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sábado, 26 de junho de 2021

As melhores adaptações de Stephen King - filmes

 E começando essa postagem logo de cara com um título que é uma metonímia meio uó, provando a falta de apego da professora de português aqui. 

Demorou um pouquinho pra que eu arranjasse tempo e vontade de escrever. Sabe como é, final de semestre, provas da escola, revisões que eu inventei de fazer, reação à AstraZeneca (parem de escolher vacina, vacinem-se com o que tiver) e um monte de streamings que precisavam ser assistidos, alguns livros recém comprados que precisavam ser lidos, essas coisas. Mas até que eu nem demorei tanto, né? Pois é.

Deixando de embromação, vamos logo ao que interessa, os melhores filmes baseados ou adaptados da obra de Stephen King.

Se, por acaso, você chegou até aqui e não sabe quem diabos é Stephen King, ok, não tem problema nenhum, eu digo pra você! Stephen King é um dos maiores escritores vivos de ficção científica e terror, muito provavelmente você já assistiu alguma coisa justamente inspirada na obra dele. Duvida? Confere a lista então.

Dito isso, vamos aos filmes!


Carrie de Brian de Palma



De 1976, já falei do filme por aqui, procura que você encontra. É a melhor versão dessa que foi a primeira história de Stephen King publicada e que deu início à sua carreira de sucesso. Ele já escrevia antes, muito antes, mas nunca dera certo, até ele acertar o tom certo da pobre garota vítima de bullying e de uma mãe maluca cristã (eu realmente nem sei qual é o pior dos dois estágios de flagelo, ser vítima de bullying ou sofrer o terror do fundamentalismo religioso). A direção e roteiro conduziram tudo no tom certo e, a minha xará, Elizabeth Spacek, ou Sissy Spacek, encarnou a Carietta White com perfeição. As outras adaptações são ruins, e a de 2013 é a pior de todas. "Pior do que aquela que a Carrie é vesga?" Sim, muito muito pior.


O Iluminado (desculpa, Stephen) 



Por que desculpa? Ora, porque simplesmente Stephen King odeia essa versão pro cinema de uma das suas obras mais conhecidas. Acho até que ele não é muito fã, porque justamente essa adaptação, do genial Stanley Kubrock, tornou a obra célebre. É até comum a gente falar "O Iluminado do Kubrick" e não o 'Iluminado do Stephen King". É osso, né? Eu entendo. Mas, o filme é muito bom, traz todos os elementos fílmicos do Kubrick, inclusive suas "adaptações", que mudaram significativamente o enredo. Contudo, apesar de que o filme é realmente uma obra prima do terror psicológico, o livro é melhor.


À espera de um milagre



Uma linda adaptação, bem ao gosto de Hollywood, com elenco estrelado e tudo. Sem dúvida uma das melhores realizações baseadas na obra do King e traz alguns daqueles elementos de sua obra que nos cativam, o elemento humano um primeiro plano, em todas as suas baixezas e grandezas. Um lindo trabalho de Frank Darabont, que se repete em outra adaptação,


O Nevoeiro



Talvez seja o filme mais terrorzão que melhor foi adaptado (eu sei o que vocês estão pensando... "e o It?" Gente, o It só prestou mais ou menos o I, o II é uma comédia com efeitos ridículos), conta com metade do elenco da série The Walking Dead, no tempo que a gente amava The Walking Dead e novamente, os elementos humanos são o destaque. Óbvio que as criaturas abissais, bem ao gosto terror cósmico, as mortes pavorosas também estão lá, mas é  nas relações humanas, pro bem e pro mal, que a história se baseia (como The Walking Dead do Kirkman!), e é por isso a gente gosta.


Conta comigo



Pra resumir, eu diria que é uma gracinha tensa e, por vezes, nauseante. Lindas interpretações do elenco infantil à época e uma linguagem fílmica bonita. Tem aquele sabor dos escritos de Stephen King, aquele gosto de tristeza que a gente fica, invariavelmente, quando termina uma história dele. Porque até quando parece que acaba bem, não acaba bem. O filme capta isso bem direitinho.


Misery


Eu me recuso a usar o nome em português, que parece mais tema de pornochanchada. Não tenho certeza, mas acredito que seja o único filme baseado na obra do King que ganhou prêmio grande, tipo, um Oscar de melhor atriz pra Kate Bates, merecidíssimo, diga-se de passagem. "Ah, mas ganhar Oscar não quer dizer nada". Não, imagina, só um monte de dinheiro, notoriedade, ou seja, tudo no que se baseia a indústria de cinema estadunidense, só isso mesmo. Todavia, Misery é muito mais do que isso, uma excelente história de sociopatia e terror psicológico conduzido com maestria pela força de interpretação da Kate Bates e de James Caan dando vida ao Paul Sheldon e que já havia conquistado todos os cinéfilos fãs de cinema clássico com seu  Sonny Corleone em o Poderoso Chefão (eu, particularmente, o adoro em Elf, como o pai justamente do Elf - Um Duende em Nova York - especialmente porque corre à boca pequena que ele odiava contracenar com o maravilhoso Will Ferrel, o nosso querido Elf, que é elfo e não duende... adaptações ara o português, vai saber, né? Eu acho que o James Caan tem um gênio parecido com o do Sonny Corleno mesmo. Ou o Paul Sheldon no final de Misery).


A Hora da Zona Morta



Eu sou uma fã muito fuleira, porque eu simplesmente descobri o filme agora em 2021, e o filme é de 1983" Dirigido por David Cronemberg (Sacnners, Videodrome, A Mosca) e estrelando como Johnny Smith, Christopher Walken. O filme segue o enredo de maneira quase perfeita, com todo aquele ar dos filmes oitentistas do Cronemberg, que sabe arrepiar, sabe revoltar e sabe entristecer. 


E esses são os meus favoritos, até agora. Tem quase tudo disponível por aí, recomendo com força uma maratona Stephen King, melhores adaptações, quem sabe uma prévia pro Hallooween.


Inté.



segunda-feira, 31 de maio de 2021

Stephen King - Thing of Evil


 A primeira vez que eu li Stephen King, ainda estava no ginásio, li uma edição do Iluminado, era o que chamo de "edição de banca de jornal": capa mal editada, folha estilo jornal, aquele tipo de material que desgasta rápido, tão rápido quanto li o livro, que eu devorei em horas e fiquei relendo e relendo até ter que devolver na biblioteca da escola. Quando assisti a versão do Kubrick pro cinema, eu gostei muito, mas me incomodou a dualidade de não se saber ao certo se tudo aquilo no Overlook era um surto coletivo ou a ação de algo perverso e sobrenatural. Um dos motivos que fez Stephen King não gostar muito do filme, apesar de que é um dos responsáveis por ele ficar ainda mais famoso e, antes da versão de Kubrick para o Iluminado, a Carrie por Brian de Palma (desse o Stephen King gosta).

E são as várias adaptações de suas histórias pro cinema e pra televisão que fizeram Stephen King ser um dos autores mais conhecidos do mundo, salvo engano, está entre os dez mais traduzidos. Obviamente que ele não chegaria tão longe sem algum talento e isso ele tem de sobra. É um grande leitor desde sempre e não há outro caminho para um escritor que não seja a leitura voraz, profunda e apaixonada. Quanto mais áreas diferentes, melhor o leitor, melhor escritor. É claro que nem todo o leitor voraz vai se tornar escritor, porque é necessário o ingrediente extra do talento, mas ler muito e de tudo se faz necessário. Além da leitura e do talento pra escrita, Stephen King é curioso, observador, perspicaz e perscrutador das regiões sombrias da psiquê humana. E todos esses ingredientes muito específicos resultaram no fenômeno que é Stephen King. Quantos enredos inquietantes, perturbadores, quantas personagens que povoam nossas noites em claro.

