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domingo, 1 de março de 2015

Rio 450 anos ♥


Quem me acompanha sabe que morei no Rio alguns anos. Anos importantes, que me transformaram. As experiências sempre nos transformaram, quaisquer que sejam. Imagina então uma experiência daquelas intensas. E eis a palavra que define muito bem a minha experiência em relação ao Rio de Janeiro, intensa.

Tudo o que vivi no Rio foi intenso: amores, raivas, descobertas, redescobertas. No Rio descobri que amo o Rio. No Rio, redescobri que amo Fortaleza. Saí do Rio e de Fortaleza muito magoada, tanto que transferi as minha mágoas para o lugares, que não tinham culpa alguma do que me ocorrera. Descobrir o Rio, redescobrir Fortaleza, agradecimentos eternos. Hoje, passado algum tempo, continuo querendo bem a Fortaleza, mas descobri que quero o bem do Rio. Rio que foi, até agora, o único lugar que me senti, de verdade, em casa.

Se o Rio pudesse falar, o que ele diria dessa minha história? Olha, o certo é que o Rio fala através de todos que o usam como inspiração, seja para escrever, para fotografar, pintar e, compôr músicas, como Tom Jobim. Não sei o que o Rio me diria, mas sei o que sinto e tenho vontade de dizer para o Rio...


No IG acompanhem o Rio através do hashtag #copacabanasentimental criado por @rochajuliana, @rioetc, @adorofarm.

Hoje o Rio de Janeiro completa 450 anos de vida, de história e de beleza. E eu, 1 ano e dois meses de saudades.

Inté Rio, breve.

Imagem: Um dos lugares mais queridos do Rio, Parque Lage, numa das várias perspectivas que a gente vê o Cristo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

100 Happy Days #6









36. Estreou a 4ª temporada de Girls!

37. Trabalho reconhecido. Passei um bom tempo sem dar aula, estava muito enferrujada e sei que cometi alguns erros ao longo do ano, mas eu me esforcei muitomuitomuito para sanar todas as minhas falhas e tenho consciência que preciso melhorar mais. Sempre. Mas como disse, eu me esforcei, pesquisei, tentei o máximo que pude construir com os alunos uma aula interdiciplinar, sem falar em pontualidade, assiduidade, compromissos compridos nos prazos ou mesmo antes. E foi um ano difícil, sabe? Daí que ouvir dos seus chefes que eles estão satisfeitos comigo, que o rendimento foi bom é tipo, revigorante. Houve outra notícia ótima no dia, mas prefiro não contar.

38. Mousse de limão geladinho. É tão fácil, é tão baratinho, é tão possível. E cítrico *_*. Mas tive uma experiência péssima em 2014 com mousse de limão no bairro em que sou professorinha. Fui numa venda comprar algo doce, porque vício em carboidrato não é de Deus. Pois então, vi o nome mousse de limão num potinho - mousse caseiro - cresci os olhos. Fui toda feliz e faceira experimentar o meu mousse de limão do Jóquei Clube, ansiando por algo feito com limões colhidos do quintal e vra, era feito de suco artificial. Sim pessoas, a criatura nefasta me fez um mousse de Tang limão. O horror.

39. Uma coisa muito inesperada aconteceu e fiquei num misto de medinho e de alegria. Também não posso contar, mas é tudo muito novo e meio intenso. Sinto-me cheia de vida e com as esperanças renovadas.

40. Ganhei adesivos do Totoro.

41. Uma oportunidade de fazer algo que amo. Sempre que acontece, fico muito feliz.

42. purr purr purr ²

Bisous.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

100 Unhappy Days #6









36. Calor. Fez muito calor. Na verdade, está fazendo muito calor. E é desagradável. E sol, muito sol, sol pra caramba.  É o que dá morar na cidade mais clara do mundo. Sim, eu sei que no Rio está fazendo mais calor que aqui, mas aqui faz calor do mesmo jeito a droga do ano todo.

37. Choveu. Sim, eu amo chuva, mas eu não amo ficar ensopada após uma chuva maluca de 5 minutos, sem guarda-chuva, num ponto de ônibus sem cobertura. E é aquele tipo de chuva que não ameniza o caloraão dos infernos, pelo contrário, deixa tudo mais abafado.

38. Reparando nas minhas redes sociais notei que um amigo me excluiu. Assim, eu achava que éramos amigos, agora já não sei. Não sei mais de nada. Conheço a criatura há anos e por algum motivo que desconheço, não sirvo mais para suas redes sociais. Tudo bem que eu sou esquerdinha, feminista, besta, dada à fofurices e pobre. Ah, e uso batom vermelho no dia a dia. Acreditem, isso irrita as pessoas. Já me disseram que não posso usar cabelo vermelho também, porque sou morena. Mas eu fiquei pensando o que isso quer dizer. As respostas nunca são boas.

39. Descobri que fiz todos os planos de aula errados e tive que refazer. Tudo bem que nem me deu tanto trabalho assim, mas é que me desagrada fazer algo duas vezes por conta da minha leseira.

40. Eu odeio dinâmica de grupo. ODEIO. E acontece que entre os profissionais da educação a prática é corrente. Não leva a lugar nenhum, não representa nada, não faz sentido e é por vezes constrangedor. Eu quero morrer toda vez que sou obrigada a participar de uma dinâmica de grupo. 

41. Fofocas. Olha gente, eu até curto uma fofoca, porque dentro de mim habita uma bicha má. Mas a minha travesti interior gosta de uma fofoquinha básica, glitter e cores fortes. Acabou. Fofoca nociva com o único propósito de fazer mal a alguém, não. Isso não é bacana.  Então eu odeio quando o meu nome circula em fofocas do mal de gente desocupada. Meu conselho é: vai fazer pilates, ficar meia hora de cabeça pra baixo, pra ver se a irrigação sanguínea ajuda a refrescar a sua cabecinha. Ou te dá logo um AVC pra você morrer e deixar de consumir oxigênio.

42. Descobri que conheço uma pessoa que é fã do Olavo de Carvalho. Se isso não for uma infelicidade, não sei mais o que é.

Bisous.

