sábado, 10 de fevereiro de 2018

Cinco bolas de sorvete por 1 real



Descobri esta semana que tem uma filial do Sorvete do Juarez quase de frente pro Iguatemi, o shopping mais pop da cidade. Iguatemi que não é o mais rico (este é o RioMar das Dunas), não é o mais besta (também fica pro RioMar das Dunas), tampouco o mais bonito (Deo Paseo), só que é o mais pop sim. Apesar de toda uma tentativa de manter os suburbanos nos seus devidos bairros, com a enxurrada de shoppings meia boca espalhados pelos confins da cidade.

E o Sorvete do Juarez? Bem, esse aí é uma entidade. Ou, ao menos, virou uma espécie de entidade de uns seis anos pra cá, desde que o Instagram deixou de ser apenas pra iPhone e socializou a coisa dos registros e selfies em rede social de fotografia (e agora vídeo, chat, etc coisa e tal). Mas e o Juarez? Pois é, Seu Juarez era um senhor maravilhoso que criou uma família toda com a fórmula de sorvete que criou pra sobreviver. Era tão bom, que fincou raízes e fez sucesso ao longo das décadas, adoçando a boca de algumas gerações de cearenses das aldeotas. Infelizmente, Seu Juarez faleceu dia desses, mas seu sorvete entrou pra história de Fortaleza, virou tradição e com filiais espalhadas por uma certa região da cidade, digamos, mais abastada: Av. Barão de Studart, Avenida Engenheiro Santana Jr., Av. Santos Dumont, Av. Washington Soares, todos endereços nobres da cidade. 

O que eu quero dizer com isso?

Vamos lá, primeiramente #ForaTemer, em seguida que o sorvete é sim excelente, mas eu que sou suburbana criada entre a Vila União e o Montese, nunca ouvira falar do Sorvete do Juarez até uns poucos anos atrás, por motivos óbvios, porque suburbana e pobre que era, sorvete pra mim era só quando recebia o salário, o velho Kibon (antigamente, Sorvane) napolitano e no resto do mês, quando dava, era com o carro de sorvete (cinco bolas de sorvete por 1 real... tragam a vasilha e que depois virou: já temos a vasilha). E daí que, de repente, esse povo que, como eu, tudo criado tomando banho de chuva na bica do vizinho, comendo jambo das calçadas, jura de pé junto que tomava sorvete no Seu Juarez desde sempre e, ainda me tem a pachorra de afirmar que é o sorvete do coração de Fortaleza. Oi? E desde quando a elitista Barão de Studart é coração da cidade? Que eu saiba, o coração de qualquer cidade é o Centro e o Centro meu povo, não é a Aldeota, a Varjota e o Papicu. Centro é Praça do Ferreira, é a Praça José de Alencar, é a Praça dos Leões, é a Castro e Silva, o Passeio Público, é a Liberato Barroso. 

Eu, como pobre sinistra e atrevida, super acho que temos todo o direito à cidade, a tomá-la de assalto e andar bem afrontosos por ela toda. Um dos meus prazeres ocultos é andar de chinelos havaianas pelos lugares metidos a besta da ensolarada Fortaleza, seja na hamburgueria da troca de tapa ou em qualquer outro lugar hipster e metidinho, simplesmente porque eu nunca deixarei de ser quem eu sou, uma suburbana pé de chinelo e descabelada. Mas é só isso mesmo. Não vou inventar história da carochinha e dizer que me criei tomando sorvete de tapioca do Seu Juarez, quando a verdade é a que descrevi, das cinco bolas de sorvete por 1 real e, que meu ápice era a Sorveteria Tropical no bairro de Fátima (hoje... 50 Sabores), quando minha mãe ia pra novena na Igreja que batiza o bairro ou vice-versa, isso porque o bairro de Fátima é vizinho da Vila União, meu logradouro de origem.

Eu nunca irei entender que mania que esse meu povo tem de ser brega, porque negar as origens é brega que dói. Ser pobre não é brega não. A gente tem ao nosso lado Paulo Freire, Malcom X, Lampião, um monte de gente corajosa e bacana. Vocês não acham, não? Só lamento que seu Juarez não era da Vila União.

Inté.

sábado, 27 de janeiro de 2018

ACS - O Assassinato de Gianni Versace



Idos de 1997, eu era jovem,  já era mãe e morava em Brasília quando Gianni Versace foi assassinado. E aquilo tudo foi um baque e tanto, especialmente porque pouco ou nada se falou sobre o caso. Ele foi morto a tiros na porta de sua mansão em Miami, diria o Plantão da TV. Acabaram aí as informações.