E vão aí algumas décadas que sou fã e, se você está lendo isso daqui, possivelmente tem interesses parecidos com os meus e sabe da quase obsessão que nós, que gostamos de histórias de fantasia, terror, ficção científica, especialmente histórias  de Stephen King, sentimos quando sabemos que mais uma trama será adaptada pro cinema, televisão e mais recentemente streamings. E como tem coisa adaptada, né? Desde a Carrie de 1976, até Lisey's story que estreia agora em junho pra Apple Tv (estou enlouquecendo pra ver como assisto) tem muita coisa pra se assistir e comentar.

O que eu quero com isso tudo? Falar que vou fazer algumas resenhas sobre as minhas adaptações favoritas de filmes e séries de Stephen King, o que com certeza vai durar algum tempo. Quer dizer, se eu não desistir no meio do caminho. Veremos.

Já escrevi sobre adaptações de Stephen King.

On Writing livro do Stephen King obre seu nobre ofício, a escrita. fantástico.

Sonâmbulos, uma das coisas mais bizarras que já vi na vida. 

O Nevoeiro (filme), who Lovecraft?

Misery, amo a Anne. Sim, eu sou doida.

Rose Red, pens para fãs esforçados. 

Cemitério maldito (versão antiga)

O Iluminado (claro!)

Carrie (versão antiga)

It (versão antiga, pra televisão)

Para as novas postagens esperem minhas impressões sobre Outsider, The Stand, Castle Rock, Mr Mercedes e outras coisas mais antiguinhas, como a maldição do Cigano.

Inté.


Imagem: frente da casa de Stephen King. O cachorrinho acredito que seja dele, já que ele atualmente cria corgis, mas ele posta mais fotos no seu Twitter da Molly aka Thing of Evil 


terça-feira, 25 de maio de 2021

A minha relação com Gilmore Gilrs é muito pessoal




Oi gente, tudo bem? Voltei foi cedo, né? Pois é minha gente, até eu me surpreendi comigo mesma porque ando tão abusada de tudo. Para quem não é do Nordeste, quando a gente diz que está abusada de algo, não é uma coisa tipo letra de funk (ai como eu tô abusada, ai como eu tô bandida) não, é mais para 'ó que abuso do universo', entendem? Então.

Voltei pra falar de Gilmore Girls. E já falei algumas vezes da série.

Rory e sua lista de livros.

Falei da lista de livros da Rory Gilmore aqui. Problemas, muitos problemas. Na verdade, falei da minha ingênua intenção de adaptar a lista para comprar as edições que eu ainda não tinha, mas que já havia lido. E, recomprar edições de livros queridos. Ingênua, porque a Lilibete de 2014 não fazia ideia de tudo o que enfrentaria, incluindo quase morrer de desgosto (e de uma infecção no sangue) dando aula em colégio de riquinhos imbecis tipo o Logan (pra quem não sabe, o namorado riquinho imbecil da Rory, que parece, é o grande amor de sua vida, tipo o Christopher foi pra Lorelai). Enfrentar toda a sorte de problemas com dinheiro, como boa proletária mal paga e explorada. E quando Lilibete acreditava que tudo ficaria bem, veio então a pandemia. 

Eu até comprei livros sim (aqui, aqui e mais que eu posto no Instagram), mas esqueci completamente dessa lista besta. Não me entendam mal, você que por acaso me lê e está seguindo a lista da Rory e tal, está tudo certo, é apenas a opinião de alguém que padece de azedume adquirido. 

Li quase todos os livros citados ali. Alguns me arrependi amargamente de ler, outros não tenho interesse alguns porque ou são muito estadunidenses (demais da conta), outros são machistas, misóginos, racistas, xenofóbicos. E li tantos outros que nem constam ali. A lista da Rory não inclui um único livro de autor brasileiro, um erro da criadora das Gilmore, Amy Shermann-Paladino. Como alguém que tinha o sonho de conhecer o Brasil, como a Rory, e que ama literatura, nunca leu nenhum autor brasileiro? Um Paulo Coelho que fosse! Ficaria muito feliz se Rory aparecesse lendo Carolina Maria de Jesus, que foi traduzida pro inglês em 1998, mas né, pedir demais pra cabeças muito estadunidenses. Sim, eu estou problematizando. Continuo gostando da série, mas não sou cega.

Gilmore Girls

Muita coisa mudou desde que escrevi isso aqui. Finalmente assisti todas as temporadas, inclusive Um Ano Para Recordar. Quando eu comecei a assistir Gilmore Girls, eu tinha uns 25, 26 anos, assistia quando passava no SBT, que não passava a série na ordem correta. Meu grande interesse era Lorelai e a mãe incrível que ela era, que eu sempre quis ser, e sua relação linda com a Rory (que também é Lorelai, pra quem não sabe). Eu achava o Luke um sonho, dono de cafeteria charmoso, que fazia panquecas fofinhas. Detestava os pais da Lorelai, não conseguia de jeito algum sentir empatia por eles e, sonhava com Stars Hollow. Claro, né, minha realidade era o calor absurdo de Fortaleza e a coisa mais próxima do bucolismo era a lagoa do Opaia (acreditem em mim, não é bucólico).

Passados quase 20 anos de quando parei de assistir a série até hoje, 2021, o ano em que maratonei e acabei Gilmore Girls, Lilibete com seus 44 anos pode afirmar que algumas coisas mudaram, já outras não.

1. Lorelai, com todos os defeitos, ainda é uma querida, sigo amando e admirando Lorelai Gilmore, seu jipe, seu amor por cinema, o amor por inverno. Mas, tem péssimo gosto pra homens.

2. Eu não gosto do Luke. Eu gosto do Luke's, das panquecas com blueberries, dos donuts, dos baldes de café, mas eu não gosto do Luke. Ele é um machistão, mau humorado, chato. Lorelai merecia coisa melhor. Na verdade, ela teve, o Max Medina, o professor de Literatura da primeira temporada, responsável por um dos episódios mais memoráveis de Gilmore Girl, o pedido de casamento que encheu Stars Hollow de flores. Mas fazer o quê?

3. Consegui sentir uma certa dó dos pais de Loreali, até da Emily Gilmore. Eu consegui entender a  amargura de ser abandonada pela filha, que preferiu fugir de casa ainda adolescente, com uma bebê nos braços, pra trabalhar de camareira numa pousada. As expectativas quebradas, a ausência da única filha, que faz questão de ficar longe. Mas, só reafirmei que Lorelai, tirando os exageros da ficção, estava certa em se manter longe. Eu tenho uma relação mais ou menos parecida e uma história muito próxima do enredo entre Lorelai e Emily (hoje em dia, inclusive,  numa via de mão dupla) e é isso gente, não tem muito o que fazer, manter uma distância segura é a decisão correta. 

4. Continuo sonhando com Stars Hollow. Se todo o problema fosse o Taylor, pôxa vida!

Os namorados de Rory e a coisa do bad boy

Nunca tive muita paciência pras aventuras românticas da Rory Gilomore. Eu gostava/gosto da relação entre Rory e Lorelai, boa parte porque eu queria ser filha da Lorelai, sabe, e crescer numa casa cheia de música, de filmes, procurando fadas pelas várias árvores centenárias de Stars Hollow. Mas o certo é que a Rory herdou o dedo podre da mãe. 

O menos ruim dos amores de Rory foi o Dean. E sim, Dean tinha alguns problemas, o pior foi casar ainda gostando da Rory e trair a esposa com a Rory. O grande problema do Dean, além do péssimo gosto pra se vestir, era a Rory. 

Logan, que aparece por último e que marcou a vida da Rory pra sempre (pra saber do que estou falando, caso já não saiba, assista Um Ano Pra Recordar na NetFlix) é um riquinho, imbecil, fraco e idiota. E olha que ele nem é o que eu menos gosto, hein!