Imagens - Como me perguntaram sobre as imagens do post anterior, começarei a contextualizar. Cada azedume semanal escolho uma imagem e/ou dizeres afins, que combinem respectivamente, 1 equivale aos dizeres 36, etcetera: 1. Cena do filme 500 Days os Summer; 2. Cena de Dark Water; 3. Little Finger (traira) sendo Little Finger; 4. Cena de Bridget Jones; 5. Keep Calm alternativo; 6. Cena de Marie Antoinette; 7. Mais Keep Clam alternativo.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Curso de Letras ♥



Faltam algumas horas para o Sisu 2015 abrir suas inscrições e me ocorreu, agora de véspera, que prometi faz um tempo, uma postagem sobre o curso de Letras. Fora que ao longo do ano passado, alguns alunos me perguntaram sobre o curso. É que não gosto de fazer alarde, não preciso espalhar para os quatro cantos que, de alguma forma, influenciei a escolha profissional dos meus alunos. Também não preciso me vangloriar por uma nota alta no Enem de algum aluno meu na prova de códigos, especialmente se o aluno já é excepcional por si só. O mérito é todo do aluno, para mim basta a alegria. Mas tem uns colegas que querem conquistar o lugar no grito, sei lá.

Vamos lá, o curso de Letras. 

Eu cursei Letras na Universidade Federal do Ceará (UFC), há duzentos milhões de anos atrás, turma de 2003. O Enem era então a primeira fase da UFC, a prova era bem diferente, mas já igualmente cansativa. Os resultados eram dados em percentual. E tinha a prova da UFC, que eu confesso, sinto aquela saudade, que a gente sente de rua de paralelepípedo, que tem lá seu romantismo, mas na verdade é uma desgraça. Pois é, eu sei que os modelos dos agora quase antigos vestibulares eram equivocados, onde só cabia a decoreba com pouco ou nenhum espaço para a reflexão. Eu sei de tudo isso, mas sinto falta da lista de livros da prova de língua portuguesa. Então, não é de se estranhar que a prova de códigos e linguagens não dá espaço para a gramática normativa, mas sim para a reflexão sobre o uso da língua, questões de apreciação estética e interpretação. 

Dia desses, numa discussão com uma colega professora de português como eu, mas com uma formação profundamente diferente, eu afirmava que não havia espaço para gramática normativa no Enem, ela meio que se aborreceu comigo e perguntou o porquê de não estarmos desempregadas então. Bem, se a persona padecer de pouca ou pobre formação linguística, é bom que procure estudar  e acompanhar as mudanças, do contrário mude de profissão, porque as coisas estão mudando. No meu caso, estou sempre estudando e procurando me informar sobre a minha área: livros, textos, autores. Fora a formação quase impecável que o curso de Letras da UFC me forneceu. 

Mas vamos lá. O curso se estrutura assim: língua portuguesa e literatura (tem a língua estrangeira para quem faz habilitação em inglês francês, etcetera). O estudante de Letras da UFC vai entender a língua portuguesa mediante os conceitos linguísticos (e existem várias linhas). Na minha época, o curso ainda era bastante estruturalista, olhando de soslaio para a linguística de texto e a análise do discurso. E isso foi profundamente enriquecedor para minha formação. Lembro como hoje, numa das primeiras aulas de Introdução à linguística, a Profa. Hebe Macedo afirmando que a gramática estava equivocada; como aquilo foi impactante e libertador. Então, se você acredita que no curso de Letras você vai estudar análise morfossintática do jeito que está na sua gramática do ensino médio, não, você não vai. Você será convidado a refletir sobre a morfologia, a morfossintaxe, a sintaxe, sobre história da língua numa perspectiva linguística, como ciência. E isso é lindo. Não consigo levar a sério um curso de Letras em que não se estude linguística. O que adianta se repetir num curso universitário que uma substantiva subjetiva tem função de sujeito em vez de refletir sobre o processo de subordinação das subordinadas substantivas? Isso é conteúdo de ensino médio.

Já na literatura também desistam dessa coisa das datas, dos autores e das escolas literárias. Sim, até que a gente vê, com a ajuda do Alfredo Bosi por exemplo, mas os estudos literários no curso de Letras vão além. Parte essencial do curso é para desenvolver o olhar crítico, orientado por autores que vão do Antonio Candido ao Adorno. 

Dinheiro. De novo citarei a Profa. Hebe Macedo (musa) que nos avisava logo, quem almejava a riqueza estava no curso errado. O curso de Letras da UFC é uma licenciatura, ou seja, é um curso de formação de professores e professor, via de regra, não fica rico. Mas pode sim viver com dignidade. Começo de carreira é difícil para a maioria, porque é preciso exercer a profissão em jornadas longas, em escolas com hora aula baixa e às vezes mais de uma escola para conseguir se manter. E ainda é preciso indicação, porque a maioria das escolas particulares só contrata assim. Entre dois e quatro anos de experiência, já se pode encarar um concurso para professor efetivo de uma escola técnica ou da rede pública comum. Os salários não são altos, contudo pagam sim melhor do que a maioria das escolas particulares numa jornada de 40 h semanais. Fora a establidade.

Conselho. Durante o curso, entre para um grupo de pesquisa da área que tenha mais afinidade, linguística ou literatura. Mesmo que não consiga uma bolsa, seja ouvinte. É nos grupos de pesquisa que você encontrará o caminho mais fácil para uma pós-graduação, mestrado para começar. Isso enriquece o seu currículo (enriquece como pessoa também) e aumenta o seu salário num concurso público. Adendo: as escolas particulares não dão a mínima para o seu diploma de mestre, tampouco de doutor. Porém, as faculdades particulares ligam sim para o seu diploma de pós-graduação, mas também só contratam por indicação.

A melhor coisa do curso de Letras: o acesso a todo um mundo novo de conhecimentos. 

Sim, o curso se divide, como expliquei, quase numa metáfora para a dicotomia sausssureana (Língua x Fala), linguística x literatura. mas somos apresentados a muito mais. Filosofia, sociologia, as disciplinas de história da arte estão do outro lado da Avenida da Universidade, pode assistir como ouvinte (eu fiz isso). A Casa Amarela e todo o seu mundo de audio-visual está no outro quarteirão. E tenho certeza que em outros cursos de Letras pelo país, a interdisciplinaridade se faz presente.  

Não é à toa que Letras é um dos cursos mais antigos. O curso de Letras da Sorbonne tem a idade da universidade, cerca de 800 anos. Óbvio que o curso mudou sensivelmente, no começo não existia a linguística. Aristóteles, em sua Poética Clássica, alguns mil anos atrás, já falava da ciência sem nome, que investigava a poesia. Como afirmei, é um curso enriquecedor, que faz parte da história dos estudos acadêmicos pelo mundo. 

