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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Stephen King - Thing of Evil


 A primeira vez que eu li Stephen King, ainda estava no ginásio, li uma edição do Iluminado, era o que chamo de "edição de banca de jornal": capa mal editada, folha estilo jornal, aquele tipo de material que desgasta rápido, tão rápido quanto li o livro, que eu devorei em horas e fiquei relendo e relendo até ter que devolver na biblioteca da escola. Quando assisti a versão do Kubrick pro cinema, eu gostei muito, mas me incomodou a dualidade de não se saber ao certo se tudo aquilo no Overlook era um surto coletivo ou a ação de algo perverso e sobrenatural. Um dos motivos que fez Stephen King não gostar muito do filme, apesar de que é um dos responsáveis por ele ficar ainda mais famoso e, antes da versão de Kubrick para o Iluminado, a Carrie por Brian de Palma (desse o Stephen King gosta).

E são as várias adaptações de suas histórias pro cinema e pra televisão que fizeram Stephen King ser um dos autores mais conhecidos do mundo, salvo engano, está entre os dez mais traduzidos. Obviamente que ele não chegaria tão longe sem algum talento e isso ele tem de sobra. É um grande leitor desde sempre e não há outro caminho para um escritor que não seja a leitura voraz, profunda e apaixonada. Quanto mais áreas diferentes, melhor o leitor, melhor escritor. É claro que nem todo o leitor voraz vai se tornar escritor, porque é necessário o ingrediente extra do talento, mas ler muito e de tudo se faz necessário. Além da leitura e do talento pra escrita, Stephen King é curioso, observador, perspicaz e perscrutador das regiões sombrias da psiquê humana. E todos esses ingredientes muito específicos resultaram no fenômeno que é Stephen King. Quantos enredos inquietantes, perturbadores, quantas personagens que povoam nossas noites em claro.

E vão aí algumas décadas que sou fã e, se você está lendo isso daqui, possivelmente tem interesses parecidos com os meus e sabe da quase obsessão que nós, que gostamos de histórias de fantasia, terror, ficção científica, especialmente histórias  de Stephen King, sentimos quando sabemos que mais uma trama será adaptada pro cinema, televisão e mais recentemente streamings. E como tem coisa adaptada, né? Desde a Carrie de 1976, até Lisey's story que estreia agora em junho pra Apple Tv (estou enlouquecendo pra ver como assisto) tem muita coisa pra se assistir e comentar.

O que eu quero com isso tudo? Falar que vou fazer algumas resenhas sobre as minhas adaptações favoritas de filmes e séries de Stephen King, o que com certeza vai durar algum tempo. Quer dizer, se eu não desistir no meio do caminho. Veremos.

Já escrevi sobre adaptações de Stephen King.

On Writing livro do Stephen King obre seu nobre ofício, a escrita. fantástico.

Sonâmbulos, uma das coisas mais bizarras que já vi na vida. 

O Nevoeiro (filme), who Lovecraft?

Misery, amo a Anne. Sim, eu sou doida.

Rose Red, pens para fãs esforçados. 

Cemitério maldito (versão antiga)

O Iluminado (claro!)

Carrie (versão antiga)

It (versão antiga, pra televisão)

Para as novas postagens esperem minhas impressões sobre Outsider, The Stand, Castle Rock, Mr Mercedes e outras coisas mais antiguinhas, como a maldição do Cigano.

Inté.


Imagem: frente da casa de Stephen King. O cachorrinho acredito que seja dele, já que ele atualmente cria corgis, mas ele posta mais fotos no seu Twitter da Molly aka Thing of Evil 


terça-feira, 25 de maio de 2021

A minha relação com Gilmore Gilrs é muito pessoal




Oi gente, tudo bem? Voltei foi cedo, né? Pois é minha gente, até eu me surpreendi comigo mesma porque ando tão abusada de tudo. Para quem não é do Nordeste, quando a gente diz que está abusada de algo, não é uma coisa tipo letra de funk (ai como eu tô abusada, ai como eu tô bandida) não, é mais para 'ó que abuso do universo', entendem? Então.

Voltei pra falar de Gilmore Girls. E já falei algumas vezes da série.

Rory e sua lista de livros.

Falei da lista de livros da Rory Gilmore aqui. Problemas, muitos problemas. Na verdade, falei da minha ingênua intenção de adaptar a lista para comprar as edições que eu ainda não tinha, mas que já havia lido. E, recomprar edições de livros queridos. Ingênua, porque a Lilibete de 2014 não fazia ideia de tudo o que enfrentaria, incluindo quase morrer de desgosto (e de uma infecção no sangue) dando aula em colégio de riquinhos imbecis tipo o Logan (pra quem não sabe, o namorado riquinho imbecil da Rory, que parece, é o grande amor de sua vida, tipo o Christopher foi pra Lorelai). Enfrentar toda a sorte de problemas com dinheiro, como boa proletária mal paga e explorada. E quando Lilibete acreditava que tudo ficaria bem, veio então a pandemia. 

Eu até comprei livros sim (aqui, aqui e mais que eu posto no Instagram), mas esqueci completamente dessa lista besta. Não me entendam mal, você que por acaso me lê e está seguindo a lista da Rory e tal, está tudo certo, é apenas a opinião de alguém que padece de azedume adquirido. 