Nem todos sabem, mas meu primeiro emprego (emprego mesmo, com salário e pouca dignidade) foi numa das finadas Lojas Esplanadas, a sede do Montese, este brejo que acha que é bairro urbanizado, desenhando roupitchas pras vovós e afins que compravam 2 metros de viscose pra roupa da missa de domingo na matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Eu, uma erê, adolescente na década de 1990, me permitiam, além do uniforme pavoroso que incluía redinha no coque do cabelo (é), usar meus tênis e fazer um quadro de inspiração atrás da minha mesinha de trabalho, e nesse quadro estava uma página de editorial da Versace que eu arranquei de alguma revista feminina de moda. Da Versace do Gianni, não da Donatella. Nada contra Donatlla, absolutamente nada. Ela, pra mim, é um mulherão como eu entendo que é um mulherão: forte, corajosa e fiel aos seus. Mas Gianni, ah Gianni, ele era a Versace que eu cresci amando. 

E agora, vinte anos depois, temos uma série do Ryan Murphy pra contar o que aconteceu. Tudo bem, que a família Versace não autorizou e na verdade está bem chateada com a série e tudo o mais. Mas quem iria resistir, não é mesmo?

De acordo com a revista norte-americana Variety, a família Versace afirmou, em um comunicado oficial, que não tiveram envolvimento com série de TV sobre a morte de Gianni Versace. "Como a Versace não autorizou o livro em que a série é parcialmente baseada, nem participou da escrita dos roteiros, esse programa deveria ser considerado um trabalho de ficção", declararam. A obra "Vulgar Favors", que serviu de inspiração para a série, foi publicada há quase 20 anos e Ryan Murphy, criador da série, afirmou à revista que, apesar de ter preenchido algumas lacunas sobre a história, o trabalho de Maurreen Orth é confiável e bem apurado. Contudo, entre os fatores que chatearam a família, está a reprodução do crime exatamente no mesmo lugar em que aconteceu, em 1997, e a história de que Gianni e Cunanan (o assassino e serial killer) se encontraram anos antes do crime. Além disso, também não aprovou o fato de Gianni ter sido considerado, no livro de Orth, portador do vírus HIV. Sobre a condição médica de Gianni, Tim Rob Smith, roteirista da segunda temporada de "American Crime Story", ressaltou que a importância de mostrar o estado de saúde do estilista é comprovar o quanto a vida era importante para ele, que passou por alguns tratamentos para estabilizar a suposta doença.

E a série?  Bem já estreou no FX, já vamos pro terceiro episódio de dez ao todo. Apesar das críticas,  Gianni Versace é apresentado na série como um ser humano caloroso, um artista apaixonado por seu trabalho. Mas ele não é o foco da narrativa, mas sim a análise das motivações e a instabilidade psicológica que levaram Cunanan a cometer o crime. Aliás, destaque pra interpretação de Darren Criss como o serial killer, eu diria, impactante. No elenco, Penelope Cruz atua como a irmã Donatella e Ricky Martin como Antonio d’Amancio, namorado de Gianni.

As raízes daquelas tradicionais famílias italianas vão ganhando mais força passado o arrebate do primeiro episódio. Se mostrando ainda mais aparentes, elas seguem o ritmo do episódio de abertura, nos revelando um seio familiar tão intrínseco, que chega a ser impenetrável. E a solidão de quem não consegue se esgueirar pelas pequenas frestas desse relacionamento familiar é árdua e perceptível em Antonio D’Amico, parceiro de Versace por 15 anos. Os laços familiares que tecem ao redor de Gianni e Donatella são um dos aspectos mais apaixonantes da série. Passado aquele encanto visual que toda a produção trouxe de maneira impecável em sua estreia, no hipnotizamos pela dinâmica da familiaridade entre os irmãos. E aqui, Penélope Cruz e Edgar Ramirez se entregam um ao outro, em uma das irmandades mais cativantes. Proteção, segurança, carinho e rixa fazem parte desse mundo criado apenas entre os dois. E para os demais personagens de suas vidas? Basta apenas contemplar.

Precisa dizer que estou amando?