No Brasil é muito desprezado e padece de um certo problema: a maioria dos alunos tranqueira escolhe Letras, pois não passam para outro curso. Ah, fora os familiares profetas do mal que sentenciarão que você morrerá de fome, porque fez Letras. Olha, eu ainda não morri de fome. Fiz, algumas escolhas erradas, que não foram em absoluto culpa do curso. Tenho conhecidos com formação em Letras, pós-graduados, recebendo salários consideráveis, que lhes possibilitam uma vida confortável e com alguns mimos, tipo viajar frequentemente.

Ah, uma vez formado (e pós-graduado) em Letras você pode praticar seus conhecimentos em outras áreas, em jornais e revistas como revisor, que eu particularmente acho lindo.

P.S.: A escrita desse texto tem um outro significado, mas só conto depois. Se eu decidir contar rs.

As dez melhores graduações de Letras do país

Universidade Federal da Bahia (UFBA) 
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 
Universidade Estadual Paulista (Unesp) 
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 
Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mackenzie) 
Universidade de São Paulo (USP)

Onde fica o curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC)? Salvo engano, em 11ª. Com certeza entre os 20 melhores

Bisous.

Imagens: Fernando Pessoa que cursou Letras, mas abandonou o curso, porque né, pois é.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Indicados ao Oscar 2015




E saiu hoje a lista de indicados ao Oscar 2015. Ao contrário do ano passado, já assisti alguns dos filmes indicados e, até a premiação já terei assistido a todos. I hope so. As indicações ficaram entre Birdman e Grande Hotel Budapeste, 9 para cada um.

E mais uma vez, com o ♥ são os meus favoritos. 

Melhor filme 

Boyhood: Da Infância à Juventude ♥
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) 
Sniper Americano 
O Grande Hotel Budapeste ♥
O Jogo da Imitação 
A Teoria de Tudo ♥
Selma 
Whiplash: Em Busca da Perfeição 

Três nomes dessa lista realmente mexeram muito muito comigo: Boyhood, O Grande Hotel Budapeste e A Teoria de tudo. Qualquer um dos três que ganhe me deixará muito muito feliz. São três filmes sensivelmente diferentes, mas igualmente especiais em suas diferenças. Destaque para Selma, com o atestado de qualidade Oprah Winfrey.



 Atriz 

 Felicity Jones, A Teoria de Tudo 
Julianne Moore, Para Sempre Alice ♥
Rosamund Pike, Garota Exemplar 
Reese Witherspoon, Livre 
Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite 

Nem sei quem é favorito, mas eu acredito que o Oscar repita o globo de ouro e a melhor atriz vá para Julianne Moore.

 Ator 

 Steve Carell, Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo 
Bradley Cooper, Sniper Americano 
Michael Keaton, Birdman 
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo ♥
 Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação 

Também não sei se Eddir Redmayne é o favorito da academia, mas agradou os globos de ouro e me emocionou profundamente. O trabalho corporal do ator é tão impressionante que para fim chega até mesmo a superar Marion Cotillard como Piaf, que foi assim, uma cousa sensacional.



 Atriz coadjuvante 

 Patricia Arquette, Boyhood ♥
Keira Knightley, O Jogo da Imitação 
Emma Stone, Birdman 
Meryl Streep, Caminhos da Floresta 
Laura Dern, de Livre 

Arquete é uma ótima atriz, que as pessoas gostam de esquecer. E Boyhood é uma história muito especial, pela maneira como é contada e pela ousadia do projeto. E Arquete está perfeita.

 Ator coadjuvante 

 Robert Duvall, O Juiz 
Ethan Hawke, Boyhood ♥
Edward Norton, Birdman 
Mark Ruffalo, Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
 J.K. Simmons, Whiplash: Em Busca da Perfeição 

 Diretor 

Alejandro González Iñárritu, Birdman 
Richard Linklater, Boyhood ♥
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste ♥
Bennett Miller, Foxcatcher 
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação 

Quase certeza que se Wes Anderson ganhar como melhor diretor, melhor filme ficará para Boyhood. E vice-versa. É uma teoria.



 Filme estrangeiro 

 Ida (Polônia) 
Leviatã (Rússia) 
Tangerines (Estônia) 
Timbuktu (Mauritânia) 
Relatos Selvagens (Argentina) ♥

 Animação 

 Operação Big Hero 
Os Boxtrolls 
Como Treinar o Seu Dragão 2 
Song of the Sea 
O Conto da Princesa Kaguya ♥



 Melhor roteiro original 

 Birdman, Alejandro González 
Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. 
Boyhood, Richard Linklater 
Foxcatcher, E. Max Frye e Dan Futterman 
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson ♥
 O Abutre, Dan Gilroy 

 Melhor roteiro adaptado 

 Whiplash, Damien Chazelle 
Sniper Americano, Jason Hall 
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten ♥
 O Jogo da Imitação, Graham Moore 
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson 

 Canção original 

 Glory, John Legend e Common (Selma) ♥
Everything Is Awesome, Shawn Patterson (Uma Aventura Lego) 
Lost Stars, Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo) 
I'm Not Gonna Miss You, Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell: I'll Be Me) 
Grateful, Diane Warren (Além das Luzes) 



 Trilha sonora 

 O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat 
A Teoria de Tudo, Yohan Yohanson ♥
O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat
 Interstellar, Hans Zimmer 
Sr. Turner, Gary Yershon 

Fotografia 

 Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) 
O Grande Hotel Budapeste ♥
Ida 
Sr. Turner 
Invencível 

 Figurino 

O Grande Hotel Budapeste 
Vício Inerente 
Caminhos da Floresta ♥
 Malévola 
Sr. Turner 



 Maquiagem e penteado 

 Foxcatcher 
O Grande Hotel Budapeste ♥
Guardiões da Galáxia 

 Direção de arte

 O Grande Hotel Budapeste ♥
O Jogo da Imitação
 Interstelar 
Caminhos da Floresta
 Sr. Turner 

 Efeitos visuais 

 Capitão América 2: O Soldado Invernal 
Guardiões da Galáxia 
Planeta dos Macacos: O Confronto 
Interstelar ♥
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido 

Olha, se este prêmio for para qualquer outro filme dessa lista pode ter certeza que o Nolan virou a nova persona non grata de Holywood, porque não há concorrente neste quesito.