Li quase todos os livros citados ali. Alguns me arrependi amargamente de ler, outros não tenho interesse alguns porque ou são muito estadunidenses (demais da conta), outros são machistas, misóginos, racistas, xenofóbicos. E li tantos outros que nem constam ali. A lista da Rory não inclui um único livro de autor brasileiro, um erro da criadora das Gilmore, Amy Shermann-Paladino. Como alguém que tinha o sonho de conhecer o Brasil, como a Rory, e que ama literatura, nunca leu nenhum autor brasileiro? Um Paulo Coelho que fosse! Ficaria muito feliz se Rory aparecesse lendo Carolina Maria de Jesus, que foi traduzida pro inglês em 1998, mas né, pedir demais pra cabeças muito estadunidenses. Sim, eu estou problematizando. Continuo gostando da série, mas não sou cega.

Gilmore Girls

Muita coisa mudou desde que escrevi isso aqui. Finalmente assisti todas as temporadas, inclusive Um Ano Para Recordar. Quando eu comecei a assistir Gilmore Girls, eu tinha uns 25, 26 anos, assistia quando passava no SBT, que não passava a série na ordem correta. Meu grande interesse era Lorelai e a mãe incrível que ela era, que eu sempre quis ser, e sua relação linda com a Rory (que também é Lorelai, pra quem não sabe). Eu achava o Luke um sonho, dono de cafeteria charmoso, que fazia panquecas fofinhas. Detestava os pais da Lorelai, não conseguia de jeito algum sentir empatia por eles e, sonhava com Stars Hollow. Claro, né, minha realidade era o calor absurdo de Fortaleza e a coisa mais próxima do bucolismo era a lagoa do Opaia (acreditem em mim, não é bucólico).

Passados quase 20 anos de quando parei de assistir a série até hoje, 2021, o ano em que maratonei e acabei Gilmore Girls, Lilibete com seus 44 anos pode afirmar que algumas coisas mudaram, já outras não.

1. Lorelai, com todos os defeitos, ainda é uma querida, sigo amando e admirando Lorelai Gilmore, seu jipe, seu amor por cinema, o amor por inverno. Mas, tem péssimo gosto pra homens.

2. Eu não gosto do Luke. Eu gosto do Luke's, das panquecas com blueberries, dos donuts, dos baldes de café, mas eu não gosto do Luke. Ele é um machistão, mau humorado, chato. Lorelai merecia coisa melhor. Na verdade, ela teve, o Max Medina, o professor de Literatura da primeira temporada, responsável por um dos episódios mais memoráveis de Gilmore Girl, o pedido de casamento que encheu Stars Hollow de flores. Mas fazer o quê?

3. Consegui sentir uma certa dó dos pais de Loreali, até da Emily Gilmore. Eu consegui entender a  amargura de ser abandonada pela filha, que preferiu fugir de casa ainda adolescente, com uma bebê nos braços, pra trabalhar de camareira numa pousada. As expectativas quebradas, a ausência da única filha, que faz questão de ficar longe. Mas, só reafirmei que Lorelai, tirando os exageros da ficção, estava certa em se manter longe. Eu tenho uma relação mais ou menos parecida e uma história muito próxima do enredo entre Lorelai e Emily (hoje em dia, inclusive,  numa via de mão dupla) e é isso gente, não tem muito o que fazer, manter uma distância segura é a decisão correta. 

4. Continuo sonhando com Stars Hollow. Se todo o problema fosse o Taylor, pôxa vida!

Os namorados de Rory e a coisa do bad boy

Nunca tive muita paciência pras aventuras românticas da Rory Gilomore. Eu gostava/gosto da relação entre Rory e Lorelai, boa parte porque eu queria ser filha da Lorelai, sabe, e crescer numa casa cheia de música, de filmes, procurando fadas pelas várias árvores centenárias de Stars Hollow. Mas o certo é que a Rory herdou o dedo podre da mãe. 

O menos ruim dos amores de Rory foi o Dean. E sim, Dean tinha alguns problemas, o pior foi casar ainda gostando da Rory e trair a esposa com a Rory. O grande problema do Dean, além do péssimo gosto pra se vestir, era a Rory. 

Logan, que aparece por último e que marcou a vida da Rory pra sempre (pra saber do que estou falando, caso já não saiba, assista Um Ano Pra Recordar na NetFlix) é um riquinho, imbecil, fraco e idiota. E olha que ele nem é o que eu menos gosto, hein!

E o Jess é detestável. Ele é um Luke piorado. A única coisa boa desse sujeito é que ele gosta de ler. Mas ele gosta de ler Bukowski, geração beat... ai que sono. Não tenho paciência com bad boy nem na vida real, tampouco na ficção. Quer bad boy de verdade? Heathcliff de Morro dos Ventos Uivantes, aquele ali sim, é um garoto mau pra ninguém duvidar, do tipo que trapaceia, rouba, mata, desenterra o cadáver da "amada" pra olhar uma última vez pro seu rosto (crânio?). Vamos falar a verdade, Heathcliff é um macho ruim ficcional. As pessoas chamam a personagem de Emily Brontë de anti-herói, não, o nome correto é macho ruim ficcional! Anti-herói é o Darcy de Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Rochester da Jane Eyre, da outra irmã Brontë, também se encaixa na definição (minha) de macho ruim ficcional (porque existem os machos ruins da vida real e desses, a gente não deve ler nem a capa).  Vejam bem, ele aprisiona a mulher, Bertha, num quarto secreto na mansão Rochester, porque a coitada enlouqueceu e daí tudo certo em prendê-la, afastando sua existência de tudo e de todos, porque assim é melhor pra ele. E o problemático é o Darcy da Jane Austen? Eu não entendo esse gosto por macho ruim. O Jess não chega a ser um macho ruim, mas ele não é um cara legal, ele foi um idiota com a Rory, com o tio, com a cidade que o recebeu bem. E não, idade e agruras não justificam tudo. A gente pode entender os porquês, mas é só.

