado, com todos os seus clichês, é brega, o corno é o quê? É kitsch, olha só que coisa linda.

E o feminino de corno? Poderia ser Elizabete facilmente, mas vamos tratar por corna, aceitando o morfema da língua.

Ao longo dos meus quase quarenta anos (eu tenho 37), tive apenas dois relacionamentos sérios, que resultaram em uniões estáveis e que terminaram em traição do desgraçado do respectivo. Ou seja, eu sou um fracasso. Óbvio que eu tive outros relacionamentos, quando eu era mais erê, amorzinhos platônicos, o primeiro beijo depois do show da Legião Urbana, mas nada sério, na verdade eu sempre fui meio esquisita, meio gauche nessa coisa de relacionamentos. E é para você, querida leitora (ou leitor, né? vai saber) gauche na coisa de se relacionar que eu escrevo.

Vamos falar sobre a Outra? Que, vamos combinar, filosoficamente é a Única. Você, querida traidinha é que é a outra, com letra minúscula. Você passa a não ter significado e importância relevantes.Você é alguém que precisará de ajuda, e quem precisa de ajuda, atrapalha. Ainda mais um lindo casal em começo de vida romântica, não é? Você é um estorvo. E, se precisar de ajuda financeira, chérie, você é O Estorvo, e a Outra o bálsamo.

A Outra nunca será odiada, não adianta. A Outra é a romantizada, que vira personagem para Meryl Streep, É a mulher a ser conquistada, é a mulher a ser amada, porque ela se entrega de corpo e alma. E você, querida? Você é apenas você. Então se apegue ao que você é.

Adendo: tem vezes que a gente é o amor que sente pelos filhos, pelo gato, pelo cachorro e não há nada de errado nisso.

E o ex? O ex, às vezes, é a pessoa que você amou. Às vezes porque acontece de você entrar numa relação sem amor. Aconteceu comigo, quando era muito jovem e julguei que amizade seria suficiente. E não foi. Já senti isso que chamam de amor e também não bastou. Aquela coisa do fracasso que já falei.

Não espere que o ex seja crucificado, a gente acha que merece, mas não é assim. Muitas vezes a existência é santificada, porque, apesar de tudo o que você fez (você foi traída, mas você fez muita coisa errada, viu?)  ele te ajuda. E, se ele ajudar sem vocês terem filhos, é santo canônico. Ah, e você é uma bruxa.

O que resta é você se apegar com você mesma, tentar voltar a se bastar e mudar a realidade, como na música do Cranberries, so take my hands and come with me, we will change reality. Acho que foi um dos motivos internos de ter pegado minhas tranqueirinhas e filhos e ter fugido do Rio.




Bisous.
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