Até o Oscar.

Bisous.


100 Unhappy Days #5









Enquanto eu escrevia, Regina me acompanhava, Your honor.

29. A vida não é fácil, aprendi isso muito jovem. Comecei a semana com a notícia que alguém que quero muito bem estava numa CTI.  Agora já está mais ou menos fora de perigo, mas ainda numa situação delicada. Totalmente fora do meu controle.

30. Procurei em todos os cantos da casa e realmente perdi minha edição do Morro dos Ventos Uivante. 

31. Na quarta aconteceu o atentado ao Charlie Hebdo, semanal francês, profundamente satírico, progressista, ao sabor da esquerda francesa. Armas contra lápis. Duma covardia absurda. A violência é absurda. O terrorismo é injustificável, não adianta. Estou super me controlando em relação a todas as pessoas que vejo por aí, de forma no mínimo boçal, minimizando o que aconteceu no dia 07 de janeiro de 2014. Ou traçando paralelos bizarros. 

32. Saturno de Goya. Saturno, Chronos, o Tempo que a tudo e a todos devora. Quinta recebi meu horário novo de trabalho. Daí percebi que um dos meus maiores problemas, nesse momento, é o tempo, que não para e que eu também não tenho. O ideal seria ter um vira-tempo, tipo o da Hermione.

33. Falência. Já sabia disso há meses. Talvez anos e décadas. Mas sexta tive certeza. E acreditem, isso é sério, isso importa. Esqueçam essa hipocrisia de que dinheiro não traz felicidade. Pode até não trazer, mas ajuda pra caramba.

34. Sabe aquele telefonema desagradável que você não quer receber, mas aí acontece, você atende? Pois então.

35. Charlie me mordeu quando lhe dava banho, porque ele está acabando com o próprio pêlo se mamando, porque ele sente falta da mãe e daí se mama. Sim, filhotes de gatos às vezes se mamam com saudades das mães. É osso. Adendo: sim, por trás dos gatos sou eu num momento unhappy. Can yoy feel it?


Inté.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Chuva



Acordei num susto com um trovão logo cedo. Trovão que não ouvia desde o Rio de Janeiro. Um ano. Acordei feliz com o dia bonito de chuva, mas com uma certa inquietação, porque haveria de sair. E saí. Como sou transeunte de fé - professora pobre sem carro - saí a pé com Yan a tiracolo. E logologo me vi tomada por uma certa irritação, não súbita, porque decerto vivo irritada. É que finjo ser calma e finjo tão bem que todos acreditam. Mas a irritação não deixa de ser motivada e ainda, ter sido atiçada, pelo cansaço associado a certos fatores hormonais. 

E eis que essa minha irritação, legítima, motivada, atiçada, me deixa cítrica lima da pérsia, irônica machadiana e sem muita censura verbal, que adquiri aos poucos, ao longo da vida. O que nos leva a uma predisposição ao conflito. 

E choveu. Choveu em cântaros de ninfa robusta com melenas trançadas.

É cedocedo, quase madrugada e a agência do banco só abriria por volta das 8. Para o mundo funcional era madrugada. E chovia. Yan e eu amoados debaixo do guarda-chuva estrelado, feito em algum lugar obscuro da Ásia. Gente proferindo afirmações soltas sobre a deselegância da Presidenta, e como São Paulo merece morrer de sede, dentre outras idiotices. E daí que o diabinho que habita meu ombro direito (meu diabo particular é destro. meu anjo é gauche) me impele a responder bem atrevida para aquelas pessoas mal vestidas em bermudas caquis e sandálias plataformas de dedos de fora que procurassem um espelho e um copo d'água. Mas o banco abriu e tudo se arrefeceu.

Enfim chegamos em casa, após atravessar o dilúvio. Kelly com o juízo preso num coque, ajeitava na cozinha seus bolinhos Sakura de queijo, batata e verduras. Frito na canola. E a gente come e reza, em conjecturas. E aí percebo que a irritação se foi. Não sei ao certo se lavada e levada na chuva. Ou que se aquietou por conta do bolinho Sakura da Kelly.

Bisous.

Imagem: Martine Franck, Magnum photographer and wife of Henri Cartier-Bresson.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Livros. Nigella. Livros. Eu ♥.


Nigella em sua modesta biblioteca pessoal, de ventilador, porque ela é humilde. Mas temos tulipas brancas, uma cousa assim, sazonal in London. Largadinhas por ali, que é mais bonito. Ah, a imagem tem 11 anos. O.n.z.e.. Avaliem quantos livros a mais em uma década. 

Onze anos atrás eu tinha cerca de 100 livros. Talvez menos. Cabiam todos em duas prateleiras do meu quarto rosa da Moreira Gomes. Tinha um pôster da Björk no quarto e eu gostava de dormir de rede. Passava a noite, às vezes, conversando com Carlos Alberto (por onde você anda?). Todos os meus livros foram comprados, até então, no Sebo do Seu Geraldo e na Siciliano.

Hoje eu tenho seis vezes mais livros. Há quem me ache uma idiota, porque existem os kobos e afins.  O que posso dizer em minha quase defesa (se é que tenho) é que Paulo Coelho concorda com vocês. E, apesar de não mais odiar Paulo Coelho, eu estou ficando é velha e não doida. Livro é vida. (viu? não tenho defesa). Meus livros foram comprados em Fortaleza, no Rio, em São Paulo, em Paris, Bruxelas, Amsterdã, Londres. A maioria comprei. Ganhei alguns. Até já achei livro e trouxe pra casa. Sou doente, eu sei.

O povo me pede um book haul. Tenho preguiça. Imaginem o book haul de Nigella, que demorado não?

Bisous.

Imagem: {this is glamorous}

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Salut, 2015.



O primeiro post do ano de 2014 aqui no bloguito foi programado, eu ainda estava no Rio e eu estava muitomuito magoada. Tanto que meio que coloquei a culpa de tudo o que me aconteceu no lugar, enquanto metáfora. E o Rio não tinha culpa de nada.