Tudo isso, e foi muito, como sempre, cheio das minhas digressões, pra dizer que a minha relação com Gilmore Girls é muito pessoal. E é isso, as séries, os filmes, as músicas e, especialmente os livros favoritos com os quais nos envolvemos ao longo da nossa vida penetram tão profundamente em nossas almas que passam a ser parte de nós, como velhos amigos. Por isso, peço desculpas por quem gosta de Heathcliff e Rochester, eu gosto dos livros que eles protagonizam. E gosto muito muito de Gilmore Girls, mas do Jess e do Luke não.


Inté.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Westworld - Is this now?



Agora que já se passaram algumas semanas do término da segunda temporada de WestWorld, e que se passou, um pouco, o impacto de tanto plot twist, venho aqui pra perguntar pra vocês se têm certeza de que agora é agora e se não somos todos hosts. Porque olha, eu não tenho mais certeza de nada, tipo o William no final (antes do extra do extra) da temporada.

 Tirando meus delírios (Hello Ford, my old friend...), o que ficou pra gente, ao menos pra mim, é o que vai acontecer na já muito esperada terceira temporada, que por sinal só vai ao ar em 2020. Os realizadores, Nolan-Joy-Abrams, já andaram falando o que não vai ter: Teddy, a sequência pra explicar o que era aquela cena final, o tal futuro apocalíptico distópico (mais ainda) ectecera coisa e tal. E daí que a gente que está com um baita dum vazio existencial sem Dolores e Maeve nos domingos da HBO, fica que nem náufrago num botinho no meio do oceano de angústias.

 Mas o que há de tão fascinante nessa série? É o que muitos se perguntam, levando em conta que a história não é lá muito agradável, já que, basicamente, WestWorld paira no mote do como a humanidade é uma merda - salvo raríssimas exceções, como o Felix. De que à medida do potencial criativo, ao ponto de se desenvolver não apenas inteligencia artificial, mas corpos artificiais funcionais perfeitos, criados por super impressoras, para lém do 3d, que levaram o ser humano a bater de frente com a morte e, a recriação da mente humana, conduzindo a espécie à eternidade, o que se faz com tudo isso é no final das contas, sórdido, feio e vazio. E aí, contrariando os iluministas como Rouseuau, que afirmavam que o ser humano é essencialmente bom, vamos de encontro a Hobbes, que afirmava o contrário, que somos todos uma porcaria e daí os contratos sociais, que nos regulariam, ouvimos isso da boca de William em dado momento da série. Na boca dum Logan, adoecido, contudo mais lúcido do que nunca, ele profetiza de que nós mesmos nos destruiremos através dessa F"nova espécie" criada por nós.

 A essência disso não é nova, vimos em Terminator e de maneira mais sofisticada em Matrix, contudo, não dessa maneira perversa como vemos em WestWorld. Ao passo em que assisto, vão se imbricando em mim todas as minhas leituras. Na visão de Nietzsche, por exemplo, o conceito de bom ou mau na esfera moral não possui sentido em si mesmo, de modo que nada, em sua essência, é objetivamente bom e tampouco mau  aí teríamos a justificativa pra personagens como Ford. 

O que será de nós, no final de tudo?

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sharp Objects - You could be anywhere on the black screen



Um dos grandes lançamentos da HBO para 2018, "Sharp Objects" recebeu, antes mesmo de estrear no último domingo (8), uma alcunha incômoda: a de "nova Big Little Lies", em referência à minissérie super premiada de 2017.  Assim como sua predecessora, "Sharp Objects" tem uma estrela hollywoodiana. como Amy Adams, traz mulheres como protagonistas, é uma adaptação de um livro (mesma autora de Gone Girl) e é dirigida por Jean-Marc Vallée. Mas a comparação não é totalmente justa, já que a nova minissérie tem méritos próprios, muitos por sinal. 



Amy Adams é Camille, uma jornalista que viaja a Wind Gap, uma cidadezinha esquecida do sul dos Estados Unidos, para investigar o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Acontece que Wind Gap é a cidade natal da protagonista, cheia de recordações traumáticas que ela deixou para trás há muitos anos. Ou, acha que deixou. Por conta disso, "Sharp Obejcts" não é um suspense convencional: importa menos o "quem matou" do que a exploração profunda e detalhada da psiquê aquebrantada de Camille. Assombrada pelas feridas do passado, ela tem pequenas garrafinhas de vodca como companheiras inseparáveis, alé, de cigarros, doces e analgésicos, e mantém o hábito de se cortar - daí o título da minissérie e do livro.