E o Jess é detestável. Ele é um Luke piorado. A única coisa boa desse sujeito é que ele gosta de ler. Mas ele gosta de ler Bukowski, geração beat... ai que sono. Não tenho paciência com bad boy nem na vida real, tampouco na ficção. Quer bad boy de verdade? Heathcliff de Morro dos Ventos Uivantes, aquele ali sim, é um garoto mau pra ninguém duvidar, do tipo que trapaceia, rouba, mata, desenterra o cadáver da "amada" pra olhar uma última vez pro seu rosto (crânio?). Vamos falar a verdade, Heathcliff é um macho ruim ficcional. As pessoas chamam a personagem de Emily Brontë de anti-herói, não, o nome correto é macho ruim ficcional! Anti-herói é o Darcy de Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Rochester da Jane Eyre, da outra irmã Brontë, também se encaixa na definição (minha) de macho ruim ficcional (porque existem os machos ruins da vida real e desses, a gente não deve ler nem a capa).  Vejam bem, ele aprisiona a mulher, Bertha, num quarto secreto na mansão Rochester, porque a coitada enlouqueceu e daí tudo certo em prendê-la, afastando sua existência de tudo e de todos, porque assim é melhor pra ele. E o problemático é o Darcy da Jane Austen? Eu não entendo esse gosto por macho ruim. O Jess não chega a ser um macho ruim, mas ele não é um cara legal, ele foi um idiota com a Rory, com o tio, com a cidade que o recebeu bem. E não, idade e agruras não justificam tudo. A gente pode entender os porquês, mas é só.

Tudo isso, e foi muito, como sempre, cheio das minhas digressões, pra dizer que a minha relação com Gilmore Girls é muito pessoal. E é isso, as séries, os filmes, as músicas e, especialmente os livros favoritos com os quais nos envolvemos ao longo da nossa vida penetram tão profundamente em nossas almas que passam a ser parte de nós, como velhos amigos. Por isso, peço desculpas por quem gosta de Heathcliff e Rochester, eu gosto dos livros que eles protagonizam. E gosto muito muito de Gilmore Girls, mas do Jess e do Luke não.


Inté.

terça-feira, 18 de maio de 2021

O melhor da vida é o surto


 

E faz quase um ano desde a última vez que escrevi aqui no Solilóquios. De lá pra cá, nasceu a ideia de criar um outro blog sobre decoração, ilustrações, coisas mais leves do que o descarrego que virou isso aqui (apesar de que vocês gostam, nunca me leram tanto na vida). Mas a ideia desse outro blog ficou  no papel. Não tenho desenhado muito. Pensado em decoração sim, vide meu perfil no Pinterest mas pouca coisa na prática porque não está sobrando dinheiro, pra ser franca, está faltando. Especialmente desde que fui despencada da porcaria da editora onde eu trabalhava feito uma insana e sem vínculo empregatício. 

EU ODEIO ESSA EXPRESSÃO: VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Eu queria era tacar fogo em tudo, tipo o plot de Clube da Luta, sabe? Pois então. Continuo como professorinha arrependida, nessa distopia de ensino virtual. Não é que eu não acredite em educação dessa maneira, eu não estou é acreditando na educação de jeito nenhum. E eu era aquela pessoa que defendia a educação como elemento factual de transformação da sociedade para aplacar as desigualdades. Não me entendam mal, eu ainda acredito que esse seria o caminho correto, mas eu sou uma minoria silenciada por boletos e diversas opressões (aluguel, salário ridículo, indiferença, solidão); Eu já pressentia tudo isso, lá em 2015, desde que aquele aluno que me apelidou de "bruxa comunista" profetizou no meio da minha aula de literatura: "~ insira  o nome do atual presidente ~2018!" Senti uma coisa ruim, uma vontade de cuspir lava ou estar na realidade alternativa em que eu sou uma medusa e petrifico todo esse pessoal, mas né? Eu estou é nessa realidade cósmica em que eu só me lasco.

O que eu tenho feito? Passado raiva, serve? Muita raiva. Pelos sintomas correlatos, acredito que já tive covid e um derrame no meio do caminho. A síncope nervosa é constante. O ano de 2021 tem sido até agora o caos. Mas estou aí, sobrevivendo. Descobri que caixas d'água quebram. Penso muito em Água Negra quando me deparo com o mofo da sala dos livros. Penso em Jovens Bruxas (como eu nunca escrevi sobre Jovens Bruxas?!?), a cena da goteira, tenho uma goteira muito parecida com a do filme; coitada da Nancy. Coitada de mim. Esperando as aulas começarem, vídeo-aulas em casa, desisti de assistir telejornais, daí apelo pra Warner. Estou expert em Search Party, Super Girl e Seinfeld. 

Ah, eu lembrei que gostava muito de Seinfeld! Quer dizer, ainda gosto, né? Desenvolvi a teoria de que o Jerry Seinfeld, ao menos o da série, é pai do Howard Wollowitz de The Big Bang Theory (essa eu assisto à noite, apesar de que tenho várias temporadas que comprei em DVD. sou antiquada). Adoro o Kramer. Adoro o fato de que o nome dele é Cosmo Kramer.

Supergirl é muito ruim e conseguiu chegar a uma sexta temporada. A menos ruim é a quarta, tem ali um teor político, muito ataque ao facínora do Trump o que é ótimo, mas não dá, gente. É bem ruim, Mas eu assisto, porque eu sou masoquista.

Seach Party. As pessoas odeiam mesmo os millenials. Até os próprios millenials se odeiam entre si e em relação a eles mesmos. A série é basicamente isso. Independente de ser boa ou não, é uma declaração de ódio aos millenials e tudo o que se associa a essa geração. E eu não sei o que pensar. Eu não odeio tanto assim essa galera. Eu gosto do Instagram. Eu dou aula pra eles, sou mãe de pessoas dessa geração. Não é de todo o mal não. Eu acho. Não é que às vezes a gente não queira bater neles com um livro do Foucault. Eu também queria bater no Foucault. Em millenials eu já dei umas chineladas (meus erês), no Foucault ele já morreu então não rola. 

Fora as manhãs assistindo séries que nada têm  a ver uma com a outra, nos intervalos entre aulas sobre Pollock e morfossintaxe, eu tenho assistido muuitas coisas. De 2020 pra cá fiz maratonas de Arquivo X, Supernatural, Gilmore Girls, The Office, Cobra Kai. Muito filme de terror ruim claro, alguns filmes europeus intrigantes em vários aspectos, como Neco z Alenky, filme de 1988 (ou o ano em que a vida da Lilibete começou a dar tilt), é checo e uma versão muito bizarra de Alice no País das Maravilhas. Dentre outras coisas.

Vou encerrar por aqui, eu pretendo voltar a escrever mais, mas não vou prometer nada. Pode ser que a gente volte a se encontrar daqui uns dias, daqui um ano ou, nunca mais. Quem sabe, né? Sempre estou no Instagram e No Pinterest, é só procurar Lilibete.


Inté.

Imagem: do dito cujo do filme checo.


terça-feira, 26 de maio de 2020

Plantas em vasos











Às vezes eu não sei bem o que estou fazendo no planeta. Sim, decerto ajudando a poluí-lo com todas as quinquilharias que lotam meu mafuá, digo, casa, estragando o ar com a minha existência. Eu não estou bem, gente.

Como falei no post passado (encarem este aqui como mais uma página do diário de quarentena, mas um diário de alguém muito muito chateado) estou trabalhando em casa, gravando as aulas que são postadas pela escola em canais e, dentro em breve, pra meu desespero, numa plataforma educacional. De começo eu tinha ajuda, mas a ajuda foi embora e eu estou me virando (ou não) com a câmera do notebook. É desesperador gravar aula de gramática sem um quadro, sem saber compartilhar slide. Quando é literatura e arte, que eu posso falar e mostrar meus livros até que vai, me sinto uma YouTuber até (isso não é legal. lembram do post sobre isso? então.) mas todo o resto, não está sendo fácil.