Mas eu já estava em espírito em Fortaleza. Engraçado que estou fisicamente instalada aqui na cidade da luz (não confundir com cidade luz. um dia essa preposição some.), mas meu coração está longe. Acredito, contudo, que lar é onde quem a gente ama está. Então estou no meu lar. Mas sinto saudades do Rio, gente, é inegável. Quer dizer, só não sinto saudades do 50º.

Entre 2013/2014

Dia 1ª de janeiro de 2014 eu acordei tarde, fazia um calor infernal no Rio, passando dos 40º. Eu ainda tinha ar-condicionado. Meu café da manhã foi sanduíche de tender. Almocei torta de bacalhau. Tomei meia garrafa de espumante sozinha. Fiquei triste porque não tinha como ir à exposição da Yayoi Kusama no CCBB. Estava aflita, ansiosa, com receio, medo, pavor. Adendo: Todos os meus temores se confirmaram nos meses vindouros. Tomei ansiolítico, remédio pra dormir e estou por aqui, aguentando o tranco.





Em 2015 ♥

Dia 1ª de janeiro de 2015 acordei cedocedo. Olhei o céu. Comi tâmaras e tomei chá de alfazema. Comi brownie. Almocei feijoada, porque sou ousada. Fiz limonada cor de rosa. Tomei meu chá gelado de capim santo. Ele é azul e me deixa feliz . Desenhei. Li um pouco de Lukács. Passei o dia com o filme da vampira iraniana na cabeça. Lindo. Adendo: Ainda estou com muito medo, mas aprendi com Niet que "aquilo que não me mata, só me fortalece."





Bisous.



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

24th



Acordei cedíssimo, como de costume, mas não, não era para vestir a camiseta de professora e ir dar aula, mas para fazer rabanada para o café da manhã, um dos prazeres dessa época do ano. Uma rabanada com pão de coco, porque aqui em Fortaleza não tem pão para rabanada, daqueles que vende no Rio. E ficou bom, viu?

Estou aqui pensando no que escrevi quase há um ano atrás. Não fiquei na casa da minha mãe, por motivos de que a gente não se dá bem, simples assim. Imagine uma relação difícil mais filhos adolescentes, gato, cachorro, quer dizer. Sinto falta da geladeira azul.




Mas estou contente no meu apartamento cercado de pinheiros de praia, em plena avenida João Pessoa. Às vezes eu quase fico feliz.

Pois é, passarei um natal cercada por filhos, livros, gatos, tomando chocolate morno (quente não dá) com marshmallow, floresta negra, tâmaras, damascos e rabanada feita com pão de coco. Comprei uma toalha azul lindalinda para a ceia. Também um espumante cor de rosa e uma camisola amarela com passarinhos. Natal de camisola e marshmallows ♥.

Bisous.

Imagens: 1. uma casa linda em algum lugar dos Estados Unidos, creio que em NY. Guardo a imagem para um dia fazer igual; 2 e 3 aqui em casa, com todas as luzes possíveis.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Diálogos e conversas estranhas - Blanco


Tenho uma lista longa de conversas e diálogos estranhos que presenciei ou mesmo participei. Sabe aquela coisa de pára-raio de doido? Pois então.

Um dos últimos foi no Centro da cidade, numa tentativa de encontrar um pisca-pisca rosa ou lilás (que eu encontrei *_*, depois conto e mostro) nas lojinha de muambas do oriente.

Uma mocinha numa dessas lojas, acho que na Barão do Rio Branco, muito muito coreana, mal flava português. Na verdade eu acho que ela não falava português.



Mocinha muito muito coreana:안녕하세요!
Eu: Erm... oi! Vocês têm pisca-pisca lilás ou rosa?
Mocinha muito muito coreana: pisca-pisca?
Eu: É! Luzinhas!
Mocinha muito muito coreana: Lucinhas?
(ocorreu-me então todas as Lúcias que conhecia...)
Eu: Christmas lights! - apontei para as centenas de caixas de pisca-pisca na frente da loja.
Mocinha muito muito coreana: Oh Crizmas.
Eu: Quais cores vocês têm? Branco, verde - apontando para os piscas-piscas expostos.
Mocinha muito muio coreana: blanco? 예 Ye!
Eu: Eu quero rosa ou lilás, tem?
Mocinha muito muito coreana; Lilás?
Eu: É, lilás!
Mocinha muito muito coreana entregou-me uma caixa de pisca-pisca branco.
Eu: mas eu quero lilás, fia - já rindo, porque né.
Mocinha muito muito coreana: 실례합니다

E eu fiquei triste, porque depois de alguns risos meus e dela, eu consegui entender que só tinha pisca-pisca branco, verde e vermelho.

Aguardem mais Diálogos e conversas e estranhas.


안녕!

Imagem: La Coloriste.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A minha lista de 15 músicas mais tristes



Estava escrevendo dia desses sobre minhas reflexões acerca do fracasso (Nubia Lafayette mode on) daí que me ocorreu um monte de músicas tristes e, como boa adepta da internê e das listas, ça fait long temp (faz tempo à beça) revolvi fazer uma lista minha, muito-minha-só-minha, de musiquinhas tristes e lindas.

1. Climbing Up The Walls (Radiohead, Ok Computer)

" I am the key to the lock in your house, that keeps your toys in the basement"

Como fã do Radiohead considero o Ok Computer a coisa mais depressiva e auto-destrutritiva já criada pelo caolho de Oxford, vulgo Thom Yorke. E essa faixa em específico, a mais melancólica (e perturbada) do álbum, que já é uma ode ao buraco existencial de cada um de nós.

 "That either way he turns,  I'll be there"

Não sei vocês, mas eu leio que é sobre a tristeza que se fala. Então, né? Pois é.

Adendo: você, pequeno padawan fã de Radioahead, que acha Creep uma musiquinha triste e tem peninha do Thom Yorke, saiba que Creep não é uma música sobre depressão ou tristeza, Virou o hino dos geeks, porque what the hell I'm doing here. Mas é uma tiração de sarro, porque Thomas é assim, gente.

2.  Gloomy Sunday (na voz de Billy Holliday)

"Sunday is gloomy, my hours are slumberless, dearest the shadows, I live with are numberless"

Meretriz que deu à luz ou o correlato vigente.

Tem outras versões, inclusive uma na voz do Michael Stipe (REM), mas é na voz de Billy que o negócio pega. Além das lendas sobre a música em si. A história acerca dessa música e dos suicídios que ela provocou é bem controversa, uma vez que não há registros oficiais sobre.