Bisous.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Culinária da Van ❤



Finalmente, fui comer feito uma condenada  à Culinária da Van, só que escolhi um dia muito errado, tipo um sol dusinfernos, num domingo preguiçoso, pós primeiro sábado de pré-carnaval, tipo, todos os bichos evolando cevada, perambulando pelas ruas do meu Benfica, vindos das Tabajaras, do Mercado dos Pinhões, todos ávidos por uma tapioca com suco de laranja custando 100 reais (quase, viu?) nos cafés do bairro. Pensei que morreria soterrada debaixo de pochetes hipsters e glitter.

Mas eis que foi, teve que ser neste dia e não foi menos especial. O lugar é lindo, uma casinha antiga  maravilhosa, no coração do Benfica, na Rua Waldery Uchôa, com uma decoração entre o fofo e regional. O atendimento é ótimo, rápido e as comidinhas... gente do céu. Pra começar, as porções são enormes, tudo muito bem servido. Confesso que fui especialmente pra comer um dos destaques do cardápio, sucesso da casa, o camarão crocante com molho de coco, e não me decepcionou. Na verdade, fiquei foi viciada rs. Pedimos outros petiscos, um de frango empanado com bacon defumado e outro que só a deusa na causa, uns quadradinhos de vatapá de caranguejo, caprichado na pimenta, salivo só de lembrar.

Foi uma experiência gastronômica, visitando os sabores do Ceará com um algo de criativo, pertinho aqui de casa e por valores bem acessíveis. 

Só que da próxima, irei no fim de tarde, porque ninguém merece o eterno sol de verão de Fortaleza.



 {meu povo, esse camarão}



Inté.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Primeiros cafés de 2018 ❤



Olha só, quem está caminhando fortemente pra realizar as resoluções possíveis e sinceronas de ano novo? Euzinha! Tudo bem que na parte da comilança, porque né, sou gorda sinistra.

Café Consulado

Pros

O primeiro café já estava nos planos, Café Consulado, fica num posto ali pelo começo da Avenida Bezerra de Meneses e tem muitos fatores fofurescos, tipo a decoração da parte externa, feita com guarda-chuvas, como aquela rua em Portugal (é uma instalação artística em Águeda). A decoração é bem bacaninha, meio rústica fofinha, tem uns livrinhos coisa e tal 

Então, se você está ali pela Bezerra de Meneses, quer tomar um café, comer um pão de queijo e tirar umas fotos bacaninhas, recomendo o Café Consulado.

Contras

Eu achei muito caro. Tudo bem que eu sou pobre sinistra, mas 50 golpes por três cafés bem mais ou menos e três pães de queijo? Ok, não chega a ser caro feito o Mercado do Café (aqui no quintal de casa, um dos meus amorzinhos do Benfica, mas que por conta do hype, está ficando meio sem noção com os valores cobrados. Depois escrevo sobre), mas O Consulado do Café não é dos mais baratos. E eu não achei as bebidas tão boas assim.

Eu, como sempre, escolhi a bebida mais diferente do cardápio e daí que não tinha um tal dum chocolate lá pra mode misturar e ornar com a tangerina (sim, eu escolhi o café com tangerina) e não estava bom não ó. Na verdade, confesso que foi um dos piores cafés que já tomei na vida. Fora que a criatura humana caprichou nas raspas de tangerina, que já é um trem amargo, imagina aí, que dilíça.

Resumo: saí de lá azedíssima (literalmente), mas com lindas fotos. 


 
{the moneo}


Pros

Escondidinho no Centro de Fortaleza, confesso que já havia passado em frente, indo comprar material escolar nas atacadistas ali pela Praça dos Correios, mas nunca tinha reparado. É lindo, décor moderna, pode-se dizer que é a Starbucks brasileira e pra mim isso é um elogio e tanto, já que eu amo a Starbucks (saudade Starbucks). As bebidas são ótimas (com copinhos personalizados), as comidinhas deliciosas e o preço bem honesto. 

Contra

Nenhum :)





Bisous.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Surpresa de Abacaxi


Abacaxi é um algo doce, cítrico e pessoal. Aquela beleza ácida. E pessoal, que é uma coisa que eu insisto. É pessoal pra mim, porque minha relação com abacaxi data de muito tempo. 