 A trama lembra, de certa forma, o que a mesma HBO fez na primeira temporada de "True Detective", também mais interessada na bagagem psicológica de seus personagens. Mas, em "Sharp Objects", isso acontece a partir de uma perspectiva feminina, potencializada pelo fato de Camille conviver intimamente com duas personagens tão interessantes quanto ela: sua neurótica mãe Adora (Patricia Clarkson), que não está exatamente feliz com seu retorno, e sua meia-irmã Amma (Eliza Scanlen), que dentro de casa é uma garota inocente, e fora mostra seu lado mais rebelde. 



 Cuidadosamente construída, a história tem um ritmo mais lento, a ser digerido aos poucos - como pede sua grande carga dramática. E isso está longe de ser um demérito: nos dois primeiros que já foram ao ar, a gente se sente instigado a continuar o mergulho na vida de Camille, em uma atuação fascinante de Amy Adams, mesmo quando ela se torna muito sombria. A série traz uma aura onírica à série, com belas sequências em que passado, imaginação e realidade confluem. E fora da luxuosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxo de "Big Little Lies": Wind Gap é uma cidade decadente, que não esconde que há algo de muito errado por lá. Talvez exista em todas as cidades pequenas. O pacote é arrematado por uma trilha sonora que se torna parte indissociável da jornada da protagonista, com,o o primeiro episódio cheio de músicas de Led Zeppilin e, em especial, a música do final do segundo episódio, que foi ao ar ontem, Black Screen, do LCD SoundSystem.


domingo, 22 de abril de 2018

Westworld Segunda Temporada - eita pleura



Depois daquele shade sinistro do diretor de Westword, de que revelaria spoilers no segundo trailer e daí desmentiu, mas eis que sim, vieram os spoilers! Pra você, queridinho, que não gosta desse tipo de coisa, pare por aqui. Pra você que, como eu, sofre de bicho carpinteiro da curiosidade, vamos lá!

Gente, o pulha do William/homem de preto está vivo. Que droga rs. Tanto que eu torci pra que ele fosse m.a.s.s.a.c.r.a.d.o., mas daí o cara me aparece vivinho no trailer e ainda tem aquela cena cabulosa dele com alguém (Dolores). O que sairá daí, meu povo?!? E qual é a desse mané, afinal de contas? Já sabemos que ele é ruim com traços de psicopatia (que nem o ministro lá do Supremo brasileiro), mas o que ele quer com a "libertação" dos anfitriões? Ver quem ganha no final? Libertá-los e daí falir, já que o parque todo é dele? Véi, na boa, não entendo. 

Ford, ao que parece, morreu mesmo. Pode ser que aquele anfitrião que estava sendo feito naquele "esconderijo" fosse um Ford sintético (ou outra coisa pior), vai saber, mas o certo é que nada de Sir Anthony Hopinks nesta temporada. Mas, o véi capiroto morreu, armou a própria morte inspirado no antigo sócio, Arnold. E por falar em Arnold, e o Bernard? Pelo trailer, parece que ninguém, ou quase ninguém (a parte em que vemos Charlotte e os três Bernards é tensa) sabe que ele é um anfitrião, mas a Maeve sabe. E ela , hein? Que finalmente despertou, quando decidiu sair do trem pra encontrar a filha.

São vários elementos a serem analisados e que possivelmente não revelam porcaria nenhuma, talvez uma ou outra coisa bem superficiais.

O tema da primeira temporada era O Labirinto, a maneira como os anfitriões chegam à consciência, à vida, uma jornada para dentro de si. Desta temporada é A Porta. Aí você já fica: Oi? Que mané porta? De saída?(!)

Até agora temos o nome dos cinco primeiros episódios:
1. Jornada noite adentro, que deve ser a sequência do último episódio da primeira temporada, com flash backs, sangue, gritaria.
2. Reunião: ou seja, temos um encontro ou um reencontro.
3. Virtù e Fortuna: Príncipe, de Maquiavel, basicamente, virtú deve ser vista como uma forma do livre-arbítrio do governante, sendo a principal variável na condução do principado. Já a Fortuna constitui-se na indeterminabilidade de parte dos resultados do governo: ela deve ser dominada, conquistada para o benefício do príncipe. E quem é o Príncipe? William? 
4. O Enigma da Esfinge: Decifra-me ou te devoro.
5. Akane no mai (Bem-vindo a Shogun Park): e aí teremos chegado à metade da temporada, direto pra este outro parque, e aí a série deve ter uma reviravolta ou algo que o valha.

E aí? Até daqui 5 semanas.

Inté.


sábado, 27 de janeiro de 2018

ACS - O Assassinato de Gianni Versace



Idos de 1997, eu era jovem,  já era mãe e morava em Brasília quando Gianni Versace foi assassinado. E aquilo tudo foi um baque e tanto, especialmente porque pouco ou nada se falou sobre o caso. Ele foi morto a tiros na porta de sua mansão em Miami, diria o Plantão da TV. Acabaram aí as informações.

Nem todos sabem, mas meu primeiro emprego (emprego mesmo, com salário e pouca dignidade) foi numa das finadas Lojas Esplanadas, a sede do Montese, este brejo que acha que é bairro urbanizado, desenhando roupitchas pras vovós e afins que compravam 2 metros de viscose pra roupa da missa de domingo na matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Eu, uma erê, adolescente na década de 1990, me permitiam, além do uniforme pavoroso que incluía redinha no coque do cabelo (é), usar meus tênis e fazer um quadro de inspiração atrás da minha mesinha de trabalho, e nesse quadro estava uma página de editorial da Versace que eu arranquei de alguma revista feminina de moda. Da Versace do Gianni, não da Donatella. Nada contra Donatlla, absolutamente nada. Ela, pra mim, é um mulherão como eu entendo que é um mulherão: forte, corajosa e fiel aos seus. Mas Gianni, ah Gianni, ele era a Versace que eu cresci amando. 