Mas vamos lá, a música, que no original é Szomorú Vasárnap (Gloomy Sunday - Domingo Lúgubre), é do compositor húngaro Rezső Seress e algumas pessoas chamam essa música de Overture to Death (Abertura para a Morte). Seress a escreveu em 1933. Em 1936 ocorreu o primeiro suicídio. Joseph Keller, de Budapeste, deixou uma mensagem de suicídio que continha as frases da Gloomy Sunday. Após essa morte, mais 17 pessoas se mataram, com mortes de alguma forma relacionadas à música. Além dessas, especula-se que mais 100 suicídios tenham sido cometidos ao redor do mundo. Diz-se que muitos pularam no rio Danúbio segurando a partitura da música. Dois atiraram em si mesmos enquanto ouviam uma versão da música. Um homem pediu a música em um clube noturno antes de sair e atirar em si mesmo. Outro se enforcou com uma cópia da música a seus pés. Uma secretária se suicidou com gás após pedir que tocassem a música em seu funeral. Também se diz que, por causa disso, a BBC e outras rádios decidiram banir a música. São causos não comprovados, lendas urbanas. Mas a música é triste de doer n'alma. Eu mesma tenho vontade de morrer bem lindo quando ouço Gloomy Sunday. Você não? Que não, né?

3. I"ve seen at all (trilha de Dancer in the dark, na voz de Björk e Thom Yorke)

Eu, particularmente, não consigo evitar as lágrimas ao ouvir a música, porque lembro automaticamente da pobre Selma.

A história sobre a gravação da música é interessante, Björk tinha acabado de conhecer Thom Yorke nos bastidores das gravações do Space Gost coast to coast (não poderia ser mais bizarro). Daí eles se identificaram, saíram para tomar umas biritas e surgiu o convite, que Thom não recusou.

4. You know you're right (Kurt Cobain)

Eu fui adolescente nos anos 1990. Eu vivi o grunge. Eu fui-sou grunge ainda, porque eu não sei ao certo se tem como deixar de ser. E a minha banda grunge favorita é o Nirvana, seguida de perto por Alice in Chains (formação antiga, por favor). Essa música é a única coisa que sobrou gravada na voz do Kurt pós -n Utero, último álbum de estúdio do Nirvana. Por si só já seria duma tristeza imensa. Mas a canção em si é dolorosa.

"I will never bother you, I will never promise too, I will never follow you, never speak a word again, I will crawl away for good, I will move away from here,You won't be afraid of fear, No thought was put into this, I always knew it would come to this, I have never failed to felt. Pain. You know you're right"

Às vezes eu tenho a nítida impressão de que minha alma ficou presa em 1994.

5. The Suburbs (Arcade Fire)

"Sometimes I can't believe it, I'm moving past the feeling"

É linda. E triste.

6. Tempo Perdido (Legião Urbana)

" Veja o Sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos, castanhos"

Outra banda que trancou o meu coração na década de 1990. Eu cresci com Legião Urbana, responsável por minha educação musical. Foi por causa do Renato Russo (e dos meus vizinhos ruivos, indies ancestrais) que eu descobri Smiths.

Tempo Perdida é possivelmente a musica mais triste da Legião, mas eu me entristeço muito por conta de um fenômeno de agora: todo mundo, de qualquer geração, sabe cantarolar alguma mísica da Legião, entrou no imaginário coletivo do brasileiro. Tem gente inclusive que, de tão metido hipster-indie, tem vergonha de admitir que gosta da Legião por conta dessa popularização extrema. Qual é o problema? O vazio, sabe? As pessoas cantam, como se tivessem cantando atirei o pau no gato, virou quase que folclore. Ninguém entende a profundidade das letras, como Pais e filhos que fala de suicídio.

7. Dead Souls (Joy Division)

"Someone take these dreams away"

O Joy Divison é uma banda que fazia um som existencialista que nos leva aos mais diversos labirintos de nós mesmos, em diferentes facetas de tristeza coisa e tal. Para mim Dead Souls é o ápice disso tudo.

8.  Prayers for rain (The Cure)

"And drab the hours all spent, on killing time again, all waiting for the rain"


Soa quase como um encantamento desencantado e eu amo The Cure que, para mim, é a banda mais melancólica de todos os tempos.


No livro The Beatles - a história por trás de todas as músicas - diz que Paul se inspirou na luta das mulheres negras dos Estados unidos, e queria encorajá-las. Tem a lenda do melro-preto, que Paul desmente. Tantas lendas. Tão linda.

Eu pintei blackbirds na minha antiga casa no Rio. E lá fiocu, sabe como?

10. Let it be (Beatles)

Essa música é a cara do meu pai, que é um dos maiores amores da minha vida, de quem eu sinto falta todos os dias e sentirei pra sempre. Só por toda a carga emocional e pessoal já bastaria, mas citando de novo o livro The Beatles - a história por trás de todas as músicas - Paul escreveu a música como desabafo perante a desintegração da banda.

Let it be não saía da minha cabeça durante a minha separação. E passei boa parte do vôo para Fortaleza cantarolando let it be.

11. Preciso me encontrar (Cartola)

Deixe-me ir 
Preciso andar 
Vou por aí a procurar 
Rir pra não chorar 
Se alguém por mim perguntar 
Diga que eu só vou voltar 
Depois que me encontrar

Quando eu paro, muito raramente, para ouvir o que o povo diz que é samba hoje em dia e que toca nas rádios por aí, eu me remeto automaticamente ao Cartola. E não, não é samba. 

Como é intenso e lindo. Profundo. Aprendi a amar Cartola com meu pai também.

12. Falando de Amor (Tom Jobim)

"Quando passa, tão bonita, nessa rua banhada de sol"

Imagine uma mãe solteira e seu bebê, e esta mãe embalando sua criança, cantarolando Falando de Amor. Esta fui eu em 1998. Imagine esta mesma mãe, passeando pelo orla do Rio, em 2008, com o bebê já crescido e ouvindo no fundo da mente e do coração, o mesmo choro canção.

13. Por enquanto (Renato Russo na voz de Cássia Eller)

"Mudaram as estações, nada mudou"

Um dos maiores especialistas em músicas melancólicas, Renato. A voz intimista de Cássia.