Eu era uma criança difícil, que não gostava de maçã. Mas amava laranja, ata (fruta do conde), graviola e abacaxi. Também gostava de jambo. Eu vivia comendo flor de jambo. E de flamboyant. Só tomava suco dessas frutas e vivia aperreando o juízo dos pais por elas. Mas o ambiente da minha casa não era dos mais goumets. Meu pai cozinhava como cozinham os militares, com método de quartel. Era comestível, era correto, era saudável, mas sem grandes invenções (a não ser o colorau no arroz). Já minha mãe, cozinhava o básico muito mal, zero criatividade, tampouco inclinação. Acho que meio por conta disso, dessa falta, cresci pra ser a mãe que cozinha. Mas abacaxi não faltava. Era meu consolo das incontáveis tardes do eterno verão cearense. Abacaxi sumarento, doce, cortado em rodelas e guardado na geladeira azul.

A primeira sobremesa que me liguei que era uma sobremesa, que era o pièce de résistance da refeição, foi de abacaxi. A famosa surpresa de abacaxi. Foi na casa dum parente. Após o almoço (carneiro cozido com pirão escaldado e e arroz. eu suando em bicas) veio à mesa a travessa de surpresa de abacaxi, que de tão gelada, parecia ter pernoitado ao relento invernal europeu. Me foi servido num bowl de aço inox, daqueles que todo o subúrbio desse Brasil continental já teve ou ainda tem. E pra mim, acostumada com as porcelanas casca de ovo e os vidros duralex da minha casa, o bowl de aço inox tornava a experiência ainda mais inacreditável. O toque geladíssimo. Numa colherada só, pegar as três camadas. A compota de baixo, com abacaxis apurados no açúcar, o creme do meio, macio, quase um sorvete e por fim, a camada de cima, uma nuvem de claras em neve e creme de leite de lata. Uma a uma, as colheradas derretendo no calor da minha boca de erê, no contraste do gelado da colherinha de sobremesa. 

Ai de mim, como eu quis repetir. Cheguei a pedir, mas me negaram. Negar sobremesa a uma criança, deveria ser o oitavo pecado capital. Mas pouco importava, pois sorrateira, fui à cozinha e roubei uma generosa colherada da sobremesa, que eu mal sabia, seria a última até que mesma aprendesse a fazer. 

Adivinha qual a sobremesa da ceia de ano novo?

Imagem: Em algum lugar do meu Instagram.

sábado, 30 de dezembro de 2017

O que mexeu comigo em 2017 - filmes


Continuando, ou tentando continuar com a minha fuga do peso cotidiano, a fuga pela fruição das artes, os 14 filmes que me marcaram em 2017.



1. Demônio de neon - É um filme de 2016, mas que só consegui assistir em 2017. Que fotografia escândalo da porra. Pra quem curte exposição, abertura, macros, cores, texturas é "O Filme". Mas o enredo/roteiro (desculpa o meu eu literário/lírico) também pode vir a gostar da fome, do alimento, da joça toda.

2. Corra - Engraçado que fui ao cinema ver Corra, super empolgada e, ao assistir, eu não curti. Na verdade cheguei a não gostar. E quando acordei no outro dia, já o odiava. Aquela coisa da inveja branca e tal, achei mal elaborada. Mas, com o passar das horas, dos dias, dos meses, reassisti o filme e gostei bastante. Então, é um filme cuja história deve assentar, que nem marinada. Eu só tiraria aquele humor desnecessário, mas né? Quem sou eu na fila do cinema?



3. It - Assisti no mesmo dia de Corra, nem lembro agora qual primeiro. Como já havia assistido a versão antiga pra tv, fiquei fazendo as comparações e distanciamentos necessários. Gostei. Gostei muito até, mexeu com meus frames oitentistas.

4. How to talk to girls at parties - Um cinema que atira para cima e acerta um planeta sem nome, cria novos lugares e nos solta da mente, um legítimo exemplo de subvenção onírica. Uma festa da qual eu jamais sairei. 

5. Happy end - Insira aqui aquele palavrão <PQP>. Existe essa vertente de cineasta que pratica uma vida ficcional obscura para se livrar do próprio horror corrosivo, entrega um tipo de cinema que funciona como um matador de aluguel 'a favor' do inconsciente coletivo. Na concepção cristã, Haneke não vai pro céu. 

6. Mulheres do século XX – Assisti dia desses, já estreou pelas canais Max. No sul das sobrancelhas, algo grande acontece, porque as sombras do todo são sempre nossas também, e sabem disso os olhos. Ora emocionada muito, ora emocionada bastante, continuo encantada com essa hora e meia de dia desses, essa que também te espera, bemvindamente.