 Usei bastante a câmera, não só a do meu iPhone velho (porque o outro o ladrão me levou mais 500 bozolóides), mas a minha Canon. Tenho desenhado, rascunhado, aquarelado bastante, mas guardado pra outro momento. O Pinterest tem sido minha salvação pra me manter em cores e não em tons de cinza.

Tentando não entrar em colapso nervoso quando lembro dos momentos que descia a 24 de maio rumo ao Centro, passando pelos casarões antigos da rua, lamentando pela situação precária em que se encontram, aproveitando a sombra das árvores que resistem por aqui, pra ir tomar um café no Centro, ou o melhor pastel com caldo de cana do mundo (Leão do Sul) ou comer um acarajé na Praça do Ferreira com a família menos baiana do Brasil e a mais antipática (mas o acarajé é bom) e o quase colapso vem porque eu posso, nesse momento, descer a 24 de maio, os casarões e árvores estarão lá, mas tudo fechado, como uma cidade fantasma, com um ou outro mascarado, como eu, arriscando a vida pra comprar antitérmico.

Como podem perceber, a saúde mental manda lembranças, ela que já não era das melhores, dada minha ansiedade clínica, piorada ao longo dos anos difíceis e traumas. Moro no andar de cima de um sobrado alugado, não tenho quintal, não tenho jardim, só uma árvore que fica na calçada do vizinho do andar de baixo, que é filho do dono e não gosta da árvore. Vez ou outra, a gente acorda com a árvore pelada. Não, não é podada, é pelada mesmo. E toda vez eu sofro. mas agora a árvore está crescida, verde, um respiro em meio ao caos, Ela faz companhia as minhas plantas em vasos. mas cada vez mais, sinto falta de um lugar com terra e muito verde que me faça querer ficar lá. Inveja sincera de todos que têm isso. Eu tento fazer, mas nunca fica do jeito que eu quero, ou preciso. Eu sinto muita falta de ter um jardim ou um quintal, ou ambos.

 Saudades de tudo da minha vidinha de antes disso tudo. Dos meus lugares favoritos, dos meus passeios com quem amo, imortalizados por fotos ruins e fortemente censuradas "para de tirar foto de tudo". Coisas simples, bestas, bobas, mas que me faziam intensamente feliz. Mesmo sem jardim, ou quintal.

P.S.: Ontem assisti Little fires everywhere. Assistam.

Inté.

domingo, 8 de dezembro de 2019

A saga da árvore de natal



Amo as festas de final de ano, especialmente o natal e, como não deveria ser diferente, adoro decoração natalina! Adoro as luzes, guirlandas, globos de neve, candy canes tudo isso me deixa muito feliz. Se eu encontrasse a porta do natal lá do filme do Tim Burton, eu entrava por ela e nunca mais sairia.

Mas então, todo mundo que decora casa pro natal sabe que a árvore é o centro da decoração, e quando a árvore começa a ficar borocochô, está na hora de trocar. E a minha estava na hora de trocar desde, no mínimo, 2016. Ela atravessou dois estados, já tinha quase uma década de uso sendo escalada por gatos, natal após natal. Só que eu ainda não tinha conseguido comprar uma nova, porque as realmente apaixonantes são muito caras e difíceis de encontrar. Na verdade, eu queria um pinheiro de verdade, que deixasse a casa toda perfumada, uma coisa bem Yule, Saturnália, mas né? 

Daí que em 2019 eu decidi que seria o ano de encontrar a árvore nova. Pesquisei, percorri várias lojas de decoração, da Etna até aquelas lojas que vendem quinquilharias pra casa, toda cidade tem uma. Aqui em Fortaleza as casas Freitas, no Rio a Prolar e foi numa dessas que encontrei a árvore dos sonhos, mais de 2 metros de altura, bem cheia, que ficaria linda com qualquer decoração, imagina só com a decoração meio nevada que minha filha e eu planejamos por meses!

Compramos a árvore no final de novembro, eu até cheguei a decorar a outra árvore, com a mesma decoração rosê do ano passado, mas era uma coisa provisória. Montamos dia 2 de dezembro, mas só terminamos o processo de montagem dia 6, que é o dia que a maioria monta a árvore, pra ficar exatamente 30 dias decorada. Eu preferiria ter montado por volta do dia 20 de novembro, mas fica pra 2020.


Olha ela!




Imagens de natais passados.







Imagens: pessoais.

sábado, 23 de novembro de 2019

A história de uma xicrinha


Comprei a xicrinha fofa da foto este ano, foi a segunda coisinha de natal que comprei: a primeira foi um letreirinho da Camicado (Xmas - depois eu mostro); dois piscas-piscas daqueles meio vintage que aparecem em filmes e desenhos de natal, como Charlie Brown e daí a xicrinha, que tem uma história triste com final feliz.

Em 2013, quando já estava tudo certo de que eu voltaria pra Fortaleza e, consequentemente, sairia do Rio, eu não estava nada certa da minha decisão. Eu não queria voltar, mas algo dentro de mim dizia que era o certo a fazer. Eu morava numa casa que não era minha, estava separada, sem emprego, não tinha família no Rio, sem amigos pra ajudar, era só os meus meninos e eu. Então, por mais que me doesse muito deixar o Rio, a casa com teto de madeira e papel de parede, toda a vida dos meus filhos, Fortaleza ficava me chamando. Então, em dezembro de 2013, já com mudança marcada e tudo acertado, eu comecei a comprar coisas, mesmo de mudança, o que não é muito recomendado. E um dia, nas Americanas, eu encontrei uma xicrinha igual a essa da foto, acho que custava 35 reais, algo assim, e comprei na mesma hora. Acho que eu estava tentando levar o máximo de Rio de Janeiro comigo.

 Só que veio o natal de 2014, o primeiro longe do Rio e daí, o destino, com uma ajuda da minha ascendência em gêmeos, fez que eu quebrasse essa xícara, depois de usá-la pela a primeira vez e eu nem preciso dizer pra vocês que chorei como uma criancinha emocionalmente desajustada.

 E todo o ano eu ia às Americanas, na esperança de que encontraria a xicrinha. E passaram-se 2015, 2016, 2017, 2018 e, veio 2019. Numa bela manhã, de um belo sábado de novembro, procurando coisinhas de natal pra casa, encontro no cantinho da prateleira, uma caixinha velha e amassada, a xicrinha e seu pires de biscoito, acho que esqueceram no estoque, porque quando levei ao caixa nem constava preço, mas me venderam por 15 reais. A vida é muito arbitrária e às vezes é bem interessante. 

 E o mais feliz de tudo, além de que reencontrei uma coisinha que é muito linda e cheia de significado pra alguém como eu que, ama o natal do jeito que eu amo, é que não olho pra essa xicrinha e penso que é uma coisa do Rio ou que me faz lembrar de lá. A xicrinha na verdade é uma coisa minha, que parece comigo e que ajuda a definir essa colcha de retalhos que sou eu. É muito bom quando conseguimos não nos perder de vista.

 Inté.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Receita de bolo de cenoura que não leva óleo



Olha, só a Deusa e euzinha sabemos o quanto procurei uma receita dessas pela internet e pelos livros de culinária da Saraiva (descaradamente sem comprar o livro e sem tomar café - ô café ruim o da Saraiva de Fortaleza) e nada. Nadica de nada. Só a desgraça da receita com óleo, que eu ODEIO.

Por quê? Porque eu nunca acerto essa demônia. Ou sola, ou vira um pudim (seria a mesma coisa?). Já tentei pesar as cenouras, colocar menos do que sugerem, colocar mais (nunca dá certo), já mexi em todos os ingredientes, alterei a temperatura pra fria, temperatura ambiente (dois ingredientes) e nada. O resultado sempre saía como o de alguém que nunca bateu um bolo na vida, que não é o meu caso, porque lá se vão quase 35 anos fazendo bolinhos. Lá na gênesis da minha vidinha cozinhando, um dos meus bolos mais elogiados era justamente o de cenoura com calda de chocolate (brigadeiro mole) pra de repente, eu não conseguir mais fazer, porque me deu um bug sinistro e esqueci como eu fazia, só lembrava que não era com óleo, porque eu DETESTO bolos com óleo.

