quarta-feira, 9 de março de 2016

Resenha: Room (O Quarto de Jack)



Uma das únicas resenhas que pretendo fazer dos filmes indicados a alguma coisa no Oscar 2016 é justamente o meu filme favorito, o único que realmente merecia ganhar todos os prêmios artísticos, filme esse que mais parecia uma película de Arte européia, como há muito não assistia: Room.

O filme parece contar a história do pequeno Jack (Jacob Tremblay), um espirituoso menino de 5 anos que é cuidado por sua amada e devota Ma ou Joy (Brie Larson). Como toda boa mãe, Ma se dedica em manter Jack feliz e seguro, cuidando dele com bondade e amor, e fazendo coisas típicas, como brincar e contar histórias. Só que essa pequena família é tudo, menos normal, porque Ma é uma vítima de pedofilia, fora sequestrada há alguns anos e é mantida em cárcere nesse quarto, onde é abusada constantemente, inclusive ficando grávida do pequeno Jack, seu único alento. É por isso que na minha perspectiva, Room é sobre Ma e não sobre Jack. Na verdade, Jack é nosso herói, cuja capa são os cabelos, que mais tarde são cortados, sem que ele perca os super poderes.

O filme é adaptado a partir do livro, e foi a própria autora, Emma Donoghue, quem adaptou a história para o cinema e isso é algo raro em Hollywood. Ela se inspirou em crimes reais e não deve ter sido fácil resumir uma obra tão delicada, em um filme com menos de duas horas de duração. 

Room é dividido em dois capítulos. A primeira parte é dominada pela dor de Ma no cativeiro e por seus esforços em manter seu filho feliz. Brie Larson reina demonstrando a experiência e segurança de uma grande atriz, ao nível de Cate Blanchett. Mas a segunda parte do longa, é carregada pelo jovem Jacob Tremblay. Não existe protagonista e coadjuvante, pelo menos não entre Brie Larson e Jacob Trembley, porque eles formaram uma bela parceria, que se complementa. A conexão entre seus personagens é tão forte, a ponto de roubar o coração do espectador. Acredito que esta é a primeira vez, desde Dakota Fanning, que um ator mirim consegue dominar seu papel e deixar o público cativado, como em I am Sam. 

 Larson surpeende com tamanha entrega e naturalidade. Apareceu de cara lavada em grande parte do filme, devastada pela presença de Old Nick, interpretado por Sean Bridgers, e pelos sete anos que passou olhando o mundo através de uma pequena janela. Após o retorno da personagem para a sociedade, Larson retratou perfeitamente o sentimento de estar livre, mas não se sentir livre. Além do relacionamento entre mãe e filho, o filme também fez questão de mostrar tudo o que Ma deixou para trás desde seu sequestro: toda a sua vida e sonhos.

Ao mesmo tempo que Ma (ou Joy) consegue retomar sua vida, o avô não aceita o neto que foi fruto de anos de abuso, e simplesmente decide que não quer contato com ele. Marcados por uma tragédia incompreensível, é Jack quem ganha forças e consegue unir o que sobrou de sua família. Justamente quem teria a maior dificuldade em conhecer a liberdade, foi quem tirou o maior proveito dela. Os papéis se revertem, e é Jack quem passa a cuidar de sua querida Ma, ele a orienta e faz de tudo para ajudá-la a manter a sanidade. 

A parte final, o retorno e despedida ao quarto (de Jack) é umas das partes mais doloridas do filme, e é a minha favorita.

Assistam.

Inté.

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