7. La la land - Um conselho: não procure a felicidade em La La land, aliás, não procure a felicidade, nem La La land. Fique bem distraído, se distraia sem se preocupar em preencher a lacuna, tome sorvete no frio, se desligue do antes, tudo depende ou então não era mesmo o guichê da alegria. Ou, ou, talvez, tenha eu sido um dos enganados e confesso: estou adorando a ideia. Porque eu também me rendi e fiquei meio la-la-lover. 

8. Moonlight - Um balcão de especialidades que não pode passar batido para quem a infância foi o prólogo de uma cicatriz, e as cicatrizes não envelhecem, principalmente para quem a cor ardeu em ofensas. A criança reaparece num futuro qualquer. E eu também desço do palco, porque tudo o que posso é aplaudir. 

 9. mãe! - Ainda que alguém tente explicar o que esse filme queria de nós, a resposta são todas as respostas. Estamos entre o melhor e pior que o cinema é capaz. Odiei com meus mais profundo amor, amei com o meu ódio mais sincero, mas definitivamente não me sinto no meio.


10. Star Wars, Os Últimos Jedi - Toda vez que eu ler ou ouvir "A long time a go, in a galaxy far, far away from here", meu coração vai se acender. Com Luke, Darth Vader, Kylo Ren, Rey, BB8 (ainda quero o balde de pipoca) porque decerto, sempre quis fugir daqui, seja onde for o aqui.



11. O estranho que nós amamosNo sul profundo, em algum bosque encantado, isolado e sombrio, com toques fantásticos. Nesse ínterim temporal, donde cresce cogumelos e se explode o conflito, que se encontra o soldado ferido, o inimigo nortista que acha refúgio entre os confederados, num internato distante, aos amores e humores de oito mulheres. Uma coisa gótica sulista. Você fica esperando o Lestat aparecer. Um mundo feminino em tons pastel, de bordados e jardinagem. Com sua propensão para a beleza, Coppola filma no chiaroscuro, na nevoa e no crepúsculo, seus personagens bem alinhados, confortáveis em seus espartilhos, renda e algodão.Um toque de Barry Lyndon, lavanda, caçarola de pêssego, um humor incomum, inesperado e voilà: Um belo filme sobre a tensão voraz e mortal do tédio.

12. Alien Convenant - Fiz um post gigantesco sobre o filme, depois do impacto de assisti-lo, eu, cujo maior medo é duma criatura tipo xenomorfo. Mas daí apaguei, achei pretensioso, longo, chato e carente. Sou tão carente que logo logo, viro escritora. Já viu bicho mais carente do que escritor? Que precisa da companhia do olho alheio pra se fazer vivo? Pois então. Mas Convenant foi odiado por todo o universo geek, que se diz fã de Ridley Scott, acho que só eu gostei. Gostei até demais. Sonho com David me eviscerando vez ou outra. Ele de mãos dadas com Pennywise. E nasce um novo vilão, odiado de dentro pra fora, recitando Ozymandias.

13. Logan - Gente do céu, como eu chorei. Que maravilhosa é a capacidade de nos tirar do sério. Arte é isso, é tirar do sério. Sim, ainda mais quando acontece num filme sobre personagens de HQs, que fala de solidão, velhice, doença, legado, cansaço, dor e perda. Daí o recomeço, e aquele garotinho segurando o boneco do Wolwerine.




14. Animais noturnos - Este também de 2016, mas que só assisti em 2017. E que pancada seca. Interessante é reparar, para além do filme, a apreciação deste. Uns veem o pobre do cara que exorciza suas dores num livro pra ex-mulher. Já outras (sim, no feminino mesmo) veem um macho escroto que por despeita cria uma história horrenda onde mata a mulher e a filha de uma maneira brutal. Um filme sobre o que é a misoginia.

Inté.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O que mexeu comigo em 2017 - Livros e afins



Foi um ano duro, como eu já falei, um desdobramento de todo o peso de 2016 (e caso não tenha sido ruim pra você, parabéns), mas a gente sempre encontra um jeito de tentar sublimar a treta que, no meu caso, é através das artes: um livo novo, uma série, filmes, etc. E deixarei aqui o que salvou meu ano em termos livrísticos.

Livros.