Daí eu me lembrei o que fazia, ou melhor, tinha, que deixava a minha receita bem mais fácil: um multiprocessador. Com filhos pequenos e neurótica do tipo que não os deixava comer nada industrializado, eu fazia as sopinhas, papinhas e suquinhos do zero - eles não comiam açúcar - e pra isso, usava um multiprocessador, que tinha uma centrífuga, que extraia um suquinho de cenoura bem cenouroso (isso existe?) que, ao colocar no lugar do leite na minha receita de bolo fofo, voilà, bolo de cenoura fofinho e fácil de fazer!

Ok, se você não tem um multiprocessador com função centrífuga ou algo que o valha (nesse momento eu também não tenho, dá pra fazer usando um liquidificador, três cenouras raladas e picadas e uma xícara de chá de água filtrada. Bate tudo, coa e o apurado dá mais ou menos uma xícara de chá de suco de cenoura que você pode utilizar no lugar do leite em uma receita de bolo fofo comum, é a mesma coisa pra fazer bolo de limão, de laranja etc.

Receita do bolo

3 ovos grandes;
100 gr de margarina (dá umas 4 colheres de sopa);
3 xícaras de chá de farinha de trigo (talvez um pouco mais, depende);
2 1/2 xícaras de chá de açúcar;
1 xícara de chá de suco de cenoura;
1 colher de chá de fermento.

Preparo

Pré-aqueça o forno. Separe as claras dos ovos e as bata em neve. Reserve. Bata as gemas, a margarina e o açúcar até formar um creme homogêneo e claro. A esse creme, vá acrescentando a farinha, alternando ao suco. Quando acabar a farinha e o suco, acrescente o fermento. No final, junte as claras, mexendo delicadamente, de cima pra baixo, só para encorporar. As claras em neve ajudam a massa a ficar fofinha. Jogue a massa numa forma untada e enfarinha previamente. Leve ao forno, mais ou menos por 35-40 minutos.

Adendo
Temperatura do forno

Não sei vocês aí, mas o meu fogão é uma bomba. Foi muito baratinho, porque era o que dava pra comprar, diferente do anterior que era maravilhoso, mas que a vagabundagem da empresa de mudança do Rio pra Fortaleza esculhambou o fogão maravilhoso e daí que não pude ainda comprar outro tão bom quanto ou melhor. Na verdade, eu queria um Vikings, mas né? Pois é.

Então, voltando, o meu fogão tem um forno louco, que aquece demais e temperatura é tudo quando lidamos com fermento. Altas temperaturas tendem a fazer a mossa do bolo solar, mesmo que você faça tudo direitinho. Então tome cuidado. O ideal é pré-aquecer o forno e depois colocá-lo no mínimo.

Inté.

Imagem: Do meu Ig @Lilibete_


domingo, 17 de novembro de 2019

A tessitura de 2019



O negócio é que escrevo tanto pros outros que sobra pouca ou nenhuma vontade de escrever pra mim. Foi essa a conclusão a que cheguei. Tem um monte de ideias rondando a minha cabeça. Às vezes, pego no sono pensando nelas e tal, mas acordo pra trabalhar - aulas, revisão de texto, criação - que não me sobra força pra desemaranhar meus pensamentos e cuidar da tessitura de algo feito por puro prazer e fruição. Pois é, uma merda.

Até pra reclamar ando sem jeito. Ou vontade.

É muito cedo pra fazer um balanço de 2019? Não foi um dos piores anos da minha vida, mas também não foi aquele ano esplêndido.

Teve coisa boa: praia vazia num dia lindo de sol; resolver um monte de problemas; dar aula pra colegas professores sobre como ensinar erês a escrever, foi bem bonito (apesar de que pagaram atrasado); realizar pequeníssimos sonhos meus e dos meus; acertar a mão na aquarela e fazer coisas tão legais que não se quer mostrar pra ninguém, com medo de estragar (doida); pintar uma porta de branco e colocar uma maçaneta preta (influência de Vancouver Love it or List it); muitas geleias caseiras, voltar a acertar o bolo de cenoura; comprar notebooks que funcionam de verdade; comprar câmeras; comprar filmes pra câmeras!

E teve coisa ruim, muito ruim, mas, felizmente, mais com o mundo, o país - que me afeta muito, mas não tão diretamente - e teve sim coisa bem ruim acontecendo diretamente comigo. Desilusões, mágoas, as unhas quebrando direto (eu sou uma pessoa frívola); roubaram minha edição de 1984 etc.

Sim, eu sei, o ano ainda não acabou, faltam quase 50 dias pra isso e, muita coisa ruim (e boa, oxalá) pode vir acontecer.

Vamos ver.


Imagem: Feita por mim com uma T2i velhinha.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Suspiria



Como que eu nunca havia assistido Suspiria, é o que me pergunto desde que assisti, há poucos dias. O nome do diretor italiano Dario Agento não me é estranho, até porque suas realizações influenciaram abertamente outros diretores cuja obra eu cresci assistindo, como Halloween, Sexta-feira 13 e os filmes de Tim Burton. Só que, infelizmente, Agento só me chegou agora, na minha maturidade, uma lástima pra mim. E se você gosta de filme de terror e ainda não entrou em contato com o espetacular universo de Agento, faça-o logo. 




 Os filmes de Argento não economizam nas mortes sangrentas e cenas aflitivas. Entretanto, o mestre do “giallo” (amarelo em italiano, nome dos filmes de terror italianos - explico já o porquê do nome) sempre foi considerado um cineasta inovador e esteticamente cuidadoso. Produções suas como Prelúdio para matar, Tenebre e O pássaro das plumas de cristal, realizadas nas décadas de 1970 e 1980, são clássicos de terror. Seu título mais conhecido é justamenteria Suspiria, graças à construção do clima de medo por meio de cores saturadas e uma trilha sonora arrepiante, é quase uma unanimidade. O filme me chamou a atenção por conta do remake, que será dirigido por Luca Guadagninob (Call me by your), inclusive parece que era um sonho antigo desse diretor, já que Suspiria é seu filme favorito. O remake tem no elenco as atrizes Tilda Swinton e as fraquinhas Dakota Johnson e Chloe Grace Moretz, essa última já tem no currículo a péssima versão do remake de Carrie A Estranha, uma desnecessidade. Daí que já se fica ressabiado, mesmo que o teaser do trailer seja bem convidativo. Ah, essa nova versão conta com trilha de Thom Yorke, o que é muito bom também, já que a trilha na versão original é incrível. 




Assistindo Suspiria, dá pra perceber a importância do expressionismo alemão da década de 1920, de diretores como Fritz Lang e F.W. Murnau, e o cinema surrealistas de Luis Buñuel. Sua estreia como diretor foi 1970 com “O pássaro das plumas de cristal”. No filme, o assassino aparece com luvas pretas, que são usadas pelo próprio Argento. A marca se repetiria em diversas produções suas. O pássaro é a primeira de uma trilogia sobre animais que também inclui “O gato de nove caudas” e “Quatro moscas sobre veludo cinza”. Em 1975, ele lança “Prelúdio para matar”. Sanguinolento, o filme foi pioneiro dos slasher films, em que um assassino trucida pessoas com instrumentos cortantes. Entre os influenciados está “Halloween - A Noite do Terror”, dirigido por John Carpenter, de 1978. O título original do filme, “Profondo rosso” (ou “vermelho profundo”), alude a sangue, mas também sinaliza a importância da cor, portanto do cuidado visual, na violência filmada por Argento. Seus filmes são decerto brutais e frequentemente estéticos. Em “Prelúdio para matar”, Argento colabora pela primeira vez com a banda de rock progressivo Goblin. Liderada pelo brasileiro radicado na Itália Claudio Simonetti, a tensão musical criada pelo grupo se tornaria um componente essencial da obra de Argento. 