E agora, vinte anos depois, temos uma série do Ryan Murphy pra contar o que aconteceu. Tudo bem, que a família Versace não autorizou e na verdade está bem chateada com a série e tudo o mais. Mas quem iria resistir, não é mesmo?

De acordo com a revista norte-americana Variety, a família Versace afirmou, em um comunicado oficial, que não tiveram envolvimento com série de TV sobre a morte de Gianni Versace. "Como a Versace não autorizou o livro em que a série é parcialmente baseada, nem participou da escrita dos roteiros, esse programa deveria ser considerado um trabalho de ficção", declararam. A obra "Vulgar Favors", que serviu de inspiração para a série, foi publicada há quase 20 anos e Ryan Murphy, criador da série, afirmou à revista que, apesar de ter preenchido algumas lacunas sobre a história, o trabalho de Maurreen Orth é confiável e bem apurado. Contudo, entre os fatores que chatearam a família, está a reprodução do crime exatamente no mesmo lugar em que aconteceu, em 1997, e a história de que Gianni e Cunanan (o assassino e serial killer) se encontraram anos antes do crime. Além disso, também não aprovou o fato de Gianni ter sido considerado, no livro de Orth, portador do vírus HIV. Sobre a condição médica de Gianni, Tim Rob Smith, roteirista da segunda temporada de "American Crime Story", ressaltou que a importância de mostrar o estado de saúde do estilista é comprovar o quanto a vida era importante para ele, que passou por alguns tratamentos para estabilizar a suposta doença.

E a série?  Bem já estreou no FX, já vamos pro terceiro episódio de dez ao todo. Apesar das críticas,  Gianni Versace é apresentado na série como um ser humano caloroso, um artista apaixonado por seu trabalho. Mas ele não é o foco da narrativa, mas sim a análise das motivações e a instabilidade psicológica que levaram Cunanan a cometer o crime. Aliás, destaque pra interpretação de Darren Criss como o serial killer, eu diria, impactante. No elenco, Penelope Cruz atua como a irmã Donatella e Ricky Martin como Antonio d’Amancio, namorado de Gianni.

As raízes daquelas tradicionais famílias italianas vão ganhando mais força passado o arrebate do primeiro episódio. Se mostrando ainda mais aparentes, elas seguem o ritmo do episódio de abertura, nos revelando um seio familiar tão intrínseco, que chega a ser impenetrável. E a solidão de quem não consegue se esgueirar pelas pequenas frestas desse relacionamento familiar é árdua e perceptível em Antonio D’Amico, parceiro de Versace por 15 anos. Os laços familiares que tecem ao redor de Gianni e Donatella são um dos aspectos mais apaixonantes da série. Passado aquele encanto visual que toda a produção trouxe de maneira impecável em sua estreia, no hipnotizamos pela dinâmica da familiaridade entre os irmãos. E aqui, Penélope Cruz e Edgar Ramirez se entregam um ao outro, em uma das irmandades mais cativantes. Proteção, segurança, carinho e rixa fazem parte desse mundo criado apenas entre os dois. E para os demais personagens de suas vidas? Basta apenas contemplar.

Precisa dizer que estou amando?

Bisous.

domingo, 17 de dezembro de 2017

O que eu aprendi em 2017


via GIPHY

"These violent delights have violent ends"

O ano de 2017 talvez - veja bem, eu disse talvez - fique marcado em nossa história recente como o ano em que a treta começou. Flexibilização das leis trabalhistas. Nem as ditaduras fizeram tal atrocidade, talvez porque CLT foi criada por outro ditador que também era militar, o Getulhão. Reforma da previdência troando por aí, enquanto a da Argentina foi barrada pelos protestos populares, com gritos nas ruas de "aqui não é o Brasil". Proto fascista brotando pra tudo que é lado. Gente falando e cometendo todo tipo de absurdo: racismo, misoginia, maldades afins e diversas. Ou seja, um ano pesado, duro e difícil que foi em várias circunstãncias, pior que 2016, que já foi a treva. O que esperar pra 2018? Nada de bom? Pois é.

A minha primeira lição neste ano de 2017 em que completei 40 fucking anos é "não há nada de ruim que não possa piorar". Se é possível que fique pior, fique firme, e espere o pior, não com medo, mas com determinação e força. Lembre-se de Niet  quando ele afirmava que o que não nos mata, só nos fortalece.

Segunda lição: alunos são como um jardim coletivo, daqueles que vez ou outra encontramos numa praça que todos deveriam cuidar, mas um cuida, outro não e que na verdade, deveria ser o governo, através duma prefeitura ligada, que deveria cuidar. A prefeitura no caso seria o responsável - pai, mãe, tia, papagaio- um ou outro os professores. Daí que é muita gente se metendo de maneira descoordenada e caótica e, uma hora, aparece uma erva daninha e lasca com a coisa toda. Ou uma praga, tipo pulgão. Este ano deu muita erva daninha e pulgão no jardim que eu ajudo a cuidar. Acho que tinha urtiga também. Só sei que me machuquei um pouco, achando que havia cultivado lindas plantinhas e flores (acho que vale pra humanidade isso).