Li pouca coisa nova em 2017. Reli muitos livros queridos, aliás, um velho hábito. Reli muitos trechos do Sopro de vida da Clarice, os diários da Virginia. Mas comecei umas leituras novas, uns nomes meio que inéditos pra mim. Confesso que não gostei da maioria, não por ser ruim, mas por não gostar, simplesmente por não gostar. E eu não sou aquela pessoinha que vai amar a Tércia Montenegro simplesmente porque todo mundo de Fortaleza ama a Tércia Montenegro. Ou a Socorro Acioli. Apesar de que não há defeitos na escrita dessas moças, apenas não me permite fruir. 

Clubes de leitura

Aí teve essa coisa dos "clubes de leitura" aqui por Fortaleza. Bem, clube de leitura é um negócio vintage, data do século XVIII. Na Inglaterra, nos idos das irmãs Brontë e da Jane Austen, era o hit do inverno. Eu acho a ideia uma fofura e, como professora e apaixonada por literatura desde que me entendo por gente, acho lindo, e faço votos de que fique pra sempre. Contudo, não é pra mim. Se eu participasse de um, haveria de ser algo bem mais intimista, quase como uma coven de bruxaria.

O ano teve um livro pra mim.

Falando em bruxaria, coisas sobrenaturais, o livro que marcou o meu ano, eu me dei de presente em março, no meu natalício, e foi A Garota Submersa, edição linda da editora DarkSide, que eu super queria que me apadrinhasse, mas né? Confesso que comprei o livro pela capa, pela beleza. É um dos meus livros mais lindos: capa dura, sem informação alguma na capa ou na contracapa, com dorso em rosa choque e aqueles arabescos e libélulas sobre o preto que envolve a história de India Morgan Phelps suas sereias e lobisomens. E que história. É assustador, é sensual. É lacaniano e lovecraftiano. Sensacional. Comecei a ler de verdade mesmo numa rua cheia de árvores da antiga Jacarecanga. O fronte das árvores assomando em sombras pelas páginas, ornando com a diagramação. Um livro estranho, uma leitura estranha, duma leitora estranha.


O livro fala de águas turvas da memória, dos contos de fadas de Perrault, dos mais assustadores. Exala do livro um cheiro agridoce, um miasma de alguém que já viveu ou foi sensato um dia. Há maresia nas entrelinhas e nas garras dos lobos, dos corvos e das sereias que se deparam com o Dália negra. Não é pra gente boa da cabeça. Não é um livro que faz bem. É pr'além de triste. É soturno e ineficaz, incompleto. E continua, como quem se depara numa rua sem saída, mas que tem um muro com heras que te chamam a pular. O pulo no abismo, no canto das sereias, com corais e águas vivas adornando os cabelos cor e de lodo. Boa sorte pra quem quer se perder. Ou submergir.

Inté.

Imagens: Girl on the river, no livro A Garota Submersa é atribuída a Phillip George Saltonstall, foi inventado pro enredo, mas a ilustração que é inspirada no livro é de Michael Zulli, um dos principais ilustradores de Sandman de Neil Gaiman (que por sinal, adora o livro).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Star Wars - Os Últimos Jedi



ALERTA DE SPOILERS!

Ainda estou sobre o impacto do filme, Que filme!

Sério, o primeiro filme da nova trilogia, O Despertar da Força, já mexeu pra caramba comigo, mas este tornou-se de cara o meu filme favorito de toda a saga SW. Finalmente a saga amadureceu, junto com seu maior herói, Luke Skywalker que, por mais heroico e carismático que fosse, ainda soava muito pueril, sem força suficiente pra emparelhar com sua antítese, Darth Vader, que sempre foi a personagem mais querida e complexa da saga. Não minha gente, o que vemos em Os Últimos Jedi é um Luke muito mais complexo do que o pai Anakin/Vader: amargurado, profundo, trágico. Finalmente!


Todo o trabalho com as personagens me pareceu ganhar uma nova fagulha criativa, um novo fôlego pra cada um, como na cena épica de Leia gravitando de volta à nave, deixando claro a coisa de que a Força é pra todos (As crianças no final do filme!), coisa que esse novo Luke enfatiza nos maravilhosos diálogos com a Rey. Mas até o próprio Luke só termina de entender isso ao reencontrar Mestre Yoda fantasma, quando termina de matar o passado, representado por relíquias sem vida, papéis velhos. O próprio Kylo Ren (Ben Solo) sabe disso, que o passado deve morrer, só que na perspectiva dele, que é guiado pelo lado sombrio da força.