 Suspiria: Uma estudante descobre um mundo de bruxaria e horror em uma escola de dança na Alemanha. A trama de “Suspiria”, como de costume nos filmes de Argento, é simplória, quase nula (a maneira como a bruxaria é retratada no filme em termos de enredo-roteiro é de uma tosquice comparável à Uma noite Alucinante, mas é apenas um detalhe). O filme de 1977, entretanto, é considerado o ponto alto da filmografia do cineasta. Com os anos, se tornou objeto de culto, junto com a trilha sonora, outra vez da banda Goblin. O impacto e a ousadia em “Suspiria” vêm em grande parte de seu uso de cores. Vermelho, azul e verde, os tons primários, surgem saturadas, artificiais, fortemente contrastadas com partes profundamente escuras. Argento empregou uma variante do processo de colorização Technicolor para conseguir o efeito visual. Com elementos clássicos como feitiços, bruxas e a floresta negra, “Suspiria” foi descrito como “um conto de fadas gótico”. Para fazer Suspiria, uma total abstração do que chamamos de ‘realidade diária’, foram usadas cores primárias, que são geralmente tranquilizantes, apenas na sua forma mais pura, fazendo com que ficassem violentas e provocativas de forma imediata e surpreendente. Argento constrói a história de maneira que os momentos mais horrendos têm uma beleza horripilante. Mesmo os espirros de sangue parecem meio que com uma pintura viva de Jackson Pollock. Como dito no começo, em italiano, “giallo” significa “amarelo”. A cor passou a ser associada no país a histórias de terror e mistério na década de 1930 graças a uma série de livros “pulp” chamada “Il giallo Mondadori”. Publicadas pela editora Mondadori, as capas vinham sempre com um fundo amarelo. Com o sucesso dessas edições, outras editoras começaram a imitar a estética. 



O termo “giallo” ganhou abrangência nas décadas seguintes, sendo usado na Itália para designar livros e filmes de suspense e terror. A partir da década de 1960, “giallo” entrou para a língua inglesa como uma designação genérica para filmes italianos de terror. O diretor Mario Bava é um reconhecido pioneiro deste cinema, com fãs como Martin Scorsese e Tim Burton. Em 1956, dirigiu “I vampiri”, considerado um dos primeiros filmes italianos de terror. A obra de Bava inclui títulos como “Seis mulheres para o assassino”, de 1964, e “Banho de sangue”, de 1971, que inspirou produções como a série “Sexta-feira 13”.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Westworld - Is this now?



Agora que já se passaram algumas semanas do término da segunda temporada de WestWorld, e que se passou, um pouco, o impacto de tanto plot twist, venho aqui pra perguntar pra vocês se têm certeza de que agora é agora e se não somos todos hosts. Porque olha, eu não tenho mais certeza de nada, tipo o William no final (antes do extra do extra) da temporada.

 Tirando meus delírios (Hello Ford, my old friend...), o que ficou pra gente, ao menos pra mim, é o que vai acontecer na já muito esperada terceira temporada, que por sinal só vai ao ar em 2020. Os realizadores, Nolan-Joy-Abrams, já andaram falando o que não vai ter: Teddy, a sequência pra explicar o que era aquela cena final, o tal futuro apocalíptico distópico (mais ainda) ectecera coisa e tal. E daí que a gente que está com um baita dum vazio existencial sem Dolores e Maeve nos domingos da HBO, fica que nem náufrago num botinho no meio do oceano de angústias.

 Mas o que há de tão fascinante nessa série? É o que muitos se perguntam, levando em conta que a história não é lá muito agradável, já que, basicamente, WestWorld paira no mote do como a humanidade é uma merda - salvo raríssimas exceções, como o Felix. De que à medida do potencial criativo, ao ponto de se desenvolver não apenas inteligencia artificial, mas corpos artificiais funcionais perfeitos, criados por super impressoras, para lém do 3d, que levaram o ser humano a bater de frente com a morte e, a recriação da mente humana, conduzindo a espécie à eternidade, o que se faz com tudo isso é no final das contas, sórdido, feio e vazio. E aí, contrariando os iluministas como Rouseuau, que afirmavam que o ser humano é essencialmente bom, vamos de encontro a Hobbes, que afirmava o contrário, que somos todos uma porcaria e daí os contratos sociais, que nos regulariam, ouvimos isso da boca de William em dado momento da série. Na boca dum Logan, adoecido, contudo mais lúcido do que nunca, ele profetiza de que nós mesmos nos destruiremos através dessa F"nova espécie" criada por nós.

 A essência disso não é nova, vimos em Terminator e de maneira mais sofisticada em Matrix, contudo, não dessa maneira perversa como vemos em WestWorld. Ao passo em que assisto, vão se imbricando em mim todas as minhas leituras. Na visão de Nietzsche, por exemplo, o conceito de bom ou mau na esfera moral não possui sentido em si mesmo, de modo que nada, em sua essência, é objetivamente bom e tampouco mau  aí teríamos a justificativa pra personagens como Ford. 

O que será de nós, no final de tudo?

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Virada no diabo



Acabei de resistir à tentação de deletar esse blog. Resisti, não porque ele seja imprescindível, porque ele não é, blog nenhum é e, no final das contas, nada ou ninguém é. Não fiz porque não seria certo comigo mesma, já que ele nasceu como uma âncora pra minha sanidade e olha, houve momentos em que não acreditava que sairia ilesa (forte e bela feito cavalo novo) do que estava passando, mas saí. E este blog aqui ajudou. Ajudou a não me perder de vez de vista. Ajudou a ocupar a minha mente com algo mais salutar do que fumar, beber sozinha à noite ou pensar em pegar um ônibus pra outro estado, abandonando tudo.

E agora, nessa fase, às voltas com aquarelas e cristais, quero reclamar do preço do papel do montval ou melhor ainda, falar das black houses de Salem (black não people, mas house mesmo. Né bizarro? Por que eu não nasci em Salem?). E daí que eu quero escrever sobre isso e eu já mudei um bocado a "essência" do Solilóquios e voilà, outra mudança? Não parece certo (ao menos não pareceu meia-hora atrás) e o certo seria acabar com este blog e criar um outro, sei lá, Riscos e Feitiços, algo horrível assim. 

Só que né, voltei ao normal e desisti disso. Então, minha gente, se preparem pra posts sobre pintura, desenho e bruxaria, porque teremos. 

Inté.

Imagem: AHS Coven.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sharp Objects - You could be anywhere on the black screen



Um dos grandes lançamentos da HBO para 2018, "Sharp Objects" recebeu, antes mesmo de estrear no último domingo (8), uma alcunha incômoda: a de "nova Big Little Lies", em referência à minissérie super premiada de 2017.  Assim como sua predecessora, "Sharp Objects" tem uma estrela hollywoodiana. como Amy Adams, traz mulheres como protagonistas, é uma adaptação de um livro (mesma autora de Gone Girl) e é dirigida por Jean-Marc Vallée. Mas a comparação não é totalmente justa, já que a nova minissérie tem méritos próprios, muitos por sinal. 



Amy Adams é Camille, uma jornalista que viaja a Wind Gap, uma cidadezinha esquecida do sul dos Estados Unidos, para investigar o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Acontece que Wind Gap é a cidade natal da protagonista, cheia de recordações traumáticas que ela deixou para trás há muitos anos. Ou, acha que deixou. Por conta disso, "Sharp Obejcts" não é um suspense convencional: importa menos o "quem matou" do que a exploração profunda e detalhada da psiquê aquebrantada de Camille. Assombrada pelas feridas do passado, ela tem pequenas garrafinhas de vodca como companheiras inseparáveis, alé, de cigarros, doces e analgésicos, e mantém o hábito de se cortar - daí o título da minissérie e do livro.