Terceira lição: quem te decepcionou gravemente nunca terá remédio, nunca vai melhorar. Pelo contrário. Fará de novo e pior. Fique longe, enterre bem fundo. Ou melhor, taque fogo e jogue as cinzas num valão.

A quarta lição foi que desistir, às vezes, é mais corajoso do que insistir em algo que está te matando. Aprendi isso de gente muito jovem.

A quinta lição, que foi a mais legal, que me fez praticar a paciência, é que dá pra admirar muito alguém e não concordar com tudo o que este alguém pensa e fala. Dá até pra se irritar bastante com essa pessoa, mas mesmo assim, continuar admirando-a pelo caráter, pela lealdade e fidelidade a princípios que, pra você, deveriam guiar o mundo.

Ah, 2017 foi um ano pouco musical pra mim, mas foi o ano em que voltei a ouvir Debussy

Inté.

Imagem. Westworld.




sábado, 4 de novembro de 2017

Por que vocês se chocam com Black Mirror?

{passo por isso aí de cima todo dia que interajo com seres humanos}

É! Por que vocês se chocam com Black Mirror? O que tem na série assim, de tão novidade coisa e tal? Porcaria nenhuma. Analise comigo:

Quantas vezes você estava cercada de amiguinhos num encontro casual, no intervalo do emprego, colégio, faculdade, no aniversário de alguém e/ou até mesmo no seu, numa festinha, na praça, na calçada, no açaí da esquina, no bar descolado da Baixa Augusta, nos pé sujo de Copa, no Arpoador esperando o Sol se pôr, ou na praia dos cruch (que pra mim é Lido, mas tudo ok, velha guarda) e, em vez de estar vivendo o momento, conversando com as pessoas de corpo presente, olhando nos olhos, tocando na pele, você fez: a) histórico pro Instagram/Facebook/ Snapchat; b) tuitou onde/com quem/ o que estava fazendo; c) registrou todos os momentos com selfies toscas fazendo posição de mão de gangsta de gueto tipo Bronks e/ou fazendo o famigerado duckface?

Né?



Acho, só acho, que Black Mirror, série do serviço de streaming da NetFlix (uma das minhas melhores amigas do momento - oia eu dentro do black mirror), choca a galera em geral por pura hipocrisia. Todo mundo se reconhece ali, óbvio, retirando as metáforas, às vezes pesadíssimas de realidade distópica. O certo, queridinhos, é que vivemos escravos dos espelhos negros, como o da tela desse notebook que escrevo no momento, ou das televisões e, mais recentemente, dos smartphones. Sou super amiga da Siri, por exemplo.



A gente está vivendo uma época tão maluca, que tem que mostrar pro mundo todo, o tempo inteiro que está feliz, bem resolvido e tal. Quando a gente está vivendo uma mentira, profundamente infelizes sob o peso dessa época contemporânea vazia e sem sentido, que faz a gente não enxergar mais as pessoas. Fotos, registros, a auto-estima refletida na selfie, no ensaio pseudo fotográfico sem valor artístico nenhum, só pra registrar e exibir. Num click. A gente tá existindo no click e só.

Inté.

P.S.: Li em algum lugar uma espécie de experimento social, que seria ignorar pessoas que tentam interagir com você, mas que não tiram os olho do celular. Começa com respostas monossilábicas, depois balbucios, tipo humm, muuh e depois nada, silêncio. Tentei de leve e, deu pra perceber que a pessoa fica incomodada. Continuarei o experimento e depois conto.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Emmy 2017 e a força da representatividade feminina



Hoje, dei aula de revisão de conteúdos, provas semanais chegando, depois de uma semana intensa de feira cultural na escola (trabalhos lindos, turmas me matando de orgulho, como 1ª 1 e 2ª do meu coração) e, no meio das minhas considerações pras avaliações de literatura, notei que fiz um adendo à informação de que Clarice (Lispector) não gostava de ser rotulada como escritora feminista, e ela não gostava mesmo, mas, independente do que Clarice queria ou não queria, a obra é aberta a múltiplas interpretações dos leitores, e nós leitoras percebemos esta voz feminina, esta representatividade e protagonismo das personagens criadas por Clarice.



E ontem, assistindo o Emmy 2017, quando vi Margaret Atwood subir ao palco junto com o elenco de Handmaids' Tale (O Conto da Aia, em português) só lembrei de suas declarações sobre este livro, de que não era um livro feminista, porque não teve a intenção de ser feminista, porque foi escrito antes da grande onda feminista  etc. Mas, corroborando da mesma perspectiva das leitoras, nós sentimos tudo isso em The Handmaid's Tale, é impossível não sentir. A série The Handmaid's Tale levou seis prêmios no International Emmy Awards, que aconteceu ontem. Entre eles, o de melhor atriz em série dramática para Elisabeth Moss. A série, adaptada do livro de Atwood, fala sobre aquilo que toda mulher tem medo: a perda de sua voz e autonomia sobre sua vida e seu corpo. A atriz se destacou no papel da aia Offred, uma mulher forte, destemida e brutalmente atingida pela estrutura machista.