Aliás, Kylo Ren que já era um personagem fantástico, difícil de entender, de delimitar, está ainda mais conturbado e incrível. Tenho a teoria de que toda a implicância que uma parte dos fãs equivocados da saga (aliás, como SW tem fã equivocado) têm do Kylo/Ben é por conta de toda esta complexidade. Como uma pessoa limitada vai entender uma personagem profunda e complexa, todo trabalhado em paradoxos e antíteses? Não dá, né? 


No post que linkei acima, tem a teoria da época do episódio VII, que Kylo Ren estava fingindo pra destruir a Nova Ordem de dentro pra fora e tal. Bem, com o episódio VIII vimos que não, mas que sua "traição" tem meio que uma justificativa. Depois da revelação que ele fez a Rey durante as conexões, revelação que Luke confirma, dá pra entender como alguém com a índole rebelde, perturbada e confusa dum Anakin Skywalker, reagiria a "traição" de seu tio, a quem ele tanto confiava. Não tinha como, deu em toda a treta sinistra que o fez se virar contra os Jedi, em toda a explosão de raiva e ressentimento por conta do que ele acha que foi uma traição (e até foi mesmo) e ainda, influenciado por Snoke, que o fez confirmar a sensação de traição da família e da própria luz, como se essa representasse algo de que ele tem medo e quer fugir. 

Aliás, o Snoke, né? O cara que era o grande vilão da nova saga, e que se confirma todo poderoso, tanto que Kylo e Rey não dariam nem pro começo, morre daquele jeito. Se o fim dele foi aquele mesmo, é a única parte fraca do filme. Ou talvez não, né? Levando em conta que o grande vilão é mesmo o Kylo Ren, que não cansa de nos deixar confusos (salva a Rey, quer matar a Rey... quer matar a Leia, não quer matar a Leia).


Aí volto ao que tinha pensado no post de dois anos atrás, de que o grande mote da nova saga é o foco na busca do equilíbrio, o que pra mim só se confirmou, dito pelo próprio Luke no "treinamento" da Rey. Aliás, o Ren/Rey (Ou Ben/Rey) me parecem ainda mais dois lados de uma mesma moeda. A conexão, que sim, foi guiada pro Snoke, mas que continua, mesmo após sua morte. Tudo o que eles conversaram, a ligação, a cumplicidade (aquela cena em que os dois lutam lado a lado, já é a minha cena favorita). O fato dele nas sombras se sentir atraído pela luz (ela) e de Rey na luz sentir-se atraída pelas sombras (a ilha, o próprio Kylo Ren). Eu não sei como o J.J. Abrams vai encaixar tudo isso no enredo do episódio IX, próximo filme, que é o último desta nova saga. É muita coisa pra ser resolvida. E eu não vejo a hora. Até 2019.



Int.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

What a bright time 🌟




Eu vi no blog da Lolla, sempre lindo (ela vive numa casa de conto de fadas e escreve com humor debochado dos cariocas e a acidez dos ingleses) um post sobre a época mais maravilhosa do ano, ou seja, esta época, as festas de fim de ano. Além das fotos incríveis, algumas perguntas sobre coisas dessa época e daí que me deu vontade de trazer pra cá.

🌟 Você acreditava em papai noel? 
Bem, quando eu era criança, sim, eu acreditava. Meu pai era muito convincente, ótimo contador de estórias com 'es', que nem Guimarães Rosa. Lá pros 8 anos, comecei a entender que não era bem daquele jeito e meu pai, muito esperto, soube me contar sem macular a magia da coisa. Do mesmo jeito fiz com meus filhos. Já mais tarde, na universidade, numa aula de Filosofia, estudando Wittgenstein, filósoso da linguagem, ouvi algo que trouxe comigo pra sempre, e que confirma a magia: se falamos sobre algo, aquele algo existe, pois é impossível falar sobre o que não existe. O que não existe não é, e não está. Então, Papai Noel existe, meu povo.


 🌟 Peru ou pernil?
Peru.

 🌟 Quando você começa a decorar a casa? 
Em geral, dia 20 de novembro, pois era quando meu pai começava a decorar. Contudo, nos últimos três anos, temos começado em dezembro por falta de dinheiro em tempo hábil, falta de planejamento, falta de tempo e, às vezes, cansaço existencial.  

 🌟 Cheiro favorito do natal?
 Gingerbread assando. Canela, cravo. Panetone. Bacon pra fazer a farofa. 