14. O Bêbado e A Equilibrista (na voz de Elis Regina)

"A esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha , pode se machucar, azar, a esperança equilibrista, sabe que o show de todo artista tem que continuar”

A lista de músicas tristes da maior intérprete brasileira é gigante, mas esta em especial, autoria de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por ela em 1979, nesse momento em que as pessoas pedem uma intervenção militar, é de doer.

15. Ne me quittes pas (na voz da Maysa)

Não existe outra versão mais linda e melancólica. 

Ah, Piaf nunca gravou esta canção.

Depois eu volto com a minha lista de músicas felizes, ao menos umas 30, pra contrabalancear, porque né, "tristeza não tem fim, felicidade sim."

Imagem: La Coloriste.

Bisous.



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Laranja Mecânica (livro e filme)



Dia desses uma aluna muito querida me perguntou sobre o Laranja Mecânica e fazia tanto tempo que eu não pensava sobre o filme e sobre o livro, que meio que me perdi em pensamentos e digressões acerca.

O Laranja Mecânica é um livro, antes de ser o filme do Stanley Kubrick. Seu autor, Anthony Burguess, escreveu e publicou em 1962, após receber um diagnóstico errado do tipo, você morrerá daqui uns meses, lamento muitíssimo. Eu já fui desenganada aos 21 anos então eu super sei como é.

Então, o tal livro é o Laranja Mecânica, um dos livros mais aclamados, e por que não dizer, atuais de todos os tempos, que foi imortalizado em 1971 pelo Kubrick na sua adaptação da história do depravado e demente Alex. Até hoje a história consegue impressionar pela violência e alienação ao som de Beethowen, ídolo de um jovem delinquente, que se vê a mercê da manipulação do governo e tem tirado de si seus bens mais preciosos: o sadismo e a perversão. 

E o nome Laranja Mecânica, donde vem? É duma expressão inglesa “as queer as a clockwork Orange” ou “tão bizarro quanto uma laranja mecânica” e é a definição dada a uma pessoa que, apesar da aparência normal e saudável, não possui vontade própria, vira uma marionete ou fantoche. Como é o caso do fofo #sqn, Alex DeLarge, que no livro é apenas um adolescente de 15 anos (no filme Alex é mais velho), que se encontra numa Inglaterra retro-futurista, onde a juventude não quer saber de nada, o governo aliena a população e a violência entre jovens chega a níveis absurdos. Lembra algo? Pois é. Mas eu também gosto da metáfora da laranja mecânica como algo natural que se coisifica. Eu fazia uma alusão ao suco de laranja industrializado, cheio de conservantes (modificado, coisificado) que até internalizei que os membros da gangue de Alex tomavam suco de laranja, mas não, é leite batizado. Aloka.

 Voltando ao Laranja Mecânica e sua “ultraviolência”, os jovens se vestem e se comunicam num dialeto próprio, dialeto esse que contém termos da língua eslava e de outros idiomas, denominado Nadsat.  O livro tem um glossário inclusivo, meus *druguinhos. A experiência de ler o livro nos faz sentir um pouco ignorantes à princípio: “naquela manhã de domingo, o chapelão leu trechos do livro sobre tcheloveks que haviam sluchado a slovo". Pois é. E Burguess queria mesmo causar essa sensação de estranheza com o seu Nadsat, ele queria que o leitor se aproximasse mais da situação que os adultos viviam em relação à juventude retratada no livro. O desentendimento e falta de sentido são peças chave para que se mergulhe no mundo de Laranja Mecânica.

 E o Alex? Ele é jovem, sem perspectivas, que não a maldade. Não é reprimido pelos pais, que deveriam reprimí-lo. Perfeito caso de alienação parental. Um rapazinho difícil, supostamente inteligente, apaixonado por música clássica, especialmente Ludwig Van Beethowen. É bonitinho e teria um futuro promissor, caso não fosse um psicopata. Um monte de gente acha o personagem de Alex charmoso e interessante. O mesmo tipo de gente que deve achar o Ted Bundy bonito e charmoso. Tanto o psicopata ficcional, quanto o real, para mim são dois idiotas perversos. Sinto abuso. Náusea. 

Alex é pego cometendo assassinato, daí é preso e vira cobaia num experimento do governo, que eu já citei. No filme de Kubrick, a cena do “Tratamento Ludovico” é eternizada tanto pelo impacto visual, quanto pelos gritos do ator Malcom McDowell. 

O livro é muito melhor que o filme? Na verdade é muito maior. Mas o filme ganhou uma dimensão assustadora, porque é uma adaptação incrível de um diretor incrível, que meio que alterou a paternidade da obra. É muito comum ouvir por aí "Laranja Mecânica do Kubrick" em vez de "Laranja Mecânica do Burguess". 

Mas Burguees está vivo, minha gente. Kubrick não. Burguess escapou de um tumor no cérebro. Kubrick, por ironia (ou não) morreu anos atrás muito doente, dum infarto fulminante, possivelmente por uma mandinga do Burguess, que o odiava. Euestoubrincando.

Assistam e leiam.

* drugues, gíria originada do russo ‘droogs’, que designa um grupo de jovens delinqüentes.

Bisous.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Preto, Branco e Tons de Cinza



Eu sempre me identifiquei como negra, mas me dizem que eu não sou negra, que eu sou morena, quase que me "ajudando" a não ser tão dura comigo mesma. Sério gente, as pessoas pensam assim e o cearense é muito racista. E o carioca também. Vamos lá admitir, o brasileiro é racista.

As polêmicas das últimas semanas, o caso da gremista que xingou o goleiro do Santos de macaco e a série Sexo e as Nega me empurraram de vez para escrever sobre racismo aqui no blog, mas eu sei lá, viu?

 Óbvio que o acontecido naquele fatídico jogo entre Grêmio e Santos é muito pior e pede a urgência da punição legal, porque gerou comoção. A gremista foi espinafrada de todos os jeitos, está sob ameaças e houve o incidente criminoso do incêndio em sua casa. E isso tudo é repudiável. Mas a moça é racista sim. Aquele xingamento não foi a emoção do jogo, isso é balela, é ofender a nossa inteligência. As palavras saíram fluídas e sinceras, porque é aquilo que ela pensa e não só em jogos. Seria muito mais digno e bacana se a moça gremista tivesse admitido e pedido desculpas que soassem francas na coletiva de imprensa, mas não, fez um discursinho patético e saiu nos braços de seus defensores, para cair na graça da hipocrisia brasileira, gente cínica ao ponto de colocar em discussão o preconceito que o branco passa. Meu povo, melhore. Perdeu emprego e agora já tem outro, numa ONG, ao que parece. E ela quer virar símbolo contra o racismo. Oi?