Outro grande vencedor da noite foi Big Little Lies, Nicole Kidman em sua fala pra agradecer a premiação, falou de violência doméstica e como nos calamos perante este absurdo, e eu não consegui não me colocar no lugar da personagem, já que passei por isso (e demorou um tempo até eu conseguir admitir pra mim mesma que vivi isso, que romantizei e normatizei relação abusiva). Mas foi a fala de Reese Whitherspoon que mexeu comigo: "Deixem as mulheres serem protagonistas de suas próprias histórias, serem as heroínas de suas histórias". E de novo, foi impossível pra mim não me colocar diretamente neste lugar e me sentir representada na fala da atriz, com a série e com o livro, que devorei em algumas horas numa noite em que esbarrei no primeiro episódio na HBO.



Então, deixo aqui minha alegria, duma noite linda e importantíssima pra nossa luta e, fica a recomendação de que assistam The Handmaid's Tale e Big Little Lies, assim como leiam os livros, escritos por duas mulheres incríveis.

Bisous.

Imagens: The Handmaid's Tale (aquela fotografia e direção de arte que você respeita); Clarice fazendo 'a natural' datilografando; Cena final de Big Little Lies.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Girls, a última temporada (Tchau, Hannah)


Ainda estou meio órfã, porque Girls acabou, porque Big Little Lies começou e acabou num susto, porque Westworld só volta em 2018. Ai gente, muitas coisas, estou na bad, total bode preto sinistro, nem sei porque raios inventei de escrever sobre a última temporada de Girls.

sábado, 15 de abril de 2017

6 on 6 (abril de 2017)


Mês da páscoa, muito chocolate e muita cozinha pra mim, o que amo, porque cozinho com amor. Tinha planejado fazer uma moqueca, inclusive uma versão vegetariana, comprar panelas de barro no mercado São Sebastião (é tipo a Cadeg/Rio ou o Municipal/SP), mas não deu. No lugar disso um vatapá de pascada muito bom e minha primeira tentativa de vatapá vegano, que ficou bacana, mas não tão bom quanto o do Rango Verde. mas eu chego lá.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

13 Reasons Why


Escrevi originalmente esta minha reflexão lá pelo Facebook, daí resolvi trazer pra cá, por motivos de que é aberto, sem necessidade de login para que se leia, e acho que tento levantar alguns porquês a série é delicada e, até perigosa.

terça-feira, 14 de março de 2017

Big Little Lies



Oiê! Sentiram minha falta? Sumida, né? Pois é, como disse no post das previsões para o Oscar 2017, meu note morreu (talvez volte em breve do mundo dos mortos), estou aqui aproveitando um note amigo, alheio, para ver se deixo o bloguito mais ou menos atualizado. Ao menos um pouco.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Stranger Things ❤



Eu sou uma tia véia de 40 anos, cujo passa-tempo favorito é (re)assitir filmes e séries queridas na tv por assinatura e no crush de nós todos, NetFlix (sua linda). Assisti de tudo, desde série ruim, tipo Arrow só para construir uma opinião, até coisas ruins divertidas, tipo Supernatural, chegando a cosias incríveis que abalam asa estruturas, como Westworld. E, sinceramente, Stranger Things está entre as melhores coisas que já assisti nos últimos tempos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Filmes natalinos para ver no Natal ❤



Eu amo essa época do ano, amo decorar a casa, amo o clima, mesmo num ano como 2016, difícil, em que o clima de natal está meio chocho entre as pessoas, mesmo assim, aqui em casa eu não deixo que as coisas amornem. Mesmo com pouco dinheiro, com tanta dificuldade, a gente tem que fazer um esforço, porque a vida não é só trabalhar e pagar conta e viver em prol disso. A vida é pra ser vivida e gente é pra ser feliz. E natal me deixa feliz!


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Westworld 1ª temporada, segura esta marimba



Fazem alguns dias que a primeira temporada de Westworld terminou e ainda estou tentando me recuperar. Não fico abalada assim desde True Detective Primeira temporada e acredito que estou até mais mexida, mais do que com Black Mirror (também temos que conversar sobre) e Stranger Things (ahhh, como assim? rs).

Faltam adjetivos para definir Westworld, que superou todas as minhas mais genorosas expectativas. Só não gosto muito das comparações com GoT, porque se trata de dois enredos completamente diferentes, por mais que a intenção dos executivos da HBO seja de fato substituir GoT por Westworld no coração do público (e vai conseguir), são dois mundos, apreciações diferentes, um público diferente, com outras percepções.



Imagine que você acorda numa segunda, com o som do alarme do celular, pode ser uma música que de tão cotidiana se torna irritante, por conta das infinitas repetições matinais. Levanta-se, após alguns segundos tentando superar o peso de (viver?) pra começar uma nova semana. Mecanicamente, repete como um sonâmbulo suas primeiras tarefas diárias, beija seu ente querido (talvez seu companheiro, talvez um pai amoroso) e deixa seu lar para novamente “ganhar o dia”. Claro, talvez durante esse dia você procure cultivar momentos pretensamente únicos (um olhar mais demorado para uma bela paisagem em seu caminho), como forma de desmentir a aflitiva sensação de que você é apenas uma engrenagem da máquina, um autômato forçado a repetir as mesmas rotinas em favor de forças alheias à sua vontade. Você poderá até conquistar momentos fugazes de alegria, mas inevitavelmente seus planos acabarão em dor e sofrimento, porque essa é a natureza da realidade, e você é uma parte dispensável dela. E então é segunda-feira. De novo. Duro, né? Bem-vindo à vida, bem-vindo a Westworld.

