domingo, 15 de outubro de 2017

O som do ódio é fanho



Sempre quis morar onde estou morando agora. Na verdade, não estou morando bem onde quero, moro no limite ente o bairro que sempre quis morar, o Benfica, e o Centro da cidade. O coração do Benfica, que chamamos de Gentilândia, fica uns dez minutos a pé aqui de casa, e do Centro da cidade também. Do Shopping Benfica acho que também uns 10 minutos a pé, pro Passeio Público, Sobrado São Lourenço uns 15 minutos. Pro Mercado São Sebastião uns 8 minutos. Então, posso afirmar que moro num ponto nevrálgico, estratégico da cidade, que me deixa bem perto de um monte de coisas legais, galerias, eventos, cinemas. Seria muito legal, se não fosse a casa em si e a droga da rua e dos vizinhos.

Acho que já contei do velho do cajado, figura sinistra que mora aqui quase em frente. A rua, em sua maioria é logradouro de clínicas, laboratórios e afins. Tem umas lojas de décor de festa e de casa que sempre me faz parar um pouco e entrar, especialmente a Mormaço (queria entender o nome...), mas aqui e ali tem uma casa em que mora gente, quase sempre inconveniente. O vizinho da esquina, um terreno enorme em que funciona uma oficina, tem o fetiche filho de quenga de correr com moto ou algo assim (um veículo motorizada de duas rodas), que faz um barulho dos infernos. Fica correndo com a porcaria da moto, acelerando, nos horários mais ridículos, tipo, 6 da tarde, 10 da noite, 9 da manhã dum domingo. Meu ódio eterno.

Assim que mudei, na casa ao lado, morava um casal bem jovem que aos poucos descobri que era um porre. A garota insuportável. As áreas das casas são separadas apenas por grades, então, dá pra ver direitinho o que cada um faz na sua área. Enquanto eles me veem estendendo roupa, jogando bolinha pro Benji (personagem central deste texto), eu os vejo fumando baseado, de dr em ligação etc. A minha é morada das minhas plantinhas e do meu Benji (meu catioro, já falei) que é antissocial e detesta todo mundo, menos a gente aqui em casa. Quer dizer, ele também não curte muito meu erê mais velho (temos a tchioria de que ele não gosta de ômi). Pois então, Benji detestava a criaturinha. E o que a pessoinha fazia? Provocava o cachorro. Sim, estou falando sério. Várias foram as vezes em que ela simplesmente mandou Benji calar a boca, como se ela fosse alguma coisa dele ou nossa. E o que eu fazia? Nada. Lá vou brigar com vizinho, ainda fedelha xexelenta. Mas me divertia com o Benji latindo e latindo e latindo insistentemente. Benji latiu tanto, que se mudaram uns três meses depois que chegamos. E foi maravilhoso, porque a casa ficou sem moradores por lindos sete meses, até o último mês, quando se mudou metade do time do Fortaleza. 

Mentira, mas de fato, moram vários homenzinhos horrorosos, simplesmente por suas existências. E o Benji? Late. Late enquanto estão na área, quando chegam, quando saem. Agora inventaram de ouvir forró bem alto aos sábados à tarde. Aquele tipo de forró atual, cujos cantores são todos fanhos. Aliás, alguém pode me explicar, o porquê de todo cantor desse tipo de forró ser fanho? É algum tipo de pre-requisito, só canta se for fanho essa merda?

E esta semana, mudou-se pra casa de trás um outro casal. A casa de trás tem a área de serviço coladinha com a área de serviço dos vizinhos, chegados num forró. E adivinha o que o novo casal tem? Um catioro, que também é meio antissocial e não curte os homenzinhos horrorosos. Daí é um whatsapp de cachorro, Benji late na frente, o ouro responde atrás e os vizinhos, coitados, não têm pra onde ir. Estou quase com dó. Mentira rs.

Imagem: cena do filme Bebê de Rosemary, a vizinha que fez pacto com o capeta, que voc~es podem entender como uma metáfora de mim ou dos vizinhos absurdos.

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