 A trama lembra, de certa forma, o que a mesma HBO fez na primeira temporada de "True Detective", também mais interessada na bagagem psicológica de seus personagens. Mas, em "Sharp Objects", isso acontece a partir de uma perspectiva feminina, potencializada pelo fato de Camille conviver intimamente com duas personagens tão interessantes quanto ela: sua neurótica mãe Adora (Patricia Clarkson), que não está exatamente feliz com seu retorno, e sua meia-irmã Amma (Eliza Scanlen), que dentro de casa é uma garota inocente, e fora mostra seu lado mais rebelde. 



 Cuidadosamente construída, a história tem um ritmo mais lento, a ser digerido aos poucos - como pede sua grande carga dramática. E isso está longe de ser um demérito: nos dois primeiros que já foram ao ar, a gente se sente instigado a continuar o mergulho na vida de Camille, em uma atuação fascinante de Amy Adams, mesmo quando ela se torna muito sombria. A série traz uma aura onírica à série, com belas sequências em que passado, imaginação e realidade confluem. E fora da luxuosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxo de "Big Little Lies": Wind Gap é uma cidade decadente, que não esconde que há algo de muito errado por lá. Talvez exista em todas as cidades pequenas. O pacote é arrematado por uma trilha sonora que se torna parte indissociável da jornada da protagonista, com,o o primeiro episódio cheio de músicas de Led Zeppilin e, em especial, a música do final do segundo episódio, que foi ao ar ontem, Black Screen, do LCD SoundSystem.


domingo, 15 de julho de 2018

Férias passadas



Sextas, sábados e domingos no shopping com as crianças. Algodão doce do tamanho de montanhas russas. Brinquedos coloridos que provocam espasmos e náuseas. Uma baleia orca. A interminável fila pra comprar Mclanhe feliz e Big Mac e depois, sundae de baunilha com cobertura de morango. Mas sem castanhas, não combina. Loja de brinquedos que ri e é feliz. Cheiro de plástico novo. Cheiro de cabelo de boneca nova. 

É tão bom que a gente sorri, ri e é feliz, lembrando dum passado nosso, só nosso, sem finais de semana em shoppings, mas que tinha o perfume sintético do cabelo da boneca nova da mercearia, que tinha cheiro de cesta de vime e pão.

Testinhas suadas querendo voltar pra casa no táxi apertado. A mais nova dorme no meu colo, segurando a boneca, mas o que dá pra sentir é o cheiro da boneca humana, cheiro de chega de lágrimas e lavanda infantil. Vestidinho de algodão com fita.

Chegando em casa, cheiro de cédula nova, retirada na carteira pra pagar o moço do táxi. Crianças entrando em casa numa fila indiana, menos a mais nova, carregada no meu colo, agarrada á boneca. Tiro os sapatinhos mary jane e as meias de morango, repouso-a na minha cama com perfume de brisa da manhã, que é meio doce e azul.

Que horas vamos partir o bolo de chocolate?

Partir tem vários sentidos.


domingo, 3 de junho de 2018

Digital Influencers e o oitavo círculo do inferno



Quantos digital influencers são necessários pra se criar um consciente coletivo da frustração?

Acho que a quantidade já está excessiva, assim como as frustrações. Mas, as fias que se tornam isso, digital influencers, não pensam assim e seguem se multiplicando, tipo bolor no pão francês, escondido no fundo do armário da insegurança alheia. 

Eu escrevo blogs faz milênios e espero, Deusa, nunca ter influenciado ninguém a porra nenhuma, porque né? Sou um fracasso retumbante, que briga com véia surda no caixa da lotérica pra pagar os boleto. E no começo, éramos meia dúzia, utilizando Windows 95, compartilhando nosso azar na vida, que nem o Diário de Bridget Jones, escolhendo vodcka e chaka khan. Aí invetaram as blogueiras de moda e hoje, com a era Youtuber, as blogueirinhas (que eu não sei se o povo chama assim por carinho ou deboche). Elas não necessariamente escrevem algo, mas se filmam pra caramba no story do Instagram e Facebook, mostrando todo o seu "conteúdo" que consiste, basicamente, no que consomem, no que compram ou no que ganham porque são amadas por marcas e demais pessoinhas, ultrapassando os 10 k (10 mil seguidores). Ah, detalhe, pra pessoa digital influenciadora se dignar a te responder, reza a lenda que você também deve ter milhares de pessoas te seguindo, porém menos do que elas (a não ser que você também seja da panelinha digital) e, ser fã da blogueirinha e tals. Caso contrário, morra de base, efeito matte, esperando.

O problema não é que exista este fenômeno, ele era previsível até. Era óbvio que este povo migraria pra outra plataforma mais fácil do que a da escrita, levando em conta que mal sabiam escrever algo que prestasse ou valesse a leitura. Hoje por exemplo, me passou pelas vistas uma criaturinha dessas, regional (Ainda é tatuadora. Antes eram DJs, hoje são tatuadores) chamando um dos livros da Márcia Tiburi de enfadonho. Deve ser porque não tem gravura, né? Óbvio que a criatura humana pode achar enfadonho o que ela quiser. Eu só acho meio uó chamar um livro de escrita acadêmica, chorado e pensado pelos minguantes intelectuais que restam nesta república das bananas passadas que é o Brasil, de enfadonho. Enfadonha é a ignorância. E uma praga dessas é que influencia o povo, e não a Tiburi. Ou a Chauí. Porque a gente teima em não educar a galera, especialmente nossas meninas. 

Mas voltando, não se enganem, esse povo também não sabe falar. A maioria com problemas graves de dicção, fanhas e de vozes irritantes, agravadas pelas variações linguísticas e o pior de tudo, sem conteúdo. Porque, miguinhos, quando teu conteúdo consiste em tirar selfie do teu melhor perfil (a mesma pose, forever), de bico de pata, mostrando como você é privilegiada que não anda de busão, isso implica em dizer que vossa mercê não tem conteúdo, só aparência mesmo. Quando tem, né? Porque vejam bem, a Kylie Jenner, aquela moça pode ser qualquer coisa no mundo, menos bonita. Na verdade, ela já foi bem agradável aos olhos, antes de deformar o rosto com plásticas loucas. Mas todo mundo quer ser Kylie Jenner. O povo vai às lágrimas por ela, que não faz nada da vida (ela não canta, não escreve, não dança, não interpreta, não cria... nada). Ela é rica. E irmã da Kim Kardashian, que também é rica. A única ventura delas é que são filhas da Kris Jenner, que é uma figura, tipo a Gretchen, só que amiga do Lagerfeld. Se bem que... grande merda.

Dia desses, minha caçula me mostrou uma Youtuber negra num vídeo chorando porque estava cansada de não encontrar maquiagem pra pele negra. CHORANDO. É de cair a @ da bunda. Eu sou preta, gente. Não encontro base, corretivo, pó (dignidade humana também falta) desde os tempos em que se passava urucum na cara. E daí? É chato, mas que se lasque! Estou mais interessada em galgar meu espaço e me firmar nele, caso contrário, me derrubam sinistro, porque se mulher já não é considerada gente (e essa é a verdadeira luta do feminismo, pra nós, mulheres, sermos reconhecidas como seres humanos), pra mulher preta, pobre e nordestina é um tantinho pior, sabe? A criaturinha podendo fazer um canal massa, sobre empoderamento através da maquiagem ou até, olha que louco, algo mais relevante, tipo, cursos de maquiagem pra formar outras meninas, pra que tenham uma profissão e que não dependam de seu ninguém (liberdade, independência). Mas não, vai chorar pitanga porque cansou o vans de ir atrás de base. MEU POVO... MELHORE!

Imagem: Eu AMO! É duma moça de Hamburg (Alemanha) dentro da Weekday Store, numa festa de lançamento, em 2010. Pensando sério em fazer uma versão dessas pra mim, quiça trocando fashion blogger por digital influencers.