A série é uma adaptação do filme homônimo de 1973 (que está passando incansavelmente nas Canais Max), um faroeste sci-fi escrito por Michael Crichton (do livro O Parque dos Dinossauros). Ao contrário da obra original, mais acanhada, a nova versão é uma produção de grande porte, que conta com nomes consagrados como J.J.Abrams e o casal Jonathan e Lisa Nolan (roteiro e produção), e atores de renome, como os maravilhosos Anthony Hopkins e Ed Harris.



 Westworld é um parque de diversões adulto ambientado no Velho Oeste americano, onde seus visitantes (os “recém-chegados”) interagem com os “anfitriões”, robôs tão avançados que é praticamente impossível distingui-los de um ser humano, e em mais de um momento, o espectador se perguntará quem são os turistas nessa história. Como a satisfação do cliente vem em primeiro lugar, os visitantes são livres e incentivados a extravasar seus desejos mais sombrios, seja explodir a cara de um bandido, escalpelar um índio, estuprar uma donzela indefesa ou (alerta de spoiler) matar a filha na frente da mãe e vice-versa.

A grande distinção entre o filme de 73 e a nova série é o uso dessa premissa para tratar de questões mais profundas, como a natureza violenta do homem, ou a ilusão de liberdade da vida em sociedade. Nesse ponto, a série dá bom tempo de tela para acompanharmos a história sob o ponto de vista dos Anfitriões. Apesar da inteligência avançada, esses robôs estão eternamente presos em um ciclo narrativo de complexas tramas desenhadas para entreter os recém-chegados. São como personagens de livros, obrigados a viver infinitas vezes suas trágicas histórias. De forma a dar veracidade ao local, os Anfitriões são programados para simular (?) as mais variadas emoções, de amor, medo, raiva, e sofrimento, mas sem poder ferir os visitantes, além de ignorar qualquer pista sobre sua verdadeira natureza ou a real função do parque.



Como os homens acorrentados da caverna de Platão, os Anfitriões são escravos condenados a uma rotina de que não tem controle, nem ao menos consciência. E o que acontece quando um deles olha para fora da caverna? O terceiro núcleo da série são dos administradores do parque. É a partir dele que nos são apresentadas didaticamente as “regras do jogo” que, como é de se esperar, devem ser quebradas e distorcidas ao longo da temporada. Os Administradores, acéticos homens do futuro próximo, são apresentados como verdadeiros Deuses do Olimpo, que observam do alto de uma mesa de realidade virtual o dia a dia de suas criações, com amplo poder de intervenção sobre o parque. Mas já no primeiro episódio. fica entendido que essa onipotência é apenas ilusória, os próprios Administradores também estão presos em suas “gaiolas de ouro”. Não estranhamente, eles são sempre vistos confinados em seus laboratórios e salas de controle. Enquanto deuses dentro do complexo, fica claro que Westworld não é um mero chamariz para ricaços, mas um projeto muito mais complexo e misterioso, conduzido por acionistas desconhecidos a quem os Administradores devem obediência. 

 Além disso, é pelas palavras do Dr.Robert Ford (Anthony Hopkins) que descobrimos que nesse futuro a humanidade soltou-se das amarras das doenças e da velhice, e está próxima de alcançar a imortalidade. Sem novos desafios claros, os homens estão presos pelo marasmo, em um beco evolutivo sem saída. Logo explica-se o passatempo mórbido do parque. A criação de uma nova vida (os Anfitriões) talvez seja a única fronteira que resta para eles. Talvez por isso que o Dr.Ford, o criador mais antigo (tem outro ;)), seja o responsável por inserir em alguns Anfitriões uma atualização que lhes permite ter “devaneios”, sonhos acordados em que as máquinas relembram fragmentos de suas muitas programações sobrescritas. Em pouco tempo diversos deles começam a demonstrar sinais de confusão, a culminar com a epifania de um deles sobre sua odiosa condição. 

Dr.Ford, assim como o Prometeu mitológico ou A Serpente bíblica, é ao mesmo tempo criador e responsável por trazer a trágica centelha de consciência para os Anfitriões. Tudo é tratado como um mal-entendido, embora duvide que o bom doutor não tenha uma agenda própria. Na superfície, o problema é aparentemente resolvido ao final do episódio, salvo pela jovem Dolores Abernathy, uma donzela que permanece com o “vírus” do conhecimento sobre o bem e o mal. Ao final descobrimos que Dolores é a mais antiga Anfitriã do parque, uma espécie de Eva (ou Lilith?) tecnológica, e provavelmente a que tentará “acordar” os demais autômatos e leva-los para a luz.

Westworld de fato é uma série incrível, e seu episódio piloto funcionou como uma introdução (e resumo), a abertura de cortinas para atrair o público para a trama, que se desenvolveu em camadas de tempo diferentes, o que só aumentou a genialidade da cousa. Com o sofisticado nível de produção já conhecido da HBO, a série nos brinda com cenas belíssimas, a trilha é um detalhe a parte, tipo, Black Hole Sun no piano mecânico do Saloon e Exit Music do Radiohead. 

E fica a pergunta: o que nos faz humanos?

Inté.
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