E a série? Faz um trocadilho com Sex and the city. Alguém mais percebeu? O que a gente via em Sex and the city? Brancas ricas de Manhattan e suas peripécias sentimentais e sexuais. E na versão tupiniquim? Pobres pretas faveladas cariocas e suas peripécias sentimentais e sexuais. O que se está contestando é a coisa da preta favelada pobre, se estas fossem pretas ricas Zona Sul as peripécias sentimentais e sexuais eram o de menos. O Miguel Falabella é racista? Não gente, desculpa, mas ele não é racista. Falabella tentou recriar uma Sex and the city versão brasileira que para ele, para o gosto popular, seria composto por negras lindas e sensuais, mas faveladas com empregos subalternos. E isso chateou um monte de gente, incluindo eu, que não me vejo representada ali. 

Primeiro porque eu não sou sensual e sexy (a decepção do ex-marido que o diga), tampouco sou favelada e tenho um emprego subalterno - apesar do salário de professora, via de regra, ser ridículo, mas tudo bem. Estudei francês, artes, leio muito e o meu gosto musical passa bem longe do popularesco. Quer dizer que dificilmente criarão algo para a tv brasileira que me represente? Ledo engano, porque houve a novela Lado a Lado, Camila Pitanga, uma negra do começo do século XX, que estudou dança e se tornou uma artista famosa em Paris. Ou seja, a mesma Rede Globo que vocês crucificam - não que não se tenha razão. Comecemos a enxergar os tons de cinza, porque a vida não é só a dicotomia preto e branco, literalmente no caso.

Reflitam bastante antes de qualquer coisa, faz bem ao coração, sabe?

Bisous.

Imagem: Tami Williams - Lula Magazine S/S 2014.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sobre Machado de Assis


Fiz o exercício de vir aqui para escrever este post coletando todos os comentários injuriosos que já ouvi e li sobre Machado de Assis e olha, foram muitos, cada um pior e mais injustificado que o outro. O último ouvi de um colega de profissão, que não identificarei, mas que se julga um grande leitor, por ter lido por volta de 50 livros, o que lhe daria discernimento completo para avaliar a obra machadiana como ruim, porque é difícil. Algo assim, gente, sei lá.

Meu filho de 19 anos leu mais de 400 títulos então eu nem entrarei no mérito da questão, porque minha outra filha de 17 leu muito menos e adora Machado de Assis. Então, né? Não é uma questão de ler muito ou pouco, é uma questão que tem mais a ver com os leitores de modinha, um mal da nosa época.

E gente pensará que enlouqueci de vez, porque Machado é reconhecido, na verdade um dos poucos escritores brasileiros reconhecidos por sua qualidade literária e gênio por críticos do mundo todo. É o único escritor brasileiro citado n'O Cânone Ocidental do Sr Harold Bloom, livro odiado, porém referência nessa coisa toda de clássico, cânone, etcetera coisa e tal. 

 É, Machado é tudo isso, e muito mais do que citações de nomes estrelados da crítica literária. Mas isso tudo não mudo o fato de que Machado é odiado e bastante odiado pelos leitores brasileiros. De fato, acho que só perde para José de Alencar. 

Desde o meu tempo de escola até os dias de hoje, já reuni uma série de idiotices que ouvi sobre Machado: linguagem antiquada, (cê jura?), linguagem datada (pior), difícil de acompanhar, de entender, conteúdo pobre (oi?), folhetim pra senhoura ou, novela mexicana. Essa última ouvi em sala de aula de introdução à filosofia. O professorzinho, um completo imbecil, contou uma lorotinha de que sei lá quem pegou um conto qualquer do Machado, assinou e levei para uma editora, que se recusou a publicar por achar o conto ruim. E que diabos de editora é essa que não descobriu que era Machado de Assis? É, porque as editoras pesquisam para evitar plágio, quer dizer, um estapafúrdio completo. Até hoje sinto ódio desse episódio, que aconteceu dentro do curso de letras. Fiquei tão indignada que saí de sala. Nos meus primeiros anos de faculdade eu era conhecida como a "Machadiana" então imagine aí o quanto este episódio foi terrível.

 Se procurar em forúns sobre literatura ou redes sociais tipo Skoob (que não consigo levar a sério, desculpe) sempre vai aparecer alguém para falar mal da literatura de Machado de Assis. E por quê? Primeiro porque Machado pede maturidade, não de anos vividos, mas de livros (bons livros) lidos. E algum conhecimento ou simpatia por filosofia. Antigamente, no meu tempo, o primeiro contato literário sério que se tinha na escola era com Machado (e Alencar). Uma garotada boba, acostumada com Turma da Mônica, super não compreendia os olhos de ressaca, dentre outras metáforas machadianas. Fora a coisa da alma, porque certos livros pedem uma certa inclinação e isso acontece com Machado, que pede um leitor devoto, sem medo dos abismos e do não compreendido. 

Quando li Machado me encantei justamente pelo o que não conhecia, pelo o que eu não conseguia entender, aquilo me fascinava. Anotava todos os livros e filósofos que encontrava em seus livros, como quem anota as dicas dum professor querido. Machado foi meu pai literário e eu tenho pena de quem o despreza ou odeia. Qualquer bom leitor reconhecerá a qualidade do texto machadiano. A coisa do gostar, isso depende do que cada um é feito. 

 Para ler Machado recomendo: 1ª uma boa coletânea de contos (sempre recomendo contos de um autor, porque serve como uma espécie de amostragem da escrita, é mais rápido e dá para se ter uma ideia do geral); 2ª Helena, o povo fala muito mal da fase romântica do Machado. A impressão que tenho é que não leram direito; 3ª Memórias Póstumas de Brás Cubas, porque é sensacional. Pirandello e Sterne versaram sobre o mesmo tema, mas Machado, ah Machado, leva a cousa para outra esfera. Seu Brás Cubas é encaixado no Realismo por mera convenção. Como um livro em que um defunto narra suas desventuras pode ser considerado realismo? Sabe como? ;) Meus livros antiguinhos do Machado.





Inté.
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