P.S.: Pra quem ainda não leu a Divina Comédia, a referência do título do post, o oitavo círculo é pra gente que é uma fraud. Inté.



quarta-feira, 30 de maio de 2018

Meu povo, melhore...



Observando toda a loucura desencadeada por conta da greve dos caminhoneiros e suas consequências, o desabastecimento que realmente está meio trevoso, eu me pego pensando, especialmente depois de conferir algumas postagens beirando a dor existencial via Twitter e Facetruque, de que algo errado não está certo com essa gente. Chego a conclusão de que o brasileiro atual não está iniciado na zoeira cíclica do própria país.

Obviamente que a situação em alguns lugares do Brasil está bem sinistra, falta remédio em vários hospitais, tem animais morrendo de fome e isso não é brincadeira. Mas véi, na boa, tem gente histérica porque tá faltando batata inglesa e alface! Meu povo, melhore. Sem falar na galera elitista e socialmente cega, que está pra cometer suicídio, porque já não encontra alho poró no Zona Sul (ou insira aqui o mercado metido a besta da sua cidade). Esse povo, essa gente, eu tô achando é graça, variando pra vontade sincera de meter um tapa no pé da orelha, quando o problema da criatura humana é a falta do melão japonês e das tâmaras do Egito.

Eu que sou professorinha sem fé, como diz aqui do lado, entendo o porquê do ódio que esse povo todo sente pela história, e continuo achando que burrice deveria doer. O tanto que o brasileiro médio emburreceu nos últimos tempos, que coincidiram com alguns dos melhores anos da história recente do Brasil, anos de fartura, de inflação controlada. Parece que o brasileiro gosta é de se lascar de verde e amarelo e agora, com patinho da FIESP.

Eu fui criança na década de 1980, peguei o final da Ditadura, do governo do meu xará Figueiredo, aquela santa criatura que preferia cavalo ao povo. O país completamente falido, arrasado, entregue pro defunto Neves que por consequência passou pro coronel do Maranhão, vulgo Sarney da ABL. Inflação de 84%. Você tem ideia do que é isso? Você acorda e o leite custa tanto e vai dormir com o mesmo leite custando 3 vezes aquele tanto. Tinha fila pra comprar leite que era limitado a dois litros por família.  E eram alguns dias da semana só. Foi daí que veio o hábito, que ainda persiste nos subúrbios de Fortaleza, das vacarias. Fulano cria umas vaquinhas leiteiras e pá, comercializa o leite, ali, na moita, sem fiscalização. O tal do leite mugido. Acho bucólico, mesmo odiando leite mugido ~ péssimas lembranças de ter que tomar com nata e tudo. Ah, e ainda me pedem intervenção militar e é pra já. Pra quê? Pra falir ainda mais o país? Todos fugidos das aulas de história, gente que acha bonito professor humilhado, vivendo de doação.

Quando meu pai morreu, eu tinha 11 anos e a gente se lascou bonito. Beiramos a fome várias vezes. Sobreviver era a meta e minha mãe, pobre soberba, gastava o que não podia pra me manter numa escola particular no Montese, quando a gente passava o mês comendo arroz com mortadela, comprado fiado na Bodega da Dona Maria. Mas eu tinha que estudar na escola particular. Não me entendam mal, eu reconheço os sacrifícios que ela fez pra conseguir me criar sozinha, mas era burrice manter filho em escola particular quando falta tudo dentro de casa, num país com inflação galopante e dinheiro desvalorizado. E faltava tudo mesmo lá em casa. Eu devo ter passado uns dez anos da minha vida sem comer chocolate e pra mim tudo bem. Mas você imagina uma criança ou adolescente dessa geração passar por isso? Desses que frequentam escola particular? Pois é. Minha última barra de chocolate na infância deve ter sido lá pros 10 anos, minhas tias, irmãs do meu pai, trouxeram pra mim de Pernambuco, mas daí meu pai morreu, a família dele nos enterrou juntos e, como éramos pobres de marré deci, só na vida adulta fui experimentar uma barra de chocolate inteira, só pra mim. Iogurte era uma vez por mês, quando saía a pensão. Eu passava o mês todo esperando. Rúcula eu pensava que era um xingamento. Quando ouvi a finada Ofélia, no seu programa de culinária, ensinando a fazer salada de rúcula com ricota e azeite (azeite?) eu, moça de família, até ruborizei. Como assim, palavrão na Tv Bandeirantes, na frente das câmeras, tá bom? Até hoje acho rúcula um negócio meio obsceno. Ofélia danadinha. 

O certo é que tudo na minha casa, e na casa de milhões de brasileiros pobres, num país em crise econômica e atrasado, era extremamente difícil. Um achocolatado pra colocar no leite, vulgo Nescau, Toddynho? Não, adoce com açúcar mesmo. Se a mãe estiver de bom humor, ela fazia um caramelo, açúcar queimado, e daí a gente tinha o leite colorido (até hoje gosto muito disso). Fruta? Banana maçã do quintal de casa, jambo e carambola das calçadas dos vizinhos, manga e caju dos sítios do bairro e acabou. Morango eu só sabia que existia  da tv, dos filmes e do sabor do Quick Morango, que era um dos meus luxos, também quando saía a pensão. Quando experimentei um morango pela primeira vez, minha cara retorceu toda, que deve ter entrado um grau, de tão azedo, coisa que eu não esperava. Eu esperava Quick, né? Batata frita? Gente, eu comi batata frita pela primeira vez na inauguração da McDonalds em Fortaleza (primeira vez com hamburguer também), meados da década de 1990. Refrigerante (que segundo Paola Carosella não é alimento... diz isso pra uma criança pobre que tem poucos prazeres na vida, fia)? Adivinha? Uma vez por mês também, tanto que eu sou viciada em refrigerante até hoje, especialmente o refrigerante mais gostoso do mundo, o de caju São Gerardo. Mas na minha época de erê era caro. Almoço era com um copão de água do filtro de barro e, aos finais de semana, um suco artificial, vulgo Kisuco, porque Tang também era luxo. Uma vez, fui fazer trabalho na casa de uma colega de escola, e a mãe dela pegou uma lata de doce de leite. UMA LATA DE DOCE DE LEITE. Abriu e serviu duas colheres enormes pra gente e, com suco de laranja que ela espremeu ali, na hora. Eu fiquei... What? Aquilo ali, pra mim, era o supra sumo da riqueza. Até hoje tenho como hábito comer doce de leite acompanhado de suco de laranja, feito na hora, porque hoje eu posso, mas eu sei o tanto que me custou conseguir, mesmo sendo pobre sinistra, proporcionar uma vida com menos carências pros meus rebentos.

Meus filhos não passaram por nada disso que passei e, mesmo assim, ainda se queixam da falta de microondas, do videogame, da boneca que falava, mas cresceram muito bem nutridas, com todas as frutas, verduras (inclusive rúcula), legumes e todos os mimos que eu podia fornecer, como bolo de chocolate com chantilly. E também não lhes faltaram os jambos e as carambolas roubadas das árvores da vizinhança, e as sacolas de mangas e cajus doados pelos donos dos sítios do bairro.

Daí eu vejo essa geração mimada, reclamando da escassez momentânea da abobrinha japonesa. Quanto despreparo, minha gente. Uma ilusão de vida confortável e plena, apenas uma ilusão burguesa. A gente tem que ser mais humilde diante da vida. Pode se cuidar com o bom e do melhor? Faça. Não pode? Sobreviva. Sou de uma geração de gente pobre sinistra que sobreviveu pra comprar mato orgânico e criar os filhos com açúcar demerara. Mas se não tiver, a gente vive sem. 

 Inté.

P.S.: O título desse post, segundo meus filhos, deveria ser "Cala boca, rapariga" hahaha, mas né?
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