 🌟 Filmes de natal favoritos?
Fiz um post indicando os meus favoritos ano passado, mas de todos estes, o favorito mesmo é o Estranho mundo de Jack e as animações de natal do Charlie Brown.



🌟 Um (s) natal (is) memorável (is)?
Nunca fiz nenhuma viagem no natal. Planejo, mas nunca fiz. Mas, tivemos alguns natais memoráveis sim, mesmo com todos os problemas de uma família disfuncional. Natal de 1985, o último que meu pai organizou. Talvez por ser o último dele com saúde, eu me lembro muito bem de tudo, e foi tão bom. Natal de 1996, em Brasília, o primeiro natal que eu, como chefe de família, decorei a casa, planejei e executei a ceia e comecei todas as pequenas tradições de natal. Natal de 2000, o primeiro com toda a família com esta configuração, eu já madura, com experiência em fazer mini eventos, como uma boa ceia de natal, e fazer as cosias entrarem no clima (cheiro de biscoito assando, floresta negra, frutas natalinas, etc) Muitos presentes pras crianças, árvore grande decorada, crianças felizes e de barriga cheia, usando pijaminhas cheirosos, assistindo especial de natal do Snoopy e dos Simpsons. Natal de 2007, foi bem do jeito que eu sempre sonhei: luz de velas, travessas finas, toalha de linho, faqueiro novo, casa muito decorada, cheia de luzinhas e crianças muito felizes. Natal de 2011 no Rio. Foi incrível.


 🌟 Melhor música natalina? 
Jingle Bell Rock 

🌟 Tradições boas e ruins de natal? 
Boas: decorar a casa, fazer a ceia, escrever cartões. Ruins: amigo secreto (e variações), festa da firma, que sempre é uó.

🌟 Dar ou receber presentes?
Dar. Com cartões.




 🌟 A coisa mais frustrante do natal? 
Não é nem do natal em si, é de passar o natal num lugar quente feito o inferno.

 🌟 Com que roupa você vai passar o natal? 
Como boa brasileira suburbana, a gente tem o hábito da roupa nova pro natal e ano novo, mesmo que seja pra ficar na sala comendo uma coxa de peru com farofa. Em geral, com a minha família, já que ficamos só entre nós, passamos de pijama. Quando estava casada e tinha que socializar, lá vinha a coisa da roupa nova pra todos (ainda tinha o chinelo de ano novo pra usar no churrasco do dia 1ª, bem Rio de Janeiro isso). Agora voltamos à tradição dos pijamas. Mas eu sonho em comrpar aqules suéteres temáticos de natal, bem ingleses/americanos.

 🌟 Onde você gostaria de passar o natal se pudesse escolher? 
Lugar com neve. 

 🌟 Qual a melhor parte do natal? 
A ceia com a minha família, do jeito que eu quero. 





Inté. Ho Ho Ho

domingo, 24 de dezembro de 2017

Gingerbread House, a saga



Amo as festas de fim de ano, mas sempre é do mesmo jeito, me sinto dentro dum programa da Food Network. Estou há três dias cozinhando quase que direto. Comecei com pilhas de biscoitos de gengibre, daí a gingerbread house, pão de ló de chocolate, bolo de maçã e especiarias (meu bolo de natal), a ceia que eu deixo pré-pronta pra ceia que, aqui em casa, não rola meia-noite (dia 24).

Resultado, estou morta.

Mas felizinha.

Este ano, depois de décadas protelando, resolvi tentar montar uma casinha de biscoitos de gengibre, que nem a gente vê em filme e desenho animado. E olha, vou confessar, acho que entendo o porquê de existirem kits completos pra montar as casinhas, com os biscoitos já assados, e o pó de glacê que é só bater. Que negócio difícil, tretoso e chato. Mas assim, pra ser a primeira vez de alguém que há anos faz gingerbread, mas sem nem decorar, até que ficou fotogênico. Gostoso eu sei que está, porque quase que não tem mais biscoitos pra contar história, num oferecimento, meu filho mais velho esfomeado.

Próximo ano serei mais disciplinada e treinarei tanto a decoração dos biscoitos quanto a montagem da cainha, daí, quem sabe, faço um passo a passo pro blog. Sonhar não custa nada.

E seguem fotíneas.




Bisous.

Imagens: São daqui de casa mesmo, não de Tumblrs nem Pinterest.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...